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Famílias reinvadem área verde do antigo lixão do Alvarenga

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sem fiscalização e diante da morosidade de descontaminação do solo para construção de parque, local volta a receber construções irregulares


Bia Moço
Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

24/05/2019 | 08:00


Quase 20 anos após o lixão do Alvarenga, na divisa entre São Bernardo e Diadema, ter sido desativado, a área verde de 750 mil m² segue abandonada e sem destinação correta. A promessa era que o terreno passaria por processo de remediação – a partir de 2013 – e, depois disso, receberia espécie de reserva ecológica e usina para geração de energia a partir da incineração do lixo, em 2015. Passados quatro anos, o local segue contaminado e, diante da falta de fiscalização, foi reocupado. Cerca de 320 famílias vivem em construções irregulares no espaço.

A equipe do Diário percorreu a área nesta semana e conversou com moradores. Segundo eles, há dois anos foram colocadas tubulações no terreno com o objetivo de medir a qualidade do solo e expelir o gás gerado pelo acúmulo de lixo. No entanto, consideram a medida tardia. “Não adianta, depois de 17 anos, tentar amenizar o que não foi visto antes”, considera o mestre de obras Luiz João, 48 anos.

O morador se refere aos quase 30 anos em que o local serviu como ponto de descarte de resíduos sólidos de São Bernardo e Diadema, ação que culminou na contaminação da área. As toneladas de entulho, produtos químicos e lixo hospitalar descartados na área foram cobertas por terra, mato e árvores. No entanto, nada disso impediu que a poluição se espalhasse para a Represa Billings, localizada a 500 metros do espaço.

No ano 2000, o MP (Ministério Público) instaurou ação civil pública e foi assinado pelas duas prefeituras TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que determina a recuperação da área. O processo, entretanto, sequer teve início.

Em 30 anos, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) estima que 2 milhões de toneladas de lixo foram depositadas no local.

Morador do Sítio Joaninha, em Diadema, há 25 anos, João mora quase em frente à antiga entrada do lixão. “Hoje em dia está tranquilo aqui, só tem muito bicho, como cobras, aranhas e pernilongos. O que esperamos é que a promessa de parque saia do papel.”

Já os invasores que habitam a área no lado de São Bernardo confiam que o terreno seja destinado a projetos habitacionais. Em 2012, a Prefeitura removeu cerca de 100 famílias do local e as incluiu no cadastro municipal, com oferta de auxílio-moradia mensal. A promessa era viabilizar conjuntos habitacionais por meio do Minha Casa, Minha Vida Manancial, em parceria com o governo federal.

 ESTUDO

Conforme a Cetesb, competem à Prefeitura de São Bernardo o licenciamento ambiental e a fiscalização das ocupações irregulares na área.

No fim de 2018, após realização de audiência pública, ficou acordado que seria realizado novo estudo do local para elaboração de proposta de remediação. No entanto, não foram divulgados prazos e detalhes sobre o andamento do processo.

A Prefeitura de Diadema informou que “a área em questão pertence ao município de São Bernardo e que está monitorando as divisas”. Já São Bernardo não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição.



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Famílias reinvadem área verde do antigo lixão do Alvarenga

Sem fiscalização e diante da morosidade de descontaminação do solo para construção de parque, local volta a receber construções irregulares

Bia Moço
Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

24/05/2019 | 08:00


Quase 20 anos após o lixão do Alvarenga, na divisa entre São Bernardo e Diadema, ter sido desativado, a área verde de 750 mil m² segue abandonada e sem destinação correta. A promessa era que o terreno passaria por processo de remediação – a partir de 2013 – e, depois disso, receberia espécie de reserva ecológica e usina para geração de energia a partir da incineração do lixo, em 2015. Passados quatro anos, o local segue contaminado e, diante da falta de fiscalização, foi reocupado. Cerca de 320 famílias vivem em construções irregulares no espaço.

A equipe do Diário percorreu a área nesta semana e conversou com moradores. Segundo eles, há dois anos foram colocadas tubulações no terreno com o objetivo de medir a qualidade do solo e expelir o gás gerado pelo acúmulo de lixo. No entanto, consideram a medida tardia. “Não adianta, depois de 17 anos, tentar amenizar o que não foi visto antes”, considera o mestre de obras Luiz João, 48 anos.

O morador se refere aos quase 30 anos em que o local serviu como ponto de descarte de resíduos sólidos de São Bernardo e Diadema, ação que culminou na contaminação da área. As toneladas de entulho, produtos químicos e lixo hospitalar descartados na área foram cobertas por terra, mato e árvores. No entanto, nada disso impediu que a poluição se espalhasse para a Represa Billings, localizada a 500 metros do espaço.

No ano 2000, o MP (Ministério Público) instaurou ação civil pública e foi assinado pelas duas prefeituras TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que determina a recuperação da área. O processo, entretanto, sequer teve início.

Em 30 anos, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) estima que 2 milhões de toneladas de lixo foram depositadas no local.

Morador do Sítio Joaninha, em Diadema, há 25 anos, João mora quase em frente à antiga entrada do lixão. “Hoje em dia está tranquilo aqui, só tem muito bicho, como cobras, aranhas e pernilongos. O que esperamos é que a promessa de parque saia do papel.”

Já os invasores que habitam a área no lado de São Bernardo confiam que o terreno seja destinado a projetos habitacionais. Em 2012, a Prefeitura removeu cerca de 100 famílias do local e as incluiu no cadastro municipal, com oferta de auxílio-moradia mensal. A promessa era viabilizar conjuntos habitacionais por meio do Minha Casa, Minha Vida Manancial, em parceria com o governo federal.

 ESTUDO

Conforme a Cetesb, competem à Prefeitura de São Bernardo o licenciamento ambiental e a fiscalização das ocupações irregulares na área.

No fim de 2018, após realização de audiência pública, ficou acordado que seria realizado novo estudo do local para elaboração de proposta de remediação. No entanto, não foram divulgados prazos e detalhes sobre o andamento do processo.

A Prefeitura de Diadema informou que “a área em questão pertence ao município de São Bernardo e que está monitorando as divisas”. Já São Bernardo não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição.

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