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Apesar dos erros, ‘Game of Thrones’ deixou legado na história do entretenimento televisivo

Divulgação / HBO Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Série encerra deixando legado grandioso, mas desfecho no domingo dividiu os fãs e causou decepção


Lorena S. Ávila
Especial para o Dgabc

21/05/2019 | 07:48


O mundo não estava preparado para o fenômeno GOT (Game of Thrones). A série, que estreou em 2011 pelo canal HBO, inaugurou um dos momentos mais promissores na indústria do entretenimento televisivo. Com quase 50 premiações, algumas temporadas chegaram a bater recorde, registrando cerca de 14 milhões em audiência, e GOT se tornou a série número um no mundo. Sem economizar, os produtores elevaram os padrões e proporcionaram ao público um espetáculo, até então, visto apenas no cinema.

A série não foi somente ousada em termos de produção, mas a sua história, adaptada da saga literária de George R.R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo – que ainda não foi concluída –, revelou-se surpreendente e impactante. A trama, que retrata uma corrida insana que tem como prêmio os Sete Reinos e o trono de ferro, traz abordagens filosóficas e principalmente políticas, expondo o pior da raça humana na disputa pelo poder.

No começo, são apresentadas as três Casas que, a despeito das outras, representariam os pilares da narrativa: Targaryen, Stark e Lannister; assim são introduzidas as personagens emblemáticas que fariam parte dessa jornada fantástica e brutal. Daenerys (Emilia Clarke), Jon Snow (Kit Harington), Bran (Isaac Hempstead), Arya (Maisie Williams), Sansa (Sophie Turner), Tyrion (Peter Dinklage), Jaime (Nikolaj Waldau), Cersei (Lena Headey) e outras dezenas que, obcecados pelo ‘jogo’, aos poucos, ganharam seu desfecho.

Entre mortes inesperadas – que atingiram dos protagonistas até os secundários –, uma boa dose de sexo, violência, mistérios, batalhas, romances, traições e acontecimentos intensos, pouco a pouco a série caminhou para o seu fim, que, ao contrário do que muitos esperavam, chegou enfraquecido, em ritmo acelerado e sem muita coragem ou entusiasmo, com o sexto episódio da sua oitava temporada, televisionado domingo.

Não é de hoje que o grande épico se perdeu. Na verdade, a sétima temporada, que foi ao ar em 2017, já dava sinais de falhas, entregando um trabalho de direção mediano em todos os aspectos. De repente, o desenvolvimento de determinadas personalidades, as ações e os diálogos ficaram empobrecidos. Os erros passaram a não se limitar somente ao roteiro, a cargo de David Benioff e D.B. Weiss, contaminando também a parte técnica, que passou a ignorar sequência e continuidade, fazer cortes bruscos, confusos e, por vezes, errar planos e fotografia.

Já na oitava temporada, os problemas se agravaram, e o fim de um grande seriado, mais uma vez, dividiu opiniões e deixou um rastro de decepção. Não foram apenas as previsibilidades e as teorias especulativas, usadas como fan service para preencher o vazio deixado por Martin, que impactaram de modo negativo. Basicamente, os roteiristas tiveram de dar uma continuidade praticamente original a uma adaptação, o que os levou a criarem armadilhas na narrativa que guiaram a série para um futuro não muito promissor, como o romance exagerado e forçado de Jon Snow e Daenerys, que nunca tiveram química, e a inutilidade atribuída a Bran nos episódios mais recentes.

GoT, em seu terceiro ato, parece ter rompido o elo que tinha com a sua própria história, tamanha disparidade que existe entre seus ‘meios’ e seus ‘fins’, que não se justificam. Isso porque o que era para ser clímax ou plot twist confundiu-se com uma quebra drástica de construção e desenvolvimento, surtindo efeito contrário e desconexo. E não bastasse esse detalhe, que definiu o rumo de toda a história, a temporada em si foi um acúmulo de cenas desnecessárias, situações mal aproveitadas e personagens desconstruídos.

Entretanto, gostando ou não do final, não há como negar que o seriado viu dias de glória. A série teve muitos pontos fortes no seu decorrer e, até mesmo, no episódio final. Personagens como Tyrion e Jaime Lannister, Sansa e Arya Stark (Maisie Williams), foram muito bem construídos e, com exceção de Jaime e Cersei (Lena Headey), ganharam um destino coerente e digno, que concluiu de modo satisfatório os ciclos de cada um. O ápice do encerramento, decerto, veio com o dragão Drogon e seu profundo sofrimento, capaz de reduzir a cinzas a maior cobiça daquele mundo; simbolismo e a metáfora dessa cena são poderosos.

Durante a jornada, tivemos capítulos emblemáticos que foram de tirar o fôlego; como esquecer o Casamento Vermelho, a Batalha dos Bastardos e o nascimento dos dragões? Além, claro, das personagens icônicas que, com a sua valentia, sabedoria ou maldade - para citar alguns como Joffrey, Ramsay, Ned, Olenna e Brienne - despertaram os mais variados sentimentos, o que é consequência da entrega completa numa excelente atuação.

A trilha sonora, que inclui Jenny of Oldstones, música belíssima da Florence + The Machine, The Rains of Castamere, que ganhou linda interpretação na voz de Serj Tankian, e diversas versões da canção de abertura, bem como um orquestral deslumbrante pelas mãos de Ramin Djawadi, seguiu fascinando e dando o tom necessário ao drama, até o último momento.

Fato é que, com erros fatais, mas muitos acertos, Game of Thrones consolidou-se como o seriado mais impactante dos últimos anos, deixando um legado histórico e abrindo espaço para as próximas narrativas de fantasia na televisão, que virão agora com mais força do que nunca.

Para amenizar a saudade, a HBO irá exibir um documentário que mostrará os bastidores da série, domingo, às 22h. Além disso, já foi anunciado um spin-off da saga, que está em fase de pré-produção.
 



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Apesar dos erros, ‘Game of Thrones’ deixou legado na história do entretenimento televisivo

Série encerra deixando legado grandioso, mas desfecho no domingo dividiu os fãs e causou decepção

Lorena S. Ávila
Especial para o Dgabc

21/05/2019 | 07:48


O mundo não estava preparado para o fenômeno GOT (Game of Thrones). A série, que estreou em 2011 pelo canal HBO, inaugurou um dos momentos mais promissores na indústria do entretenimento televisivo. Com quase 50 premiações, algumas temporadas chegaram a bater recorde, registrando cerca de 14 milhões em audiência, e GOT se tornou a série número um no mundo. Sem economizar, os produtores elevaram os padrões e proporcionaram ao público um espetáculo, até então, visto apenas no cinema.

A série não foi somente ousada em termos de produção, mas a sua história, adaptada da saga literária de George R.R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo – que ainda não foi concluída –, revelou-se surpreendente e impactante. A trama, que retrata uma corrida insana que tem como prêmio os Sete Reinos e o trono de ferro, traz abordagens filosóficas e principalmente políticas, expondo o pior da raça humana na disputa pelo poder.

No começo, são apresentadas as três Casas que, a despeito das outras, representariam os pilares da narrativa: Targaryen, Stark e Lannister; assim são introduzidas as personagens emblemáticas que fariam parte dessa jornada fantástica e brutal. Daenerys (Emilia Clarke), Jon Snow (Kit Harington), Bran (Isaac Hempstead), Arya (Maisie Williams), Sansa (Sophie Turner), Tyrion (Peter Dinklage), Jaime (Nikolaj Waldau), Cersei (Lena Headey) e outras dezenas que, obcecados pelo ‘jogo’, aos poucos, ganharam seu desfecho.

Entre mortes inesperadas – que atingiram dos protagonistas até os secundários –, uma boa dose de sexo, violência, mistérios, batalhas, romances, traições e acontecimentos intensos, pouco a pouco a série caminhou para o seu fim, que, ao contrário do que muitos esperavam, chegou enfraquecido, em ritmo acelerado e sem muita coragem ou entusiasmo, com o sexto episódio da sua oitava temporada, televisionado domingo.

Não é de hoje que o grande épico se perdeu. Na verdade, a sétima temporada, que foi ao ar em 2017, já dava sinais de falhas, entregando um trabalho de direção mediano em todos os aspectos. De repente, o desenvolvimento de determinadas personalidades, as ações e os diálogos ficaram empobrecidos. Os erros passaram a não se limitar somente ao roteiro, a cargo de David Benioff e D.B. Weiss, contaminando também a parte técnica, que passou a ignorar sequência e continuidade, fazer cortes bruscos, confusos e, por vezes, errar planos e fotografia.

Já na oitava temporada, os problemas se agravaram, e o fim de um grande seriado, mais uma vez, dividiu opiniões e deixou um rastro de decepção. Não foram apenas as previsibilidades e as teorias especulativas, usadas como fan service para preencher o vazio deixado por Martin, que impactaram de modo negativo. Basicamente, os roteiristas tiveram de dar uma continuidade praticamente original a uma adaptação, o que os levou a criarem armadilhas na narrativa que guiaram a série para um futuro não muito promissor, como o romance exagerado e forçado de Jon Snow e Daenerys, que nunca tiveram química, e a inutilidade atribuída a Bran nos episódios mais recentes.

GoT, em seu terceiro ato, parece ter rompido o elo que tinha com a sua própria história, tamanha disparidade que existe entre seus ‘meios’ e seus ‘fins’, que não se justificam. Isso porque o que era para ser clímax ou plot twist confundiu-se com uma quebra drástica de construção e desenvolvimento, surtindo efeito contrário e desconexo. E não bastasse esse detalhe, que definiu o rumo de toda a história, a temporada em si foi um acúmulo de cenas desnecessárias, situações mal aproveitadas e personagens desconstruídos.

Entretanto, gostando ou não do final, não há como negar que o seriado viu dias de glória. A série teve muitos pontos fortes no seu decorrer e, até mesmo, no episódio final. Personagens como Tyrion e Jaime Lannister, Sansa e Arya Stark (Maisie Williams), foram muito bem construídos e, com exceção de Jaime e Cersei (Lena Headey), ganharam um destino coerente e digno, que concluiu de modo satisfatório os ciclos de cada um. O ápice do encerramento, decerto, veio com o dragão Drogon e seu profundo sofrimento, capaz de reduzir a cinzas a maior cobiça daquele mundo; simbolismo e a metáfora dessa cena são poderosos.

Durante a jornada, tivemos capítulos emblemáticos que foram de tirar o fôlego; como esquecer o Casamento Vermelho, a Batalha dos Bastardos e o nascimento dos dragões? Além, claro, das personagens icônicas que, com a sua valentia, sabedoria ou maldade - para citar alguns como Joffrey, Ramsay, Ned, Olenna e Brienne - despertaram os mais variados sentimentos, o que é consequência da entrega completa numa excelente atuação.

A trilha sonora, que inclui Jenny of Oldstones, música belíssima da Florence + The Machine, The Rains of Castamere, que ganhou linda interpretação na voz de Serj Tankian, e diversas versões da canção de abertura, bem como um orquestral deslumbrante pelas mãos de Ramin Djawadi, seguiu fascinando e dando o tom necessário ao drama, até o último momento.

Fato é que, com erros fatais, mas muitos acertos, Game of Thrones consolidou-se como o seriado mais impactante dos últimos anos, deixando um legado histórico e abrindo espaço para as próximas narrativas de fantasia na televisão, que virão agora com mais força do que nunca.

Para amenizar a saudade, a HBO irá exibir um documentário que mostrará os bastidores da série, domingo, às 22h. Além disso, já foi anunciado um spin-off da saga, que está em fase de pré-produção.
 

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