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Especialistas criam associação para reunir dados sobre dieta low carb



20/05/2019 | 13:45


A dieta low carb conquista cada vez mais adeptos pelo mundo. Informações sobre o estilo de vida com baixo consumo de carboidrato são tão procuradas que alguns especialistas decidiram criar uma associação para reunir dados científicos a respeito do tema. A reportagem entrevistou o presidente da Associação Brasileira LowCarb (ABLC), o médico José Carlos Souto. Veja os principais trechos a seguir:

Como surgiu a ideia de criar a Associação Brasileira LowCarb?

A ABLC surgiu com a finalidade de atender às necessidades das pessoas quanto às informações precisas e científicas sobre a dieta low carb, além de garantir que aqueles que utilizam essa estratégia alimentar com a finalidade terapêutica possam consumir produtos ditos com low carb com segurança. A maioria das pessoas saudáveis não precisa seguir um estilo de vida low carb. Para estas, o guia alimentar brasileiro fornece um excelente embasamento: evite alimentos processados e ultraprocessados e busque comer com uma variedade de alimentos minimamente processados. Para outras pessoas, low carb é um estilo de vida que lhes traz bem-estar e a manutenção de um peso adequado sem a necessidade de passar fome. Há, porém, um grupo de pessoas, que incluem diabéticos, resistentes à insulina severa, e pessoas com doenças neurológicas que seguem uma dieta cetogênica para as quais low carb não é apenas uma opção, e sim uma necessidade. As evidências dos benefícios do estilo de vida low carb no que tange à diabete, pré-diabete, síndrome metabólica, obesidade e sobrepeso, já vem se acumulando há muitas décadas na literatura científica, inclusive com estudos do mais alto nível nas mais importantes universidades. No entanto, a estratégia não vinha sendo abraçada por profissionais da saúde, sejam eles médicos, nutricionistas ou educadores físicos. A ABLC veio para preencher esta lacuna e ajudar a divulgar a estratégia low carb, as evidências científicas que lhe dão suporte, ajudar a normatizar a low carb no Brasil, bem como certificar produtos que sejam adequados para o consumo dentro deste tipo de estratégia alimentar. A ABLC entende que um produto ou uma receita com a designação "low carb" deve ser segura para aqueles que necessitam dessa abordagem.

Como os pesquisadores e especialistas avaliam a restrição do consumo de carboidrato?

Diversos estudos científicos randomizados já demonstram há alguns anos os benefícios e a segurança de uma dieta com restrição de carboidratos no manejo de doenças associadas à resistência a insulina (ex: diabete, obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado) e hipertrigliceridemia). Recentemente, a Associação Americana de Diabete passou a defender abertamente low carb como uma das estratégias nutricionais adequadas para o manejo nutricional dos pacientes com diabete. A Associação Americana afirmou, inclusive, no que diz respeito ao controle da glicose no sangue, low carb é a estratégia mais eficaz entre as estudadas.

Essa redução do consumo do macronutriente pode ser prejudicial a longo prazo?

É muito pouco provável. Os estudos randomizados com qualquer dieta geralmente são de curta duração, mas não demonstraram aumento dos marcadores de risco cardiovascular com a dieta low carb, pelo contrário. Os estudos que temos disponíveis para avaliação a longo prazo de estratégias nutricionais são na maioria observacionais. Esse tipo de estudo dificulta muito a conclusão de causa e efeito porque existem inúmeros outros fatores externos que podem interferir nas conclusões, além de terem todos os seus dados baseados em questionários alimentares - algo já desqualificado por diversos estudos. Servem no máximo para levantar hipóteses. Mas a questão é: existe algum estudo a longo prazo demonstrando que a dieta preconizada atualmente (muito carboidrato e baixa gordura) seja segura a longo prazo? Eu já posso lhe dar a resposta: também não. Mas após as recomendações de se consumir mais carboidrato e menos gordura sabemos o que aconteceu: número crescente de obesidade e diabete.



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Especialistas criam associação para reunir dados sobre dieta low carb


20/05/2019 | 13:45


A dieta low carb conquista cada vez mais adeptos pelo mundo. Informações sobre o estilo de vida com baixo consumo de carboidrato são tão procuradas que alguns especialistas decidiram criar uma associação para reunir dados científicos a respeito do tema. A reportagem entrevistou o presidente da Associação Brasileira LowCarb (ABLC), o médico José Carlos Souto. Veja os principais trechos a seguir:

Como surgiu a ideia de criar a Associação Brasileira LowCarb?

A ABLC surgiu com a finalidade de atender às necessidades das pessoas quanto às informações precisas e científicas sobre a dieta low carb, além de garantir que aqueles que utilizam essa estratégia alimentar com a finalidade terapêutica possam consumir produtos ditos com low carb com segurança. A maioria das pessoas saudáveis não precisa seguir um estilo de vida low carb. Para estas, o guia alimentar brasileiro fornece um excelente embasamento: evite alimentos processados e ultraprocessados e busque comer com uma variedade de alimentos minimamente processados. Para outras pessoas, low carb é um estilo de vida que lhes traz bem-estar e a manutenção de um peso adequado sem a necessidade de passar fome. Há, porém, um grupo de pessoas, que incluem diabéticos, resistentes à insulina severa, e pessoas com doenças neurológicas que seguem uma dieta cetogênica para as quais low carb não é apenas uma opção, e sim uma necessidade. As evidências dos benefícios do estilo de vida low carb no que tange à diabete, pré-diabete, síndrome metabólica, obesidade e sobrepeso, já vem se acumulando há muitas décadas na literatura científica, inclusive com estudos do mais alto nível nas mais importantes universidades. No entanto, a estratégia não vinha sendo abraçada por profissionais da saúde, sejam eles médicos, nutricionistas ou educadores físicos. A ABLC veio para preencher esta lacuna e ajudar a divulgar a estratégia low carb, as evidências científicas que lhe dão suporte, ajudar a normatizar a low carb no Brasil, bem como certificar produtos que sejam adequados para o consumo dentro deste tipo de estratégia alimentar. A ABLC entende que um produto ou uma receita com a designação "low carb" deve ser segura para aqueles que necessitam dessa abordagem.

Como os pesquisadores e especialistas avaliam a restrição do consumo de carboidrato?

Diversos estudos científicos randomizados já demonstram há alguns anos os benefícios e a segurança de uma dieta com restrição de carboidratos no manejo de doenças associadas à resistência a insulina (ex: diabete, obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado) e hipertrigliceridemia). Recentemente, a Associação Americana de Diabete passou a defender abertamente low carb como uma das estratégias nutricionais adequadas para o manejo nutricional dos pacientes com diabete. A Associação Americana afirmou, inclusive, no que diz respeito ao controle da glicose no sangue, low carb é a estratégia mais eficaz entre as estudadas.

Essa redução do consumo do macronutriente pode ser prejudicial a longo prazo?

É muito pouco provável. Os estudos randomizados com qualquer dieta geralmente são de curta duração, mas não demonstraram aumento dos marcadores de risco cardiovascular com a dieta low carb, pelo contrário. Os estudos que temos disponíveis para avaliação a longo prazo de estratégias nutricionais são na maioria observacionais. Esse tipo de estudo dificulta muito a conclusão de causa e efeito porque existem inúmeros outros fatores externos que podem interferir nas conclusões, além de terem todos os seus dados baseados em questionários alimentares - algo já desqualificado por diversos estudos. Servem no máximo para levantar hipóteses. Mas a questão é: existe algum estudo a longo prazo demonstrando que a dieta preconizada atualmente (muito carboidrato e baixa gordura) seja segura a longo prazo? Eu já posso lhe dar a resposta: também não. Mas após as recomendações de se consumir mais carboidrato e menos gordura sabemos o que aconteceu: número crescente de obesidade e diabete.

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