Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 15 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

A parceria com Fernanda Montenegro, pelo diretor



20/05/2019 | 07:51


Na entrevista, Karim Aïnouz manifesta sua preocupação, e até indignação. Como no governo de Fernando Collor de Mello, quando extinguiu a Embrafilme, ele vê agora uma nova tentativa de desmontagem do cinema brasileiro. "Não conseguiram uma vez, e estão tentando de novo. Mas essa gente vai passar e o que nos define, como brasileiros, não são eles, que não têm grandeza nenhuma. O que nos define é a Fernanda Montenegro, essa grande atriz com quem tive o privilégio de trabalhar."

Fernanda faz uma das irmãs, muitos anos depois, na atualidade. "Ela é maravilhosa, uma atriz excepcional e uma pessoa humana generosa. Fernanda não prega o ódio, é toda amor. É a expressão de tudo de bom que o Brasil tem a oferecer. Prefiro me ligar nela, que engrandece meu filme."

Karim Aïnouz tem feito filmes que abordam o universo trans (Madame Satã) e o gay (Praia do Futuro). Ofereceu grandes papéis a Lázaro Ramos, no primeiro, e a Wagner Moura, no segundo. Mas ele não seria um grande cineasta sensível às questões femininas se não tivesse feito também O Céu de Suely e O Abismo Prateado, em que Hermila Guedes e Alessandra Negrini estão excepcionais. Aïnouz e Fernanda Montenegro andaram trocando mensagem sobre a reciprocidade da troca em A Vida Invisível de Eurídice Gusmão.

O filme dá visibilidade às mulheres anônimas, sofridas, guerreiras. "Para mim, dirigir um ator é um ato de comunhão", explica Aïnouz. "Na verdade, essa comunhão é algo próximo a uma paixão avassaladora que dura o período do trabalho. Digo paixão, pois para mim só faz sentido se for assim, se puder ser incansável, arrebatador e potente. Acho que nesse sentido, também, como a paixão, isso não tem nenhuma particularidade em relação a ser no Brasil ou na Alemanha, ou onde mais for. Meu trabalho como diretor existe na medida em que existe esse lugar comum de entrega e confiança, se eu não suscitei isso no ator, arrisco a dizer que nem o dirigi. Por isso, também, minha alegria, tendo a certeza de que eu tive o prazer de experienciar esse filme com você. O filme para mim é um processo vivo que se nutre muito desse lugar onde as entregas todas se encontram, minha, dos atores e de toda equipe, dirigir para mim é, em algum sentido, organizar todas essas potências."



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

A parceria com Fernanda Montenegro, pelo diretor


20/05/2019 | 07:51


Na entrevista, Karim Aïnouz manifesta sua preocupação, e até indignação. Como no governo de Fernando Collor de Mello, quando extinguiu a Embrafilme, ele vê agora uma nova tentativa de desmontagem do cinema brasileiro. "Não conseguiram uma vez, e estão tentando de novo. Mas essa gente vai passar e o que nos define, como brasileiros, não são eles, que não têm grandeza nenhuma. O que nos define é a Fernanda Montenegro, essa grande atriz com quem tive o privilégio de trabalhar."

Fernanda faz uma das irmãs, muitos anos depois, na atualidade. "Ela é maravilhosa, uma atriz excepcional e uma pessoa humana generosa. Fernanda não prega o ódio, é toda amor. É a expressão de tudo de bom que o Brasil tem a oferecer. Prefiro me ligar nela, que engrandece meu filme."

Karim Aïnouz tem feito filmes que abordam o universo trans (Madame Satã) e o gay (Praia do Futuro). Ofereceu grandes papéis a Lázaro Ramos, no primeiro, e a Wagner Moura, no segundo. Mas ele não seria um grande cineasta sensível às questões femininas se não tivesse feito também O Céu de Suely e O Abismo Prateado, em que Hermila Guedes e Alessandra Negrini estão excepcionais. Aïnouz e Fernanda Montenegro andaram trocando mensagem sobre a reciprocidade da troca em A Vida Invisível de Eurídice Gusmão.

O filme dá visibilidade às mulheres anônimas, sofridas, guerreiras. "Para mim, dirigir um ator é um ato de comunhão", explica Aïnouz. "Na verdade, essa comunhão é algo próximo a uma paixão avassaladora que dura o período do trabalho. Digo paixão, pois para mim só faz sentido se for assim, se puder ser incansável, arrebatador e potente. Acho que nesse sentido, também, como a paixão, isso não tem nenhuma particularidade em relação a ser no Brasil ou na Alemanha, ou onde mais for. Meu trabalho como diretor existe na medida em que existe esse lugar comum de entrega e confiança, se eu não suscitei isso no ator, arrisco a dizer que nem o dirigi. Por isso, também, minha alegria, tendo a certeza de que eu tive o prazer de experienciar esse filme com você. O filme para mim é um processo vivo que se nutre muito desse lugar onde as entregas todas se encontram, minha, dos atores e de toda equipe, dirigir para mim é, em algum sentido, organizar todas essas potências."

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;