Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 21 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

'Kardec' é sobre o cientista e o educador

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


16/05/2019 | 07:11


Enquanto escrevia sua biografia de Allan Kardec (1804-1869), Marcel Souto Maior enviava os capítulos para o diretor Wagner de Assis, que estourara na bilheteria com Nosso Lar, de 2010. O longa havia deflagrado a onda espírita do cinema brasileiro, e tanto Assis quanto Souto Maior pensavam. "Dá filme", o Kardec. A O2 já o tinha numa lista de possíveis projetos.

Há um ano, exatamente - 16 de maio de 2018 -, Assis iniciou a filmagem, em Paris. Antes houve a fase de roteiro, de negociações de produção. Mas, então - será mera coincidência? Pois o filme abre-se com uma aula do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que vai virar Allan Kardec. Entra o sacerdote. Ele protesta em defesa do ensino laico.

O quadro é a França de Napoleão III. "Havia uma forte interferência da Igreja na administração pública, portanto, é perfeitamente válido que um homem que, como professor, foi fundamental para o ensino médio francês, não permanecesse calado", afirmam ainda o cineasta e o escritor.

Kardec estreia nesta quinta-feira, dia 16, em salas de todo o País. Nosso Lar era tosco, tinha aquele visual brega desprezado como de mau gosto pela crítica, mas foi um megassucesso. Comparativamente, Kardec é uma obra-prima - pelo menos de produção. Visual apurado, certa fluidez do relato. Certa - porque Assis não evita um tanto de solenidade. Kardec tem diálogos que beiram o pronunciamento. É acadêmico, mas é digno.

O próprio Souto Maior admite que, como escritor, seu maior desafio foi encontrar a voz de Kardec. "Pesquisei na Biblioteca Nacional da França, onde tive a sorte de encontrar os exemplares da Revista Espírita que Kardec editou por 11 anos. Ele se correspondia com seguidores da doutrina, e as cartas foram muito importantes porque nelas ele se surpreendia com as descobertas e não escondia a decepção pelos detratores e traidores. Dessa forma, foi possível chegar à sua essência humana."

Nesse Brasil evangélico, o diretor é o primeiro a manifestar curiosidade - como reagirá o público? "Existem cerca de 15 mil grupos de estudos kardecistas no País, e creio que o interesse desse segmento será grande. O resto é expectativa", reflete Assis.

Perseguição. Na França, Kardec foi perseguido e até ridicularizado após a morte. No Brasil, sua doutrina renasceu com Bezerra de Menezes e firmou-se com o verdadeiro fenômeno que foi Chico Xavier.

O importante é que o espectador não precisa ser espírita para assistir ao filme. Rivail/Allan Kardec era um estudioso que chegou ao mundo dos espíritos e dos médiuns movido pela curiosidade científica. Enfrentou descrença e todo tipo de resistência - de colegas cientistas, da Igreja, das instituições seculares.

O filme pode ser visto como um manifesto em defesa da liberdade - de expressão e investigação. Um manifesto em defesa da caridade. Numa França devastada pela miséria, Rivail/Kardec ousou defender a solidariedade com o próximo desvalido, outro ponto de contato com o Brasil atual.

"Não é sobre espiritismo, é sobre o pedagogo", adverte o diretor. No currículo, ele tem filmes como o citado Nosso Lar e Menina Índigo, e também foi roteirista, na Globo, de novelas que abordavam o mundo do além. Apesar disso, Assis resiste aos rótulos. "Não existe essa coisa de gênero espírita. Se existisse, teríamos de colocar Ghost - Do Outro Lado da Vida, O Sexto Sentido e Os Outros (refere-se aos filmes de Jerry Zucker, M. Night Shyamalan e Alejandro Amenábar). Parece que só se fala disso no cinema brasileiro, mas para ser uma coisa pejorativa."

Atores

Leonardo Medeiros, que faz o papel de Allan Kardec, criou-se num ambiente kardecista. "Para mim ele (Kardec) foi um cientista até o fim, movido sempre pela curiosidade científica para entender o mundo e os fenômenos paranormais ao redor dele", explica.

Sandra Corveloni, que foi melhor atriz em Cannes - por Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas -, faz a mulher guerreira do professor. Não é complicado para uma atriz contemporânea meter-se naquele figurino de época? "Querido, venho do teatro, com o Eduardo Tolentino, no Grupo Tapa. Fazíamos muito os clássicos e o Tolentino sempre teve uma preocupação muito grande com o figurino. A gente estudava as roupas, e como levar aqueles vestidos, aquelas casacas. A roupa integra a criação dos personagens, vira personagem, também." Medeiros, com sua formação teatral, concorda integralmente.

Ambos, diretor e escritor, destacam a participação do elenco, em especial a da atriz. Na ficção, a mulher de Rivail, que se chamava Amélie, é identificada como Gabi.

"O roteiro já esboçava uma personagem forte, mas foi a leitura de Sandra que nos permitiu dimensionar a importância da mulher na vida de Kardec", assinala o diretor. Por mais que resista às etiquetas, Assis prepara a sequência de Nosso Lar. Sem entrar em detalhes, garante que será diferente do primeiro filme.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

'Kardec' é sobre o cientista e o educador


16/05/2019 | 07:11


Enquanto escrevia sua biografia de Allan Kardec (1804-1869), Marcel Souto Maior enviava os capítulos para o diretor Wagner de Assis, que estourara na bilheteria com Nosso Lar, de 2010. O longa havia deflagrado a onda espírita do cinema brasileiro, e tanto Assis quanto Souto Maior pensavam. "Dá filme", o Kardec. A O2 já o tinha numa lista de possíveis projetos.

Há um ano, exatamente - 16 de maio de 2018 -, Assis iniciou a filmagem, em Paris. Antes houve a fase de roteiro, de negociações de produção. Mas, então - será mera coincidência? Pois o filme abre-se com uma aula do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que vai virar Allan Kardec. Entra o sacerdote. Ele protesta em defesa do ensino laico.

O quadro é a França de Napoleão III. "Havia uma forte interferência da Igreja na administração pública, portanto, é perfeitamente válido que um homem que, como professor, foi fundamental para o ensino médio francês, não permanecesse calado", afirmam ainda o cineasta e o escritor.

Kardec estreia nesta quinta-feira, dia 16, em salas de todo o País. Nosso Lar era tosco, tinha aquele visual brega desprezado como de mau gosto pela crítica, mas foi um megassucesso. Comparativamente, Kardec é uma obra-prima - pelo menos de produção. Visual apurado, certa fluidez do relato. Certa - porque Assis não evita um tanto de solenidade. Kardec tem diálogos que beiram o pronunciamento. É acadêmico, mas é digno.

O próprio Souto Maior admite que, como escritor, seu maior desafio foi encontrar a voz de Kardec. "Pesquisei na Biblioteca Nacional da França, onde tive a sorte de encontrar os exemplares da Revista Espírita que Kardec editou por 11 anos. Ele se correspondia com seguidores da doutrina, e as cartas foram muito importantes porque nelas ele se surpreendia com as descobertas e não escondia a decepção pelos detratores e traidores. Dessa forma, foi possível chegar à sua essência humana."

Nesse Brasil evangélico, o diretor é o primeiro a manifestar curiosidade - como reagirá o público? "Existem cerca de 15 mil grupos de estudos kardecistas no País, e creio que o interesse desse segmento será grande. O resto é expectativa", reflete Assis.

Perseguição. Na França, Kardec foi perseguido e até ridicularizado após a morte. No Brasil, sua doutrina renasceu com Bezerra de Menezes e firmou-se com o verdadeiro fenômeno que foi Chico Xavier.

O importante é que o espectador não precisa ser espírita para assistir ao filme. Rivail/Allan Kardec era um estudioso que chegou ao mundo dos espíritos e dos médiuns movido pela curiosidade científica. Enfrentou descrença e todo tipo de resistência - de colegas cientistas, da Igreja, das instituições seculares.

O filme pode ser visto como um manifesto em defesa da liberdade - de expressão e investigação. Um manifesto em defesa da caridade. Numa França devastada pela miséria, Rivail/Kardec ousou defender a solidariedade com o próximo desvalido, outro ponto de contato com o Brasil atual.

"Não é sobre espiritismo, é sobre o pedagogo", adverte o diretor. No currículo, ele tem filmes como o citado Nosso Lar e Menina Índigo, e também foi roteirista, na Globo, de novelas que abordavam o mundo do além. Apesar disso, Assis resiste aos rótulos. "Não existe essa coisa de gênero espírita. Se existisse, teríamos de colocar Ghost - Do Outro Lado da Vida, O Sexto Sentido e Os Outros (refere-se aos filmes de Jerry Zucker, M. Night Shyamalan e Alejandro Amenábar). Parece que só se fala disso no cinema brasileiro, mas para ser uma coisa pejorativa."

Atores

Leonardo Medeiros, que faz o papel de Allan Kardec, criou-se num ambiente kardecista. "Para mim ele (Kardec) foi um cientista até o fim, movido sempre pela curiosidade científica para entender o mundo e os fenômenos paranormais ao redor dele", explica.

Sandra Corveloni, que foi melhor atriz em Cannes - por Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas -, faz a mulher guerreira do professor. Não é complicado para uma atriz contemporânea meter-se naquele figurino de época? "Querido, venho do teatro, com o Eduardo Tolentino, no Grupo Tapa. Fazíamos muito os clássicos e o Tolentino sempre teve uma preocupação muito grande com o figurino. A gente estudava as roupas, e como levar aqueles vestidos, aquelas casacas. A roupa integra a criação dos personagens, vira personagem, também." Medeiros, com sua formação teatral, concorda integralmente.

Ambos, diretor e escritor, destacam a participação do elenco, em especial a da atriz. Na ficção, a mulher de Rivail, que se chamava Amélie, é identificada como Gabi.

"O roteiro já esboçava uma personagem forte, mas foi a leitura de Sandra que nos permitiu dimensionar a importância da mulher na vida de Kardec", assinala o diretor. Por mais que resista às etiquetas, Assis prepara a sequência de Nosso Lar. Sem entrar em detalhes, garante que será diferente do primeiro filme.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;