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Diego Hypolito abre o jogo e assume que é homossexual

André Henriques/DGABC 17/11/17 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ginasta nascido em Santo André diz que tinha receio de assumir por conta do preconceito


Anderson Fattori

09/05/2019 | 07:00


Diego Hypolito abriu o jogo. Prata na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, e ouro nos mundiais de Melbourne-2005 e Stuttgart-2007, o ginasta de 32 anos assumiu publicamente ontem que é homossexual. O atleta, que nasceu em Santo André, disse que a descoberta ocorreu aos 19 anos, mas, com medo do preconceito e de perder competições importantes, preferiu esconder. Agora maduro e depois de anos de terapia, garantiu estar pronto para falar abertamente sobre o assunto.

O ginasta explicou que percebeu a homossexualidade durante período que estava servindo a Seleção Brasileira, em Curitiba. Na ocasião, compartilhou com o colega de quarto, Michel Conceição, que também é homossexual, e recebeu apoio. No mesmo dia os dois foram para uma casa noturna, mas Diego não se sentiu à vontade, preferiu se disfarçar. O andreense tinha medo da repercussão e das cobranças que receberia da sociedade.

Como ia muito à igreja quando pequeno e frequentava os cultos da Bola de Neve, Diego tinha vergonha, principalmente porque achava que ser homossexual era “algo amaldiçoado”. Contou para a mãe, Geni Hypolito, apenas nas vésperas do Mundial de 2014, na China, por meio de mensagem de texto. E de cara não teve aceitação da família, o que o deixou ainda mais retraído.

Os anos de terapia e a carreira consolidada o fizeram repensar a situação e abrir o jogo. Desta vez, ele garante estar pronto para qualquer repercussão. “Nem é mais o meu pensamento essa questão de poder ou não atrapalhar minha carreira. Acredito que não vai atrapalhar. Falei pensando no Diego pessoa, porque muitas vezes a gente prioriza Jogos Olímpicos, a carreira e acaba se eliminando como pessoa. Meu objetivo é formar pessoas melhores, mostrar minha integridade, meu caráter”, explicou.

Sem clube desde dezembro de 2018, quando a Caixa encerrou o contrato de patrocínio que tinha com a equipe de São Bernardo, Diego treina de favor na própria equipe do Grande ABC (sem salários). Vive dos apoiadores individuais, que ele não teme perder. “Não falei com os patrocinadores, mas acho que não muda nada. Não conversei com ninguém. Não tinha nada programado (falar sobre o assunto), apenas aconteceu”, contou.

Diego aproveitou a exposição para tentar marcar conversa com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O ginasta quer melhorar o tratamento aos atletas brasileiros. “Meus objetivos são grandes com a ginástica, sempre foram. Tenho juntado nomes para conseguir mudar o rumo do dinheiro (enviados) para os atletas no Brasil. Quero, de alguma maneira, falar com o Bolsonaro, esse é o meu grande objetivo. Quero ajudar, mudar o esquema de trabalho para (o dinheiro) chegar aos atletas e para que sejam tratados como profissão e não como amadorismo, como lazer. Esse é meu objetivo daqui para frente, além de terminar minha faculdade (de Educação Física), daqui um ano”, comentou o ginasta.

Na ginástica, Diego ainda não desistiu de competir nos Jogos de Tóquio-2020, mas precisa se recuperar de lesão. “Machuquei meu pé (direito), tive edema ósseo, estou em tratamento com ozônioterapia para tentar melhorar o mais rápido para tentar a vaga. Esse é o primeiro passo”, finalizou. 



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