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Dívida impacta no aporte do Semasa há 20 anos

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Autarquia contabiliza dívida de R$ 3,4 bilhões, deficit na operação da água e problemas no abastecimento


Fabio Martins

05/05/2019 | 07:20


Com dívida vultosa, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) deixou de realizar investimentos de grande porte há pelo menos 20 anos na rede de distribuição de água. Diante do cenário de negligência, o sistema antigo é o principal gerador de desperdícios, tendo perda de 42% do volume adquirido por metro cúbico no atacado da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). A autarquia local acumula passivo de R$ 3,4 bilhões junto à empresa estatal, deficit na operação e problemas no abastecimento. 

Frente aos débitos, optou-se no período por intervenções paliativas na rede, diminuindo o impacto dos vazamentos, porém sem resolver de vez o impasse. O último pacote concentrado de obras para manutenção, segundo informações extraoficiais, teria ocorrido entre meados de 1995 e 1996, durante o governo de Newton Brandão. Na ocasião, após contratempos na distribuição, foram substituídas tubulações de ferro por PVC, que estavam em boa parte oxidadas. A modernização teria se dado em pouco mais de 100 quilômetros de extensão. 

O período sem aporte de peso coincide com a decisão de a Prefeitura, na década de 1990, então gerida por Celso Daniel, iniciar depósito de valor da tarifa de água inferior ao cobrado pela Sabesp, sob a justificativa de divergência sobre o preço e que a empresa não abria a planilha de custos – a cidade adquire aproximadamente 94% de água da companhia paulista. À época, o Paço andreense seguiu encaminhamento do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Desde então, a diferença da quantia pendente se arrasta, resultando na bola de neve da dívida. Do total do passivo, R$ 400 milhões já foram convertidos em precatórios judiciais.

Sem priorizar essa vertente, Santo André chegou a passar por episódios de caos de falta d''''água em 2008, 2011 e 2016, períodos de crise acentuada. Depois de hiato, o município volta a ter reclamações neste sentido. Coordenadora do curso de Gestão Ambiental da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a professora Marta Marcondes pontuou que índice de perda superior a 40% “é impensável”. Para a especialista, a administração necessita rever a malha para atenuar danos. “Não é razoável. Tem que existir plano municipal, fazer diagnóstico, monitorar os vazamentos. É cara a manutenção, mas se não houver vai continuar desperdício, fica apenas enxugando gelo. Gasta muito e não resolve.”

O prefeito Paulo Serra (PSDB) alegou que os últimos chefes do Executivo “ignoraram esse problema” de investimento na rede. Em 2017, o Paço fez operações de caça vazamentos, também de maneira paliativa. O tucano admitiu que a rede antiga “não suporta altas pressões, o que provoca perdas maiores, deixando a cidade limitada”. “Sem investimento estrutural, de fato, não consegue ter margem de manobra em momento de crise, como no caso de rompimento da adutora da Sabesp. Não consegue fazer remanejamento”, disse. Segundo Paulo Serra, 90% da cidade já está abastecida. “Cerca de 10% ainda vive incômodo, que deve durar, infelizmente, mais uma semana, dez dias.”

O Paço assinou protocolo de intenções com a Sabesp e discute a equalização da dívida. O tucano frisou pretensão de apresentar plano de investimentos na rede, podendo ser de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões, incluindo esgoto, até o fim de junho para começo de obras no segundo semestre. “Não vou sossegar enquanto não resolver esse problema de forma definitiva. A ideia é solucionar isso até o fim deste ano. Queremos chegar no verão de 2020 sem esse impasse. Não me conformo que regiões da cidade ainda dependam de caminhão-pipa.” 



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Dívida impacta no aporte do Semasa há 20 anos

Autarquia contabiliza dívida de R$ 3,4 bilhões, deficit na operação da água e problemas no abastecimento

Fabio Martins

05/05/2019 | 07:20


Com dívida vultosa, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) deixou de realizar investimentos de grande porte há pelo menos 20 anos na rede de distribuição de água. Diante do cenário de negligência, o sistema antigo é o principal gerador de desperdícios, tendo perda de 42% do volume adquirido por metro cúbico no atacado da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). A autarquia local acumula passivo de R$ 3,4 bilhões junto à empresa estatal, deficit na operação e problemas no abastecimento. 

Frente aos débitos, optou-se no período por intervenções paliativas na rede, diminuindo o impacto dos vazamentos, porém sem resolver de vez o impasse. O último pacote concentrado de obras para manutenção, segundo informações extraoficiais, teria ocorrido entre meados de 1995 e 1996, durante o governo de Newton Brandão. Na ocasião, após contratempos na distribuição, foram substituídas tubulações de ferro por PVC, que estavam em boa parte oxidadas. A modernização teria se dado em pouco mais de 100 quilômetros de extensão. 

O período sem aporte de peso coincide com a decisão de a Prefeitura, na década de 1990, então gerida por Celso Daniel, iniciar depósito de valor da tarifa de água inferior ao cobrado pela Sabesp, sob a justificativa de divergência sobre o preço e que a empresa não abria a planilha de custos – a cidade adquire aproximadamente 94% de água da companhia paulista. À época, o Paço andreense seguiu encaminhamento do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Desde então, a diferença da quantia pendente se arrasta, resultando na bola de neve da dívida. Do total do passivo, R$ 400 milhões já foram convertidos em precatórios judiciais.

Sem priorizar essa vertente, Santo André chegou a passar por episódios de caos de falta d''''água em 2008, 2011 e 2016, períodos de crise acentuada. Depois de hiato, o município volta a ter reclamações neste sentido. Coordenadora do curso de Gestão Ambiental da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a professora Marta Marcondes pontuou que índice de perda superior a 40% “é impensável”. Para a especialista, a administração necessita rever a malha para atenuar danos. “Não é razoável. Tem que existir plano municipal, fazer diagnóstico, monitorar os vazamentos. É cara a manutenção, mas se não houver vai continuar desperdício, fica apenas enxugando gelo. Gasta muito e não resolve.”

O prefeito Paulo Serra (PSDB) alegou que os últimos chefes do Executivo “ignoraram esse problema” de investimento na rede. Em 2017, o Paço fez operações de caça vazamentos, também de maneira paliativa. O tucano admitiu que a rede antiga “não suporta altas pressões, o que provoca perdas maiores, deixando a cidade limitada”. “Sem investimento estrutural, de fato, não consegue ter margem de manobra em momento de crise, como no caso de rompimento da adutora da Sabesp. Não consegue fazer remanejamento”, disse. Segundo Paulo Serra, 90% da cidade já está abastecida. “Cerca de 10% ainda vive incômodo, que deve durar, infelizmente, mais uma semana, dez dias.”

O Paço assinou protocolo de intenções com a Sabesp e discute a equalização da dívida. O tucano frisou pretensão de apresentar plano de investimentos na rede, podendo ser de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões, incluindo esgoto, até o fim de junho para começo de obras no segundo semestre. “Não vou sossegar enquanto não resolver esse problema de forma definitiva. A ideia é solucionar isso até o fim deste ano. Queremos chegar no verão de 2020 sem esse impasse. Não me conformo que regiões da cidade ainda dependam de caminhão-pipa.” 

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