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Saudades


Márcio Bernardes

25/04/2019 | 15:38


 Estávamos em Cali. Era 1977 e o Brasil disputava o direito de ir à Copa da Argentina no outro ano. Naquele tempo o modelo de eliminatórias era diferente do atual. Nossa seleção jogou um triangular com Peru e Bolívia.

Eu era correspondente da Jovem Pan em Ribeirão Preto. A equipe que cobriu o torneio na Colômbia era composta por Osmar Santos, Orlando Duarte e Fausto Silva. Ainda jovem e inexperiente, fui para Cali representando o jornal O Diário e a Rádio Cultura. Na minha retaguarda, editando os textos e boletins, eu contava com a ajuda do jovem José Luiz Datena. Como eu já trabalhava na equipe da Pan, Osmar Santos conseguiu um cachê para que também me transformasse no assistente do Faustão nas reportagens.

Foi nessa época que conheci os grandes jogadores brasileiros e Claudio Coutinho. Ficamos amigos. O treinador, por causa de uma empatia natural, concedeu-me algumas entrevistas exclusivas. O trabalho repercutiu no Brasil.


Um dia, em um papo informal, ele me disse que estava gostando dos treinamentos do meu conterrâneo Zé Mário Baroni. E eu lhe disse que tinha outro craque na cidade, Sócrates, pouco badalado no país, mas já comentado por suas atuações sensacionais no Botafogo.

Sócrates e Zé Mário foram protagonistas do documentário 77 Eternos Campeões, produzido pelo jornalista Igor Ramos. Depois de vários meses, consegui tempo para ver com calma o documento cinematográfico. E matei saudades. Revi grandes e alguns saudosos amigos que deram depoimentos para o excelente trabalho sobre o Botafogo: Atilio Benedini, Quico Calil, Jorge Vieira, Benedito Sciência, Ernesto Mortari, Waldir Perez, Dicá, Zenon, Raí e outros jogadores que foram campeões do primeiro turno do Paulista daquele ano, depois de enfrentar o São Pulo. Ganharam para o Botafogo a Taça Cidade de São Paulo.

Ouvi depoimentos emocionantes do Manoel, Macalé, João Carlos Traina, Miro, Ney, João Carlos Motoca, Zito, Tonhão, Paulo Cesar Camassuti, Aguilera, Osmarzinho, Mário, Lorico, Maurinho, Sócrates, Arlindo e outros mais.

Lembrei-me que já na Copa da Argentina em 1978, com Zé Mário muito doente, Coutinho deu-me uma entrevista tentando justificar a não convocação de Sócrates e Falcão. Eu disse que ele foi insensível com o clamor da imprensa e da torcida brasileira. Meses depois, Telê Santana desfez a injustiça.

Naquele ano e com o passar do tempo outras equipes do interior de São Paulo brilharam no futebol brasileiro. A começar pelo Guarani, em 1978, passando
pela Ponte Preta de 1977 e 1979. Depois vieram Internacional de Limeira, Bragantino, Taquaritinga, São Caetano, Santo André e outros.

Como vivi intensamente a época daquele Botafogo maravilhoso, o tempo voltou e não consegui conter as lágrimas. Emoção, lembrança, recordação, história.

Com a devida permissão dos leitores, preciso fazer uma correção. Igor Ramos fez um trabalho quase perfeito. Faltou apenas citar ou entrevistar um garoto que na época estudava medicina e não era o Sócrates. Ficava no banco de reservas do Botafogo, chegando a jogar em diversas partidas. Todos diziam que estava nascendo um craque. Sérias contusões no joelho impediram a concretização dessas profecias. O futebol brasileiro realmente perdeu um possível futuro craque. Mas ganhou um craque na medicina. Estou falando de José Eduardo Bernardes.



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Saudades

Márcio Bernardes

25/04/2019 | 15:38


 Estávamos em Cali. Era 1977 e o Brasil disputava o direito de ir à Copa da Argentina no outro ano. Naquele tempo o modelo de eliminatórias era diferente do atual. Nossa seleção jogou um triangular com Peru e Bolívia.

Eu era correspondente da Jovem Pan em Ribeirão Preto. A equipe que cobriu o torneio na Colômbia era composta por Osmar Santos, Orlando Duarte e Fausto Silva. Ainda jovem e inexperiente, fui para Cali representando o jornal O Diário e a Rádio Cultura. Na minha retaguarda, editando os textos e boletins, eu contava com a ajuda do jovem José Luiz Datena. Como eu já trabalhava na equipe da Pan, Osmar Santos conseguiu um cachê para que também me transformasse no assistente do Faustão nas reportagens.

Foi nessa época que conheci os grandes jogadores brasileiros e Claudio Coutinho. Ficamos amigos. O treinador, por causa de uma empatia natural, concedeu-me algumas entrevistas exclusivas. O trabalho repercutiu no Brasil.


Um dia, em um papo informal, ele me disse que estava gostando dos treinamentos do meu conterrâneo Zé Mário Baroni. E eu lhe disse que tinha outro craque na cidade, Sócrates, pouco badalado no país, mas já comentado por suas atuações sensacionais no Botafogo.

Sócrates e Zé Mário foram protagonistas do documentário 77 Eternos Campeões, produzido pelo jornalista Igor Ramos. Depois de vários meses, consegui tempo para ver com calma o documento cinematográfico. E matei saudades. Revi grandes e alguns saudosos amigos que deram depoimentos para o excelente trabalho sobre o Botafogo: Atilio Benedini, Quico Calil, Jorge Vieira, Benedito Sciência, Ernesto Mortari, Waldir Perez, Dicá, Zenon, Raí e outros jogadores que foram campeões do primeiro turno do Paulista daquele ano, depois de enfrentar o São Pulo. Ganharam para o Botafogo a Taça Cidade de São Paulo.

Ouvi depoimentos emocionantes do Manoel, Macalé, João Carlos Traina, Miro, Ney, João Carlos Motoca, Zito, Tonhão, Paulo Cesar Camassuti, Aguilera, Osmarzinho, Mário, Lorico, Maurinho, Sócrates, Arlindo e outros mais.

Lembrei-me que já na Copa da Argentina em 1978, com Zé Mário muito doente, Coutinho deu-me uma entrevista tentando justificar a não convocação de Sócrates e Falcão. Eu disse que ele foi insensível com o clamor da imprensa e da torcida brasileira. Meses depois, Telê Santana desfez a injustiça.

Naquele ano e com o passar do tempo outras equipes do interior de São Paulo brilharam no futebol brasileiro. A começar pelo Guarani, em 1978, passando
pela Ponte Preta de 1977 e 1979. Depois vieram Internacional de Limeira, Bragantino, Taquaritinga, São Caetano, Santo André e outros.

Como vivi intensamente a época daquele Botafogo maravilhoso, o tempo voltou e não consegui conter as lágrimas. Emoção, lembrança, recordação, história.

Com a devida permissão dos leitores, preciso fazer uma correção. Igor Ramos fez um trabalho quase perfeito. Faltou apenas citar ou entrevistar um garoto que na época estudava medicina e não era o Sócrates. Ficava no banco de reservas do Botafogo, chegando a jogar em diversas partidas. Todos diziam que estava nascendo um craque. Sérias contusões no joelho impediram a concretização dessas profecias. O futebol brasileiro realmente perdeu um possível futuro craque. Mas ganhou um craque na medicina. Estou falando de José Eduardo Bernardes.

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