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Bull, um Sherlock Holmes no tribunal



28/04/2019 | 07:10


Pelo menos desde Sherlock Holmes, faz sucesso nos livros, filmes e na televisão a figura do gênio irascível e arrogante, pouco dado às convenções sociais, que resolve casos impossíveis. House, por exemplo, transportava Sherlock Holmes para o hospital, onde o médico vivido por Hugh Laurie desvendava doenças e males misteriosos. Em Bull, cuja terceira temporada está no ar, às quintas, às 21h, no canal A&E, o personagem do título é um psicólogo que usa suas habilidades e programas de computador sofisticados para escolher os melhores jurados para seus clientes e, assim, ganhar causas nos tribunais. "Ele é essa mistura de showman, xamã e golpista espalhafatoso", disse Michael Weatherly, que interpreta Jason Bull, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

No final da segunda temporada, porém, Bull levou um susto, tendo um ataque cardíaco na escadaria do tribunal, rodeado de pessoas indiferentes. "Foi perfeito porque aquelas pessoas ignoraram sua dor e sua condição, como ele estava fazendo também", contou Weatherly. "Por isso achei que ele deveria rir naquele momento, porque percebia o absurdo de sua miopia, de achar que pode se esconder nos problemas dos outros."

O início da terceira temporada mostra o personagem quase dez quilos mais magro e bronzeado. "Mas ele está com medo de todos, não quer encarar ninguém, porque não trabalhou para resolver seus problemas emocionais. Ele vai ter muito desconforto em decidir como se comportar." Weatherly vê Bull como um reflexo da sociedade. "Tudo está explodindo por causa do egoísmo."

O curioso é que a jornada do personagem espelhou a do ator. Weatherly tirou o tempo de folga entre as temporadas para se recuperar de um ano desgastante, com sua família em Los Angeles, e a série sendo filmada em Nova York. Ele não fala, mas foi durante a segunda temporada que a atriz Eliza Dushku o acusou de fazer comentários de conteúdo sexual no set, sendo afastada da série depois disso.

Semanas após a entrevista, foi divulgado que o canal CBS tinha feito um acordo com a atriz no valor de US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 37 milhões). "Eu precisava perder aqueles dez quilos, para a saúde de Michael Weatherly. Então bolei uma agenda. Todas as manhãs passava tempo com meus filhos. Quando eles saíam para a escola, eu ia dar uma caminhada, olhando para outras pessoas, não para meu telefone. Depois ia tocar música num estúdio. Voltava e jantávamos todos juntos em casa. Após três semanas, eu não queria mais beber duas garrafas de vinho por dia."

O ator também comemorou seu aniversário de 50 anos numa villa na Toscana. "Foi ótimo, não se mencionou Donald Trump nem sequer uma vez", contou. Weatherly tem consciência de que é um privilegiado - não muito diferente de seu personagem, um homem branco, de meia-idade, heterossexual e com dinheiro no banco. "Eu acho perfeito porque sou o único homem de meia-idade branco neste elenco", afirmou. "Ele sabe muito bem que foi tratado de outra forma por causa da cor da sua pele e do seu dinheiro."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Bull, um Sherlock Holmes no tribunal


28/04/2019 | 07:10


Pelo menos desde Sherlock Holmes, faz sucesso nos livros, filmes e na televisão a figura do gênio irascível e arrogante, pouco dado às convenções sociais, que resolve casos impossíveis. House, por exemplo, transportava Sherlock Holmes para o hospital, onde o médico vivido por Hugh Laurie desvendava doenças e males misteriosos. Em Bull, cuja terceira temporada está no ar, às quintas, às 21h, no canal A&E, o personagem do título é um psicólogo que usa suas habilidades e programas de computador sofisticados para escolher os melhores jurados para seus clientes e, assim, ganhar causas nos tribunais. "Ele é essa mistura de showman, xamã e golpista espalhafatoso", disse Michael Weatherly, que interpreta Jason Bull, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

No final da segunda temporada, porém, Bull levou um susto, tendo um ataque cardíaco na escadaria do tribunal, rodeado de pessoas indiferentes. "Foi perfeito porque aquelas pessoas ignoraram sua dor e sua condição, como ele estava fazendo também", contou Weatherly. "Por isso achei que ele deveria rir naquele momento, porque percebia o absurdo de sua miopia, de achar que pode se esconder nos problemas dos outros."

O início da terceira temporada mostra o personagem quase dez quilos mais magro e bronzeado. "Mas ele está com medo de todos, não quer encarar ninguém, porque não trabalhou para resolver seus problemas emocionais. Ele vai ter muito desconforto em decidir como se comportar." Weatherly vê Bull como um reflexo da sociedade. "Tudo está explodindo por causa do egoísmo."

O curioso é que a jornada do personagem espelhou a do ator. Weatherly tirou o tempo de folga entre as temporadas para se recuperar de um ano desgastante, com sua família em Los Angeles, e a série sendo filmada em Nova York. Ele não fala, mas foi durante a segunda temporada que a atriz Eliza Dushku o acusou de fazer comentários de conteúdo sexual no set, sendo afastada da série depois disso.

Semanas após a entrevista, foi divulgado que o canal CBS tinha feito um acordo com a atriz no valor de US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 37 milhões). "Eu precisava perder aqueles dez quilos, para a saúde de Michael Weatherly. Então bolei uma agenda. Todas as manhãs passava tempo com meus filhos. Quando eles saíam para a escola, eu ia dar uma caminhada, olhando para outras pessoas, não para meu telefone. Depois ia tocar música num estúdio. Voltava e jantávamos todos juntos em casa. Após três semanas, eu não queria mais beber duas garrafas de vinho por dia."

O ator também comemorou seu aniversário de 50 anos numa villa na Toscana. "Foi ótimo, não se mencionou Donald Trump nem sequer uma vez", contou. Weatherly tem consciência de que é um privilegiado - não muito diferente de seu personagem, um homem branco, de meia-idade, heterossexual e com dinheiro no banco. "Eu acho perfeito porque sou o único homem de meia-idade branco neste elenco", afirmou. "Ele sabe muito bem que foi tratado de outra forma por causa da cor da sua pele e do seu dinheiro."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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