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Monotrilho é opção menos poluente

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Especialistas da área de meio ambiente alertam para os riscos à saúde insistir em meios de transportes com queima de diesel, como é o caso do BRT


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

27/04/2019 | 07:00


 Especialistas em meio ambiente consultados pelo Diário alertam que a troca do monotrilho pelo BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus) na Linha 18-Bronze do Metrô, que está em análise pelo governo estadual, pode representar aumento da poluição atmosférica.

O projeto executivo do monotrilho, licitado desde 2014, prevê que o sistema funcione por meio de energia elétrica, sendo não poluente e silencioso. Cada trem utilizado tem capacidade de retirar de circulação entre dez e 12 ônibus e 500 veículos.

O BRT, por sua vez, apesar de ser um sistema de média capacidade e ter potencial de diminuir o número de carros nas ruas, é um corredor que pode receber ônibus movidos a diesel – a exemplo do que ocorre atualmente no Corredor ABD (São Mateus-Jabaquara), operado pela Metra, que, apesar de ser eletrificado, não conta com 100% da frota não poluente – agravando a emissão de material particulado.

Presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy destacou que a queima do diesel – derivado do petróleo – é um dos principais agravantes para a poluição atmosférica. “Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) estimam que apenas no Estado de São Paulo 17 mil pessoas morram a cada ano devido à poluição”, pontuou. “Não há justificativa, do ponto de vista da saúde, substituir um sistema de transporte elétrico por um modelo a diesel”, reforçou.

Para o ambientalista, a suposta economia com a troca de modelo não compesa os gastos públicos com saúde e as perdas que as doenças causadas pela poluição acarretam à saúde. “Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) estima que, até 2025, serão gastos R$ 50 milhões nas regiões metropolitanas do Sudeste brasileiro, Paraná e Rio Grande do Sul, com internações, afastamentos do trabalho e mortes em decorrência de doenças causadas e/ou agravadas pela poluição”, finalizou.

Professor do curso de engenharia ambiental da Universidade Metodista de São Paulo, Carlos Henrique Oliveira lembrou que nas regiões metropolitanas, onde há grande circulação de pessoas (a população do Grande ABC passa de 2,7 milhões), é fundamental a implantação de sistemas de transporte de massa, mas que, sendo de conhecimento os resultados da queima de combustíveis fósseis, devem ser incentivados e priorizados aqueles cuja fonte não seja poluente, como energia elétrica e biocombustíveis.

“O governo faz a conta apenas dos investimentos no empreendimento e não dos demais custos envolvidos”, citou. O docente ponderou que quanto maiores as emissões de poluentes atmosféricos, maiores os índices de doenças e de morte por problemas de saúde. “Isso quer dizer mais gente doente, maiores custos de atendimento médico, menor produtividade (por mais faltas ao trabalho), abreviação do tempo de vida das pessoas que fazem parte do grupo de risco (crianças, idosos, com problemas cardíacos ou respiratórios)”, concluiu.

Estudo mostra que poluição cai com Metrô

Estudo realizado em 2015 pela professora doutora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Simone El Khouri Miraglia e pela coordenadora de sustentabilidade do Metrô de São Paulo Cacilda Bastos Pereira da Silva atestou a relação entre o Metrô e a redução da poluição na cidade de São Paulo.

Foram analisados os indicadores da qualidade do ar nos dias em que houve greve no Metrô, em três períodos, entre 1986 e 2006. No último deles, entre 2003 e 2006, quando a cidade já contava com o rodízio de veículos e outras medidas para combate à poluição, foi verificado aumento na emissão de poluentes durante a paralisação, com 50% a mais de concentração de material particulado na atmosfera.

A pesquisa mostrou que, na ausência do Metrô, aumentou a demanda por outros meios de transporte e, consequentemente, as emissões de poluentes. Além disso, nos dias em que os índices apontaram concentrações mais críticas de poluição, também foi observado aumento de cerca de 10% de mortalidade de idosos devido a doenças cardiovasculares e respiratórias.

Ainda segundo o estudo, os benefícios do Metrô para a saúde pública, valorados com base na mortalidade evitada de idosos, representavam, à época, uma economia anual de cerca de R$ 11 bilhões.



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Monotrilho é opção menos poluente

Especialistas da área de meio ambiente alertam para os riscos à saúde insistir em meios de transportes com queima de diesel, como é o caso do BRT

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

27/04/2019 | 07:00


 Especialistas em meio ambiente consultados pelo Diário alertam que a troca do monotrilho pelo BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus) na Linha 18-Bronze do Metrô, que está em análise pelo governo estadual, pode representar aumento da poluição atmosférica.

O projeto executivo do monotrilho, licitado desde 2014, prevê que o sistema funcione por meio de energia elétrica, sendo não poluente e silencioso. Cada trem utilizado tem capacidade de retirar de circulação entre dez e 12 ônibus e 500 veículos.

O BRT, por sua vez, apesar de ser um sistema de média capacidade e ter potencial de diminuir o número de carros nas ruas, é um corredor que pode receber ônibus movidos a diesel – a exemplo do que ocorre atualmente no Corredor ABD (São Mateus-Jabaquara), operado pela Metra, que, apesar de ser eletrificado, não conta com 100% da frota não poluente – agravando a emissão de material particulado.

Presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy destacou que a queima do diesel – derivado do petróleo – é um dos principais agravantes para a poluição atmosférica. “Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) estimam que apenas no Estado de São Paulo 17 mil pessoas morram a cada ano devido à poluição”, pontuou. “Não há justificativa, do ponto de vista da saúde, substituir um sistema de transporte elétrico por um modelo a diesel”, reforçou.

Para o ambientalista, a suposta economia com a troca de modelo não compesa os gastos públicos com saúde e as perdas que as doenças causadas pela poluição acarretam à saúde. “Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) estima que, até 2025, serão gastos R$ 50 milhões nas regiões metropolitanas do Sudeste brasileiro, Paraná e Rio Grande do Sul, com internações, afastamentos do trabalho e mortes em decorrência de doenças causadas e/ou agravadas pela poluição”, finalizou.

Professor do curso de engenharia ambiental da Universidade Metodista de São Paulo, Carlos Henrique Oliveira lembrou que nas regiões metropolitanas, onde há grande circulação de pessoas (a população do Grande ABC passa de 2,7 milhões), é fundamental a implantação de sistemas de transporte de massa, mas que, sendo de conhecimento os resultados da queima de combustíveis fósseis, devem ser incentivados e priorizados aqueles cuja fonte não seja poluente, como energia elétrica e biocombustíveis.

“O governo faz a conta apenas dos investimentos no empreendimento e não dos demais custos envolvidos”, citou. O docente ponderou que quanto maiores as emissões de poluentes atmosféricos, maiores os índices de doenças e de morte por problemas de saúde. “Isso quer dizer mais gente doente, maiores custos de atendimento médico, menor produtividade (por mais faltas ao trabalho), abreviação do tempo de vida das pessoas que fazem parte do grupo de risco (crianças, idosos, com problemas cardíacos ou respiratórios)”, concluiu.

Estudo mostra que poluição cai com Metrô

Estudo realizado em 2015 pela professora doutora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Simone El Khouri Miraglia e pela coordenadora de sustentabilidade do Metrô de São Paulo Cacilda Bastos Pereira da Silva atestou a relação entre o Metrô e a redução da poluição na cidade de São Paulo.

Foram analisados os indicadores da qualidade do ar nos dias em que houve greve no Metrô, em três períodos, entre 1986 e 2006. No último deles, entre 2003 e 2006, quando a cidade já contava com o rodízio de veículos e outras medidas para combate à poluição, foi verificado aumento na emissão de poluentes durante a paralisação, com 50% a mais de concentração de material particulado na atmosfera.

A pesquisa mostrou que, na ausência do Metrô, aumentou a demanda por outros meios de transporte e, consequentemente, as emissões de poluentes. Além disso, nos dias em que os índices apontaram concentrações mais críticas de poluição, também foi observado aumento de cerca de 10% de mortalidade de idosos devido a doenças cardiovasculares e respiratórias.

Ainda segundo o estudo, os benefícios do Metrô para a saúde pública, valorados com base na mortalidade evitada de idosos, representavam, à época, uma economia anual de cerca de R$ 11 bilhões.

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