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Enchentes podem inviabilizar o BRT

Traçado original da Linha 18-Bronze colocaria corredores de ônibus em pontos de alagamento


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/04/2019 | 07:00


 A população do Grande ABC espera, apreensiva, pela decisão do governo do Estado sobre qual será o modal adotado para a construção da Linha 18-Bronze do Metrô: o monotrilho, projeto originalmente pensado e já licitado – em 2014 –, ou o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus). A previsão é a de que o anúncio ocorra em junho. A troca do modelo pode acarretar complicações com enchentes, tendo em vista que o traçado do sistema passa pelos principais pontos de alagamento da região e o sistema por trilhos tem estrutura suspensa. Já o corredor de ônibus é de superfície.

Especialistas em engenharia consultados pelo Diário destacam a necessidade de manutenção e investimento em sistemas de micro e macrodrenagem para que enchentes e alagamentos não inviabilizem o funcionamento do BRT. O monotrilho, por sua vez, por estar em uma estrutura suspensa, estaria menos sujeito a esse tipo de problema.

O trajeto da Linha 18-Bronze, conforme mostram as ilustrações cedidas pelo Consórcio Vem ABC, vencedor da PPP (Parceria Público-Privada), circula nas imediações da Rua Afonsina, em São Bernardo, por exemplo, que passou vários dias com as vias alagadas após as cheias ocorridas nos dias 10 e 11 de março (veja arte acima).

Professor de engenharia hídrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Eduardo Giansante frisa que, caso as medidas preventivas e de combate às inundações não sejam devidamente consideradas no projeto do BRT, a análise econômica que sustenta a opção pode ser alterada. “Todos os custos precisam ser devidamente apropriados para que a análise das viabilidades técnica, econômica e ambiental, seja completa”, pontuou. O especialista lembra ainda que uma vez que o projeto inicial tenha como opção o monotrilho, um sistema elevado, é provável que esse tipo de análise sobre alagamentos não tenha sido realizado. “Caso seja confirmada a troca, será preciso um estudo detalhado e profundo, uma vez que as inundações na região são críticas”, completou.

A necessidade de adequar o projeto do ramal de Metrô no Grande ABC com a realidade financeira do governo estadual tem sido o principal argumento do Palácio dos Bandeirantes para justificar a possível troca. Apenas com desapropriações ao longo do traçado do monotrilho, a estimativa é a de que sejam necessários R$ 600 milhões. No entanto, segundo Giansante, a questão da drenagem pode comprometer ainda mais o orçamento do projeto. “É possível que (projetos antienchente) impacte e aumente os custos, mas precisa ser considerada. Caso contrário, o estudo de viabilidade não estaria completo”, finaliza.

Integrante do Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), o engenheiro civil Eduardo Rottmman também destaca a necessidade de estudos detalhados sobre o tema “seguindo a boa técnica” e que, sem devida manutenção do sistema de drenagem existente, há risco de alagamentos no corredor do BRT. “Supõe-se que em uma obra dessa envergadura, entretanto, o sistema existente seja revisto, recebendo as adequações necessárias às adaptações feitas no viário”, conclui.

 

Projeto original prevê melhorias urbanísticas

 

Além de propor mais uma alternativa de modal para moradores da região que se deslocam diariamente à Capital, a Linha 18-Bronze deve ainda proporcionar mudanças urbanísticas em bairros localizados no entorno do traçado original do projeto.

Elaborado por técnicos do Consórcio Vem ABC, empresa responsável pela execução da obra, o esboço do projeto de monotrilho prevê arborização ao longo dos 15 quilômetros de extensão do futuro sistema.

A ideia é que no espaço ocioso abaixo da via elevada, que deve transportar 314 mil passageiros por dia, seja plantadas mudas de especies nativas, além da construção de uma ciclovia, fazendo com que o espaço se torne uma área de lazer para quem reside nas proximidades.

O projeto é similar ao adotado na construção da Linha 15-Prata do Metrô, cujo traçado conta com ampla área verde ao longo da Avenida Luís Inácio de Anhaia Melo, na Zona Leste da Capital.

Conforme mostrado pelo Diário, após a inauguração do modal, a região tem diminuído o congestionamento da via e atraído moradores para espaços antes ocupados por veículos.

Além disso, a Linha 18-Bronze deve ainda beneficiar pelo menos 150 famílias que vivem em área de risco à beira do Ribeirão dos Meninos, no Jardim Bom Pastor, em Santo André. Instalada próxima à divisa de São Bernardo, em trecho onde está prevista a instalação do monotrilho, a comunidade integra o conjunto de áreas a serem desapropriadas pelo Estado para construção do sistema. A medida terá impacto direto na diminuição do esgoto jogado no canal.

 

FALA POVO

“O Metrô seria mais prático, porque o transporte público hoje na região é muito precário.”

Valdir Cesar, 60 anos, copeiro, morador de Mauá.

 

“O Metrô é muito mais rápido e acessível do que o corredor de ônibus, com toda certeza.”

Sandra das Graças, 32, agente de serviço escolar, moradora de Mauá.

 

“O Metrô é um meio de transporte mais rápido e muito mais eficiente do que um corredor de ônibus.”

Jazira Conceição Gomes, 52, costureira, moradora de Diadema.

 

“Prefiro o Metrô ao BRT por ser mais rápido. Seria muito melhor do que o ônibus para nós.”

Rubens Manzini, 65, comerciante, morador de Santo André.

 

“Muitos que moram em São Bernardo trabalham em São Paulo. Se colocar o Metrô vai agilizar.”

Marcelo Lira, 25, assessor de investimentos, morador de São Bernardo.

 

“O Metrô seria bom porque é mais rápido, tem conforto e segurança para os usuários. Seria ótimo.”

Mariza Eliana de Jesus, 42, prensista, moradora de São Caetano.



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Enchentes podem inviabilizar o BRT

Traçado original da Linha 18-Bronze colocaria corredores de ônibus em pontos de alagamento

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/04/2019 | 07:00


 A população do Grande ABC espera, apreensiva, pela decisão do governo do Estado sobre qual será o modal adotado para a construção da Linha 18-Bronze do Metrô: o monotrilho, projeto originalmente pensado e já licitado – em 2014 –, ou o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus). A previsão é a de que o anúncio ocorra em junho. A troca do modelo pode acarretar complicações com enchentes, tendo em vista que o traçado do sistema passa pelos principais pontos de alagamento da região e o sistema por trilhos tem estrutura suspensa. Já o corredor de ônibus é de superfície.

Especialistas em engenharia consultados pelo Diário destacam a necessidade de manutenção e investimento em sistemas de micro e macrodrenagem para que enchentes e alagamentos não inviabilizem o funcionamento do BRT. O monotrilho, por sua vez, por estar em uma estrutura suspensa, estaria menos sujeito a esse tipo de problema.

O trajeto da Linha 18-Bronze, conforme mostram as ilustrações cedidas pelo Consórcio Vem ABC, vencedor da PPP (Parceria Público-Privada), circula nas imediações da Rua Afonsina, em São Bernardo, por exemplo, que passou vários dias com as vias alagadas após as cheias ocorridas nos dias 10 e 11 de março (veja arte acima).

Professor de engenharia hídrica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Eduardo Giansante frisa que, caso as medidas preventivas e de combate às inundações não sejam devidamente consideradas no projeto do BRT, a análise econômica que sustenta a opção pode ser alterada. “Todos os custos precisam ser devidamente apropriados para que a análise das viabilidades técnica, econômica e ambiental, seja completa”, pontuou. O especialista lembra ainda que uma vez que o projeto inicial tenha como opção o monotrilho, um sistema elevado, é provável que esse tipo de análise sobre alagamentos não tenha sido realizado. “Caso seja confirmada a troca, será preciso um estudo detalhado e profundo, uma vez que as inundações na região são críticas”, completou.

A necessidade de adequar o projeto do ramal de Metrô no Grande ABC com a realidade financeira do governo estadual tem sido o principal argumento do Palácio dos Bandeirantes para justificar a possível troca. Apenas com desapropriações ao longo do traçado do monotrilho, a estimativa é a de que sejam necessários R$ 600 milhões. No entanto, segundo Giansante, a questão da drenagem pode comprometer ainda mais o orçamento do projeto. “É possível que (projetos antienchente) impacte e aumente os custos, mas precisa ser considerada. Caso contrário, o estudo de viabilidade não estaria completo”, finaliza.

Integrante do Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), o engenheiro civil Eduardo Rottmman também destaca a necessidade de estudos detalhados sobre o tema “seguindo a boa técnica” e que, sem devida manutenção do sistema de drenagem existente, há risco de alagamentos no corredor do BRT. “Supõe-se que em uma obra dessa envergadura, entretanto, o sistema existente seja revisto, recebendo as adequações necessárias às adaptações feitas no viário”, conclui.

 

Projeto original prevê melhorias urbanísticas

 

Além de propor mais uma alternativa de modal para moradores da região que se deslocam diariamente à Capital, a Linha 18-Bronze deve ainda proporcionar mudanças urbanísticas em bairros localizados no entorno do traçado original do projeto.

Elaborado por técnicos do Consórcio Vem ABC, empresa responsável pela execução da obra, o esboço do projeto de monotrilho prevê arborização ao longo dos 15 quilômetros de extensão do futuro sistema.

A ideia é que no espaço ocioso abaixo da via elevada, que deve transportar 314 mil passageiros por dia, seja plantadas mudas de especies nativas, além da construção de uma ciclovia, fazendo com que o espaço se torne uma área de lazer para quem reside nas proximidades.

O projeto é similar ao adotado na construção da Linha 15-Prata do Metrô, cujo traçado conta com ampla área verde ao longo da Avenida Luís Inácio de Anhaia Melo, na Zona Leste da Capital.

Conforme mostrado pelo Diário, após a inauguração do modal, a região tem diminuído o congestionamento da via e atraído moradores para espaços antes ocupados por veículos.

Além disso, a Linha 18-Bronze deve ainda beneficiar pelo menos 150 famílias que vivem em área de risco à beira do Ribeirão dos Meninos, no Jardim Bom Pastor, em Santo André. Instalada próxima à divisa de São Bernardo, em trecho onde está prevista a instalação do monotrilho, a comunidade integra o conjunto de áreas a serem desapropriadas pelo Estado para construção do sistema. A medida terá impacto direto na diminuição do esgoto jogado no canal.

 

FALA POVO

“O Metrô seria mais prático, porque o transporte público hoje na região é muito precário.”

Valdir Cesar, 60 anos, copeiro, morador de Mauá.

 

“O Metrô é muito mais rápido e acessível do que o corredor de ônibus, com toda certeza.”

Sandra das Graças, 32, agente de serviço escolar, moradora de Mauá.

 

“O Metrô é um meio de transporte mais rápido e muito mais eficiente do que um corredor de ônibus.”

Jazira Conceição Gomes, 52, costureira, moradora de Diadema.

 

“Prefiro o Metrô ao BRT por ser mais rápido. Seria muito melhor do que o ônibus para nós.”

Rubens Manzini, 65, comerciante, morador de Santo André.

 

“Muitos que moram em São Bernardo trabalham em São Paulo. Se colocar o Metrô vai agilizar.”

Marcelo Lira, 25, assessor de investimentos, morador de São Bernardo.

 

“O Metrô seria bom porque é mais rápido, tem conforto e segurança para os usuários. Seria ótimo.”

Mariza Eliana de Jesus, 42, prensista, moradora de São Caetano.

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