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‘Precisamos ter uma mente mais crítica’, diz Daniel Melim

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Daniel Melim é nome que respira o universo cultural. Sua vivência começou com o graffiti, na cidade onde nasceu e vive


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

22/04/2019 | 07:44


Daniel Melim é nome que respira o universo cultural. Sua vivência começou com o graffiti, na cidade onde nasceu e vive, São Bernardo. Mas o artista plástico, pós-graduado no assunto, aliás, já quebrou as barreiras da região e ganha o mundo, pouco a pouco.

Sua produção também foi além. Tanto que, hoje, trabalha com telas, gravuras, prints, papel e instalação. Umas de suas criações mais emblemáticas, Mural da Luz, pode ser vista, desde 2011, em grande muro perto da Pinacoteca de São Paulo. Ano passado, Melim conseguiu, após várias mostras coletivas, realizar a primeira individual, na Europa, e comemora.

Você se lembra quando teve o primeiro contato com o universo da arte?
Quando criança, na escola. Aulas de educação artística. Mesmo que precárias, muitas vezes, era a melhor parte.

Você é da periferia?
Minha infância e adolescência foi no bairro do Ferrazópolis, em São Bernardo. Minha família está mais para classe média, eu acho. Mas o bairro é enorme e tem um contraste gigante. De vilas basicamente compostas por operários até as ‘quebradas’ mais desassistidas da cidade.

Como a arte lhe tocou?
Arte para mim sempre foi uma forma de expressão muito forte. Na adolescência isso se potencializou e acredito que foi nesse período que ela se tornou importante para mim. 

Você é formado em educação artística e pós-graduado em linguagens visuais. Estudar era um sonho?
Desde muito cedo entendi que a única maneira que eu tinha para mudar algo era por meio do estudo. O único canal que realmente me apresentava uma mudança palpável no que eu queria como forma de viver era a educação. Por isso foi o meio que eu escolhi me dedicar, para assim poder alcançar o que pretendia.

Quando sentiu que queria viver de arte?
Trabalhei por algum tempo na indústria. Mas isso não me completava. Eu não estava feliz com o trabalho, como vivia. Foi nesse período que decidi tentar ir atrás do que eu realmente acreditava.

O que fazia antes de se envolver por completo com a pintura?
Meu primeiro trabalho com carteira assinada foi como auxiliar técnico de mecânica industrial. Depois virei técnico em mecânica, trabalhei um período com manutenção e aferição de equipamentos de medição. No final, quando já comecei a estudar arte, trabalhei com projetos sociais por São Paulo e na região. Fui professor de escola pública. Esse foi meu último trabalho antes de poder me dedicar somente aos meus projetos.

E há quanto tempo você trabalha com arte?
Considero desde 2005, quando entrei para a Galeria Choque Cultural (São Paulo) e pude viver só do meu trabalho artístico. Mas desde 2000 eu vinha me dedicando à arte como segundo plano.

Suas obras pagam suas contas hoje em dia?
Atualmente é a minha profissão. É com arte que pago minhas contas, invisto no meu trabalho.

Pintar mudou sua vida de alguma forma ou te salvou de alguma coisa?
Mudou muito. Abriu minha mente para novas possibilidades e durante a juventude, mesmo vivendo num lugar caótico, foi o que me deu foco para não fazer tantas besteiras. Lógico que o graffiti me envolveu em muitas outras, mas bem menos danosas, com certeza.

Um de seus mais emblemáticos registros é o ‘Mural da Luz’, em São Paulo, feito em 2011. Fale dessa obra e de como surgiu a oportunidade de pintar lá.
Foi por meio de um projeto junto com a empresa aérea KLM. Ela já tinha apoiado uma viagem a Basel (Suíça). Lá começamos a conversar sobre a vontade de criar algo grande e inovador na cidade de São Paulo. Foi um projeto desafiador, mas que contei com uma equipe de produção fantástica, que foi a turma do Coletivo Rua (SHN), e o suporte da Choque Cultural. Com isso, além de conseguir criar esse grande mural, pude desenvolver técnica de pintura em grandes formatos. 

Esse trabalho foi um divisor de águas na sua carreira?
Com certeza, pelo tamanho, localização e técnica. Não tem como não dizer que isso colaborou muito para o meu trabalho.

Você começou com graffiti e hoje faz telas também. Como foi abrir o leque?
Já quando eu pintava na rua, muitas vezes, ou mesmo por tentar trabalhar alguma ideia, eu pintava outros suportes (madeira, papel, tela). Era meio natural fazer algo além de só o graffiti. Então, foi bem natural poder pintar e usar outros materiais. Nunca quis me limitar a uma coisa só. O graffiti me deu essa autonomia, de querer estar em vários lugares, poder apresentar meu trabalho onde fosse, que é meio um dos objetivos dessa arte, espalhar o trabalho pela cidade.

Você faz críticas sociais nas suas obras?
Gosto de ter liberdade de fazer críticas sociais, políticas e o que for no meu trabalho. Mas também quero ter a mesma liberdade de não falar de nada, sabe? Só de pintar. Acredito que as duas coisas são muito importantes para o artista.

Acha que hoje em dia precisamos mais disso, de gente apontando o dedo para o que há de errado no País?
Precisamos ter uma mente mais crítica, sim. Mas com mais conteúdo, pois só criticar por criticar não leva a lugar nenhum. É preciso entender melhor o lugar onde vivemos, nossa história e propor algo positivo. Ou a crítica não se torna construtiva e nos fadamos a ser eternos pessimistas.

No ano passado você teve sua primeira mostra individual na Europa. Como foi essa experiência e o que mudou na sua carreira?
Já venho participando de mostras e exposições no Exterior desde 2007. Mas poder apresentar uma individual é muito melhor em termos de entender como o público percebe meu trabalho, já que tive a oportunidade de apresentar uma gama maior da minha atual produção. 
Você lançou um catálogo, também no ano passado, ilustrado por suas obras. Foi importante ter esse material?
O livro ajuda muito. Além de registrar um período, ele traz textos explicativos sobre minha trajetória e meu trabalho. Com o livro também consigo atingir melhor o público de maneira mais ampla. E tenho a possibilidade de as pessoas conhecerem minha obra além da estética.

Você achou que chegaria onde está hoje, um nome reconhecido na arte?
Acredito que fui muito além do que imaginava. Mas olhando para trás, tem muito trabalho, estudo e dedicação envolvido para chegar até aqui. Muita ‘mão na massa’ mesmo. Não foi fácil.
 
Qual a maior dificuldade em trabalhar com graffiti? 
O graffiti mesmo não é o meu trabalho, não ganho dinheiro com ele propriamente dito. Eu vim e tive minhas primeiras referências do graffiti, mas o que faço hoje em dia está mais ligado com artes plásticas do que o graffiti em si. Não nego minhas origens e até hoje continuo mantendo o espírito da rua vivo. Mas o graffiti mesmo é aquele ilegal, que você faz sem autorização, que tem todo esse lance da contestação. Lógico que também há uma série de vertentes dentro do próprio graffiti e que ele serve de ferramenta para projetos sócio-culturais. Mas a identidade original dele é essa pintura espontânea, na rua e livre.

Você já sofreu preconceito por conta de suas obras?
A arte, de forma geral, tem um lado acadêmico que, às vezes, é muito difícil de penetrar. Exatamente por isso continuo estudando, porque quero ter o conhecimento para poder defender e compreender melhor tudo isso e também desenvolver melhor minha pesquisa dentro das artes visuais. Tive (e ainda tenho) que quebrar muitas barreiras. Mas todo esse desafio para mim é muito interessante também, não acho ruim.
A arte pode salvar vidas?
A arte é uma ferramenta poderosa para alcançar crianças e adolescentes, tendo importância crucial no desenvolvimento humano de forma mais ampla da palavra. Em vista disso não há como negar que a arte salva.

Que diferença a arte teve no seu crescimento como ser humano?
Além de ser meu trabalho e possibilitar algo que há anos era impensável para mim, a arte expandiu minha relação com o mundo, me tornou mais sensível para o humano e as relações pessoais. Dentro de um mundo cada vez mais egoísta, me aproximou das pessoas. É minha principal voz de comunicação.

Como acha que seria o Brasil se todos tivessem acesso à Cultura e Educação?
Acredito que poderíamos ser um País melhor, com certeza. É só observar exemplos de outros países e cidades que investem de forma ampla na Educação e Cultura. Uma das formas que levamos em conta, pensando em desenvolvimento de um país, é o aspecto cultural e da educação do seu povo. Infelizmente, vivemos um retrocesso e um ataque à arte, Cultura e Educação. Indo na contramão de qualquer país mais desenvolvido. Enquanto o Brasil não investir pesado nisso será difícil sair da lama em que nos metemos.

Quer dizer algo mais?
Qualquer ataque à Cultura, falta de investimento, acesso e diversidade na produção artística nacional, representa profundo atraso no desenvolvimento em algo que possamos chamar de nação. Precisamos ficar atentos a quem interessa tal atraso, pois ao contrário do que se imagina, a Cultura é o bem maior de um povo.
 



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‘Precisamos ter uma mente mais crítica’, diz Daniel Melim

Daniel Melim é nome que respira o universo cultural. Sua vivência começou com o graffiti, na cidade onde nasceu e vive

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

22/04/2019 | 07:44


Daniel Melim é nome que respira o universo cultural. Sua vivência começou com o graffiti, na cidade onde nasceu e vive, São Bernardo. Mas o artista plástico, pós-graduado no assunto, aliás, já quebrou as barreiras da região e ganha o mundo, pouco a pouco.

Sua produção também foi além. Tanto que, hoje, trabalha com telas, gravuras, prints, papel e instalação. Umas de suas criações mais emblemáticas, Mural da Luz, pode ser vista, desde 2011, em grande muro perto da Pinacoteca de São Paulo. Ano passado, Melim conseguiu, após várias mostras coletivas, realizar a primeira individual, na Europa, e comemora.

Você se lembra quando teve o primeiro contato com o universo da arte?
Quando criança, na escola. Aulas de educação artística. Mesmo que precárias, muitas vezes, era a melhor parte.

Você é da periferia?
Minha infância e adolescência foi no bairro do Ferrazópolis, em São Bernardo. Minha família está mais para classe média, eu acho. Mas o bairro é enorme e tem um contraste gigante. De vilas basicamente compostas por operários até as ‘quebradas’ mais desassistidas da cidade.

Como a arte lhe tocou?
Arte para mim sempre foi uma forma de expressão muito forte. Na adolescência isso se potencializou e acredito que foi nesse período que ela se tornou importante para mim. 

Você é formado em educação artística e pós-graduado em linguagens visuais. Estudar era um sonho?
Desde muito cedo entendi que a única maneira que eu tinha para mudar algo era por meio do estudo. O único canal que realmente me apresentava uma mudança palpável no que eu queria como forma de viver era a educação. Por isso foi o meio que eu escolhi me dedicar, para assim poder alcançar o que pretendia.

Quando sentiu que queria viver de arte?
Trabalhei por algum tempo na indústria. Mas isso não me completava. Eu não estava feliz com o trabalho, como vivia. Foi nesse período que decidi tentar ir atrás do que eu realmente acreditava.

O que fazia antes de se envolver por completo com a pintura?
Meu primeiro trabalho com carteira assinada foi como auxiliar técnico de mecânica industrial. Depois virei técnico em mecânica, trabalhei um período com manutenção e aferição de equipamentos de medição. No final, quando já comecei a estudar arte, trabalhei com projetos sociais por São Paulo e na região. Fui professor de escola pública. Esse foi meu último trabalho antes de poder me dedicar somente aos meus projetos.

E há quanto tempo você trabalha com arte?
Considero desde 2005, quando entrei para a Galeria Choque Cultural (São Paulo) e pude viver só do meu trabalho artístico. Mas desde 2000 eu vinha me dedicando à arte como segundo plano.

Suas obras pagam suas contas hoje em dia?
Atualmente é a minha profissão. É com arte que pago minhas contas, invisto no meu trabalho.

Pintar mudou sua vida de alguma forma ou te salvou de alguma coisa?
Mudou muito. Abriu minha mente para novas possibilidades e durante a juventude, mesmo vivendo num lugar caótico, foi o que me deu foco para não fazer tantas besteiras. Lógico que o graffiti me envolveu em muitas outras, mas bem menos danosas, com certeza.

Um de seus mais emblemáticos registros é o ‘Mural da Luz’, em São Paulo, feito em 2011. Fale dessa obra e de como surgiu a oportunidade de pintar lá.
Foi por meio de um projeto junto com a empresa aérea KLM. Ela já tinha apoiado uma viagem a Basel (Suíça). Lá começamos a conversar sobre a vontade de criar algo grande e inovador na cidade de São Paulo. Foi um projeto desafiador, mas que contei com uma equipe de produção fantástica, que foi a turma do Coletivo Rua (SHN), e o suporte da Choque Cultural. Com isso, além de conseguir criar esse grande mural, pude desenvolver técnica de pintura em grandes formatos. 

Esse trabalho foi um divisor de águas na sua carreira?
Com certeza, pelo tamanho, localização e técnica. Não tem como não dizer que isso colaborou muito para o meu trabalho.

Você começou com graffiti e hoje faz telas também. Como foi abrir o leque?
Já quando eu pintava na rua, muitas vezes, ou mesmo por tentar trabalhar alguma ideia, eu pintava outros suportes (madeira, papel, tela). Era meio natural fazer algo além de só o graffiti. Então, foi bem natural poder pintar e usar outros materiais. Nunca quis me limitar a uma coisa só. O graffiti me deu essa autonomia, de querer estar em vários lugares, poder apresentar meu trabalho onde fosse, que é meio um dos objetivos dessa arte, espalhar o trabalho pela cidade.

Você faz críticas sociais nas suas obras?
Gosto de ter liberdade de fazer críticas sociais, políticas e o que for no meu trabalho. Mas também quero ter a mesma liberdade de não falar de nada, sabe? Só de pintar. Acredito que as duas coisas são muito importantes para o artista.

Acha que hoje em dia precisamos mais disso, de gente apontando o dedo para o que há de errado no País?
Precisamos ter uma mente mais crítica, sim. Mas com mais conteúdo, pois só criticar por criticar não leva a lugar nenhum. É preciso entender melhor o lugar onde vivemos, nossa história e propor algo positivo. Ou a crítica não se torna construtiva e nos fadamos a ser eternos pessimistas.

No ano passado você teve sua primeira mostra individual na Europa. Como foi essa experiência e o que mudou na sua carreira?
Já venho participando de mostras e exposições no Exterior desde 2007. Mas poder apresentar uma individual é muito melhor em termos de entender como o público percebe meu trabalho, já que tive a oportunidade de apresentar uma gama maior da minha atual produção. 
Você lançou um catálogo, também no ano passado, ilustrado por suas obras. Foi importante ter esse material?
O livro ajuda muito. Além de registrar um período, ele traz textos explicativos sobre minha trajetória e meu trabalho. Com o livro também consigo atingir melhor o público de maneira mais ampla. E tenho a possibilidade de as pessoas conhecerem minha obra além da estética.

Você achou que chegaria onde está hoje, um nome reconhecido na arte?
Acredito que fui muito além do que imaginava. Mas olhando para trás, tem muito trabalho, estudo e dedicação envolvido para chegar até aqui. Muita ‘mão na massa’ mesmo. Não foi fácil.
 
Qual a maior dificuldade em trabalhar com graffiti? 
O graffiti mesmo não é o meu trabalho, não ganho dinheiro com ele propriamente dito. Eu vim e tive minhas primeiras referências do graffiti, mas o que faço hoje em dia está mais ligado com artes plásticas do que o graffiti em si. Não nego minhas origens e até hoje continuo mantendo o espírito da rua vivo. Mas o graffiti mesmo é aquele ilegal, que você faz sem autorização, que tem todo esse lance da contestação. Lógico que também há uma série de vertentes dentro do próprio graffiti e que ele serve de ferramenta para projetos sócio-culturais. Mas a identidade original dele é essa pintura espontânea, na rua e livre.

Você já sofreu preconceito por conta de suas obras?
A arte, de forma geral, tem um lado acadêmico que, às vezes, é muito difícil de penetrar. Exatamente por isso continuo estudando, porque quero ter o conhecimento para poder defender e compreender melhor tudo isso e também desenvolver melhor minha pesquisa dentro das artes visuais. Tive (e ainda tenho) que quebrar muitas barreiras. Mas todo esse desafio para mim é muito interessante também, não acho ruim.
A arte pode salvar vidas?
A arte é uma ferramenta poderosa para alcançar crianças e adolescentes, tendo importância crucial no desenvolvimento humano de forma mais ampla da palavra. Em vista disso não há como negar que a arte salva.

Que diferença a arte teve no seu crescimento como ser humano?
Além de ser meu trabalho e possibilitar algo que há anos era impensável para mim, a arte expandiu minha relação com o mundo, me tornou mais sensível para o humano e as relações pessoais. Dentro de um mundo cada vez mais egoísta, me aproximou das pessoas. É minha principal voz de comunicação.

Como acha que seria o Brasil se todos tivessem acesso à Cultura e Educação?
Acredito que poderíamos ser um País melhor, com certeza. É só observar exemplos de outros países e cidades que investem de forma ampla na Educação e Cultura. Uma das formas que levamos em conta, pensando em desenvolvimento de um país, é o aspecto cultural e da educação do seu povo. Infelizmente, vivemos um retrocesso e um ataque à arte, Cultura e Educação. Indo na contramão de qualquer país mais desenvolvido. Enquanto o Brasil não investir pesado nisso será difícil sair da lama em que nos metemos.

Quer dizer algo mais?
Qualquer ataque à Cultura, falta de investimento, acesso e diversidade na produção artística nacional, representa profundo atraso no desenvolvimento em algo que possamos chamar de nação. Precisamos ficar atentos a quem interessa tal atraso, pois ao contrário do que se imagina, a Cultura é o bem maior de um povo.
 

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