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Motorista de ônibus tem três meses de empresa


Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC

10/06/2011 | 07:01


Ex-cabeleireira e ex-cobradora, Lilian Souza Freitas, 30 anos, de Mauá, motorista do ônibus que derrapou e caiu da ponte, ontem, trabalha há apenas três meses na Interbus, empresa de ônibus que pertence ao Grupo ABC. Sem correr risco de morte, com contusão toráxica e leve traumatismo craniano, a mãe de quatro filhos está internada em observação na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

O quadro dela é estável, segundo boletim médico transmitido ontem à tarde pela Secretaria de Estado da Saúde.

Lilian, moradora no Jardim Sonia Maria e evangélica, foi promovida de cobradora para motorista, profissão que exerce há três anos. Antes, trabalhou com a irmã como cabeleireira, em Mauá. "Ela realizou um sonho ao ser contratada pela Interbus", disse o ex-marido Janduir de Souza Oliveira, 38 anos, dono de uma borracharia e pai de Raquel, 14, Lucas, 12, e Rafaela 10. Ele esteve ontem à tarde no hospital, acompanhado da atual mulher e da filha mais velha.

Indagada como soube do acidente, Raquel contou que foi pela televisão. "Ao ouvir que era uma mulher a motorista, fiquei com medo de ser minha mãe. Aí, corri para a borracharia para falar com o meu pai", afirmou, ainda assustada com a notícia e o assédio da imprensa na porta do hospital.

Às 15h30, chegou ao Mário Covas outro ex-marido de Lilian, Paulo Sérgio Silva Santos, com quem foi casada seis anos e está separada há um. Ele, que é motorista na Viação Novo Horizonte, onde Lilian trabalhou, foi avisado do acidente pelo patrão. "Ainda não sei nada do seu estado de saúde", afirmou, junto do filho Álefe, 5.

Santos acredita que o acidente tenha sido causado pelo "mau tempo", com chuva e paralelepípedo molhado. "Fiquei até surpreso, afinal, ela é prudente e calma no trânsito", apontou.

Questionado sobre a hipótese de Lilian estar em alta velocidade, o ex-marido foi taxativo. "Dificilmente", disse, ao explicar que a velocidade máxima é de 60 km/h. "Caso ultrapasse esse limite, o sistema (conhecido como anjo da guarda) corta automaticamente. Além do que, no trânsito, não chegamos nem a 40 km", explicou.

Maria Julia da Trindade, que trabalha na casa da vítima, definiu a amiga: "Mulher guerreira". Segundo informações, Lilian cobria folga de outro motorista que faz a Linha 101.

Perícia aponta que ônibus estava abaixo do limite da via

Perícia técnica realizada ontem no local do acidente apontou que o ônibus conduzido por Lilian Souza Freitas estava a 40 km/h, portanto, abaixo do limite de velocidade da via, de 60 km/h. O 2° DP de Santo André, na Vila Camilópolis, instaurou inquérito para apurar as causas do acidente, já que a ponte fica na divisa entre a cidade e São Caetano. Hoje, a Polícia Civil começa a ouvir cerca de 20 pessoas.

A constatação da perícia contraria a versão da coordenadora de Mobilidade Urbana de São Caetano, Cristina Baddini, de que o coletivo estava acima da velocidade. Não há sinalização que informa o limite antes ou sobre a ponte. Baddini informou ainda que não existe previsão de troca do calçamento. "Os paralelepípedos são permeáveis e ajudam a impedir enchentes. Mas vamos estudar que medidas serão tomadas", comentou.

Um dos motoristas que fazem a mesma linha do ônibus que caiu da ponte reclamou de dificuldades para trafegar ali. "A curva é fechada e constantemente temos de desviar de carros que atravessam em alta velocidade", disse José Silva Caetano, 47 anos.

Ao ter alta do Hospital Municipal Albert Sabin, o cobrador do ônibus, Clóvis dos Santos Galdino Júnior, 38, negou que o veículo estivesse em alta velocidade. "O problema foi que um carro apareceu do nada, na contramão", destacou.

Segundo ele, a motorista pisou no freio e virou o volante para desviar do veículo, mas o movimento brusco fez com que o ônibus tombasse. "Ficamos pendurados na mureta até cair na linha", explicou.

Como teve apenas ferimentos leves, Galdino ajudou a retirar do veículo as vítimas mais graves. "Até que vimos o trem se aproximar. Achamos que ia parar, mas não parou."

O ajudante de cabeleireiro Eduardo Guilherme Scavassa, 23, também estava no ônibus. "A motorista não estava correndo, não sei o que pode ter causado o acidente", disse.

Entre 2009 e 2010, a Interbus, empresa que opera a linha, caiu 12 posições na classificação do IQT (Índice de Qualidade do Transporte) da EMTU. A pesquisa analisa satisfação dos passageiros, condições de operação das linhas, saúde da frota e viabilidade econômica do serviço. (Camila Galvez e Renan Fonseca)

Ponte é inadequada, avalia engenheiro

O engenheiro Luiz Augusto Moretti, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do ABC, avaliou que a ponte tem condições inadequadas ao tráfego.

Segundo Moretti, o paralelepípedo é escorregadio. "Estava chovendo e havia óleo na pista. Onde há curvas, descidas, muito tráfego de caminhões, o paralelepípedo não é indicado", explicou.

Com relação às condições da mureta, que não resistiu ao peso do ônibus, Moretti observou que ela tem sustentação com ferragem, como deve ser, mas falta sinalização.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários do ABC, Francisco Mendes da Silva, o Chicão, lembrou que é preciso apurar os fatos. "Temos de levar em conta as condições em que a motorista trabalhava", comentou. (Deborah Moreira)



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