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Preços de combustíveis disparam e assustam motoristas da região

Marcelo Camargo/ Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Etanol teve acréscimo de R$ 0,25 o litro e a gasolina R$ 0,13, em média


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

20/04/2019 | 08:02


O consumidor que foi abastecer seu carro nos últimos dias se deparou com aumento nos preços dos combustíveis nos postos do Grande ABC. De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), entre 7 e 13 de abril, últimos dados oficiais disponíveis, o valor médio do etanol era de R$ 2,72 nas bombas da região, enquanto que o da gasolina, R$ 4,11. Porém, segundo o Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do ABCDMR), o valor médio do combustível fóssil hoje é de R$ 4,24 (aumento de R$ 0,13) e, do renovável, R$ 2,89 (R$ 0,17 a mais).

Na prática, significa que, um veículo com tanque de 50 litros que até uma semana atrás consumia R$ 205,50 em gasolina, hoje precisa de R$ 212 para enchê-lo. Quanto ao etanol, o consumidor desembolsava R$ 136 e, poucos dias depois, R$ 144,50. Isso sem contar que, desde o início do ano, o valor vem aumentando.

“Em duas semanas, recebemos o etanol com acréscimo de R$ 0,25 no litro. Ocorre que nem todos os postos repassam o aumento integral, por receio de perder ainda mais clientes”, afirmou o presidente da entidade, Wagner de Souza. A gasolina chegou a ficar em torno de R$ 0,13 mais cara. Ele relata que o consumidor está mais contido nos gastos com combustíveis, ainda como reflexo da economia que demora a se recuperar, e que os mais jovens nem carro têm, pois se locomovem por meio de aplicativos, como 99 e Uber, o que reduz a demanda aos postos.

Souza relatou que os revendedores têm questionado as distribuidoras sobre o por quê dos preços elevados, uma vez que em abril se inicia a safra da cana de açúcar o que, consequentemente, implica maior produção e menor preço do álcool. Segundo ele, nenhuma justificativa plausível lhe é dada, e a culpa é repassada às usinas. “Geralmente quando o dólar está valorizado, como agora, na casa dos R$ 4, as usinas costumam direcionar mais cana para fazer açúcar e exportá-lo, o que reduz a quantidade disponível para o etanol. E se o álcool chega mais caro, ele puxa o preço da gasolina, que tem em sua composição 27% de etanol anidro”, relata.

Questionada, a Plural, associação que representa 16 distribuidoras de combustíveis, respondeu que, com relação ao etanol, era preciso questionar a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). “A Plural esclarece que o preço final do combustível engloba muitos outros fatores, além do valor de venda determinado pelas refinarias, como a Petrobras. Cada litro de gasolina, etanol ou diesel vendido no País tem seu preço composto, basicamente, por cinco parcelas distintas: preço de aquisição do produto, tributos, logística (fretes, armazenagem e manuseio), remuneração dos distribuidores e remuneração dos revendedores. Duas dessas variáveis – custo do produto e tributos – são responsáveis por mais de 80% do preço final, ou seja, os demais fatores, entre eles a remuneração das distribuidoras, somam apenas 20% do montante”, assinalou, em nota.

“Não existe proporcionalidade direta entre os aumentos na refinaria e o preço na bomba. Os números do primeiro trimestre de 2019 mostram que, enquanto a gasolina teve aumento de 20,2% na refinaria, o reajuste foi de apenas 0,7%. O mesmo movimento foi observado nos preços do diesel, que teve 17,8% de aumento nas refinarias, ante 3,3% nas bombas”, completou.

A Unica afirmou que as chuvas dos últimos dias dificultaram a colheita e que as distribuidoras reduziram o volume de compras na entressafra. Com estoque maior, seria possível suprir a demanda.

A Petrobras também foi interpelada e alegou que os preços cobrados nos postos não dependem exclusivamente dela. Tributos e margens de comercialização são alguns dos componentes do custo final ao consumidor. “A parcela da Petrobras é somente 32% do valor cobrado nos postos”, disse nota. “Já em relação aos preços cobrado pela Petrobras às distribuidoras, é importante destacar que os combustíveis derivados de petróleo são commodities e têm seus preços atrelados aos mercados internacionais, cujas cotações variam diariamente, para cima e para baixo.”


''''Cada hora é um susto'''', diz dono de posto
Para Wagner Souza, presidente do Regran, o País está sem controle, e a revenda e o consumidor sofrem as consequências. “A cada hora é um susto diferente. Sem falar no risco de os caminhoneiros pararem de novo. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) quis ter bom senso ao falar com a Petrobras, mas fez tudo errado. E criou ânimo nos caminhoneiros. O governo tem que cobrar da Petrobras mais eficiência nos processos, mais tecnologia e modernidade, para reduzir o valor do combustível, que é algo de utilidade pública. O governo tem de cuidar disso. Parece que vivemos em uma terra de ninguém”, afirmou.

Na quarta-feira, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,10 no diesel, elevado por conta do dólar. Nos postos do Grande ABC, a média de preços, que era de R$ 3,41, hoje está em torno de R$ 3,67 (R$ 0,26 a mais), e o incremento anunciado pela estatal ainda na foi repassado em todos os postos, pois passou a valer ontem.

Segundo a Petrobras, o valor estabelecido por ela representa, em média, 54% do custo do diesel nos postos. “O preço médio do diesel ao consumidor no Brasil é 13% menor do que a média global, havendo 105 países com preços superiores aos nossos, segundo a globalfuelprices.com”.

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o PPI (Preço Paridade Internacional) com destaque para redução recente do frete marítimo. A Petrobras reafirma a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional.” 



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Preços de combustíveis disparam e assustam motoristas da região

Etanol teve acréscimo de R$ 0,25 o litro e a gasolina R$ 0,13, em média

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

20/04/2019 | 08:02


O consumidor que foi abastecer seu carro nos últimos dias se deparou com aumento nos preços dos combustíveis nos postos do Grande ABC. De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), entre 7 e 13 de abril, últimos dados oficiais disponíveis, o valor médio do etanol era de R$ 2,72 nas bombas da região, enquanto que o da gasolina, R$ 4,11. Porém, segundo o Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do ABCDMR), o valor médio do combustível fóssil hoje é de R$ 4,24 (aumento de R$ 0,13) e, do renovável, R$ 2,89 (R$ 0,17 a mais).

Na prática, significa que, um veículo com tanque de 50 litros que até uma semana atrás consumia R$ 205,50 em gasolina, hoje precisa de R$ 212 para enchê-lo. Quanto ao etanol, o consumidor desembolsava R$ 136 e, poucos dias depois, R$ 144,50. Isso sem contar que, desde o início do ano, o valor vem aumentando.

“Em duas semanas, recebemos o etanol com acréscimo de R$ 0,25 no litro. Ocorre que nem todos os postos repassam o aumento integral, por receio de perder ainda mais clientes”, afirmou o presidente da entidade, Wagner de Souza. A gasolina chegou a ficar em torno de R$ 0,13 mais cara. Ele relata que o consumidor está mais contido nos gastos com combustíveis, ainda como reflexo da economia que demora a se recuperar, e que os mais jovens nem carro têm, pois se locomovem por meio de aplicativos, como 99 e Uber, o que reduz a demanda aos postos.

Souza relatou que os revendedores têm questionado as distribuidoras sobre o por quê dos preços elevados, uma vez que em abril se inicia a safra da cana de açúcar o que, consequentemente, implica maior produção e menor preço do álcool. Segundo ele, nenhuma justificativa plausível lhe é dada, e a culpa é repassada às usinas. “Geralmente quando o dólar está valorizado, como agora, na casa dos R$ 4, as usinas costumam direcionar mais cana para fazer açúcar e exportá-lo, o que reduz a quantidade disponível para o etanol. E se o álcool chega mais caro, ele puxa o preço da gasolina, que tem em sua composição 27% de etanol anidro”, relata.

Questionada, a Plural, associação que representa 16 distribuidoras de combustíveis, respondeu que, com relação ao etanol, era preciso questionar a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). “A Plural esclarece que o preço final do combustível engloba muitos outros fatores, além do valor de venda determinado pelas refinarias, como a Petrobras. Cada litro de gasolina, etanol ou diesel vendido no País tem seu preço composto, basicamente, por cinco parcelas distintas: preço de aquisição do produto, tributos, logística (fretes, armazenagem e manuseio), remuneração dos distribuidores e remuneração dos revendedores. Duas dessas variáveis – custo do produto e tributos – são responsáveis por mais de 80% do preço final, ou seja, os demais fatores, entre eles a remuneração das distribuidoras, somam apenas 20% do montante”, assinalou, em nota.

“Não existe proporcionalidade direta entre os aumentos na refinaria e o preço na bomba. Os números do primeiro trimestre de 2019 mostram que, enquanto a gasolina teve aumento de 20,2% na refinaria, o reajuste foi de apenas 0,7%. O mesmo movimento foi observado nos preços do diesel, que teve 17,8% de aumento nas refinarias, ante 3,3% nas bombas”, completou.

A Unica afirmou que as chuvas dos últimos dias dificultaram a colheita e que as distribuidoras reduziram o volume de compras na entressafra. Com estoque maior, seria possível suprir a demanda.

A Petrobras também foi interpelada e alegou que os preços cobrados nos postos não dependem exclusivamente dela. Tributos e margens de comercialização são alguns dos componentes do custo final ao consumidor. “A parcela da Petrobras é somente 32% do valor cobrado nos postos”, disse nota. “Já em relação aos preços cobrado pela Petrobras às distribuidoras, é importante destacar que os combustíveis derivados de petróleo são commodities e têm seus preços atrelados aos mercados internacionais, cujas cotações variam diariamente, para cima e para baixo.”


''''Cada hora é um susto'''', diz dono de posto
Para Wagner Souza, presidente do Regran, o País está sem controle, e a revenda e o consumidor sofrem as consequências. “A cada hora é um susto diferente. Sem falar no risco de os caminhoneiros pararem de novo. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) quis ter bom senso ao falar com a Petrobras, mas fez tudo errado. E criou ânimo nos caminhoneiros. O governo tem que cobrar da Petrobras mais eficiência nos processos, mais tecnologia e modernidade, para reduzir o valor do combustível, que é algo de utilidade pública. O governo tem de cuidar disso. Parece que vivemos em uma terra de ninguém”, afirmou.

Na quarta-feira, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,10 no diesel, elevado por conta do dólar. Nos postos do Grande ABC, a média de preços, que era de R$ 3,41, hoje está em torno de R$ 3,67 (R$ 0,26 a mais), e o incremento anunciado pela estatal ainda na foi repassado em todos os postos, pois passou a valer ontem.

Segundo a Petrobras, o valor estabelecido por ela representa, em média, 54% do custo do diesel nos postos. “O preço médio do diesel ao consumidor no Brasil é 13% menor do que a média global, havendo 105 países com preços superiores aos nossos, segundo a globalfuelprices.com”.

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o PPI (Preço Paridade Internacional) com destaque para redução recente do frete marítimo. A Petrobras reafirma a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional.” 

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