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São Paulo ganha um instituto histórico

Fundado em 1894, o IHGSP é a mais antiga instituição privada que cuida da memória paulista


Ademir Medici

19/04/2019 | 07:00


 O professor Jorge Pimentel Cintra está no ar pelo DGABC TV. Na sua aula de 45 minutos, ele fala sobre as origens do IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo), que teve entre os integrantes o médico e historiador Octaviano Armando Gaiarsa, hoje nome do Museu de Santo André, e o historiador Wanderley dos Santos, autor do clássico Antecedentes Históricos do ABC Paulista.

O IHGSP fica no coração da Capital, entre a Praça da Sé e o Largo São Francisco. No salão nobre da Faculdade de Direito de São Paulo é que nasceu o IHGSP, dono de patrimônio próprio e responsável por uma revista longeva que hoje pode ser consultada pela internet, e na qual estão pesquisas como as realizadas em Santo André por Teodoro Sampaio.

Foi também o IHGSP o guardião de um exemplar raríssimo de O Monitor, de 1904, o mais antigo jornal conhecido editado no Grande ABC – hoje repassado ao Arquivo Público do Estado.

Acadêmicos e não acadêmicos fazem parte do IHGSP, hoje vivendo grandes momentos.

Pelo ensino da História de São Paulo

Da aula do professor Jorge Cintra

O IHGSP nasceu no momento da República. Durante o Império havia o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que é antiquíssimo. A sua revista é das mais antigas do mundo, publicada sem descontinuidade desde a primeira metade do século XIX, e o Instituto construiu uma memória brasileira feita de um ponto de vista centralizado, como era necessário naquele instante.

O grande nome do Instituto é Francisco Adolfo Varnhagen, que é o pai da historiografia, da História brasileira, feita com grandes pesquisas em museus, na Torre do Tombo, pesquisando fontes primárias.

Houve um determinado momento em que Capistrano de Abreu fala: “nós só estamos contando história de uma determinada maneira. E essa história é da costa. Precisamos contar a história da interiorização do Brasil”.

A isso se une a necessidade de contar a história do Estado. Vão surgindo em todos os Estados brasileiros, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, na Bahia, os diversos institutos históricos, e esses vão fazer a memória do seu Estado, procurando até as raízes das províncias e capitanias.

O IHGSP vai contar essa história enfocando o Estado de São Paulo no conjunto maior que é o Brasil.

De fato, quem construiu a ida para o Interior foram os bandeirantes. Para bem ou para mal, foram eles que se aventuraram por esse sertão adentro e fizeram história.

Os bandeirantes foram para Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Mato Grosso (Sul e Norte), Guaporé, Goiás, Tocantins. Chegam até o Amazonas. E foi isso que depois permitiu ao Brasil reivindicar as fronteiras no Tratado de Madri.

Temos uma construção da História brasileira, com ênfase em São Paulo. Isso pode ser consultado nas revistas do Instituto.

A primeira providência da nova gestão do IHGSP, já na trilha da gestão anterior, foi colocar no ar todas as suas revistas. Quem quiser, entra no Google, no site do IHGSP, e tem acesso a qualquer número da revista e os diversos artigos de Teodoro Sampaio, Washington Luís, Taunay, os construtores dessa História.

Quando o IHGSP começou não havia faculdade de história no Brasil. Quem fazia História? Eram os cidadãos prestantes que se reuniram no salão nobre do Largo de São Francisco, em 1894, e ali resolveram fundar um instituto dedicado à história e geografia.

A USP (Universidade de São Paulo) só vai surgir em 1934, 40 anos depois. Hoje a História se faz, também e primordialmente, nas pesquisas de nível de pós-graduação das faculdades, a USP, por exemplo, em seu departamento de História, no Museu Paulista, onde há uma revista e todo um acervo que serve de material de pesquisa.

Então nós temos esse panorama de quem é que faz História, e o papel que jogou no passado o IHGSP.

No presente, as pesquisas são feitas pelos membros – um na PUC, um na USP, um na Unifesp, etc. E cabem pesquisas de pessoas que não são historiadores profissionais, como os médicos, que se dedicam a estudar Emílio Ribas, ou a história do Instituto de Infectologia. A história que é um corte, a História da Medicina, que até o momento nenhum historiador teve chance de fazer.

As diversas profissões são algo de positivo para fazer História. História que muitas vezes não tem a fonte bibliográfica, não tem a citação perfeita, mas que é um ensaio que permite depois aprofundar - opa, aqui tem um tema importante e é necessário aprofundar.

O IHGSP faz isso. Realiza várias atividades culturais. Divulga. Recebe escolas. Damos ênfase à História de São Paulo.

A História do Estado é muito importante. Você mora aqui e não sabe o que aconteceu. História do Estado e História da cidade. A cidadania construída.

Por que as pessoas picham os monumentos? Porque o monumento não significa nada para elas. Quando um monumento passa a ter um significado, ele é respeitado.

A pichação significa um desprezo pelo desconhecido. Por isso batalhamos pelo ensino da História de São Paulo no currículo do ensino fundamental 2, no ensino médio.

Às vezes ficamos estudando Roma e Grécia, e se estuda duas vezes. Claro que Roma e Grécia são importantes, como também o Egito, que são as nossas raízes. Mas as raízes próximas estão aí. Vamos pegar as raízes lá atrás e não olhamos para isso. Por que não dedicar um espaço para construir a História de São Paulo? Essa história ajuda a explicar muitas coisas.

Memória na TV

Entrevista da semana: professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

No ar: www.dgabc.com.

AMANHÃ

O tropeirismo e o Ciclo do Açúcar



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São Paulo ganha um instituto histórico

Fundado em 1894, o IHGSP é a mais antiga instituição privada que cuida da memória paulista

Ademir Medici

19/04/2019 | 07:00


 O professor Jorge Pimentel Cintra está no ar pelo DGABC TV. Na sua aula de 45 minutos, ele fala sobre as origens do IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo), que teve entre os integrantes o médico e historiador Octaviano Armando Gaiarsa, hoje nome do Museu de Santo André, e o historiador Wanderley dos Santos, autor do clássico Antecedentes Históricos do ABC Paulista.

O IHGSP fica no coração da Capital, entre a Praça da Sé e o Largo São Francisco. No salão nobre da Faculdade de Direito de São Paulo é que nasceu o IHGSP, dono de patrimônio próprio e responsável por uma revista longeva que hoje pode ser consultada pela internet, e na qual estão pesquisas como as realizadas em Santo André por Teodoro Sampaio.

Foi também o IHGSP o guardião de um exemplar raríssimo de O Monitor, de 1904, o mais antigo jornal conhecido editado no Grande ABC – hoje repassado ao Arquivo Público do Estado.

Acadêmicos e não acadêmicos fazem parte do IHGSP, hoje vivendo grandes momentos.

Pelo ensino da História de São Paulo

Da aula do professor Jorge Cintra

O IHGSP nasceu no momento da República. Durante o Império havia o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que é antiquíssimo. A sua revista é das mais antigas do mundo, publicada sem descontinuidade desde a primeira metade do século XIX, e o Instituto construiu uma memória brasileira feita de um ponto de vista centralizado, como era necessário naquele instante.

O grande nome do Instituto é Francisco Adolfo Varnhagen, que é o pai da historiografia, da História brasileira, feita com grandes pesquisas em museus, na Torre do Tombo, pesquisando fontes primárias.

Houve um determinado momento em que Capistrano de Abreu fala: “nós só estamos contando história de uma determinada maneira. E essa história é da costa. Precisamos contar a história da interiorização do Brasil”.

A isso se une a necessidade de contar a história do Estado. Vão surgindo em todos os Estados brasileiros, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, na Bahia, os diversos institutos históricos, e esses vão fazer a memória do seu Estado, procurando até as raízes das províncias e capitanias.

O IHGSP vai contar essa história enfocando o Estado de São Paulo no conjunto maior que é o Brasil.

De fato, quem construiu a ida para o Interior foram os bandeirantes. Para bem ou para mal, foram eles que se aventuraram por esse sertão adentro e fizeram história.

Os bandeirantes foram para Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Mato Grosso (Sul e Norte), Guaporé, Goiás, Tocantins. Chegam até o Amazonas. E foi isso que depois permitiu ao Brasil reivindicar as fronteiras no Tratado de Madri.

Temos uma construção da História brasileira, com ênfase em São Paulo. Isso pode ser consultado nas revistas do Instituto.

A primeira providência da nova gestão do IHGSP, já na trilha da gestão anterior, foi colocar no ar todas as suas revistas. Quem quiser, entra no Google, no site do IHGSP, e tem acesso a qualquer número da revista e os diversos artigos de Teodoro Sampaio, Washington Luís, Taunay, os construtores dessa História.

Quando o IHGSP começou não havia faculdade de história no Brasil. Quem fazia História? Eram os cidadãos prestantes que se reuniram no salão nobre do Largo de São Francisco, em 1894, e ali resolveram fundar um instituto dedicado à história e geografia.

A USP (Universidade de São Paulo) só vai surgir em 1934, 40 anos depois. Hoje a História se faz, também e primordialmente, nas pesquisas de nível de pós-graduação das faculdades, a USP, por exemplo, em seu departamento de História, no Museu Paulista, onde há uma revista e todo um acervo que serve de material de pesquisa.

Então nós temos esse panorama de quem é que faz História, e o papel que jogou no passado o IHGSP.

No presente, as pesquisas são feitas pelos membros – um na PUC, um na USP, um na Unifesp, etc. E cabem pesquisas de pessoas que não são historiadores profissionais, como os médicos, que se dedicam a estudar Emílio Ribas, ou a história do Instituto de Infectologia. A história que é um corte, a História da Medicina, que até o momento nenhum historiador teve chance de fazer.

As diversas profissões são algo de positivo para fazer História. História que muitas vezes não tem a fonte bibliográfica, não tem a citação perfeita, mas que é um ensaio que permite depois aprofundar - opa, aqui tem um tema importante e é necessário aprofundar.

O IHGSP faz isso. Realiza várias atividades culturais. Divulga. Recebe escolas. Damos ênfase à História de São Paulo.

A História do Estado é muito importante. Você mora aqui e não sabe o que aconteceu. História do Estado e História da cidade. A cidadania construída.

Por que as pessoas picham os monumentos? Porque o monumento não significa nada para elas. Quando um monumento passa a ter um significado, ele é respeitado.

A pichação significa um desprezo pelo desconhecido. Por isso batalhamos pelo ensino da História de São Paulo no currículo do ensino fundamental 2, no ensino médio.

Às vezes ficamos estudando Roma e Grécia, e se estuda duas vezes. Claro que Roma e Grécia são importantes, como também o Egito, que são as nossas raízes. Mas as raízes próximas estão aí. Vamos pegar as raízes lá atrás e não olhamos para isso. Por que não dedicar um espaço para construir a História de São Paulo? Essa história ajuda a explicar muitas coisas.

Memória na TV

Entrevista da semana: professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

No ar: www.dgabc.com.

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