Fechar
Publicidade

Sábado, 24 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Comerciantes esperam dobrar o faturamento com vinda do Metrô

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estabelecimentos do entorno estimam, na média, crescer 40% e contratar funcionários


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

15/04/2019 | 07:00


 Diante da perspectiva de o Metrô fazer parte de suas rotinas ao se estabelecer no entorno de comércios e serviços de Santo André, São Bernardo e São Caetano, empresários e funcionários esperam elevar o faturamento dos negócios, em média, em 40%. Alguns pensam até em dobrar a receita, contratar ampliar o seu ramo de atividade. A construção de 13 estações do modal – sendo 12 na região – como parte do projeto do Monotrilho da Linha 18-Bronze é pleiteada ao governo do Estado, que estuda implementar o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus) em vez do Metrô. Definição é esperada para junho.

Entre as estações previstas, há construções em São Caetano – Goiás, Espaço Cerâmica, Estrada das Lágrimas, Praça Regina Matiello e Mauá –, São Bernardo – Afonsina, Winston Churchill, Senador Vergueiro, Baeta Neves, Paço Municipal e Djalma Dutra –, além da FSA (Fundação Santo André) e da Bom Pastor, em Santo André.

O Diário conversou com donos de estabelecimentos próximos à Praça Regina Matiello e Mauá, Afonsina e Bom Pastor. Os olhos da atendente do Trevo Açaí São Caetano Natalia Gregório, 28 anos, brilharam quando foi falado sobre a chance de ter uma estação do modal a poucos passos dali. A primeira coisa que veio à sua mente foi que o progresso da cidade poderia trazer também prosperidade à barraca em que trabalha, na Estrada das Lágrimas.

“Quem sabe assim conseguiremos ter água encanada aqui. Seria uma maravilha. Poderíamos oferecer comida também, salgados. O pessoal pede muito salgado. Hoje, só vendemos coisas geladas e que não precisam ser manuseadas, como água de coco, suco, paleta mexicana”, contou, refletiu e continuou. “Isso se não nos tirarem daqui. Não quero nem pensar nisso. Temos de fazer parte dessa melhoria.”

Natalia, que trabalha ali há um ano, conta que diariamente vende em torno de R$ 400, quantia que chega a R$ 1.000 em dias muito quentes. “Com a chance de oferecer comida e com os usuários do Metrô, podemos pelo menos dobrar o faturamento. E até contratar minha mãe, que está desempregada.”

Quem está nos arredores do Instituto Mauá de Tecnologia, e tem nos alunos, professores e funcionários a maior parte dos clientes se anima com a chance de ampliar esse fluxo – embora lamente que há anos ouvem essa possibilidade, que temem não sair do papel. “O movimento caiu bastante nos últimos quatro meses. Não sei se por instabilidade do governo e da economia. Então, para nós, seria muito importante ter o Metrô. Sem contar que o trânsito aqui, que é caótico, principalmente por volta das 17h, seria aliviado. E quem mora outras localidades, por exemplo, em São Paulo, teria interesse de vir estudar na Mauá”, afirmou Rose Pazzini, 51, proprietária do Café e Conveniência Jardim, situado no Boulevard Portal do ABC, do outro lado da rua do Trevo.

Rose estima que seu faturamento, que hoje gira em torno de R$ 100 mil mensais, seria acrescido de pelo menos 40% com a vinda da Linha 18. O mesmo percentual de incremento à receita é esperado pelo vizinho Geek Point, loja especializada em produtos de história em quadrinhos,que tem nos frequentadores da Mauá 70% dos seus clientes. “Seria uma forma de atrair mais consumidores, e até mais alunos para a faculdade”, estimou o atendente Matheus dos Reis, 21. A receita que hoje gira em torno de R$ 700 por dia, se aproximaria aos R$ 1.000. “Conforme a estação de Metrô se tornasse mais conhecida, e mais pessoas passassem a utilizá-la, acredito que nossas vendas aumentariam ainda mais.”

EXPANSÃO
Animado com a possibilidade de ter uma estação da Linha 18 bem na frente do estabelecimento em que trabalha, o comércio Tintas 3 de Maio, na Rua Afonsina, o vendedor Paulo Ribeiro, 30, vislumbra um futuro próximo de ampliação do negócio. “Como os perfis de clientes automotivo e imobiliário são diferentes, por exemplo, quem compra itens para o carro faz compras mais rápido, enquanto que para casa demora mais, poderíamos expandir para espaço que hoje é inutilizado e separar os produtos”, idealiza. “Sem contar que poderíamos ampliar o quadro de funcionários. Quem sabe contratar de cinco a sete pessoas.”

O Metrô traria mais clientes à loja, uma vez que hoje a metade deles prefere comprar pela internet e mandar entregar em casa. Logo no início, Ribeiro imagina aumento de 15% no faturamento, que com o tempo poderia dobrar e propiciar a ampliação física.

Givalda dos Reis, 48, proprietária da lavanderia Lav Clean, situada na Av. Bom Pastor, em Santo André, também vislumbrou a chance de duplicar seus ganhos com uma estação a poucos passos dali. “Com mais gente passando pela rua, poderia conseguir mais clientes, e dos cerca de 20 por mês, quem sabe, chegar a 30 ou 40. E ainda contratar um assistente”, disse, com sorriso no rosto, e o sonho de faturar, em vez dos cerca de R$ 7.000 atuais, R$ 15 mil por mês.

Japão é um exemplo de eficiência
“A facilidade de andar de Metrô é única. Nenhum outro meio de transporte é capaz de nos deslocar tão rápido”, avaliou Luciana Moltu, 37 anos, proprietária da Classic Autopeças, situada à Rua Xingú, Valparaíso, em Santo André. “Ouço falar disso há mais de dez anos, e não entendo como o Grande ABC não tem Metrô. Como nosso País, do tamanho que é, tem uma malha metroviária tão pequena. Meu pai mora no Japão e lá tem Metrô em todo lugar, não só em grandes cidades.”

Em cenário otimista da vinda do Metrô, por outro lado, ela estima ganhos médios de 40% no faturamento mensal, em torno de R$ 30 mil. Enquanto isso, Luciana pensa em criar negócio em outro setor para complementar a renda: ateliê de pudim. Diante da pergunta sobre ter pensado em abrir ali mesmo, por conta do fluxo do Metrô, ela respondeu: “Sabe que não tinha pensado nisso? É uma boa ideia. Vamos torcer.”



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Comerciantes esperam dobrar o faturamento com vinda do Metrô

Estabelecimentos do entorno estimam, na média, crescer 40% e contratar funcionários

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

15/04/2019 | 07:00


 Diante da perspectiva de o Metrô fazer parte de suas rotinas ao se estabelecer no entorno de comércios e serviços de Santo André, São Bernardo e São Caetano, empresários e funcionários esperam elevar o faturamento dos negócios, em média, em 40%. Alguns pensam até em dobrar a receita, contratar ampliar o seu ramo de atividade. A construção de 13 estações do modal – sendo 12 na região – como parte do projeto do Monotrilho da Linha 18-Bronze é pleiteada ao governo do Estado, que estuda implementar o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus) em vez do Metrô. Definição é esperada para junho.

Entre as estações previstas, há construções em São Caetano – Goiás, Espaço Cerâmica, Estrada das Lágrimas, Praça Regina Matiello e Mauá –, São Bernardo – Afonsina, Winston Churchill, Senador Vergueiro, Baeta Neves, Paço Municipal e Djalma Dutra –, além da FSA (Fundação Santo André) e da Bom Pastor, em Santo André.

O Diário conversou com donos de estabelecimentos próximos à Praça Regina Matiello e Mauá, Afonsina e Bom Pastor. Os olhos da atendente do Trevo Açaí São Caetano Natalia Gregório, 28 anos, brilharam quando foi falado sobre a chance de ter uma estação do modal a poucos passos dali. A primeira coisa que veio à sua mente foi que o progresso da cidade poderia trazer também prosperidade à barraca em que trabalha, na Estrada das Lágrimas.

“Quem sabe assim conseguiremos ter água encanada aqui. Seria uma maravilha. Poderíamos oferecer comida também, salgados. O pessoal pede muito salgado. Hoje, só vendemos coisas geladas e que não precisam ser manuseadas, como água de coco, suco, paleta mexicana”, contou, refletiu e continuou. “Isso se não nos tirarem daqui. Não quero nem pensar nisso. Temos de fazer parte dessa melhoria.”

Natalia, que trabalha ali há um ano, conta que diariamente vende em torno de R$ 400, quantia que chega a R$ 1.000 em dias muito quentes. “Com a chance de oferecer comida e com os usuários do Metrô, podemos pelo menos dobrar o faturamento. E até contratar minha mãe, que está desempregada.”

Quem está nos arredores do Instituto Mauá de Tecnologia, e tem nos alunos, professores e funcionários a maior parte dos clientes se anima com a chance de ampliar esse fluxo – embora lamente que há anos ouvem essa possibilidade, que temem não sair do papel. “O movimento caiu bastante nos últimos quatro meses. Não sei se por instabilidade do governo e da economia. Então, para nós, seria muito importante ter o Metrô. Sem contar que o trânsito aqui, que é caótico, principalmente por volta das 17h, seria aliviado. E quem mora outras localidades, por exemplo, em São Paulo, teria interesse de vir estudar na Mauá”, afirmou Rose Pazzini, 51, proprietária do Café e Conveniência Jardim, situado no Boulevard Portal do ABC, do outro lado da rua do Trevo.

Rose estima que seu faturamento, que hoje gira em torno de R$ 100 mil mensais, seria acrescido de pelo menos 40% com a vinda da Linha 18. O mesmo percentual de incremento à receita é esperado pelo vizinho Geek Point, loja especializada em produtos de história em quadrinhos,que tem nos frequentadores da Mauá 70% dos seus clientes. “Seria uma forma de atrair mais consumidores, e até mais alunos para a faculdade”, estimou o atendente Matheus dos Reis, 21. A receita que hoje gira em torno de R$ 700 por dia, se aproximaria aos R$ 1.000. “Conforme a estação de Metrô se tornasse mais conhecida, e mais pessoas passassem a utilizá-la, acredito que nossas vendas aumentariam ainda mais.”

EXPANSÃO
Animado com a possibilidade de ter uma estação da Linha 18 bem na frente do estabelecimento em que trabalha, o comércio Tintas 3 de Maio, na Rua Afonsina, o vendedor Paulo Ribeiro, 30, vislumbra um futuro próximo de ampliação do negócio. “Como os perfis de clientes automotivo e imobiliário são diferentes, por exemplo, quem compra itens para o carro faz compras mais rápido, enquanto que para casa demora mais, poderíamos expandir para espaço que hoje é inutilizado e separar os produtos”, idealiza. “Sem contar que poderíamos ampliar o quadro de funcionários. Quem sabe contratar de cinco a sete pessoas.”

O Metrô traria mais clientes à loja, uma vez que hoje a metade deles prefere comprar pela internet e mandar entregar em casa. Logo no início, Ribeiro imagina aumento de 15% no faturamento, que com o tempo poderia dobrar e propiciar a ampliação física.

Givalda dos Reis, 48, proprietária da lavanderia Lav Clean, situada na Av. Bom Pastor, em Santo André, também vislumbrou a chance de duplicar seus ganhos com uma estação a poucos passos dali. “Com mais gente passando pela rua, poderia conseguir mais clientes, e dos cerca de 20 por mês, quem sabe, chegar a 30 ou 40. E ainda contratar um assistente”, disse, com sorriso no rosto, e o sonho de faturar, em vez dos cerca de R$ 7.000 atuais, R$ 15 mil por mês.

Japão é um exemplo de eficiência
“A facilidade de andar de Metrô é única. Nenhum outro meio de transporte é capaz de nos deslocar tão rápido”, avaliou Luciana Moltu, 37 anos, proprietária da Classic Autopeças, situada à Rua Xingú, Valparaíso, em Santo André. “Ouço falar disso há mais de dez anos, e não entendo como o Grande ABC não tem Metrô. Como nosso País, do tamanho que é, tem uma malha metroviária tão pequena. Meu pai mora no Japão e lá tem Metrô em todo lugar, não só em grandes cidades.”

Em cenário otimista da vinda do Metrô, por outro lado, ela estima ganhos médios de 40% no faturamento mensal, em torno de R$ 30 mil. Enquanto isso, Luciana pensa em criar negócio em outro setor para complementar a renda: ateliê de pudim. Diante da pergunta sobre ter pensado em abrir ali mesmo, por conta do fluxo do Metrô, ela respondeu: “Sabe que não tinha pensado nisso? É uma boa ideia. Vamos torcer.”

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;