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Semana Santa de paz e esperança


Dom Pedro Cipollini

15/04/2019 | 07:00


Escreveu um famoso escritor: “Somente quando de tudo desesperarmos é que a esperança começa a ser verdadeira força”. De fato, foi assim com os discípulos e discípulas de Jesus, após sua trágica morte na cruz. E assim será através dos séculos com todos os verdadeiros seguidores de Jesus. Isso porque existe na fé cristã o paradoxo da cruz. É pela cruz que vem a vitória, é passando pelo calvário que se chega à glória, é morrendo que se vive. Desta forma o cristianismo é fruto de um evento histórico no qual o vencedor antes é vencido, aliás, é no momento de sua derrota que ele vence: “Morrendo destruiu a morte e deu-nos a vida”.

A Semana Santa é para nós momento solene e sublime no qual recordamos o Mistério Pascal. Mais que recordar, nós o celebramos com muito amor e carinho, traduzidos na preparação que incluiu as confissões, as orações com seu ponto alto nas “24 horas para o Senhor”, e demais celebrações nas várias comunidades e paróquias de nossa Diocese de Santo André.

A Semana Santa começa com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Nele se faz a memória da entrada de Jesus em Jerusalém com a procissão de ramos. Os ramos para os hebreus e os povos daquela época eram sinal de vitória. Com eles se saudavam os vencedores. Jesus entra na cidade aclamado como Messias, salvador.

Porém, logo se decepcionam com ele, pois, não é um Messias político ou guerreiro, como a maioria esperava. Um Messias guerreiro deveria usar a força, e se impor coagindo. Ele veio trazer a paz, o perdão que reconcilia, o amor que partilha a vida! Seu messianismo foi rejeitado e continua rejeitado através dos tempos, por todas as forças opressoras, com base no poder e na dominação. É o reino do pecado contraposto ao reino de Deus que Jesus nos traz.

Na quinta-feira santa a Igreja celebra em torno do bispo na igreja catedral a missa crismal, durante a qual os padres renovam as promessas sacerdotais e se consagram os santos óleos a serem usados no batismo, crisma, ordenações e unção dos enfermos. Jesus nos deixa o mandamento do amor, “amar como ele amou”. E a Eucaristia que é presente, memorial deste amor capaz de dar a vida. Ele ensina que o amor verdadeiro se traduz em serviço. São Paulo narra a instituição da Eucaristia (cf. 1Cor 11,23-26).
Na quinta-feira inicia-se o tríduo pascal.

Na Sexta-Feira Santa recordamos Jesus que morre na cruz por nós. Este mistério é profundo e mais que todos, rejeitado pelo nosso mundo baseado na força da técnica, e no poder econômico que tudo subjuga. É na cruz que temos a salvação e a vida porque a cruz é o máximo sinal do amor, amor que é a “morte da morte”. É dia de oração e jejum para os católicos. No sábado santo a Igreja passa à beira do túmulo de Jesus, refletindo, meditando e rezando este acontecimento.

Vigilante, a Igreja aguarda a luz de Jesus Ressuscitado. Na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa celebramos a vitória do amor, a vitória da cruz: “Vitória tu reinarás, ó cruz tu nos salvarás”. Diante do crucificado ressuscitado se dobrem todos os joelhos. Ele se humilhou e obedeceu (ouviu a voz do Pai e nela perseverou, não levando em conta as consequências), até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou. A festa da Páscoa renova nossa esperança para caminharmos de esperança em esperança, até o fim dos tempos.

O Domingo de Páscoa encerra a Semana Santa e dá início ao que São João chama de “primeiro dia da semana”(cf. Jo 20,1), o dia sem fim, no qual a criação renovada por Cristo não terá mais noite. O dia de domingo é o dia que ilumina toda a semana, pois nele vivemos todo o mistério pascal de Cristo e da Igreja.

Cada Páscoa é um marco de renovação da comunidade que ouve o ressuscitado dizer: “Ide, vós sereis minhas testemunhas até os confins da Terra”(Mc 16,15). Testemunhas que anunciam a esperança de um mundo renovado na justiça, na solidariedade e na paz que vem de Deus. Deus está agindo e interagindo conosco, portanto, tenhamos esperança.

A todos uma Feliz Páscoa!



Comentários

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Semana Santa de paz e esperança

Dom Pedro Cipollini

15/04/2019 | 07:00


Escreveu um famoso escritor: “Somente quando de tudo desesperarmos é que a esperança começa a ser verdadeira força”. De fato, foi assim com os discípulos e discípulas de Jesus, após sua trágica morte na cruz. E assim será através dos séculos com todos os verdadeiros seguidores de Jesus. Isso porque existe na fé cristã o paradoxo da cruz. É pela cruz que vem a vitória, é passando pelo calvário que se chega à glória, é morrendo que se vive. Desta forma o cristianismo é fruto de um evento histórico no qual o vencedor antes é vencido, aliás, é no momento de sua derrota que ele vence: “Morrendo destruiu a morte e deu-nos a vida”.

A Semana Santa é para nós momento solene e sublime no qual recordamos o Mistério Pascal. Mais que recordar, nós o celebramos com muito amor e carinho, traduzidos na preparação que incluiu as confissões, as orações com seu ponto alto nas “24 horas para o Senhor”, e demais celebrações nas várias comunidades e paróquias de nossa Diocese de Santo André.

A Semana Santa começa com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Nele se faz a memória da entrada de Jesus em Jerusalém com a procissão de ramos. Os ramos para os hebreus e os povos daquela época eram sinal de vitória. Com eles se saudavam os vencedores. Jesus entra na cidade aclamado como Messias, salvador.

Porém, logo se decepcionam com ele, pois, não é um Messias político ou guerreiro, como a maioria esperava. Um Messias guerreiro deveria usar a força, e se impor coagindo. Ele veio trazer a paz, o perdão que reconcilia, o amor que partilha a vida! Seu messianismo foi rejeitado e continua rejeitado através dos tempos, por todas as forças opressoras, com base no poder e na dominação. É o reino do pecado contraposto ao reino de Deus que Jesus nos traz.

Na quinta-feira santa a Igreja celebra em torno do bispo na igreja catedral a missa crismal, durante a qual os padres renovam as promessas sacerdotais e se consagram os santos óleos a serem usados no batismo, crisma, ordenações e unção dos enfermos. Jesus nos deixa o mandamento do amor, “amar como ele amou”. E a Eucaristia que é presente, memorial deste amor capaz de dar a vida. Ele ensina que o amor verdadeiro se traduz em serviço. São Paulo narra a instituição da Eucaristia (cf. 1Cor 11,23-26).
Na quinta-feira inicia-se o tríduo pascal.

Na Sexta-Feira Santa recordamos Jesus que morre na cruz por nós. Este mistério é profundo e mais que todos, rejeitado pelo nosso mundo baseado na força da técnica, e no poder econômico que tudo subjuga. É na cruz que temos a salvação e a vida porque a cruz é o máximo sinal do amor, amor que é a “morte da morte”. É dia de oração e jejum para os católicos. No sábado santo a Igreja passa à beira do túmulo de Jesus, refletindo, meditando e rezando este acontecimento.

Vigilante, a Igreja aguarda a luz de Jesus Ressuscitado. Na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa celebramos a vitória do amor, a vitória da cruz: “Vitória tu reinarás, ó cruz tu nos salvarás”. Diante do crucificado ressuscitado se dobrem todos os joelhos. Ele se humilhou e obedeceu (ouviu a voz do Pai e nela perseverou, não levando em conta as consequências), até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou. A festa da Páscoa renova nossa esperança para caminharmos de esperança em esperança, até o fim dos tempos.

O Domingo de Páscoa encerra a Semana Santa e dá início ao que São João chama de “primeiro dia da semana”(cf. Jo 20,1), o dia sem fim, no qual a criação renovada por Cristo não terá mais noite. O dia de domingo é o dia que ilumina toda a semana, pois nele vivemos todo o mistério pascal de Cristo e da Igreja.

Cada Páscoa é um marco de renovação da comunidade que ouve o ressuscitado dizer: “Ide, vós sereis minhas testemunhas até os confins da Terra”(Mc 16,15). Testemunhas que anunciam a esperança de um mundo renovado na justiça, na solidariedade e na paz que vem de Deus. Deus está agindo e interagindo conosco, portanto, tenhamos esperança.

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