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Bolsonaro admite que determinou suspensão no reajuste do diesel

Antonio Cruz/ Agência Brasil  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Presidente se reúne com Petrobras na terça; ações caíram 8,54%, e empresa perdeu R$ 32,3 bilhões


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

13/04/2019 | 07:25


O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), admitiu que determinou a suspensão do reajuste de 5,7% no preço do diesel (o litro passaria de R$ 2,14 para R$ 2,26 nas refinarias), anunciado pela Petrobras. O novo valor começaria a ser cobrado ontem, mas vai ficar suspenso até que os técnicos da estatal justifiquem ao presidente a necessidade do aumento. “Eu liguei para o presidente sim. Me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista. Não vou praticar a política que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras”, afirmou Bolsonaro.

Se fosse efetuada, a alta divulgada na quinta-feira seria a maior desde que os presidentes da República e o da petroleira, Roberto Castello Branco, assumiram os cargos. Até então, a maior alta tinha sido de 3,5%, registrada em 23 de fevereiro. Com exceção desses dois casos, os preços variaram em intervalos de 1% a 2,5%. Para Bolsonaro, o valor não corresponde com a inflação projetada para o período. “Convoquei para terça-feira todos da Petrobras para me esclarecerem o porquê dos 5,7% quando a inflação projetada para este ano está abaixo de 5%. Só isso e mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, vamos dar a resposta adequada a vocês”, afirmou. Na segunda, haverá reunião interministerial na Casa Civil para tratar dos aspectos técnicos sobre a política de preços.

Na avaliação do presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Grande ABC), Wagner Souza, prevaleceu o bom senso do presidente. “Um aumento de R$ 0,12 no diesel é extremamente alto. Seria ruim para o revendedor e para o consumidor”, avaliou, ao ponderar que se o combustível encarece aos caminhões, os custos dos produtos tendem a subir e a pressionar a inflação. “Porém, não pode acontecer o mesmo que ocorreu no governo passado, interferências nos aumentos. O que precisamos é buscar outras soluções. Técnicas para viabilizar melhor o processo e baratear o custo do produto. Pois mão do governo interferindo na Petrobras não é bom.”

Nos postos de combustível do Grande ABC, o valor médio do diesel (S10) hoje gira em torno de R$ 3,64 a R$ 3,67.

IMPACTO NO MERCADO - As ações da Petrobras abriram em queda de mais de 5% na bolsa de valores ontem, reflexo da decisão da companhia de suspender o reajuste no preço do diesel horas depois de anunciá-lo. No fim do dia, Petrobras ON e PN registraram perdas de 8,54% e 7,75%, respectivamente. Em valor de mercado, a estatal perdeu R$ 32,3 bilhões só ontem.

“Os sinais de ingerência política na Petrobras foram um balde de água fria para o investidor que está atento ao plano de desinvestimento da empresa. O evento tem efeito direto sobre a credibilidade da empresa e cria dúvidas quanto à atratividade das subsidiárias que a companhia pretende vender. Esse pode ter sido evento pontual, mas trouxe à tona temores do passado”, disse Luiz Roberto Monteiro, da Renascença Corretora. As ações da BR Distribuidora caíram 4,10%.

O ‘efeito Petrobras’ acertou em cheio as ações de outras empresas estatais, também pelo temor de perda de atratividade nas privatizações. Banco do Brasil ON fechou em queda de 3,17% e Eletrobras ON e PNB perderam 5,24% e 4,97%, respectivamente. Nos piores momentos do dia, o Ibovespa chegou a cair 2,36%, aos 92.516,32 pontos. A decisão de Bolsonaro de segurar a alta do diesel estressou o mercado de câmbio, e o dólar chegou a bater em R$ 3,90.

GREVE - Em março, a Petrobras se comprometeu a congelar o preço do óleo diesel nas refinarias por pelo menos 15 dias. Por causa da política de preços dos combustíveis da estatal, até então com oscilações mais frequentes, os caminhoneiros pararam o País, em maio do ano passado. No início do ano, com o petróleo em alta, o diesel voltou a ser ameaça e mais uma vez a classe avalia cruzar os braços.

Souza, do Regran, acredita que a decisão de Bolsonaro abre espaço para uma negociação da classe com o governo. “Mas se houver essa conversa, é preciso que ela seja mais técnica e menos emocional, que busque de fato melhorar o processo econômico”, analisou. Quanto ao risco de nova greve, ele acredita que é cedo para isso.

A mudança na política de preço dos combustíveis foi adotada na gestão do ex-presidente da companhia Pedro Parente, que determinou a revisão diária da tabela nas refinarias, em linha com o mercado internacional. Sem saber o preço que pagaria pelo combustível no fim de uma viagem, os caminhoneiros entraram em greve. Além disso, para encerrar os protestos, o governo ainda subsidiou por um semestre. Apenas em 2019, o diesel voltou a ser reajustado periodicamente, semanalmente. Na terça, sob ameaça de nova greve, a Petrobras anunciou que vai manter os preços inalterados por, pelo menos, mais uma semana. (com Estadão Conteúdo)
 



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Bolsonaro admite que determinou suspensão no reajuste do diesel

Presidente se reúne com Petrobras na terça; ações caíram 8,54%, e empresa perdeu R$ 32,3 bilhões

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

13/04/2019 | 07:25


O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), admitiu que determinou a suspensão do reajuste de 5,7% no preço do diesel (o litro passaria de R$ 2,14 para R$ 2,26 nas refinarias), anunciado pela Petrobras. O novo valor começaria a ser cobrado ontem, mas vai ficar suspenso até que os técnicos da estatal justifiquem ao presidente a necessidade do aumento. “Eu liguei para o presidente sim. Me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista. Não vou praticar a política que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras”, afirmou Bolsonaro.

Se fosse efetuada, a alta divulgada na quinta-feira seria a maior desde que os presidentes da República e o da petroleira, Roberto Castello Branco, assumiram os cargos. Até então, a maior alta tinha sido de 3,5%, registrada em 23 de fevereiro. Com exceção desses dois casos, os preços variaram em intervalos de 1% a 2,5%. Para Bolsonaro, o valor não corresponde com a inflação projetada para o período. “Convoquei para terça-feira todos da Petrobras para me esclarecerem o porquê dos 5,7% quando a inflação projetada para este ano está abaixo de 5%. Só isso e mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, vamos dar a resposta adequada a vocês”, afirmou. Na segunda, haverá reunião interministerial na Casa Civil para tratar dos aspectos técnicos sobre a política de preços.

Na avaliação do presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Grande ABC), Wagner Souza, prevaleceu o bom senso do presidente. “Um aumento de R$ 0,12 no diesel é extremamente alto. Seria ruim para o revendedor e para o consumidor”, avaliou, ao ponderar que se o combustível encarece aos caminhões, os custos dos produtos tendem a subir e a pressionar a inflação. “Porém, não pode acontecer o mesmo que ocorreu no governo passado, interferências nos aumentos. O que precisamos é buscar outras soluções. Técnicas para viabilizar melhor o processo e baratear o custo do produto. Pois mão do governo interferindo na Petrobras não é bom.”

Nos postos de combustível do Grande ABC, o valor médio do diesel (S10) hoje gira em torno de R$ 3,64 a R$ 3,67.

IMPACTO NO MERCADO - As ações da Petrobras abriram em queda de mais de 5% na bolsa de valores ontem, reflexo da decisão da companhia de suspender o reajuste no preço do diesel horas depois de anunciá-lo. No fim do dia, Petrobras ON e PN registraram perdas de 8,54% e 7,75%, respectivamente. Em valor de mercado, a estatal perdeu R$ 32,3 bilhões só ontem.

“Os sinais de ingerência política na Petrobras foram um balde de água fria para o investidor que está atento ao plano de desinvestimento da empresa. O evento tem efeito direto sobre a credibilidade da empresa e cria dúvidas quanto à atratividade das subsidiárias que a companhia pretende vender. Esse pode ter sido evento pontual, mas trouxe à tona temores do passado”, disse Luiz Roberto Monteiro, da Renascença Corretora. As ações da BR Distribuidora caíram 4,10%.

O ‘efeito Petrobras’ acertou em cheio as ações de outras empresas estatais, também pelo temor de perda de atratividade nas privatizações. Banco do Brasil ON fechou em queda de 3,17% e Eletrobras ON e PNB perderam 5,24% e 4,97%, respectivamente. Nos piores momentos do dia, o Ibovespa chegou a cair 2,36%, aos 92.516,32 pontos. A decisão de Bolsonaro de segurar a alta do diesel estressou o mercado de câmbio, e o dólar chegou a bater em R$ 3,90.

GREVE - Em março, a Petrobras se comprometeu a congelar o preço do óleo diesel nas refinarias por pelo menos 15 dias. Por causa da política de preços dos combustíveis da estatal, até então com oscilações mais frequentes, os caminhoneiros pararam o País, em maio do ano passado. No início do ano, com o petróleo em alta, o diesel voltou a ser ameaça e mais uma vez a classe avalia cruzar os braços.

Souza, do Regran, acredita que a decisão de Bolsonaro abre espaço para uma negociação da classe com o governo. “Mas se houver essa conversa, é preciso que ela seja mais técnica e menos emocional, que busque de fato melhorar o processo econômico”, analisou. Quanto ao risco de nova greve, ele acredita que é cedo para isso.

A mudança na política de preço dos combustíveis foi adotada na gestão do ex-presidente da companhia Pedro Parente, que determinou a revisão diária da tabela nas refinarias, em linha com o mercado internacional. Sem saber o preço que pagaria pelo combustível no fim de uma viagem, os caminhoneiros entraram em greve. Além disso, para encerrar os protestos, o governo ainda subsidiou por um semestre. Apenas em 2019, o diesel voltou a ser reajustado periodicamente, semanalmente. Na terça, sob ameaça de nova greve, a Petrobras anunciou que vai manter os preços inalterados por, pelo menos, mais uma semana. (com Estadão Conteúdo)
 

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