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Crise na Metodista já coloca em risco a manutenção de alunos

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Atrasos no pagamento de salários de professores e problemas estruturais geram incertezas sobre o futuro


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC
Lorena S.Ávila
especial para o Diário

10/04/2019 | 07:00


Diante da crise financeira que assola a Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), alunos de cursos distintos ouvidos pelo Diário relatam sentir, no dia a dia, impactos tanto nas condições de estrutura física dos campi quanto na desmotivação dos docentes. Atrasos no pagamento de salários, e de depósito de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e benefícios somados à falta de transparência da reitoria quanto à real situação da instituição de ensino superior fazem com que estudantes temam o futuro e já cogitem transferência.

Aluno do 3º semestre de jornalismo e vice-presidente do CA (Centro Acadêmico) do curso, Daniel Vila Nova, 21 anos, explica que, no dia a dia, os impactos se dão mais pelo clima de incerteza que reina na Metodista. “Muitos colegas pensam em sair da faculdade, porque está muito difícil. Os proventos, tanto de professores quanto funcionários administrativos estão atrasados e não há diálogo. A reitoria não explica o que acontece.”

Do ponto de vista estrutural, problemas pontuais também são citados por Vila Nova. “Os banheiros, por exemplo, há dias que não têm papel higiênico ou papel para secar as mãos. Nas aulas, não digo que a qualidade do curso caiu, mas a atmosfera negativa que fica na instituição é notável. Há desânimo total, principalmente por parte dos professores.” Os alunos reforçam que os reflexos já eram esperados. “Não dá para esperar que os funcionários respondam 100% com qualidade de trabalho diante da situação. Nossa educação depende da remuneração justa dos profissionais, e nossa preocupação é lutar pelo justo.”

A situação vem se agravando desde 2017, quando houve demissão em massa de 83 funcionários. “O sentimento é o de descrédito. Houve demissões políticas e perdemos muitos professores com mais de 30 anos de carreira. Não há humanização, transparência e diálogo por parte da reitoria”, destaca estudante do 5º semestre de Filosofia. “Os alunos estão unidos. Está bonito de ver a luta dos discentes pela Metodista, mas não sabemos até quando a instituição aguenta”, observa.

Professora do curso de pedagogia desde 2005 e representante do Sinpro-ABC (Sindicado dos Professores do Grande ABC), Cristiane Gandolfi diz que os docentes têm conversado com os alunos sobre a falta de salário do último mês, que ainda não foi pago para todos os profissionais. “A maior reivindicação é a de que a Metodista pague a todos sempre no quinto dia útil. No ano passado, somente dois dos proventos foram acertados em dia. Os demais atrasaram por até 15 dias. Não podemos trabalhar sem saber quando receberemos.” A docente, entretanto, ressalta o carinho dos profissionais pela instituição de ensino superior. “Nós amamos a Metodista, mas isso não é suficiente. Precisamos pagar nossas contas.”

Estudantes mantêm agenda de protestos

Na manhã de ontem, alunos dos dois campi da Metodista – no Rudge Ramos e Planalto – realizaram paralisação e atos em prol dos docentes. Foi a quinta vez em duas semanas que os estudantes se reuniram em luta contra o sucateamento do ensino superior. As manifestações seguem hoje e amanhã.

“Existe uma precarização educacional desde 2014. A gente paga a mensalidade todo mês e, no fim, não tem computador funcionando, mouse, câmera, editor. Demitiram muita gente por debaixo dos panos. O MI-7 (Movimento Estudantil dos Estudantes de Jornalismo do Sétimo Semestre) veio para ser mais incisivo e articular um movimento estudantil na universidade”, afirma Artur Longo, um dos líderes do MI-7.

No campus Planalto, após o ato estudantil, foi realizada reunião entre os alunos com Nilton Abreu Zanco, diretor da unidade. Foi cobrada do gestor solução para a situação estrutural. De acordo com os dicentes, banheiros estão depredados, sem pia, tampas nas privadas, papéis e sabonete.

No entanto, os estudantes receberam o posicionamento de que a Rede Metodista controla todos os colégios e as universidades e que cabe a eles a distribuição da verba e a definição de quem vai receber e quando. Sobre as demissões, foi informado aos alunos que se trata de reflexo da quantidade de matrículas – o gestor justificou que houve redução de 7.000 estudantes desde 2010.

Questionada sobre os problemas, a Metodista não se pronunciou até o fechamento desta edição. 



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Crise na Metodista já coloca em risco a manutenção de alunos

Atrasos no pagamento de salários de professores e problemas estruturais geram incertezas sobre o futuro

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC
Lorena S.Ávila
especial para o Diário

10/04/2019 | 07:00


Diante da crise financeira que assola a Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), alunos de cursos distintos ouvidos pelo Diário relatam sentir, no dia a dia, impactos tanto nas condições de estrutura física dos campi quanto na desmotivação dos docentes. Atrasos no pagamento de salários, e de depósito de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e benefícios somados à falta de transparência da reitoria quanto à real situação da instituição de ensino superior fazem com que estudantes temam o futuro e já cogitem transferência.

Aluno do 3º semestre de jornalismo e vice-presidente do CA (Centro Acadêmico) do curso, Daniel Vila Nova, 21 anos, explica que, no dia a dia, os impactos se dão mais pelo clima de incerteza que reina na Metodista. “Muitos colegas pensam em sair da faculdade, porque está muito difícil. Os proventos, tanto de professores quanto funcionários administrativos estão atrasados e não há diálogo. A reitoria não explica o que acontece.”

Do ponto de vista estrutural, problemas pontuais também são citados por Vila Nova. “Os banheiros, por exemplo, há dias que não têm papel higiênico ou papel para secar as mãos. Nas aulas, não digo que a qualidade do curso caiu, mas a atmosfera negativa que fica na instituição é notável. Há desânimo total, principalmente por parte dos professores.” Os alunos reforçam que os reflexos já eram esperados. “Não dá para esperar que os funcionários respondam 100% com qualidade de trabalho diante da situação. Nossa educação depende da remuneração justa dos profissionais, e nossa preocupação é lutar pelo justo.”

A situação vem se agravando desde 2017, quando houve demissão em massa de 83 funcionários. “O sentimento é o de descrédito. Houve demissões políticas e perdemos muitos professores com mais de 30 anos de carreira. Não há humanização, transparência e diálogo por parte da reitoria”, destaca estudante do 5º semestre de Filosofia. “Os alunos estão unidos. Está bonito de ver a luta dos discentes pela Metodista, mas não sabemos até quando a instituição aguenta”, observa.

Professora do curso de pedagogia desde 2005 e representante do Sinpro-ABC (Sindicado dos Professores do Grande ABC), Cristiane Gandolfi diz que os docentes têm conversado com os alunos sobre a falta de salário do último mês, que ainda não foi pago para todos os profissionais. “A maior reivindicação é a de que a Metodista pague a todos sempre no quinto dia útil. No ano passado, somente dois dos proventos foram acertados em dia. Os demais atrasaram por até 15 dias. Não podemos trabalhar sem saber quando receberemos.” A docente, entretanto, ressalta o carinho dos profissionais pela instituição de ensino superior. “Nós amamos a Metodista, mas isso não é suficiente. Precisamos pagar nossas contas.”

Estudantes mantêm agenda de protestos

Na manhã de ontem, alunos dos dois campi da Metodista – no Rudge Ramos e Planalto – realizaram paralisação e atos em prol dos docentes. Foi a quinta vez em duas semanas que os estudantes se reuniram em luta contra o sucateamento do ensino superior. As manifestações seguem hoje e amanhã.

“Existe uma precarização educacional desde 2014. A gente paga a mensalidade todo mês e, no fim, não tem computador funcionando, mouse, câmera, editor. Demitiram muita gente por debaixo dos panos. O MI-7 (Movimento Estudantil dos Estudantes de Jornalismo do Sétimo Semestre) veio para ser mais incisivo e articular um movimento estudantil na universidade”, afirma Artur Longo, um dos líderes do MI-7.

No campus Planalto, após o ato estudantil, foi realizada reunião entre os alunos com Nilton Abreu Zanco, diretor da unidade. Foi cobrada do gestor solução para a situação estrutural. De acordo com os dicentes, banheiros estão depredados, sem pia, tampas nas privadas, papéis e sabonete.

No entanto, os estudantes receberam o posicionamento de que a Rede Metodista controla todos os colégios e as universidades e que cabe a eles a distribuição da verba e a definição de quem vai receber e quando. Sobre as demissões, foi informado aos alunos que se trata de reflexo da quantidade de matrículas – o gestor justificou que houve redução de 7.000 estudantes desde 2010.

Questionada sobre os problemas, a Metodista não se pronunciou até o fechamento desta edição. 

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