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O outro lado do balcão


Antonio Carlos Lopes

08/04/2019 | 07:00


O assunto do dia, quando se fala em atendimento e qualidade de vida ao cidadão, é a telemedicina. Empresas de tecnologia, entidades médicas, gestores, planos e operadoras de saúde, só para citar alguns exemplos, debatem exaustivamente se é ou não a salvação para todos os problemas e mazelas da assistência aos cidadãos.

Todas as novidades, obviamente, trazem pró e contra. Contudo, diz a história da humanidade, o copo nem está meio cheio quanto parece aos otimistas nem tem menos da metade de seu conteúdo, como querem ver os pessimistas. Fato é que meio copo de água, por exemplo, contém exatamente a metade de sua capacidade em volume.

Assim, em meio à polêmica, certo é que há porta-vozes para defender os interesses dos mais diversificados, boa parte inclusive contestável. Existem aqueles que só olham para seu ganha-pão profissional, os corporativistas, os que visam exclusivamente ao lucro, empresários mercantilistas, e até os que pensam no bem-estar da coletividade em termos de acesso, qualidade de atendimento e boa oferta de saúde, infelizmente – um grupo ainda minoritário.

No Canadá, e em outros países cultural e economicamente mais avançados do que o Brasil, a telemedicina funciona muito bem, graças a Deus.

A questão é que a base do atendimento é completamente diferente. Por exemplo, as especialidades médicas são direcionadas apenas para os atendimentos mais complexos. Todo o restante, ou seja, a assistência primária, é realizado pelo clínico médico ou por médicos de família.

Nessas nações, também se tem como prioridade a promoção e a prevenção. Bem diferente do Brasil, em que o foco é a doença. Por aqui, esperamos primeiro que a enfermidade se manifeste para, então, entrar com a intervenção curativa.

Em um cenário com tal distorção, nem telemedicina nem milagre resolverão os gargalos da rede de saúde e a deficiência nos cuidados aos cidadãos. É urgente rever a sistematização e as políticas do setor, para vislumbrar um caminho de eficácia e resolubilidade.

Outra prioridade é resgatar os princípios da humanização da medicina. Desde as faculdades, os futuros doutores devem ter a consciência de que paciente tem nome e sobrenome. O indivíduo enfermo não pode ser visto como um número de quarto ou um usuário do plano de saúde ‘X’, ‘Y’ ou ‘Z’.

Medicina de qualidade tem como premissa gostar de gente. Portanto, somente aquele que tem respeito e apreço por seu semelhante pode exercer profissão relevante com a nobreza que lhe é inerente.

Certeza ainda é que não existe medicina quando se olha focando os rendimentos do mês ou o enriquecimento acima de tudo. Saúde é coisa séria, da mesma forma que gente é para ser feliz, como diria o poeta.

Não existe felicidade na doença, como bem sabemos.



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O outro lado do balcão

Antonio Carlos Lopes

08/04/2019 | 07:00


O assunto do dia, quando se fala em atendimento e qualidade de vida ao cidadão, é a telemedicina. Empresas de tecnologia, entidades médicas, gestores, planos e operadoras de saúde, só para citar alguns exemplos, debatem exaustivamente se é ou não a salvação para todos os problemas e mazelas da assistência aos cidadãos.

Todas as novidades, obviamente, trazem pró e contra. Contudo, diz a história da humanidade, o copo nem está meio cheio quanto parece aos otimistas nem tem menos da metade de seu conteúdo, como querem ver os pessimistas. Fato é que meio copo de água, por exemplo, contém exatamente a metade de sua capacidade em volume.

Assim, em meio à polêmica, certo é que há porta-vozes para defender os interesses dos mais diversificados, boa parte inclusive contestável. Existem aqueles que só olham para seu ganha-pão profissional, os corporativistas, os que visam exclusivamente ao lucro, empresários mercantilistas, e até os que pensam no bem-estar da coletividade em termos de acesso, qualidade de atendimento e boa oferta de saúde, infelizmente – um grupo ainda minoritário.

No Canadá, e em outros países cultural e economicamente mais avançados do que o Brasil, a telemedicina funciona muito bem, graças a Deus.

A questão é que a base do atendimento é completamente diferente. Por exemplo, as especialidades médicas são direcionadas apenas para os atendimentos mais complexos. Todo o restante, ou seja, a assistência primária, é realizado pelo clínico médico ou por médicos de família.

Nessas nações, também se tem como prioridade a promoção e a prevenção. Bem diferente do Brasil, em que o foco é a doença. Por aqui, esperamos primeiro que a enfermidade se manifeste para, então, entrar com a intervenção curativa.

Em um cenário com tal distorção, nem telemedicina nem milagre resolverão os gargalos da rede de saúde e a deficiência nos cuidados aos cidadãos. É urgente rever a sistematização e as políticas do setor, para vislumbrar um caminho de eficácia e resolubilidade.

Outra prioridade é resgatar os princípios da humanização da medicina. Desde as faculdades, os futuros doutores devem ter a consciência de que paciente tem nome e sobrenome. O indivíduo enfermo não pode ser visto como um número de quarto ou um usuário do plano de saúde ‘X’, ‘Y’ ou ‘Z’.

Medicina de qualidade tem como premissa gostar de gente. Portanto, somente aquele que tem respeito e apreço por seu semelhante pode exercer profissão relevante com a nobreza que lhe é inerente.

Certeza ainda é que não existe medicina quando se olha focando os rendimentos do mês ou o enriquecimento acima de tudo. Saúde é coisa séria, da mesma forma que gente é para ser feliz, como diria o poeta.

Não existe felicidade na doença, como bem sabemos.

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