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Adaptação de ‘O Menino Que Descobriu o Vento’ chama a atenção para drama real


Tauana Marin
Diário do Grande ABC

07/04/2019 | 07:00


Relação familiar, paixão pelos estudos, inovação, desastre ambiental e política são alguns dos temas abordados no filme O Menino que Descobriu o Vento, uma das surpresas da Netflix nesta temporada. O longa é inspirado em história real de jovem africano do Malaui, país da África Oriental. A experiência foi narrada em livro publicado em 2009, feito por ele em parceria com o jornalista Bryan Mealer, voltando a entrar em contato com o público por meio de sua adaptação cinematográfica.

Willian Kamkwamba (vivido por Maxwell Simba) tem apenas 13 anos e ingressa em escola paga. Comprado o uniforme e paga a matrícula, o pai, Trywell Kamkwamba (Chiwetel Ejiofor, também diretor do filme), encontra dificuldades em arcar com as mensalidades.

Automaticamente, mesmo tentando passar despercebido, Willian é proibido de frequentar o local. No entanto, como sabe que sua irmã mais velha namora escondido um dos professores, pede ao docente que o deixe ir à biblioteca para continuar estudando, mesmo que sozinho, em troca do silêncio sobre o caso.

A família do garoto se autossustenta com o plantio de grãos, até que a terra começa a ficar muito seca devido à escassez de água. O desequilíbrio no ecosistema é causado principalmente pela derrubada das árvores – a maioria desmatada ilegalmente por pessoas desempregadas que vendem a madeira como lenha. Outra parte do desmatamento é autorizada pelo governo para que empresas de produção de tabaco façam a derrubada.

Em depoimento ao site HuffPost US, em 2009, Kamkwamba explicou como ocorre o desequilíbrio. “As árvores funcionam como grandes máquinas de bombeamento, sugando a água da terra e liberando-a na atmosfera, onde ela retorna sob a forma de chuva. Sem as árvores, a chuva é interrompida. E quando há chuva, não há mais nada para sugá-las, então, ela simplesmente escorre para os rios, junto com o solo e o fertilizante de nossos campos de milho, dos quais dependemos para comer”, comentou.

Diante do cenário, a comunidade do Malaui sofre com a falta e o encarecimento dos alimentos. Grãos viram ‘ouro’ e muitas pessoas começam a invadir as casas alheias para saquear sacas de alimentos.

O garoto se lembra do que aprendeu nos estudos: engenharia e como funciona a energia eólica (dos ventos). Desta forma é possível capturar água do poço artesiano no quintal de sua casa para irrigar a terra e, finalmente, plantar. A criatividade faz com que a bicicleta do pai seja essencial para colocar o plano em prática – com a ajude de algumas sucatas.

A jornada também mostra como o protagonista projeta algo para sua comunidade como um todo. O sofrimento dos mais próximos fica em segundo plano diante da força transmitida por ele, responsável por fazer a diferença em seu país. “Notícias sobre o meu moinho se espalharam pelo mundo, e, graças ao livro e a alguns generosos apoiadores, pude voltar à escola e fazer melhorias muito necessárias na minha aldeia, como instalar painéis solares e perfurar um poço para limpar água potável”, disse.

Apesar das melhorias tidas com ajuda do rapaz, com 31 anos nos dias de hoje, o Malaui ainda lida com diversas dificuldades. Ranking elaborado pela revista econômica Global Finance coloca a nação africana como uma das mais pobres do planeta, na 184ª colocação em lista com 189 locais analisados. Em março, o país (junto com Moçambique) foi afetado pela força do ciclone tropical Idai, que matou centenas de pessoas e deixou milhares de desabrigados. Lembrar das ações de Kamkwamba serve como vento de esperança para dias melhores. 



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Adaptação de ‘O Menino Que Descobriu o Vento’ chama a atenção para drama real

Tauana Marin
Diário do Grande ABC

07/04/2019 | 07:00


Relação familiar, paixão pelos estudos, inovação, desastre ambiental e política são alguns dos temas abordados no filme O Menino que Descobriu o Vento, uma das surpresas da Netflix nesta temporada. O longa é inspirado em história real de jovem africano do Malaui, país da África Oriental. A experiência foi narrada em livro publicado em 2009, feito por ele em parceria com o jornalista Bryan Mealer, voltando a entrar em contato com o público por meio de sua adaptação cinematográfica.

Willian Kamkwamba (vivido por Maxwell Simba) tem apenas 13 anos e ingressa em escola paga. Comprado o uniforme e paga a matrícula, o pai, Trywell Kamkwamba (Chiwetel Ejiofor, também diretor do filme), encontra dificuldades em arcar com as mensalidades.

Automaticamente, mesmo tentando passar despercebido, Willian é proibido de frequentar o local. No entanto, como sabe que sua irmã mais velha namora escondido um dos professores, pede ao docente que o deixe ir à biblioteca para continuar estudando, mesmo que sozinho, em troca do silêncio sobre o caso.

A família do garoto se autossustenta com o plantio de grãos, até que a terra começa a ficar muito seca devido à escassez de água. O desequilíbrio no ecosistema é causado principalmente pela derrubada das árvores – a maioria desmatada ilegalmente por pessoas desempregadas que vendem a madeira como lenha. Outra parte do desmatamento é autorizada pelo governo para que empresas de produção de tabaco façam a derrubada.

Em depoimento ao site HuffPost US, em 2009, Kamkwamba explicou como ocorre o desequilíbrio. “As árvores funcionam como grandes máquinas de bombeamento, sugando a água da terra e liberando-a na atmosfera, onde ela retorna sob a forma de chuva. Sem as árvores, a chuva é interrompida. E quando há chuva, não há mais nada para sugá-las, então, ela simplesmente escorre para os rios, junto com o solo e o fertilizante de nossos campos de milho, dos quais dependemos para comer”, comentou.

Diante do cenário, a comunidade do Malaui sofre com a falta e o encarecimento dos alimentos. Grãos viram ‘ouro’ e muitas pessoas começam a invadir as casas alheias para saquear sacas de alimentos.

O garoto se lembra do que aprendeu nos estudos: engenharia e como funciona a energia eólica (dos ventos). Desta forma é possível capturar água do poço artesiano no quintal de sua casa para irrigar a terra e, finalmente, plantar. A criatividade faz com que a bicicleta do pai seja essencial para colocar o plano em prática – com a ajude de algumas sucatas.

A jornada também mostra como o protagonista projeta algo para sua comunidade como um todo. O sofrimento dos mais próximos fica em segundo plano diante da força transmitida por ele, responsável por fazer a diferença em seu país. “Notícias sobre o meu moinho se espalharam pelo mundo, e, graças ao livro e a alguns generosos apoiadores, pude voltar à escola e fazer melhorias muito necessárias na minha aldeia, como instalar painéis solares e perfurar um poço para limpar água potável”, disse.

Apesar das melhorias tidas com ajuda do rapaz, com 31 anos nos dias de hoje, o Malaui ainda lida com diversas dificuldades. Ranking elaborado pela revista econômica Global Finance coloca a nação africana como uma das mais pobres do planeta, na 184ª colocação em lista com 189 locais analisados. Em março, o país (junto com Moçambique) foi afetado pela força do ciclone tropical Idai, que matou centenas de pessoas e deixou milhares de desabrigados. Lembrar das ações de Kamkwamba serve como vento de esperança para dias melhores. 

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