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André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Biblioteca Nair Lacerda, a primeira do Grande ABC, faz aniversário hoje


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

08/04/2019 | 07:45


João (nome fictício) costuma ir quase todos os dias à Biblioteca Nair Lacerda, no Paço Municipal de Santo André. A aniversariante – hoje ela completa 65 anos – é o seu local de refúgio, onde passa a maior parte do tempo e aproveita para navegar pela internet e ler algumas publicações. Ele seria apenas só mais um das cerca de 330 pessoas que visitam o espaço diariamente não fosse por um detalhe: João é morador de rua. Há algum tempo a biblioteca, a primeira do Grande ABC, retirou da lista de obrigatoriedades para ser sócio ter um endereço físico. Com isso, qualquer um pode ter acesso aos seus 55.086 títulos (74.402 exemplares) ou qualquer outro item do acervo.

Esta é apenas uma das iniciativas realizadas pela administração do espaço a fim de que se mude a concepção da população no que diz respeito à biblioteca. “já tem uns dois anos que estamos trabalhando em um outro sentido, o de gerar uma expectativa na população para nos colocar como opção de cultura, de lazer, para passar o tempo, não só como opção de leitura. As bibliotecas tinham um ideário de ‘templo do saber’, então, para frequentá-las, tinha de ser letrado, alfabetizado, tinha de vir só para ler e isso afastava muita gente”, analisa o gerente de bibliotecas Vitor Hugo Moraes. Além desta, ele administra as outras 18 do município – uma ainda a ser aberta esta semana, adianta, no CEU Ana Maria.

Foi Moraes quem relatou as idas de João à Nair Lacerda e a de outros moradores de rua. “Quando ele chegou aqui era um pouco secão, nem cumprimentava. Começamos a nos aproximar, cumprimentar. No começo só vinha para acessar internet, depois começou a pegar gibi, agora está lendo livros. isso é parte de um processo de integração, um fenômeno já existente na Europa, nos Estados Unidos. Toda população aqui tem seu espaço”, garante. Não à toa, o número de visitantes não só dessa biblioteca, mas das demais da rede, tem aumentado: se em 2017 164 mil pessoas visitaram os espaços, no ano passado esse número subiu para 210 mil. “É uma diferença bastante significativa”, pontua.

Moraes diz que um dos projetos mais importantes vigentes por lá é o Biblioteca Viva, feito em parceria com a Fundação ABC e o governo do Estado, que viabiliza bibliotecas comunitárias em alguns pontos da cidade, e promovem experimentação e encontros de aprendizado, lazer e acesso à cultura. “Esses espaços fazem com que a comunidade entenda o que é a biblioteca e participe da formação de nossos acervos. Se tem alguma instituição de caridade em um bairro que queira ter um acervo, damos a orientação, passamos um suporte, e ajudamos a formar uma biblioteca naquele local, sempre com a contribuição da comunidade. E esse local participa de todas as nossas ações.” Um dos locais em que foi implementado o projeto é uma loja de conserto de eletrônicos no bairro Sacadura Cabral, Biblioteca Viva Caminhos da Leitura, com acervo Infantojuvenil. “Teve tanta demanda que o rapaz responsável, o Gian Nunes, teve de subir a loja dele no mezanino para abrigar a biblioteca no térreo”, acrescenta o gerente.

E não é só isso: se o sócio retira um exemplar na Nair Lacerda, por exemplo, não precisa devolver no mesmo local, o que evita que o exemplar não volte para o acervo e facilita a vida dos leitores. “Se a pessoa mora perto do Cata Preta, por exemplo, dizemos que tem uma unidade de biblioteca por lá (Estrada da Cata Preta, 810, na Vila João Ramalho). Isso ajuda e muito ao acesso dos munícipes.”

A biblioteca também conta com acessibilidade. Desde em 2017, projeto da Secretaria de Cultura de Santo André foi aprovado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que forneceu para a biblioteca uma série de equipamentos que garantem a essas pessoas o acesso ao conteúdo de livros e documentos impressos em tinta. Há, por exemplo, um computador que amplia a imagem do livro na tela, o que facilita a leitura para quem tem problemas de visão.

Sem contar o acervo, que é vasto e tem algumas raridades. Entre os destaques está livro de 1864, chamado Archivo Pittoresco, uma espécie de revista semanal portuguesa. “Temos um acervo riquíssimo. A própria Nair Lacerda (jornalista que foi secretária de Cultura da cidade e idealizadora do espaço), a família doou o acervo dela, que também tinha muitas obras raras. E antes essas obras ficavam só aqui (no Paço), mas agora ele circula por todas as unidades”, ressalta. Entre os livros mais emprestados estão os HQs, liderados pela Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

A biblioteca, que também conta com acervo digital (www.santoandre.sp .gov.br/pesquisa/), funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h e, aos sábados, das 8h às 12h.  



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65 anos de portas abertas

Biblioteca Nair Lacerda, a primeira do Grande ABC, faz aniversário hoje

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

08/04/2019 | 07:45


João (nome fictício) costuma ir quase todos os dias à Biblioteca Nair Lacerda, no Paço Municipal de Santo André. A aniversariante – hoje ela completa 65 anos – é o seu local de refúgio, onde passa a maior parte do tempo e aproveita para navegar pela internet e ler algumas publicações. Ele seria apenas só mais um das cerca de 330 pessoas que visitam o espaço diariamente não fosse por um detalhe: João é morador de rua. Há algum tempo a biblioteca, a primeira do Grande ABC, retirou da lista de obrigatoriedades para ser sócio ter um endereço físico. Com isso, qualquer um pode ter acesso aos seus 55.086 títulos (74.402 exemplares) ou qualquer outro item do acervo.

Esta é apenas uma das iniciativas realizadas pela administração do espaço a fim de que se mude a concepção da população no que diz respeito à biblioteca. “já tem uns dois anos que estamos trabalhando em um outro sentido, o de gerar uma expectativa na população para nos colocar como opção de cultura, de lazer, para passar o tempo, não só como opção de leitura. As bibliotecas tinham um ideário de ‘templo do saber’, então, para frequentá-las, tinha de ser letrado, alfabetizado, tinha de vir só para ler e isso afastava muita gente”, analisa o gerente de bibliotecas Vitor Hugo Moraes. Além desta, ele administra as outras 18 do município – uma ainda a ser aberta esta semana, adianta, no CEU Ana Maria.

Foi Moraes quem relatou as idas de João à Nair Lacerda e a de outros moradores de rua. “Quando ele chegou aqui era um pouco secão, nem cumprimentava. Começamos a nos aproximar, cumprimentar. No começo só vinha para acessar internet, depois começou a pegar gibi, agora está lendo livros. isso é parte de um processo de integração, um fenômeno já existente na Europa, nos Estados Unidos. Toda população aqui tem seu espaço”, garante. Não à toa, o número de visitantes não só dessa biblioteca, mas das demais da rede, tem aumentado: se em 2017 164 mil pessoas visitaram os espaços, no ano passado esse número subiu para 210 mil. “É uma diferença bastante significativa”, pontua.

Moraes diz que um dos projetos mais importantes vigentes por lá é o Biblioteca Viva, feito em parceria com a Fundação ABC e o governo do Estado, que viabiliza bibliotecas comunitárias em alguns pontos da cidade, e promovem experimentação e encontros de aprendizado, lazer e acesso à cultura. “Esses espaços fazem com que a comunidade entenda o que é a biblioteca e participe da formação de nossos acervos. Se tem alguma instituição de caridade em um bairro que queira ter um acervo, damos a orientação, passamos um suporte, e ajudamos a formar uma biblioteca naquele local, sempre com a contribuição da comunidade. E esse local participa de todas as nossas ações.” Um dos locais em que foi implementado o projeto é uma loja de conserto de eletrônicos no bairro Sacadura Cabral, Biblioteca Viva Caminhos da Leitura, com acervo Infantojuvenil. “Teve tanta demanda que o rapaz responsável, o Gian Nunes, teve de subir a loja dele no mezanino para abrigar a biblioteca no térreo”, acrescenta o gerente.

E não é só isso: se o sócio retira um exemplar na Nair Lacerda, por exemplo, não precisa devolver no mesmo local, o que evita que o exemplar não volte para o acervo e facilita a vida dos leitores. “Se a pessoa mora perto do Cata Preta, por exemplo, dizemos que tem uma unidade de biblioteca por lá (Estrada da Cata Preta, 810, na Vila João Ramalho). Isso ajuda e muito ao acesso dos munícipes.”

A biblioteca também conta com acessibilidade. Desde em 2017, projeto da Secretaria de Cultura de Santo André foi aprovado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que forneceu para a biblioteca uma série de equipamentos que garantem a essas pessoas o acesso ao conteúdo de livros e documentos impressos em tinta. Há, por exemplo, um computador que amplia a imagem do livro na tela, o que facilita a leitura para quem tem problemas de visão.

Sem contar o acervo, que é vasto e tem algumas raridades. Entre os destaques está livro de 1864, chamado Archivo Pittoresco, uma espécie de revista semanal portuguesa. “Temos um acervo riquíssimo. A própria Nair Lacerda (jornalista que foi secretária de Cultura da cidade e idealizadora do espaço), a família doou o acervo dela, que também tinha muitas obras raras. E antes essas obras ficavam só aqui (no Paço), mas agora ele circula por todas as unidades”, ressalta. Entre os livros mais emprestados estão os HQs, liderados pela Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

A biblioteca, que também conta com acervo digital (www.santoandre.sp .gov.br/pesquisa/), funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h e, aos sábados, das 8h às 12h.  

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