Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 19 de Agosto

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Alunos de odontologia da Metodista paralisam atendimento para apoiar professores

Lorena S.Ávila/Especial para o Diário Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Manifestação dos estudantes está marcada para esta sexta-feira; consultas em clínica foram adiadas


Lorena S.Ávila
Especial para o Diário

04/04/2019 | 20:25


Nesta sexta-feira (5), cerca de 350 alunos, do primeiro ao quarto ano, do curso de Odontologia da Universidade Metodista decidiram em uníssono paralisar os atendimentos realizados na clínica do campus Rudge Ramos. Eles também não vão entrar em sala de aula nem fazer provas ou realizar atividades. A ideia é apoiar os professores e funcionários que estão sem receber salários e outros benefícios, como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que não é depositado desde julho de 2015. Os estudantes também programam ato de protesto a partir das 12h.

"Acho que tem que partir dos alunos. Se a gente para, todo mundo para e assim, quem sabe, a Metodista faz alguma coisa. Porque enquanto estamos vindo às aulas, eles vão continuar sem pagar, já que tudo continua normal. A faculdade não funciona sem a gente e a gente não funciona sem os professores e funcionários" expressa Amanda Denis, 19 anos, aluna do 3º ano de odontologia. A mensalidade é de R$ 2.900.

Os estudantes acreditam que a manifestação é forma de chamar a atenção não só para os professores, como também para os funcionários que, de acordo com eles, continuam trabalhando sem dinheiro e, muitas vezes sem se alimentar, como relata a estudante Fátima Botão, 21, do 3º ano, que se deparou com uma cena que a motivou a apoiar a paralisação. "Fiquei chocada quando vi uma funcionária da limpeza que só tinha arroz na marmita, pois estava sem dinheiro pra comprar mistura."

De acordo com atendentes da clínica - que funciona dentro da universidade de segunda a sexta-feira, a partir das 7h30 -, cerca de 30 pacientes deixarão de ser atendidos amanhã. Eles  foram instruídos a cancelar as consultas agendadas para a tarde desta sexta-feira. Segundo eles, de acordo com comunicado enviado pela administração, era para avisar que tinha "acontecido um imprevisto"'''' e que todos os pacientes deviam retornar somente na próxima sexta-feira para serem atendidos (12). Se confirmada a paralisação para a próxima semana, mais de 100 pessoas ficarão sem realizar os procedimentos marcados. 

HISTÓRICO
Na terça-feira (2), aconteceram dois protestos na porta do campus Rudge Ramos. De acordo com os professores, se a situação não for acertada, haverá paralisação, que será decidida no sábado (9), a partir das 9h. O ato foi marcado por discursos de José Maggio, presidente do Sinpro ABC (Sindicato dos Professores do Grande ABC), e Cristiane Gandolfi, representante dos professores. "Nós sabemos da crise econômica no Brasil e que os trabalhadores estão perdendo seus direitos, situação que não é diferente com os professores da Universidade Metodista. Apesar disso, ainda temos muitos alunos. Então, é preciso priorizar os salários. Queremos que a Instituição arrume maneiras, negocie, para colocar em ordem essa folha de pagamentos", desabafa Cristiane.

SITUAÇÃO
De acordo com Maggio, reunião no dia 13 de março com sindicatos de outros Estados resultou na decisão de marcar encontro com os bispos e bispas da Cogeime (Instituto Metodista de Serviços Educacionais), mas eles ainda não obtiveram posicionamento da entidade sobre as reivindicações. Desde o ano passado, o Sinpro tenta contatar a mantenedora da Metodista, sem sucesso.

Em comunicado oficial enviado aos técnicos-administrativos e docentes da instituição na sexta-feira, o Instituto Metodista de Ensino informou que os salários atrasados de fevereiro serão pagos até o dia 8 de abril. No entanto, não há perspectivas para os pagamentos dos salários de março. A justificativa é a de que a instituição financeira está aguardando a tramitação de transações bancárias.

Uma das instituições de ensino superior mais tradicionais da região, com três campi em São Bernardo, a Metodista passa por período de incerteza desde 2017, quando pelo menos 40 professores foram demitidos. Na época, os cursos de pós-graduação foram os mais afetados pelas dispensas. Os profissionais já sofriam com atrasos de salário e irregularidade no depósito do FGTS.

A situação de crise não atinge apenas o campus de São Bernardo. Na segunda-feira (1º), na unidade de Minas Gerais, estudantes e professores da mesma rede também protestaram contra o sucateamento do ensino e o atraso dos salários.

SOBRE A CLÍNICA DE ODONTOLOGIA
O serviço oferecido pela Universidade Metodista disponibiliza os estudantes de Odontologia, em conjunto com os professores, para atender a população a baixo custo. Entre os procedimentos oferecidos pelos estudantes do quinto, sexto, sétimo e oitavao períodos do curso estão restauração, canal, periodontia (limpeza), exodontia (extração) e próteses (pivô, ponte e dentadura). Esses tratamentos têm um valor mensal de R$ 62. Em agosto, além das consultas tradicionais, foi inaugurado espaço da Clínica de Urgência e Triagem. Novos pacientes passarão por processo de agendamento no início de maio.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Alunos de odontologia da Metodista paralisam atendimento para apoiar professores

Manifestação dos estudantes está marcada para esta sexta-feira; consultas em clínica foram adiadas

Lorena S.Ávila
Especial para o Diário

04/04/2019 | 20:25


Nesta sexta-feira (5), cerca de 350 alunos, do primeiro ao quarto ano, do curso de Odontologia da Universidade Metodista decidiram em uníssono paralisar os atendimentos realizados na clínica do campus Rudge Ramos. Eles também não vão entrar em sala de aula nem fazer provas ou realizar atividades. A ideia é apoiar os professores e funcionários que estão sem receber salários e outros benefícios, como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que não é depositado desde julho de 2015. Os estudantes também programam ato de protesto a partir das 12h.

"Acho que tem que partir dos alunos. Se a gente para, todo mundo para e assim, quem sabe, a Metodista faz alguma coisa. Porque enquanto estamos vindo às aulas, eles vão continuar sem pagar, já que tudo continua normal. A faculdade não funciona sem a gente e a gente não funciona sem os professores e funcionários" expressa Amanda Denis, 19 anos, aluna do 3º ano de odontologia. A mensalidade é de R$ 2.900.

Os estudantes acreditam que a manifestação é forma de chamar a atenção não só para os professores, como também para os funcionários que, de acordo com eles, continuam trabalhando sem dinheiro e, muitas vezes sem se alimentar, como relata a estudante Fátima Botão, 21, do 3º ano, que se deparou com uma cena que a motivou a apoiar a paralisação. "Fiquei chocada quando vi uma funcionária da limpeza que só tinha arroz na marmita, pois estava sem dinheiro pra comprar mistura."

De acordo com atendentes da clínica - que funciona dentro da universidade de segunda a sexta-feira, a partir das 7h30 -, cerca de 30 pacientes deixarão de ser atendidos amanhã. Eles  foram instruídos a cancelar as consultas agendadas para a tarde desta sexta-feira. Segundo eles, de acordo com comunicado enviado pela administração, era para avisar que tinha "acontecido um imprevisto"'''' e que todos os pacientes deviam retornar somente na próxima sexta-feira para serem atendidos (12). Se confirmada a paralisação para a próxima semana, mais de 100 pessoas ficarão sem realizar os procedimentos marcados. 

HISTÓRICO
Na terça-feira (2), aconteceram dois protestos na porta do campus Rudge Ramos. De acordo com os professores, se a situação não for acertada, haverá paralisação, que será decidida no sábado (9), a partir das 9h. O ato foi marcado por discursos de José Maggio, presidente do Sinpro ABC (Sindicato dos Professores do Grande ABC), e Cristiane Gandolfi, representante dos professores. "Nós sabemos da crise econômica no Brasil e que os trabalhadores estão perdendo seus direitos, situação que não é diferente com os professores da Universidade Metodista. Apesar disso, ainda temos muitos alunos. Então, é preciso priorizar os salários. Queremos que a Instituição arrume maneiras, negocie, para colocar em ordem essa folha de pagamentos", desabafa Cristiane.

SITUAÇÃO
De acordo com Maggio, reunião no dia 13 de março com sindicatos de outros Estados resultou na decisão de marcar encontro com os bispos e bispas da Cogeime (Instituto Metodista de Serviços Educacionais), mas eles ainda não obtiveram posicionamento da entidade sobre as reivindicações. Desde o ano passado, o Sinpro tenta contatar a mantenedora da Metodista, sem sucesso.

Em comunicado oficial enviado aos técnicos-administrativos e docentes da instituição na sexta-feira, o Instituto Metodista de Ensino informou que os salários atrasados de fevereiro serão pagos até o dia 8 de abril. No entanto, não há perspectivas para os pagamentos dos salários de março. A justificativa é a de que a instituição financeira está aguardando a tramitação de transações bancárias.

Uma das instituições de ensino superior mais tradicionais da região, com três campi em São Bernardo, a Metodista passa por período de incerteza desde 2017, quando pelo menos 40 professores foram demitidos. Na época, os cursos de pós-graduação foram os mais afetados pelas dispensas. Os profissionais já sofriam com atrasos de salário e irregularidade no depósito do FGTS.

A situação de crise não atinge apenas o campus de São Bernardo. Na segunda-feira (1º), na unidade de Minas Gerais, estudantes e professores da mesma rede também protestaram contra o sucateamento do ensino e o atraso dos salários.

SOBRE A CLÍNICA DE ODONTOLOGIA
O serviço oferecido pela Universidade Metodista disponibiliza os estudantes de Odontologia, em conjunto com os professores, para atender a população a baixo custo. Entre os procedimentos oferecidos pelos estudantes do quinto, sexto, sétimo e oitavao períodos do curso estão restauração, canal, periodontia (limpeza), exodontia (extração) e próteses (pivô, ponte e dentadura). Esses tratamentos têm um valor mensal de R$ 62. Em agosto, além das consultas tradicionais, foi inaugurado espaço da Clínica de Urgência e Triagem. Novos pacientes passarão por processo de agendamento no início de maio.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;