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Câmara ignora denúncia que levou Atila à prisão

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Comissão de impeachment interroga prefeito de Mauá, mas não fala sobre pagamento de propina


Júnior Carvalho
do dgabc.com.br

04/04/2019 | 07:00


A comissão que analisa pedido de impeachment do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), por quebra de decoro interrogou ontem o socialista, mas não o questionou sobre o mérito das acusações, de que ele supostamente recebia propina de empresas prestadoras de serviços do Paço em troca de favorecimento em contratos na administração municipal. Foi justamente esse fato que escorou a segunda prisão de Atila, em dezembro, no âmbito da Operação Trato Feito, e que está no cerne desse pedido de cassação.

Atila chegou à comissão às 15h e falou por cerca de uma hora e meia, a portas fechadas. A equipe de reportagem do Diário foi impedida de cobrir o depoimento (leia mais abaixo). Porém, segundo apurou o Diário, as perguntas feitas ao prefeito foram superficiais e sequer trataram da acusação em si. O prefeito respondeu, inclusive, a questionamentos sobre acusações que sequer estão citadas na denúncia avaliada por esta comissão, de superfaturamento da compra de uniforme escolar. Esse tema pautou a primeira prisão de Atila, na Operação Prato Feito, deflagrada em maio do ano passado, mas não é o que embasa o pedido de impeachment protocolado por integrantes do PT.

O próprio prefeito e o relator do processo, o vereador Jotão (PSDB), admitiram que o suposto pagamento de propina não foi tratado na oitiva que, em tese, deveria esclarecer as acusações. O depoimento do socialista é a última fase do processo antes que seja elaborado parecer pela procedência ou não das acusações. Questionado sobre o que foi perguntado a Atila no interrogatório, Jotão titubeou: “Não consigo (dizer o que foi questionado) porque foi o... nós fizemos em conjunto. Quem respondeu foi o... Quem fez (perguntas) foram Bodinho (Garcia, PRP) e o Sinvaldo (Carteiro, DC). Não fiz perguntas porque nós já tínhamos discutido e eu falei: ‘Para não ficar muito longo (o depoimento), porque ele (Atila) tinha horário e estava atrasado, façam perguntas os dois e o advogado, mas foi light”, disse o parlamentar.

O mais próximo que a comissão chegou, ao tratar do mérito das acusações, foi quando Sinvaldo, que preside os trabalhos, perguntou sobre a implementação da taxa do lixo. Segundo a PF (Polícia Federal), o prefeito comprou voto dos parlamentares, com pagamento de Mensalinho, para aprovar a medida. O prefeito, então, culpou a gestão de Alaíde Damo (MDB) pela implementação da tarifa. “Eu não estava no governo (quando a taxa foi implementada). Isso ocorreu no fatídico mês de maio e eu não estava (foi preso no dia 9 daquele mês). O governo interino regulamentou a taxa e a forma de execução dela”, mencionou Atila, em entrevista a jornalistas após prestar depoimento.

Com a manifestação do prefeito, a comissão, agora, abre prazo de cinco dias para a defesa. Depois disso, emite parecer opinando pela cassação ou não e o leva a plenário.

Diário é impedido de cobrir depoimento

A equipe de reportagem do Diário foi impedida de cobrir livremente o depoimento do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), à comissão do impeachment, na Câmara, na tarde de ontem.

As assessorias de imprensa da Prefeitura e da Câmara mauaense condicionaram a participação da equipe à oitiva ao recolhimento de celulares na recepção do local, o que não foi aceito. O repórter fotográfico Claudinei Plaza também foi impedido de registrar o depoimento, que se deu a portas fechadas e com a participação de jornalistas da cidade.

Para que acompanhasse o andamento, a equipe do Diário propôs aos assessores do prefeito e do Legislativo, mesmo sem a necessidade legal, não registrar imagens do depoimento. O cerceamento, porém, foi mantido.

Após cerca de uma hora e meia prestando depoimento, Atila deixou a sala às pressas, cercado de seguranças e assessores. O prefeito respondeu aos questionamentos dos jornalistas apenas minutos depois, no anfiteatro da Prefeitura. Questionado sobre a falta de transparência no processo, Atila culpou a comissão do impeachment por impor regras na oitiva. “O andamento e o rito são elaborados pela comissão, não sou eu. O Poder Legislativo é independente. Quem preside a comissão tem o direito de estabelecer o rito. Eu estava sendo ouvido. Eu não sou o presidente da comissão, que é quem estabelece um rito. Não tenho receio nenhum, até porque a Câmara permitiu a participação da sociedade civil.” 



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Câmara ignora denúncia que levou Atila à prisão

Comissão de impeachment interroga prefeito de Mauá, mas não fala sobre pagamento de propina

Júnior Carvalho
do dgabc.com.br

04/04/2019 | 07:00


A comissão que analisa pedido de impeachment do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), por quebra de decoro interrogou ontem o socialista, mas não o questionou sobre o mérito das acusações, de que ele supostamente recebia propina de empresas prestadoras de serviços do Paço em troca de favorecimento em contratos na administração municipal. Foi justamente esse fato que escorou a segunda prisão de Atila, em dezembro, no âmbito da Operação Trato Feito, e que está no cerne desse pedido de cassação.

Atila chegou à comissão às 15h e falou por cerca de uma hora e meia, a portas fechadas. A equipe de reportagem do Diário foi impedida de cobrir o depoimento (leia mais abaixo). Porém, segundo apurou o Diário, as perguntas feitas ao prefeito foram superficiais e sequer trataram da acusação em si. O prefeito respondeu, inclusive, a questionamentos sobre acusações que sequer estão citadas na denúncia avaliada por esta comissão, de superfaturamento da compra de uniforme escolar. Esse tema pautou a primeira prisão de Atila, na Operação Prato Feito, deflagrada em maio do ano passado, mas não é o que embasa o pedido de impeachment protocolado por integrantes do PT.

O próprio prefeito e o relator do processo, o vereador Jotão (PSDB), admitiram que o suposto pagamento de propina não foi tratado na oitiva que, em tese, deveria esclarecer as acusações. O depoimento do socialista é a última fase do processo antes que seja elaborado parecer pela procedência ou não das acusações. Questionado sobre o que foi perguntado a Atila no interrogatório, Jotão titubeou: “Não consigo (dizer o que foi questionado) porque foi o... nós fizemos em conjunto. Quem respondeu foi o... Quem fez (perguntas) foram Bodinho (Garcia, PRP) e o Sinvaldo (Carteiro, DC). Não fiz perguntas porque nós já tínhamos discutido e eu falei: ‘Para não ficar muito longo (o depoimento), porque ele (Atila) tinha horário e estava atrasado, façam perguntas os dois e o advogado, mas foi light”, disse o parlamentar.

O mais próximo que a comissão chegou, ao tratar do mérito das acusações, foi quando Sinvaldo, que preside os trabalhos, perguntou sobre a implementação da taxa do lixo. Segundo a PF (Polícia Federal), o prefeito comprou voto dos parlamentares, com pagamento de Mensalinho, para aprovar a medida. O prefeito, então, culpou a gestão de Alaíde Damo (MDB) pela implementação da tarifa. “Eu não estava no governo (quando a taxa foi implementada). Isso ocorreu no fatídico mês de maio e eu não estava (foi preso no dia 9 daquele mês). O governo interino regulamentou a taxa e a forma de execução dela”, mencionou Atila, em entrevista a jornalistas após prestar depoimento.

Com a manifestação do prefeito, a comissão, agora, abre prazo de cinco dias para a defesa. Depois disso, emite parecer opinando pela cassação ou não e o leva a plenário.

Diário é impedido de cobrir depoimento

A equipe de reportagem do Diário foi impedida de cobrir livremente o depoimento do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), à comissão do impeachment, na Câmara, na tarde de ontem.

As assessorias de imprensa da Prefeitura e da Câmara mauaense condicionaram a participação da equipe à oitiva ao recolhimento de celulares na recepção do local, o que não foi aceito. O repórter fotográfico Claudinei Plaza também foi impedido de registrar o depoimento, que se deu a portas fechadas e com a participação de jornalistas da cidade.

Para que acompanhasse o andamento, a equipe do Diário propôs aos assessores do prefeito e do Legislativo, mesmo sem a necessidade legal, não registrar imagens do depoimento. O cerceamento, porém, foi mantido.

Após cerca de uma hora e meia prestando depoimento, Atila deixou a sala às pressas, cercado de seguranças e assessores. O prefeito respondeu aos questionamentos dos jornalistas apenas minutos depois, no anfiteatro da Prefeitura. Questionado sobre a falta de transparência no processo, Atila culpou a comissão do impeachment por impor regras na oitiva. “O andamento e o rito são elaborados pela comissão, não sou eu. O Poder Legislativo é independente. Quem preside a comissão tem o direito de estabelecer o rito. Eu estava sendo ouvido. Eu não sou o presidente da comissão, que é quem estabelece um rito. Não tenho receio nenhum, até porque a Câmara permitiu a participação da sociedade civil.” 

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