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Solução ou cortina de fumaça


Do Diário do Grande ABC

03/04/2019 | 11:21


Artigo

Há cerca de 120 anos ocorreu grande movimento popular na aldeia de Canudos, Norte da Bahia, que culminou com repressão militar capitaneada pela República que aniquilou o arraial, matando seus moradores e queimando suas casas. Por traz dessa tragédia emergia crise socioambiental, amplificada pela seca e pela opressão feita pelos grandes proprietários de terras, que desgraçadamente assolava os sertanejos. Esses, por sua vez, buscavam amparo na salvação divina sob a liderança de Antônio Conselheiro. Hoje, novamente, há revolta contra os canudos. Não aquela ‘Canudos’. Mas sim os canudos plásticos, agora substantivados como vilões do meio ambiente. Embora o relato acima remonte há muito antes de os plásticos serem inventados, permite paralelos com a atualidade, resguardando-se alguma licença poética.

Assim como a Vila de Canudos era entendida como ameaça, canudos plásticos são entendidos como grande perigo aos oceanos. Como resolver essa questão? Não quero extinguir a complexidade do assunto nessas poucas linhas, mas é possível usar o mote acima para ilustrar quão controverso o combate ao lixo no mar pode ser. Solução de combate ao lixo no mar tem sido banimento dos canudos. Municípios como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Ilhabela criaram leis para bani-los. Iniciativa parece ser assertiva, mas esconde peculiaridades que não podem ser desconsideradas, assim como aquela ‘Canudos’.

O banimento também é baseado no pressuposto de que o canudo utilizado não encontra sistema de coleta e destinação de resíduos sólidos adequado, que deveria ser garantido pelos municípios, permitindo a reciclagem e fomentando a economia circular. Embora o canudo seja item icônico para o diálogo sobre a temática, a importância de seu banimento como estratégia de combate ao lixo no mar é questionável. Qualquer redução de resíduos no mar é desejada, mas os canudos não correspondem aos itens mais abundantes no lixo encontrado no mar. Dentre as principais fontes de lixo estão as áreas de ocupação irregular em morros, várzeas e manguezais, problema socioambiental decorrente da pobreza e da falta de ordenamento territorial e de saneamento básico.

Não tem lógica investir no banimento sem atuar com estratégicas estruturantes para a educação ambiental, gestão de resíduos e gestão territorial, eliminando a ocupação irregular e dando dignidade ao povo. Comparando com a Aldeia de Canudos, a atual guerra contra os canudos plásticos é cortina de fumaça e poderá ter o mesmo efeito que o evento histórico teve: extermínio dos canudos sem ação efetiva para o desenvolvimento sustentável e bem-estar social.

Alexander Turra é professor titular do Iousp (Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo) e responsável pela Cátedra Unesco para a sustentabilidade dos oceanos.

Palavra do leitor

Jogo de xadrez
Faço aqui reflexão sobre o atual mandatário de nossa Nação. Será que ele monta sucessivas estratégias de xadrezista? Está sempre desviando o foco dos graves problemas de governabilidade do Brasil. Sempre apresentando questões secundárias no que diz respeito aos anseios da população, como saúde, educação e segurança pública. O que esperar de um ‘acéfalo’, que só prega ódio, polêmica e desunião? Que faz vir à tona os piores sentimentos humanos. Meu Deus! Meu Deus! Dizei-me se deliro ou se é verdade tanta incompetência sobre os ares. Como não se indignar com tantas trapalhadas de governo indefensável?
Nelson Chada
Santo André

O bode
As notícias sobre Metrô, monotrilho ou BRT para o Grande ABC estão parecendo a história do bode. Lembram-se? Põe-se o bode em sala pequena e, quando se tira o bode da sala, todos passam a achar que melhorou, e muito. Apliquemos a mesma situação a esse modal prometido há muito tempo ao Grande ABC. Em primeiro momento, falou-se em Metrô, depois o monotrilho e, agora, o BRT (sigla para ônibus de transporte rápido). E logo, logo acharão que o BRT será ótimo. Estão tentando enganar a quem? Como eu gostaria que o tempo verbal utilizado pelos gestores de São Paulo e do Grande ABC fosse o presente e não tempo futuro, como vem acontecendo principalmente ultimamente.
Alberto Utida
Capital

Corredor ABD
Excelente a reportagem neste Diário sobre reclamações de usuários quanto à qualidade dos serviços prestados pelo sistema Corredor ABD, que faz a ligação do Jabaquara a São Mateus, passando por Diadema, São Bernardo e Santo André (Setecidades, dia 1º). Além das enormes filas, nos horários de pico existem dois outros pontos não citados na reportagem. O passageiro de Santo André que precisa se locomover até o Jabaquara é obrigado a fazer baldeações nos terminais Piraporinha ou Diadema. Ou seja, a pessoa que teve a sorte de embarcar em Santo André e iniciar a viagem sentada, corre o risco de, na baldeação, continuá-la de pé. Quando foi criado, em 1977, o Corredor ABD tinha duas linhas ligando diretamente o Jabaquara a Santo André e vice-versa. Mas nem a Metra nem a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) explicam os motivos da eliminação da linha Santo André Leste.
Arlindo Ligeirinho Ribeiro
Diadema

Bons tempos
Bons tempos quando Fundação Santo André, em Santo André, e Metodista, em São Bernardo, eram instituições sérias e confiáveis. Estão acabando com elas.
Fábio Clemente de Jesus
Diadema

Rua Rolândia
Gostaria de pedir à Prefeitura e à Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo) para virem arrumar a Rua Rolândia, no bairro Quarta Divisão, em Ribeirão Pires, que está praticamente toda afundando e com esgoto vazando para todos os lados.
Ray Trindade
Ribeirão Pires

Aprendiz
Novidade bastante interessante nos dias de hoje o programa Aprendiz Legal. O jovem, por sua vez, tem oportunidade de realizar estágio no período do curso. Firma termo de compromisso com a empresa cedente, seguido da unidade de ensino e órgão responsável pelo estágio. Tem caráter educacional, pacote de benefícios ao aluno e aprendizado visto na prática. Desde cedo, o futuro profissional possui os primeiros contatos com o mercado de trabalho. Carga de seis horas diárias, somando 30 horas semanais. Tempo razoável para adquirir experiência. Conforme proposta de ensino, todas essas medidas trazem largo conhecimento ao currículo do estudante. Recebe noções de direitos, deveres, segurança e cidadania. Boa alternativa para enxergar de perto a realidade.
Thiago Valeriano Braga
Capital 



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Solução ou cortina de fumaça

Do Diário do Grande ABC

03/04/2019 | 11:21


Artigo

Há cerca de 120 anos ocorreu grande movimento popular na aldeia de Canudos, Norte da Bahia, que culminou com repressão militar capitaneada pela República que aniquilou o arraial, matando seus moradores e queimando suas casas. Por traz dessa tragédia emergia crise socioambiental, amplificada pela seca e pela opressão feita pelos grandes proprietários de terras, que desgraçadamente assolava os sertanejos. Esses, por sua vez, buscavam amparo na salvação divina sob a liderança de Antônio Conselheiro. Hoje, novamente, há revolta contra os canudos. Não aquela ‘Canudos’. Mas sim os canudos plásticos, agora substantivados como vilões do meio ambiente. Embora o relato acima remonte há muito antes de os plásticos serem inventados, permite paralelos com a atualidade, resguardando-se alguma licença poética.

Assim como a Vila de Canudos era entendida como ameaça, canudos plásticos são entendidos como grande perigo aos oceanos. Como resolver essa questão? Não quero extinguir a complexidade do assunto nessas poucas linhas, mas é possível usar o mote acima para ilustrar quão controverso o combate ao lixo no mar pode ser. Solução de combate ao lixo no mar tem sido banimento dos canudos. Municípios como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Ilhabela criaram leis para bani-los. Iniciativa parece ser assertiva, mas esconde peculiaridades que não podem ser desconsideradas, assim como aquela ‘Canudos’.

O banimento também é baseado no pressuposto de que o canudo utilizado não encontra sistema de coleta e destinação de resíduos sólidos adequado, que deveria ser garantido pelos municípios, permitindo a reciclagem e fomentando a economia circular. Embora o canudo seja item icônico para o diálogo sobre a temática, a importância de seu banimento como estratégia de combate ao lixo no mar é questionável. Qualquer redução de resíduos no mar é desejada, mas os canudos não correspondem aos itens mais abundantes no lixo encontrado no mar. Dentre as principais fontes de lixo estão as áreas de ocupação irregular em morros, várzeas e manguezais, problema socioambiental decorrente da pobreza e da falta de ordenamento territorial e de saneamento básico.

Não tem lógica investir no banimento sem atuar com estratégicas estruturantes para a educação ambiental, gestão de resíduos e gestão territorial, eliminando a ocupação irregular e dando dignidade ao povo. Comparando com a Aldeia de Canudos, a atual guerra contra os canudos plásticos é cortina de fumaça e poderá ter o mesmo efeito que o evento histórico teve: extermínio dos canudos sem ação efetiva para o desenvolvimento sustentável e bem-estar social.

Alexander Turra é professor titular do Iousp (Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo) e responsável pela Cátedra Unesco para a sustentabilidade dos oceanos.

Palavra do leitor

Jogo de xadrez
Faço aqui reflexão sobre o atual mandatário de nossa Nação. Será que ele monta sucessivas estratégias de xadrezista? Está sempre desviando o foco dos graves problemas de governabilidade do Brasil. Sempre apresentando questões secundárias no que diz respeito aos anseios da população, como saúde, educação e segurança pública. O que esperar de um ‘acéfalo’, que só prega ódio, polêmica e desunião? Que faz vir à tona os piores sentimentos humanos. Meu Deus! Meu Deus! Dizei-me se deliro ou se é verdade tanta incompetência sobre os ares. Como não se indignar com tantas trapalhadas de governo indefensável?
Nelson Chada
Santo André

O bode
As notícias sobre Metrô, monotrilho ou BRT para o Grande ABC estão parecendo a história do bode. Lembram-se? Põe-se o bode em sala pequena e, quando se tira o bode da sala, todos passam a achar que melhorou, e muito. Apliquemos a mesma situação a esse modal prometido há muito tempo ao Grande ABC. Em primeiro momento, falou-se em Metrô, depois o monotrilho e, agora, o BRT (sigla para ônibus de transporte rápido). E logo, logo acharão que o BRT será ótimo. Estão tentando enganar a quem? Como eu gostaria que o tempo verbal utilizado pelos gestores de São Paulo e do Grande ABC fosse o presente e não tempo futuro, como vem acontecendo principalmente ultimamente.
Alberto Utida
Capital

Corredor ABD
Excelente a reportagem neste Diário sobre reclamações de usuários quanto à qualidade dos serviços prestados pelo sistema Corredor ABD, que faz a ligação do Jabaquara a São Mateus, passando por Diadema, São Bernardo e Santo André (Setecidades, dia 1º). Além das enormes filas, nos horários de pico existem dois outros pontos não citados na reportagem. O passageiro de Santo André que precisa se locomover até o Jabaquara é obrigado a fazer baldeações nos terminais Piraporinha ou Diadema. Ou seja, a pessoa que teve a sorte de embarcar em Santo André e iniciar a viagem sentada, corre o risco de, na baldeação, continuá-la de pé. Quando foi criado, em 1977, o Corredor ABD tinha duas linhas ligando diretamente o Jabaquara a Santo André e vice-versa. Mas nem a Metra nem a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) explicam os motivos da eliminação da linha Santo André Leste.
Arlindo Ligeirinho Ribeiro
Diadema

Bons tempos
Bons tempos quando Fundação Santo André, em Santo André, e Metodista, em São Bernardo, eram instituições sérias e confiáveis. Estão acabando com elas.
Fábio Clemente de Jesus
Diadema

Rua Rolândia
Gostaria de pedir à Prefeitura e à Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo) para virem arrumar a Rua Rolândia, no bairro Quarta Divisão, em Ribeirão Pires, que está praticamente toda afundando e com esgoto vazando para todos os lados.
Ray Trindade
Ribeirão Pires

Aprendiz
Novidade bastante interessante nos dias de hoje o programa Aprendiz Legal. O jovem, por sua vez, tem oportunidade de realizar estágio no período do curso. Firma termo de compromisso com a empresa cedente, seguido da unidade de ensino e órgão responsável pelo estágio. Tem caráter educacional, pacote de benefícios ao aluno e aprendizado visto na prática. Desde cedo, o futuro profissional possui os primeiros contatos com o mercado de trabalho. Carga de seis horas diárias, somando 30 horas semanais. Tempo razoável para adquirir experiência. Conforme proposta de ensino, todas essas medidas trazem largo conhecimento ao currículo do estudante. Recebe noções de direitos, deveres, segurança e cidadania. Boa alternativa para enxergar de perto a realidade.
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