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Ex-ministro da Saúde leva caso do neto de Lula ao Cremesp

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Médico, Alexandre Padilha pede à entidade que investigue possível erro de diagnóstico


Júnior Carvalho
do dgabc.com.br

03/04/2019 | 07:00


Ex-ministro da Saúde e atual deputado federal, Alexandre Padilha (PT) irá acionar o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) sobre o caso da morte de Arthur Araújo Lula da Silva, 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diferentemente do que divulgou o Hospital Bartira, da Rede D’Or, em Santo André, o garoto não morreu de meningite meningocócica, mas em decorrência da bactéria Staphylococcus aureus (leia mais abaixo).

Ofício do parlamentar, destinado tanto ao conselho quanto ao próprio hospital, pede que sejam investigados fatos que cercaram o caso. Um deles é sobre possível erro de diagnóstico, seguido de vazamento da informação, segundo Padilha, antes mesmo de a família de Arthur tomar conhecimento da morte do menino. “Esse vazamento fez a divulgação de um certo diagnóstico. Isso, além de ser agressão à família (de Arthur), é uma agressão à saúde pública. A Vigilância Sanitária (de Santo André) tem o dever, independentemente de quem for o paciente, de esclarecer esse caso, em respeito à população da cidade e da região (do Grande ABC)”, defendeu Padilha, que é médico infectologista e comandou o Ministério da Saúde entre 2011 e 2014.

O deputado alerta ainda para as consequências, do ponto de vista de saúde pública, da divulgação de diagnóstico equivocado. “Além de constrangimento à família, começa-se a circular na cidade preocupações sobre a real causa da morte, que fazem a população tomar atitudes que, às vezes, não se fazem necessárias”, pontuou.

Arthur morreu no dia 1º de março, poucas horas depois de dar entrada no Hospital Bartira. Boletim médico divulgado pela assessoria de imprensa da unidade, na ocasião, apontou que o garoto faleceu “devido ao agravamento do quadro infeccioso de meningite meningocócica”. Exames de Arthur, porém, foram feitos pelo Instituto Adolfo Lutz, que afastou a meningite como causa da morte. No dia 2, Lula deixou a prisão temporariamente, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, para se despedir do neto.

Confrontado pelo Diário, o Hospital Bartira evitou admitir erro, mas mudou sua versão sobre a causa da morte de Arthur. Segundo a unidade, Arthur faleceu “devido ao agravamento de quadro infeccioso”. O comunicado mais recente enviado pelo hospital é semelhante ao boletim médico divulgado no dia 1º. A diferença é que, neste novo informativo, não consta o termo “meningite meningocócica”.

Procurado de novo ontem, o Hospital Bartira se calou. A Prefeitura de Santo André alegou que “não há nada a complementar” em relação à nota divulgada na segunda-feira. A Secretaria de Saúde do Estado não quis se manifestar sobre o assunto.

Risco de infecção pela bactéria é baixo

Natália Fernandjes

A bactéria Staphylococcus aureus, causadora da morte de Arthur Araújo Lula da Silva, está presente geralmente na pele e mucosas nasais dos seres humanos. A chance de o germe causar infecções em pessoas saudáveis é baixo, segundo o infectologista Roberto Focaccia, livre-docente pela USP (Universidade de São Paulo).

O que pode ter ocorrido no caso de Arthur, conforme o especialista, é a infestação da bactéria no organismo a partir de um foco preexistente, como infecções de pele, ouvido ou pulmão. “Às vezes, a partir de uma porta de entrada, como uma ferida, a Staphylococcus aureus acaba caindo no sangue, atingindo o sistema nervoso central e causando a sepse (infecção generalizada).” A evolução do quadro do paciente vai depender do seu estado de saúde.

Diferentemente da meningite bacteriana, causa da morte informada inicialmente pelo Hospital Bartira, da Rede D’Or, em Santo André, e descartada pelo Instituto Adolfo Lutz, não há vacina contra a Staphylococcus aureus. Posteriormente à morte do garoto, houve corrida de famílias aos postos de saúde em busca de imunização contra a meningocócica.

Também não há necessidade de se realizar medidas profiláticas, como as feitas no Colégio Darwin Central School, de São Bernardo, onde Arthur estudava no período integral. Poucas horas depois do anúncio da morte, no dia 1º de março, às 17h, estudantes da manhã e da tarde (34 ao todo) do 2º ano foram submetidos a procedimentos de proteção contra a meningite bacteriana. A prevenção de infecções estafilocócicas é feita com cuidados de higiene na pele ou local machucado. 



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Ex-ministro da Saúde leva caso do neto de Lula ao Cremesp

Médico, Alexandre Padilha pede à entidade que investigue possível erro de diagnóstico

Júnior Carvalho
do dgabc.com.br

03/04/2019 | 07:00


Ex-ministro da Saúde e atual deputado federal, Alexandre Padilha (PT) irá acionar o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) sobre o caso da morte de Arthur Araújo Lula da Silva, 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diferentemente do que divulgou o Hospital Bartira, da Rede D’Or, em Santo André, o garoto não morreu de meningite meningocócica, mas em decorrência da bactéria Staphylococcus aureus (leia mais abaixo).

Ofício do parlamentar, destinado tanto ao conselho quanto ao próprio hospital, pede que sejam investigados fatos que cercaram o caso. Um deles é sobre possível erro de diagnóstico, seguido de vazamento da informação, segundo Padilha, antes mesmo de a família de Arthur tomar conhecimento da morte do menino. “Esse vazamento fez a divulgação de um certo diagnóstico. Isso, além de ser agressão à família (de Arthur), é uma agressão à saúde pública. A Vigilância Sanitária (de Santo André) tem o dever, independentemente de quem for o paciente, de esclarecer esse caso, em respeito à população da cidade e da região (do Grande ABC)”, defendeu Padilha, que é médico infectologista e comandou o Ministério da Saúde entre 2011 e 2014.

O deputado alerta ainda para as consequências, do ponto de vista de saúde pública, da divulgação de diagnóstico equivocado. “Além de constrangimento à família, começa-se a circular na cidade preocupações sobre a real causa da morte, que fazem a população tomar atitudes que, às vezes, não se fazem necessárias”, pontuou.

Arthur morreu no dia 1º de março, poucas horas depois de dar entrada no Hospital Bartira. Boletim médico divulgado pela assessoria de imprensa da unidade, na ocasião, apontou que o garoto faleceu “devido ao agravamento do quadro infeccioso de meningite meningocócica”. Exames de Arthur, porém, foram feitos pelo Instituto Adolfo Lutz, que afastou a meningite como causa da morte. No dia 2, Lula deixou a prisão temporariamente, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, para se despedir do neto.

Confrontado pelo Diário, o Hospital Bartira evitou admitir erro, mas mudou sua versão sobre a causa da morte de Arthur. Segundo a unidade, Arthur faleceu “devido ao agravamento de quadro infeccioso”. O comunicado mais recente enviado pelo hospital é semelhante ao boletim médico divulgado no dia 1º. A diferença é que, neste novo informativo, não consta o termo “meningite meningocócica”.

Procurado de novo ontem, o Hospital Bartira se calou. A Prefeitura de Santo André alegou que “não há nada a complementar” em relação à nota divulgada na segunda-feira. A Secretaria de Saúde do Estado não quis se manifestar sobre o assunto.

Risco de infecção pela bactéria é baixo

Natália Fernandjes

A bactéria Staphylococcus aureus, causadora da morte de Arthur Araújo Lula da Silva, está presente geralmente na pele e mucosas nasais dos seres humanos. A chance de o germe causar infecções em pessoas saudáveis é baixo, segundo o infectologista Roberto Focaccia, livre-docente pela USP (Universidade de São Paulo).

O que pode ter ocorrido no caso de Arthur, conforme o especialista, é a infestação da bactéria no organismo a partir de um foco preexistente, como infecções de pele, ouvido ou pulmão. “Às vezes, a partir de uma porta de entrada, como uma ferida, a Staphylococcus aureus acaba caindo no sangue, atingindo o sistema nervoso central e causando a sepse (infecção generalizada).” A evolução do quadro do paciente vai depender do seu estado de saúde.

Diferentemente da meningite bacteriana, causa da morte informada inicialmente pelo Hospital Bartira, da Rede D’Or, em Santo André, e descartada pelo Instituto Adolfo Lutz, não há vacina contra a Staphylococcus aureus. Posteriormente à morte do garoto, houve corrida de famílias aos postos de saúde em busca de imunização contra a meningocócica.

Também não há necessidade de se realizar medidas profiláticas, como as feitas no Colégio Darwin Central School, de São Bernardo, onde Arthur estudava no período integral. Poucas horas depois do anúncio da morte, no dia 1º de março, às 17h, estudantes da manhã e da tarde (34 ao todo) do 2º ano foram submetidos a procedimentos de proteção contra a meningite bacteriana. A prevenção de infecções estafilocócicas é feita com cuidados de higiene na pele ou local machucado. 

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