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Viagem ao Litoral é repleta de riscos aos motoristas

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Anchieta e Imigrantes reúnem série de problemas estruturais; Ecovias cobra pedágio mais caro do País


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

03/04/2019 | 07:00


Buracos, faixas de sinalização apagadas, remendos malfeitos, placas encobertas, vendedores ambulantes, arrastões e falta de rampas de acesso a pedestres. Essas são algumas das reclamações observadas pelos usuários do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), cenário que deveria estar melhor, já que a concessionária Ecovias, responsável pelo sistema, cobra um dos pedágios mais caros do País – R$ 26,20 para que o motorista possa seguir viagem ao Litoral, além de valores que chegam a R$ 12 nos bloqueios de municípios.

Motoristas observam que a manutenção está “a desejar”, já que o montante cobrado no pedágio não faz jus ao seu destino de ser utilizado em melhorias, reparos e boa conservação das vias. A equipe do Diário percorreu as duas estradas ontem e constatou situações de risco. Na Via Anchieta, os problemas são mais notáveis, como, por exemplo, nos km 13, km 25, km 30 e km 31, onde é possível ver os remendos no asfalto e diversos buracos, especialmente no trecho que antecede o pedágio.

Não à toa, é comum ouvir pessoas dizendo que têm receio de utilizar o sistema, buscando caminhos alternativos no dia a dia. Mas há quem não tenha escolha, como é o caso de motoristas de caminhão. “Tanto a Anchieta quanto a Imigrantes têm remendos muito mal feitos. É preferível que deixem as vias com buracos, que conseguimos visualizar e desviar, do que fazer conserto ruim e que torna-se perigoso”, reclamou o motorista de caminhão de carga Maurício Braga, 48 anos.

Também na Anchieta, placas informativas estão encobertas pela vegetação nos km 12 e km 13, que deveriam dar a localização das polícias Rodoviária e Militar. Já no km 31, a sinalização de ‘proibido estacionar’ é quase imperceptível.

Ao chegar no pedágio, além do valor abusivo, os motoristas precisam desviar dos ambulantes, cuja presença no local é proibida pela lei estadual 7.452, de 26 de julho de 1991.

Com acessórios para celular e tablets, Otacílio Santana, 56 anos, defende seu ganha-pão. “Sei que é ilegal, mas preciso ganhar dinheiro, sustentar minha família e ter o que comer. Não dá para ficar em casa parado, esperando oportunidade de emprego nos dar chance.”

A equipe do Diário conversou com funcionária da Ecovias, que disse que a Polícia Rodoviária retira os ambulantes diversas vezes por dia, no entanto, eles retornam. Ela afirma, ainda, que são observados arrastões, geralmente em feriados prolongados e, na maioria das vezes, na Imigrantes.

No trecho de serra, o que assusta é a neblina que, embora seja causada pela natureza, deixa os motoristas ainda mais desconfortáveis por conta dos problemas estruturais das estradas. Segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), o período de maior presença do fenômeno ocorre entre maio e agosto, em São Bernardo, no perímetro do km 32 ao km 44.

JUSTIFICATIVAS
Questionada sobre a segurança viária, a Artesp informou que fiscaliza as ações das concessionárias com intuito de reduzir acidentes. A cada dois anos, PRA (Programa de Redução de Acidentes) define estratégias, identifica pontos críticos no sistema e propõe ações.

A Ecovias, por sua vez, justificou que os reparos de pavimento fazem parte dos serviços de conservação das rodovias, assim como a poda de vegetação e o reforço da sinalização horizontal, que já estão na programação de manutenção realizada semanalmente.

A respeito da permanência de ambulantes na faixa de domínio, a Ecovias diz que a prática tem sido combatida pelos órgãos competentes – policiamento rodoviário e DER (Departamento de Estradas e Rodagem).

Já no caso da neblina, a concessionária informou que a Operação Comboio é realizada em conjunto com policiamento rodoviário com o objetivo de garantir a segurança dos usuários. 

Falta de passarelas faz com que pedestres circulem entre os veículos

Ao longo de todo o percurso do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) é comum ver pessoas andando no meio-fio, acostamentos e sobre as muretas que dividem as pistas. Embora a população reconheça o risco, afirma que “não tem outro acesso”. Esse é o caso de três mulheres flagradas pela equipe do Diário caminhando pelo acostamento da Via Anchieta, próximo ao trecho da Volkswagem.

Já no local do pedágio o acostamento acaba, e o casal Andrei Lagares, 32 anos, e Rafaela Aparecida de Assis, 30, se arrisca entre caminhões e carros no canto da pista. Moradores do km 31,5, eles afirmam que não têm transporte e passarelas de acesso e, para chegar em casa de veículo, teriam de pagar a tarifa de R$ 26,20. “Não temos carro. Se chamar táxi ou veículo via aplicativo tem de pagar pedágio e nenhum motorista aceita a corrida. Então atravessamos todos os dias andando e nos arriscando para tudo que vamos fazer”, contou Lagares.

Rafaela não esconde o medo de se pôr em risco, principalmente quando está com os três filhos, Jean, 9, Erick, 8, e Samuel, 4. “Difícil mesmo é atravessar (a via) com as crianças. Os caminhões passam sempre em velocidade alta e temos de correr. Deveriam colocar rampa de acesso aos pedestres e transporte para quem mora do outro lado do pedágio.”

Serviços de emergência são alvo de vandalismo no sistema

Os serviços de emergência, como os SOSs e call box até funcionam, mas os sinais de vandalismo denunciam a insegurança no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), já que os locais estão pichados e têm as grades deterioradas nas duas estradas.

Na Imigrantes, a equipe do Diário encontrou dois telefones sem serviço, nos km 21 e km 22. Já na Anchieta todos os call box testados funcionaram, mas o que chamou atenção foi que em cerca de oito quilômetros percorridos não havia SOSs na encosta (do km 21 ao km 29).

O aposentado Donizor Vilas Boas, 62 anos, afirma que, até o ano passado, nas proximidades do km 30 da Anchieta, garotos se escondiam atrás dos telefones, método utilizado para furtar motoristas que paravam nas encostas.

A técnica já não foi mais vista por ele, entretanto, afirma que o vandalismo nos call box traz sensação de insegurança. “Sei que motoristas têm medo de parar o carro, ainda mais vendo sinais de bagunça. Quando é feriado prolongado, fim de ano e fim de semana de calor, os ladrões aproveitam mesmo o movimento para roubar.”

Há um ano, o Diário noticiou ação recorrente de criminosos no km 21 da Via Anchieta, em São Bernardo – sentido que liga o município à Capital. Os assaltantes atiravam blocos de concreto, a fim de quebrar o vidro frontal dos veículos, obrigando o condutor a parar e, dessa forma, realizam os furtos.

O empresário Fabio Eduardo Valério, 47, foi uma das vítimas. Morador da Vila Dusi, em São Bernardo, ele afirma que o acesso está sem iluminação. “A escuridão traz sensação de medo, principalmente depois de tantos ataques.”

Quanto aos equipamentos conhecidos como call box, a Ecovias disse que já havia identificado quatro aparelhos inativos e que todos “estão em manutenção”. Já a SSP (Secretaria da Segurança Pública) não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição. 



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Viagem ao Litoral é repleta de riscos aos motoristas

Anchieta e Imigrantes reúnem série de problemas estruturais; Ecovias cobra pedágio mais caro do País

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

03/04/2019 | 07:00


Buracos, faixas de sinalização apagadas, remendos malfeitos, placas encobertas, vendedores ambulantes, arrastões e falta de rampas de acesso a pedestres. Essas são algumas das reclamações observadas pelos usuários do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), cenário que deveria estar melhor, já que a concessionária Ecovias, responsável pelo sistema, cobra um dos pedágios mais caros do País – R$ 26,20 para que o motorista possa seguir viagem ao Litoral, além de valores que chegam a R$ 12 nos bloqueios de municípios.

Motoristas observam que a manutenção está “a desejar”, já que o montante cobrado no pedágio não faz jus ao seu destino de ser utilizado em melhorias, reparos e boa conservação das vias. A equipe do Diário percorreu as duas estradas ontem e constatou situações de risco. Na Via Anchieta, os problemas são mais notáveis, como, por exemplo, nos km 13, km 25, km 30 e km 31, onde é possível ver os remendos no asfalto e diversos buracos, especialmente no trecho que antecede o pedágio.

Não à toa, é comum ouvir pessoas dizendo que têm receio de utilizar o sistema, buscando caminhos alternativos no dia a dia. Mas há quem não tenha escolha, como é o caso de motoristas de caminhão. “Tanto a Anchieta quanto a Imigrantes têm remendos muito mal feitos. É preferível que deixem as vias com buracos, que conseguimos visualizar e desviar, do que fazer conserto ruim e que torna-se perigoso”, reclamou o motorista de caminhão de carga Maurício Braga, 48 anos.

Também na Anchieta, placas informativas estão encobertas pela vegetação nos km 12 e km 13, que deveriam dar a localização das polícias Rodoviária e Militar. Já no km 31, a sinalização de ‘proibido estacionar’ é quase imperceptível.

Ao chegar no pedágio, além do valor abusivo, os motoristas precisam desviar dos ambulantes, cuja presença no local é proibida pela lei estadual 7.452, de 26 de julho de 1991.

Com acessórios para celular e tablets, Otacílio Santana, 56 anos, defende seu ganha-pão. “Sei que é ilegal, mas preciso ganhar dinheiro, sustentar minha família e ter o que comer. Não dá para ficar em casa parado, esperando oportunidade de emprego nos dar chance.”

A equipe do Diário conversou com funcionária da Ecovias, que disse que a Polícia Rodoviária retira os ambulantes diversas vezes por dia, no entanto, eles retornam. Ela afirma, ainda, que são observados arrastões, geralmente em feriados prolongados e, na maioria das vezes, na Imigrantes.

No trecho de serra, o que assusta é a neblina que, embora seja causada pela natureza, deixa os motoristas ainda mais desconfortáveis por conta dos problemas estruturais das estradas. Segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), o período de maior presença do fenômeno ocorre entre maio e agosto, em São Bernardo, no perímetro do km 32 ao km 44.

JUSTIFICATIVAS
Questionada sobre a segurança viária, a Artesp informou que fiscaliza as ações das concessionárias com intuito de reduzir acidentes. A cada dois anos, PRA (Programa de Redução de Acidentes) define estratégias, identifica pontos críticos no sistema e propõe ações.

A Ecovias, por sua vez, justificou que os reparos de pavimento fazem parte dos serviços de conservação das rodovias, assim como a poda de vegetação e o reforço da sinalização horizontal, que já estão na programação de manutenção realizada semanalmente.

A respeito da permanência de ambulantes na faixa de domínio, a Ecovias diz que a prática tem sido combatida pelos órgãos competentes – policiamento rodoviário e DER (Departamento de Estradas e Rodagem).

Já no caso da neblina, a concessionária informou que a Operação Comboio é realizada em conjunto com policiamento rodoviário com o objetivo de garantir a segurança dos usuários. 

Falta de passarelas faz com que pedestres circulem entre os veículos

Ao longo de todo o percurso do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) é comum ver pessoas andando no meio-fio, acostamentos e sobre as muretas que dividem as pistas. Embora a população reconheça o risco, afirma que “não tem outro acesso”. Esse é o caso de três mulheres flagradas pela equipe do Diário caminhando pelo acostamento da Via Anchieta, próximo ao trecho da Volkswagem.

Já no local do pedágio o acostamento acaba, e o casal Andrei Lagares, 32 anos, e Rafaela Aparecida de Assis, 30, se arrisca entre caminhões e carros no canto da pista. Moradores do km 31,5, eles afirmam que não têm transporte e passarelas de acesso e, para chegar em casa de veículo, teriam de pagar a tarifa de R$ 26,20. “Não temos carro. Se chamar táxi ou veículo via aplicativo tem de pagar pedágio e nenhum motorista aceita a corrida. Então atravessamos todos os dias andando e nos arriscando para tudo que vamos fazer”, contou Lagares.

Rafaela não esconde o medo de se pôr em risco, principalmente quando está com os três filhos, Jean, 9, Erick, 8, e Samuel, 4. “Difícil mesmo é atravessar (a via) com as crianças. Os caminhões passam sempre em velocidade alta e temos de correr. Deveriam colocar rampa de acesso aos pedestres e transporte para quem mora do outro lado do pedágio.”

Serviços de emergência são alvo de vandalismo no sistema

Os serviços de emergência, como os SOSs e call box até funcionam, mas os sinais de vandalismo denunciam a insegurança no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), já que os locais estão pichados e têm as grades deterioradas nas duas estradas.

Na Imigrantes, a equipe do Diário encontrou dois telefones sem serviço, nos km 21 e km 22. Já na Anchieta todos os call box testados funcionaram, mas o que chamou atenção foi que em cerca de oito quilômetros percorridos não havia SOSs na encosta (do km 21 ao km 29).

O aposentado Donizor Vilas Boas, 62 anos, afirma que, até o ano passado, nas proximidades do km 30 da Anchieta, garotos se escondiam atrás dos telefones, método utilizado para furtar motoristas que paravam nas encostas.

A técnica já não foi mais vista por ele, entretanto, afirma que o vandalismo nos call box traz sensação de insegurança. “Sei que motoristas têm medo de parar o carro, ainda mais vendo sinais de bagunça. Quando é feriado prolongado, fim de ano e fim de semana de calor, os ladrões aproveitam mesmo o movimento para roubar.”

Há um ano, o Diário noticiou ação recorrente de criminosos no km 21 da Via Anchieta, em São Bernardo – sentido que liga o município à Capital. Os assaltantes atiravam blocos de concreto, a fim de quebrar o vidro frontal dos veículos, obrigando o condutor a parar e, dessa forma, realizam os furtos.

O empresário Fabio Eduardo Valério, 47, foi uma das vítimas. Morador da Vila Dusi, em São Bernardo, ele afirma que o acesso está sem iluminação. “A escuridão traz sensação de medo, principalmente depois de tantos ataques.”

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