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Técnico Fernando de Carvalho Lopes é banido da ginástica artística

Marcos Oliveira/Agência Senado Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

STJD da modalidade definiu sentença por unanimidade; defesa alega perplexidade em decisão


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

31/03/2019 | 20:02


Atualizada às 21h30

Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico de ginástica artística do Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), da equipe de São Bernardo e da Seleção Brasileira, foi banido neste domingo (31), da modalidade. Em julgamento realizado em Aracaju, no Sergipe, o pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) definiu a sentença imediata por unanimidade. Acusado de abuso sexual a aproximadamente 40 atletas do clube particular são-bernardense entre 1999 a 2016, ele já havia sido suspenso por 1.440 dias em decisão de novembro de 2018 (leia aqui). Agora também foi multado em R$ 1,6 milhão.

De acordo com o advogado Fabio DElia, que é responsável pela defesa criminal de Fernando de Carvalho Lopes, a notícia da decisão do Tribunal - onde o ex-treinador foi representado por Vitor Nosé - foi tratada com "perplexidade, por se tratar de caso em que não foi produzida uma prova concreta contra o Fernando, tratando-se de julgamento midiático, impulsionado por matéria jornalística do Fantástico, o que levou todos os órgãos que estão acionando o Fernando a pré-julgarem o caso sem a isenção devida para analisarem as provas concretas do caso, o que, se fosse feito, certamente teríamos decisões diferentes".

Foram considerados pelo Tribunal os artigos 243 (“constranger alguém, mediante violência, grave ameaça ou por qualquer outro meio”) e 258 (“assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva para sentenciar Fernando de Carvalho Lopes. A defesa agora aguarda a publicação da decisão para estudar atitudes ainda cabíveis. 

Em contato com o Diário, o advogado André Sica, que representa as vítimas que aceitaram se expor, festejou tal desfecho na esfera esportiva. “É uma grande satisfação a gente ter conseguido um resultado muito expressivo e de forma rápida." O escritório, que estava trabalhando há alguns meses no caso, não estava satisfeito com condenação em primeira instância de cerca de quatro anos. "Fomos atrás, construímos caso ainda mais forte com ajuda da equipe toda, e conseguimos felizmente em sede de recurso o STJD reconheceu nossa tese e puniu o Fernando com banimento, que não é só importante para as vítimas, mas para o esporte, porque se trata de decisão inédita na Justiça Desportiva."

O CASO

De acordo com a reportagem veiculada no programa Fantástico, em 29 de abril de 2018, o treinador teria cometido os abusos sexuais durante vários anos em treinos, testes físicos e ainda em viagens com vários atletas. A polícia passou a investigar o caso a partir da denúncia de um garoto de 13 anos, identificado como a primeira vítima a relatar o fato.

Segundo a investigação, esse menino procurou os pais, que fizeram a denúncia. "Ele tocava os órgãos sexuais das crianças", disse a mãe do garoto, que não foi identificada. A segunda vítima que procurou a polícia também é um menino, de 12 anos. Segundo sua mãe, "(Fernando) pedia para olhar o órgão sexual das crianças".

Foi por conta de uma denúncia de abuso sexual que Lopes foi afastado da Seleção Brasileira da modalidade um mês antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. O treinador sempre trabalhou com as categorias de base, começou no vôlei e mudou para a ginástica.

Os atletas acusam o treinador de ter se aproveitado da pouca idade e da falta de conhecimento técnico. Segundo eles, o treinador os tocava em suas partes íntimas constantemente. Campeão pan-americano por equipes com a Seleção Brasileira em Guadalajara, no México, em 2011, Pétrix Barbosa, hoje com 27 anos, confirmou os abusos. "Fernando foi meu primeiro técnico, o Mesc foi meu primeiro clube, onde comecei a ginástica. Essa pressão psicológica num moleque de 10, 11 anos... Banho junto, me espiar... Já acordei com ele, não sei quantas vezes, com a mão dentro da minha calça." "Ele sempre perguntava como estava o nosso desenvolvimento. Ele precisava acompanhar o nosso crescimento para poder mudar o treino. E ele pedia para mostrar o pênis", disse.

Em condição de anonimato, outros atletas acusaram Fernando e afirmaram que os abusos eram cometidos na hora do banho, dentro de saunas e banheiros. De acordo com a reportagem, pelo menos 40 atletas e ex-atletas confirmaram que ou foram abusados ou sabiam dos casos, que são investigados pela polícia e pelo Ministério Público há pelo menos dois anos.

Em maio de 2018, Fernando de Carvalho Lopes falou com equipe de reportagem do Diário (aqui). Na ocasião, disse que era inocente. Dias antes, ele tinha sido surpreendido com a chegada de policiais civis para cumprir mandado de busca e apreensão na casa dos pais em São Bernardo. Foram recolhidos CDs, DVDs, pen drives, HD externo e fita cassete. O técnico também prestou depoimento no Senado, em Brasília, na CPI dos Maus Tratos, quando atribuiu as denúncias à vingança por sua rígida postura nos treinamentos (leia matéria completa).

No mesmo ano, três das supostas vítimas de abuso sexual e assédio moral de Lopes, entraram com pedido de instauração de inquérito no STJD para pedir o banimento do treinador. Representante dos atletas, o advogado André Sica falou ao Diário sobre os procedimentos. “As infrações cometidas repercutem em várias esferas. Pedimos instauração de inquérito no STJD tomando por base as infrações que estavam sendo apuradas na esfera criminal. E, depois, que seja dada entrada nas ações cíveis indenizatórias para ressarcir danos cometidos”, disse.



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Técnico Fernando de Carvalho Lopes é banido da ginástica artística

STJD da modalidade definiu sentença por unanimidade; defesa alega perplexidade em decisão

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

31/03/2019 | 20:02


Atualizada às 21h30

Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico de ginástica artística do Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), da equipe de São Bernardo e da Seleção Brasileira, foi banido neste domingo (31), da modalidade. Em julgamento realizado em Aracaju, no Sergipe, o pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) definiu a sentença imediata por unanimidade. Acusado de abuso sexual a aproximadamente 40 atletas do clube particular são-bernardense entre 1999 a 2016, ele já havia sido suspenso por 1.440 dias em decisão de novembro de 2018 (leia aqui). Agora também foi multado em R$ 1,6 milhão.

De acordo com o advogado Fabio DElia, que é responsável pela defesa criminal de Fernando de Carvalho Lopes, a notícia da decisão do Tribunal - onde o ex-treinador foi representado por Vitor Nosé - foi tratada com "perplexidade, por se tratar de caso em que não foi produzida uma prova concreta contra o Fernando, tratando-se de julgamento midiático, impulsionado por matéria jornalística do Fantástico, o que levou todos os órgãos que estão acionando o Fernando a pré-julgarem o caso sem a isenção devida para analisarem as provas concretas do caso, o que, se fosse feito, certamente teríamos decisões diferentes".

Foram considerados pelo Tribunal os artigos 243 (“constranger alguém, mediante violência, grave ameaça ou por qualquer outro meio”) e 258 (“assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva para sentenciar Fernando de Carvalho Lopes. A defesa agora aguarda a publicação da decisão para estudar atitudes ainda cabíveis. 

Em contato com o Diário, o advogado André Sica, que representa as vítimas que aceitaram se expor, festejou tal desfecho na esfera esportiva. “É uma grande satisfação a gente ter conseguido um resultado muito expressivo e de forma rápida." O escritório, que estava trabalhando há alguns meses no caso, não estava satisfeito com condenação em primeira instância de cerca de quatro anos. "Fomos atrás, construímos caso ainda mais forte com ajuda da equipe toda, e conseguimos felizmente em sede de recurso o STJD reconheceu nossa tese e puniu o Fernando com banimento, que não é só importante para as vítimas, mas para o esporte, porque se trata de decisão inédita na Justiça Desportiva."

O CASO

De acordo com a reportagem veiculada no programa Fantástico, em 29 de abril de 2018, o treinador teria cometido os abusos sexuais durante vários anos em treinos, testes físicos e ainda em viagens com vários atletas. A polícia passou a investigar o caso a partir da denúncia de um garoto de 13 anos, identificado como a primeira vítima a relatar o fato.

Segundo a investigação, esse menino procurou os pais, que fizeram a denúncia. "Ele tocava os órgãos sexuais das crianças", disse a mãe do garoto, que não foi identificada. A segunda vítima que procurou a polícia também é um menino, de 12 anos. Segundo sua mãe, "(Fernando) pedia para olhar o órgão sexual das crianças".

Foi por conta de uma denúncia de abuso sexual que Lopes foi afastado da Seleção Brasileira da modalidade um mês antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. O treinador sempre trabalhou com as categorias de base, começou no vôlei e mudou para a ginástica.

Os atletas acusam o treinador de ter se aproveitado da pouca idade e da falta de conhecimento técnico. Segundo eles, o treinador os tocava em suas partes íntimas constantemente. Campeão pan-americano por equipes com a Seleção Brasileira em Guadalajara, no México, em 2011, Pétrix Barbosa, hoje com 27 anos, confirmou os abusos. "Fernando foi meu primeiro técnico, o Mesc foi meu primeiro clube, onde comecei a ginástica. Essa pressão psicológica num moleque de 10, 11 anos... Banho junto, me espiar... Já acordei com ele, não sei quantas vezes, com a mão dentro da minha calça." "Ele sempre perguntava como estava o nosso desenvolvimento. Ele precisava acompanhar o nosso crescimento para poder mudar o treino. E ele pedia para mostrar o pênis", disse.

Em condição de anonimato, outros atletas acusaram Fernando e afirmaram que os abusos eram cometidos na hora do banho, dentro de saunas e banheiros. De acordo com a reportagem, pelo menos 40 atletas e ex-atletas confirmaram que ou foram abusados ou sabiam dos casos, que são investigados pela polícia e pelo Ministério Público há pelo menos dois anos.

Em maio de 2018, Fernando de Carvalho Lopes falou com equipe de reportagem do Diário (aqui). Na ocasião, disse que era inocente. Dias antes, ele tinha sido surpreendido com a chegada de policiais civis para cumprir mandado de busca e apreensão na casa dos pais em São Bernardo. Foram recolhidos CDs, DVDs, pen drives, HD externo e fita cassete. O técnico também prestou depoimento no Senado, em Brasília, na CPI dos Maus Tratos, quando atribuiu as denúncias à vingança por sua rígida postura nos treinamentos (leia matéria completa).

No mesmo ano, três das supostas vítimas de abuso sexual e assédio moral de Lopes, entraram com pedido de instauração de inquérito no STJD para pedir o banimento do treinador. Representante dos atletas, o advogado André Sica falou ao Diário sobre os procedimentos. “As infrações cometidas repercutem em várias esferas. Pedimos instauração de inquérito no STJD tomando por base as infrações que estavam sendo apuradas na esfera criminal. E, depois, que seja dada entrada nas ações cíveis indenizatórias para ressarcir danos cometidos”, disse.

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