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Mundo que você vê - e não vê


Luís Felipe Soares
Diário do Grande ABC

24/03/2019 | 07:00


Entrar em sites, acompanhar notícias, ver vídeos e ‘fuçar’ redes sociais fazem parte de comportamento básico do usuário comum, cada um mostrando preferências pela navegação em diferentes dispositivos, casos de computadores, tablets, smartphones ou de modernos relógios digitais. Tudo isso pode parecer muita coisa, mas acaba sendo apenas o topo do iceberg gigantesco chamado internet – há estudos que apontam esse mundo como apenas 4% de informação realmente existente na web.

O que grande parte das pessoas acredita ser o grosso do universo on-line fica em superfície montada para que os internautas ‘naveguem’ de maneira minimamente segura e com estilo simplificado. Um mergulho mais aprofundado sobre as possibilidades e abrangência da rede mundial de computadores pode ser feito com a deep web (rede profunda, em português). O termo pode ser pouco conhecido do grande público, mas é a base do centro de dados tecnológico que temos hoje em dia, com debates abordando que ela pode ser 20 vezes ou até 400 vezes maior do que a parte da geleira que é vista acima da água.

De maneira geral, a surface web (rede de superfície) engloba toda a internet indexada, ou seja, com elementos que podem ser encontrados pelos grandes sites de busca, a exemplos do Google e do Bing. É por meio dela que – quase – todo mundo chega a esse mundo cibernético. Já a outra trabalha com acesso a informações não indexadas, protegidas por logins e senhas e com acesso a dados diversos.

“A diferença é que a deep web não é visual para o computador de uso comum, não é rastreada pelo Google. O site de um jornal, por exemplo, é aberto ao público e o buscador consegue indexar ela por vários elementos básicos. Ele não tem acesso à parte com conteúdo restrito. Tudo, dali para dentro, é considerada a deep web, com uma navegação mais profunda e fechada que o normal”, explica Arthur Igreja, professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em tecnologia e inovação, citando como outros exemplos nuvens pessoais e intranet de empresas. “Porém, é absolutamente legal e rastreável, tendo apenas parâmetros mais complexos.”

O assunto volta à tona depois do massacre ocorrido em escola na cidade de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. Os investigadores do caso ainda buscam informações sobre como os dois assassinos planejaram o ataque e em torno do contato dos jovens com ‘mentores’. Eles ainda teriam orquestrado a ação com auxílio de fóruns hospedados nesse ambiente mais profundo, os chans (abreviação da palavra inglesa channel, ou canal, em português), no qual se posta de maneira anônima. Segundo a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), uma das lideranças do governo no Congresso Nacional, a Polícia Federal deveria investigar a deep web, prática já comum quando necessário em certos casos.

“Os cuidados são os mesmos de se entrar na internet normal, mas com mais atenção. Mesmo que a deep web pareça ambiente extremamente privado, cada máquina tem um IP (Internet Protocol, ou protocolo de internet, em tradução) único de onde você acessou. O monitoramento é constante e a polícia pode, sim, buscar banco de dados quando preciso. Muitos criminoso e debates são investigados por ali. É um pseudoanonimato”, diz o especialista.

Arthur Igreja alerta para fator essencial em alardes sobre o tema: a falta de conhecimento. Para ele, “a desinformação gera explicações simplórias para algo complexo. Jogar videogame e usar a deep web não fazem as pessoas cometerem crimes. O ponto não é o fórum existir, ele só é um ambiente escuro propício para um desajustado achar outro. Já na darknet é onde as pessoas se sentem mais à vontade para falar coisas absurdas e perigosas”. O buraco sobre essa discussão é muito mais embaixo. 



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Mundo que você vê - e não vê

Luís Felipe Soares
Diário do Grande ABC

24/03/2019 | 07:00


Entrar em sites, acompanhar notícias, ver vídeos e ‘fuçar’ redes sociais fazem parte de comportamento básico do usuário comum, cada um mostrando preferências pela navegação em diferentes dispositivos, casos de computadores, tablets, smartphones ou de modernos relógios digitais. Tudo isso pode parecer muita coisa, mas acaba sendo apenas o topo do iceberg gigantesco chamado internet – há estudos que apontam esse mundo como apenas 4% de informação realmente existente na web.

O que grande parte das pessoas acredita ser o grosso do universo on-line fica em superfície montada para que os internautas ‘naveguem’ de maneira minimamente segura e com estilo simplificado. Um mergulho mais aprofundado sobre as possibilidades e abrangência da rede mundial de computadores pode ser feito com a deep web (rede profunda, em português). O termo pode ser pouco conhecido do grande público, mas é a base do centro de dados tecnológico que temos hoje em dia, com debates abordando que ela pode ser 20 vezes ou até 400 vezes maior do que a parte da geleira que é vista acima da água.

De maneira geral, a surface web (rede de superfície) engloba toda a internet indexada, ou seja, com elementos que podem ser encontrados pelos grandes sites de busca, a exemplos do Google e do Bing. É por meio dela que – quase – todo mundo chega a esse mundo cibernético. Já a outra trabalha com acesso a informações não indexadas, protegidas por logins e senhas e com acesso a dados diversos.

“A diferença é que a deep web não é visual para o computador de uso comum, não é rastreada pelo Google. O site de um jornal, por exemplo, é aberto ao público e o buscador consegue indexar ela por vários elementos básicos. Ele não tem acesso à parte com conteúdo restrito. Tudo, dali para dentro, é considerada a deep web, com uma navegação mais profunda e fechada que o normal”, explica Arthur Igreja, professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em tecnologia e inovação, citando como outros exemplos nuvens pessoais e intranet de empresas. “Porém, é absolutamente legal e rastreável, tendo apenas parâmetros mais complexos.”

O assunto volta à tona depois do massacre ocorrido em escola na cidade de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. Os investigadores do caso ainda buscam informações sobre como os dois assassinos planejaram o ataque e em torno do contato dos jovens com ‘mentores’. Eles ainda teriam orquestrado a ação com auxílio de fóruns hospedados nesse ambiente mais profundo, os chans (abreviação da palavra inglesa channel, ou canal, em português), no qual se posta de maneira anônima. Segundo a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), uma das lideranças do governo no Congresso Nacional, a Polícia Federal deveria investigar a deep web, prática já comum quando necessário em certos casos.

“Os cuidados são os mesmos de se entrar na internet normal, mas com mais atenção. Mesmo que a deep web pareça ambiente extremamente privado, cada máquina tem um IP (Internet Protocol, ou protocolo de internet, em tradução) único de onde você acessou. O monitoramento é constante e a polícia pode, sim, buscar banco de dados quando preciso. Muitos criminoso e debates são investigados por ali. É um pseudoanonimato”, diz o especialista.

Arthur Igreja alerta para fator essencial em alardes sobre o tema: a falta de conhecimento. Para ele, “a desinformação gera explicações simplórias para algo complexo. Jogar videogame e usar a deep web não fazem as pessoas cometerem crimes. O ponto não é o fórum existir, ele só é um ambiente escuro propício para um desajustado achar outro. Já na darknet é onde as pessoas se sentem mais à vontade para falar coisas absurdas e perigosas”. O buraco sobre essa discussão é muito mais embaixo. 

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