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São Roque: programa tamanho família

Ari Paleta/Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cidade oferece diversão garantida a pessoas de todas as idades, inclusive crianças e adolescentes


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

21/03/2019 | 07:28


Em tempos de rescaldo de crise – sim, é possível dizer que ainda vivemos neles, pois, embora o período mais crítico para a economia já seja visto pelo retrovisor, muita gente ainda pensa duas vezes antes de fazer grande investimento em viagem –, ganham destaque destinos que estão pertinho do Grande ABC, mas nem sempre são velhos conhecidos dos moradores da região, e podem ser desbravados num bate e volta ou fim de semana. É o caso de São Roque, a cidade do vinho, mas que também se destaca por oferecer opções de passeios para toda a família e culinária capaz de conquistar até os turistas mais exigentes. Tudo isso a cerca de uma hora e meia de Santo André e com muitos outlets pelo caminho.

Mesmo que por aqui esteja quente, é bom levar um casaco, pois o município, que em alguns pontos atinge 1.200 metros de altitude, é bem mais fresco do que a região, e no fim do dia sempre bate um vento mais gelado – Santo André, para efeito de comparação, está a 760 metros. A vedete do local é o Roteiro do Vinho, que reúne 37 estabelecimentos ao longo da Estrada do Vinho e entorno, e em 2019 celebra 21 anos. O turismo no local, aliás, é crescente, em torno de 10% a 15% anuais, segundo o presidente do Roteiro do Vinho, Tulio Patto, e que alcançou marca de 1 milhão de visitantes no ano passado.

“Estamos fazendo parceria com o Instituto Federal de São Paulo para saber, exatamente, de onde vêm nossos turistas, quantos são exatamente e a quantidade de impostos gerados. Por alto, só de conversar com alguns deles, notamos que 80% são da Capital e da Região Metropolitana de São Paulo”, afirma Patto. “A ideia é aprimorar o atendimento e oferecer gama maior de opções de lazer para as famílias.”

De acordo com o presidente do Sindusvinho (Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque), Fernando Aparecido Pereira Leite, as vinícolas de São Roque comercializaram aproximadamente 20 milhões de litros de vinho no ano passado. “Cerca de 10% do total é produzido na cidade. O restante é feito ou comprado a granel do Rio Grande do Sul”, conta. Para 2019, a expectativa de crescimento é de 10%.

ATRAÇÕES - Patto explica que o foco é, de fato, a enogastronomia – há forte influência das culinárias portuguesa, italiana e o local é a terra da alcachofra –, mas existe atenção especial ao turismo infantil, com opções de divertimento às crianças, como: Fazenda Angolana, ideal para se integrar com a natureza, onde há zoológico com 150 animais e aldeia de coelhos (entrada custa R$ 8); o Vila Don Patto, que possui espaço kids com cama elástica, minirroda-gigante, minicarrossel, monorail (trem que faz percurso nas alturas), entre outros (R$ 25 com todos incluídos, ou por atração a preços de R$ 10 a R$ 15) – confira mais abaixo; e o Ski Mountain Park, a cerca de cinco quilômetros dali, que conta com lazer de aventura, com suas pistas de esqui e snowboard (de R$ 40 a R$ 80, mais R$ 30 para que o automóvel entre no parque).

As igrejas de São Roque também são atrativos à parte para quem quiser se aprofundar na história do município. Uma delas, a primeira da cidade, erguida no século XVII, é a Matriz. Em estilo colonial barroco, passou por diversas reformas, até que em 1937 deu lugar ao ‘templo’ que conhecemos hoje. Trata-se da maior igreja do Brasil dedicada a São Roque (santo de origem francesa conhecido por ter realizado milagres em sua peregrinação de Montpellier a Roma), que possui paredes e vitrais dedicados à vida e à morte do padroeiro da cidade. No interior há pinturas dos irmãos italianos Pietro e Ulderico Gentili.

Quanto aos gastos com gastronomia, é possível desembolsar até R$ 20 se a alimentação for feita nos restaurantes por quilo do Centro de São Roque, ou entre R$ 50 e R$ 120 por pessoa se a opção for por algum estabelecimento da rota, exemplifica o presidente do Roteiro do Vinho. Para se hospedar, o investimento parte de R$ 150 por noite, caso do Villa Maior, na região central, hotel mais simples e bem localizado que inclui café da manhã, e vai até R$ 2.000 no Villa Rossa, resort com pensão completa, piscina, quadra de tênis e spa.


Vamos falar de vinho? Vinícola Góes é expert desde 1938

Um dos locais mais tradicionais da cidade é a Vinícola Góes, que desde 1938 se dedica à comercialização de vinhos, negócio iniciado pelo casal Benedito Moraes de Góes e Maria das Dores Lima de Góes, e que hoje ainda é administrado pelos familiares.

Os períodos mais interessantes para se conhecer o local são, sem dúvida, a vindima (entre janeiro e fevereiro) e a colheita de inverno (de maio a junho). O primeiro é experiência inesquecível inclusive para crianças, pois permite que elas colham uva no parreiral, pisem na fruta para extrair seu sumo e façam imersão na história desse cultivo e na cultura por trás dele. Elas ficam encantadas ao percorrer os vinhedos e tomar suco da uva que foi produzido ali. Inclusive, quem participou da pisa da uva neste ano, em outubro pode voltar ao local para retirar garrafa de vinho feito a partir dessa experiência.

Passeio semelhante é oferecido quando começa o frio, e a colheita de espécies que se adaptam a esse clima é feita à noite, à luz do luar (mais informações ainda serão divulgadas no site www.vinicolagoes.com.br). A uva cabernet franc colhida neste período, a propósito, dá origem à obra-prima Tempos Philosophia 2017, rótulo divisor de águas entre os vinhos suaves – feitos principalmente da uva de mesa local niágara (aquela bem docinha que costumamos comer), que deu fama à cidade e à marca – e os secos, que vieram para fazer história. Após dez meses envelhecido em carvalho francês (o que, sem dúvida, dá um toque especial), o Philosophia traz explosão de sabores intensos (atalho para felicidade imediata) logo ao primeiro gole. Longe de ser expert no assunto, sendo apenas apreciadora, confesso que foi paixão à primeira vista. Tanto que, após relutar algumas vezes, e ser convencida por minha enteada de 11 anos, Alicia Paleta, desembolsei os R$ 90 cobrados pelos seus 750 ml. Ela disse: “Você não se apaixonou por ele? Ele vai te fazer feliz? Então compra. Não passa vontade”. Bastou para que eu me rendesse e passasse o cartão – de crédito.

Logo na sua primeira safra, em 2014, o Philosophia rendeu à Góes passaporte para lista da 22ª Avaliação Nacional de Vinhos – espécie de ‘Oscar do vinho’ que elege os 16 mais representativos e é realizado pela Associação Brasileira de Enologia. Já o rótulo 2016 conquistou a medalha Grande Ouro na 16ª edição do Concurso Mundial de Bruxelas-Brasil.

Vale experimentar também o vinho branco Tempos Lorena e o Pétalas Rosé, cujas uvas são produzidas na cidade. Embora sejam secos, os gostinhos de uva e de flores, somados ao frescor das bebidas, dão sensação incrível – e pesam menos ao bolso, custando, respectivamente, R$ 62 e R$ 32.

O ANO TODO - Diariamente, a Góes abre as portas aos turistas que, para fazerem visita guiada, pagam R$ 35, o que inclui a degustação de quatro vinhos finos. O passeio leva cerca de uma hora e meia e, antes ou depois dele, é possível relaxar à beira de lago artificial ou atravessá-lo por ponte que tem vista bem agradável. Ali também há simpático coreto, onde ocorrem apresentações de música ao vivo nas tardes dos fins de semana.


Vila Don Patto voltará a plantar uva

Passados 100 anos da vinda de seu bisavô para São Roque, Tulio Patto decidiu voltar a plantar uva no terreno da família, que desde 2010 abriga o complexo de lazer Vila Don Patto e comercializa vinho de marca própria, mas que não é feito ali.

“Em abril, iniciamos o plantio da niágara branca e niágara rosada, uvas de mesa, que envolvem, num primeiro momento, projeto de colheita para estimular o consumo da fruta in natura. O que será possível dentro de um ou dois anos”, conta ele, que dirige o local. A iniciativa, que consumiu aporte em torno de R$ 500 mil, deve gerar faturamento adicional de R$ 50 mil por ano ao complexo turístico e gastronômico.

Patto revela que possui também intenção futura de fazer plantio de uvas viníferas lorena, cabernet franc e merlot, mas que isso levará em média cinco anos, pois é preciso primeiro realizar estudo do solo e, na sequência, testar as mudas.

“A uva lorena está se adaptando muito bem ao solo de São Roque. Estamos iniciando, inclusive, processo de IP (Indicação de Procedência) e DO (Denominação de Origem), que vai dar à cidade espécie de selo de qualidade na produção de vinho. Junto à cabernet franc, as duas são as meninas dos olhos desta terra”, conta Patto.

Enquanto o plantio não tem início, o espaço aposta nas gastronomias portuguesa (da família do seu pai) e italiana (da sua mãe). Um dos pratos mais elogiados do local, e que tem mais de dois séculos de tradição (a receita é de 1812), é o Bacalhau à Maria Joaquina (R$ 205 para duas pessoas), que leva molho de creme de leite fresco e páprica doce, cebola, alho, batatas coradas e parmesão.

O complexo oferece ainda opções de entretenimento, como playground e redário, onde os visitantes podem descansar cercados pelo verde da Mata Atlântica. Além disso, Patto conta que investiu recentemente outros R$ 200 mil para criar a Piazza Don Patto, que dispõe de quatro lojas de artesanato, e conta com minilocomotiva da década de 1960, que chegou ontem, direto de Minas Gerais, para adornar o local – e fazer a alegria dos amantes de fotografia.


Município leva nome de santo francês

Fundada em 16 de agosto de 1657 pelo nobre capitão paulista Pedro Vaz de Barros, conhecido também como Vaz Guaçu, O Grande, a cidade recebeu o nome de São Roque devido à devoção de seu fundador por este santo de origem francesa, chamado Roque de Montpellier, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões.

Atraído pela região, estabeleceu-se com sua família e cerca de 1.200 índios às margens dos ribeirões Carambeí e Aracaí, começando, assim, a cultivar trigo e uva.

Mais tarde, imigrantes italianos e portugueses cobriram as encostas dos morros com vinhedos, instalaram suas adegas e começaram a desenvolver as características que deram fama a São Roque e a transformaram na ‘terra do vinho’. Em 1681, Fernão Paes de Barros, irmão do fundador, construiu a Casa Grande e a Capela de Santo Antonio, em taipa de pilão, locais que passaram a servir como parada e pousada dos bandeirantes que desciam o Rio Tietê em busca de ouro e esmeraldas.

Em 1832, São Roque foi elevada à condição de vila e, em 1864, tornou-se município. Em 1990, devido ao seu potencial nos cenários histórico, artístico, ecológico e cultural, ganhou título de estância turística. Com clima serrano, belas paisagens e povo hospitaleiro, São Roque dispõe de ampla infraestrutura de hotéis, restaurantes, comércio e cada vez maior oferta de vinhos. 



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