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Investimentos e mão de obra são essenciais


Alexandre Borbely*

15/03/2019 | 22:36


A necessidade de crescimento econômico é um dos principais temas abordados nos últimos anos para solucionar os graves problemas da recessão brasileira. O tema, aliás, é uma das grandes áreas de estudo das ciências econômicas. Crescimento econômico, sustentável, está diretamente relacionado à riqueza de um país e, consequentemente, ao nível de renda da população.

Para se atingir determinados objetivos macroeconômicos, governos utilizam políticas econômicas. O crescimento do PIB  (Produto Interno Bruto) é um dos objetivos almejados pelos economistas e também pelo governo.

A explicação é simples: quanto maior a produção, mais empregos são criados, a massa de salários pagos na economia aumenta e, consequentemente, o nível de consumo também tende a crescer, gerando um novo fluxo de elevação da produção e, portanto, do PIB.

O crescimento da produção e da renda agregada é consequência de variações quantitativas e qualitativas de dois fatores básicos: mão de obra e capital. Dessa forma, o aumento quantitativo da força de trabalho e do estoque de capital possibilita arremessar para o alto a capacidade produtiva de um país.

O aspecto qualitativo é mais complexo. Envolve políticas de longo prazo. Sabe-se, por exemplo, que a qualificação da mão de obra resulta em melhorias nos processos produtivos, no desenvolvimento e na implantação de novas tecnologias.

Por sua vez, o desenvolvimento de novas tecnologias é dependente de muita pesquisa que, na maioria das vezes, é realizada em países desenvolvidos. Sabe-se também que não há pesquisa sem investimentos em educação. Tais investimentos devem ser realizados principalmente no nível básico e médio de formação escolar.

Países em desenvolvimento, principalmente da América Latina, África e também alguns da Ásia, têm baixos níveis de educação formal. Consequentemente, a produtividade do trabalhador desses países costuma ser inferior se comparada ao trabalhador médio das nações desenvolvidas.

Observa-se também que o nível de renda per capita dos países em desenvolvimento está bem abaixo se comparado ao de países que mais realizam pesquisa e desenvolvimento. A melhoria na qualidade da força de trabalho é fator determinante para o crescimento sustentável.

Um trabalhador mais qualificado é mais produtivo. Além disso, tal mão de obra poderá produzir bens de maior valor agregado, ou ainda tecnologias que possibilitem aumento da capacidade produtiva da economia.

A melhoria tecnológica permite ampliar a eficiência na utilização do estoque de capital. Via de regra, qualificação da mão de obra e melhor utilização dos meios de produção resultam em eficiência organizacional. Tal eficiência possibilita o aumento da produtividade. Em última instância, impactará de forma positiva no PIB do País.

O capital é constituído por máquinas, equipamentos e instalações utilizadas no processo produtivo. O aumento no estoque de capital permite que no futuro a capacidade produtiva da economia seja ampliada.

O investimento realizado pelas empresas e pelo Estado, em dado período, corresponde ao aumento do estoque de capital nesse período e também da infraestrutura. Assim, quanto maior o nível de investimento, maior será a capacidade produtiva futura do País. Em outros termos, maior será o crescimento econômico.

Diante do exposto, aguardamos algum sinal de recuperação da economia brasileira. Existe grande capacidade ociosa nas empresas. Aliada à baixa perspectiva de crescimento da economia, as empresas não renovam seu estoque de capital e não adquirem novas máquinas e equipamentos. Ou seja, o nível de investimentos está baixo.

Sendo assim, as empresas seguem receosas quanto às perspectivas da economia.

Em última instância, o que podemos esperar do nível de renda para os próximos anos?


* Professor de economia da Escola de Gestão e Direito da Universidade Metodista de São Paulo 



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Investimentos e mão de obra são essenciais

Alexandre Borbely*

15/03/2019 | 22:36


A necessidade de crescimento econômico é um dos principais temas abordados nos últimos anos para solucionar os graves problemas da recessão brasileira. O tema, aliás, é uma das grandes áreas de estudo das ciências econômicas. Crescimento econômico, sustentável, está diretamente relacionado à riqueza de um país e, consequentemente, ao nível de renda da população.

Para se atingir determinados objetivos macroeconômicos, governos utilizam políticas econômicas. O crescimento do PIB  (Produto Interno Bruto) é um dos objetivos almejados pelos economistas e também pelo governo.

A explicação é simples: quanto maior a produção, mais empregos são criados, a massa de salários pagos na economia aumenta e, consequentemente, o nível de consumo também tende a crescer, gerando um novo fluxo de elevação da produção e, portanto, do PIB.

O crescimento da produção e da renda agregada é consequência de variações quantitativas e qualitativas de dois fatores básicos: mão de obra e capital. Dessa forma, o aumento quantitativo da força de trabalho e do estoque de capital possibilita arremessar para o alto a capacidade produtiva de um país.

O aspecto qualitativo é mais complexo. Envolve políticas de longo prazo. Sabe-se, por exemplo, que a qualificação da mão de obra resulta em melhorias nos processos produtivos, no desenvolvimento e na implantação de novas tecnologias.

Por sua vez, o desenvolvimento de novas tecnologias é dependente de muita pesquisa que, na maioria das vezes, é realizada em países desenvolvidos. Sabe-se também que não há pesquisa sem investimentos em educação. Tais investimentos devem ser realizados principalmente no nível básico e médio de formação escolar.

Países em desenvolvimento, principalmente da América Latina, África e também alguns da Ásia, têm baixos níveis de educação formal. Consequentemente, a produtividade do trabalhador desses países costuma ser inferior se comparada ao trabalhador médio das nações desenvolvidas.

Observa-se também que o nível de renda per capita dos países em desenvolvimento está bem abaixo se comparado ao de países que mais realizam pesquisa e desenvolvimento. A melhoria na qualidade da força de trabalho é fator determinante para o crescimento sustentável.

Um trabalhador mais qualificado é mais produtivo. Além disso, tal mão de obra poderá produzir bens de maior valor agregado, ou ainda tecnologias que possibilitem aumento da capacidade produtiva da economia.

A melhoria tecnológica permite ampliar a eficiência na utilização do estoque de capital. Via de regra, qualificação da mão de obra e melhor utilização dos meios de produção resultam em eficiência organizacional. Tal eficiência possibilita o aumento da produtividade. Em última instância, impactará de forma positiva no PIB do País.

O capital é constituído por máquinas, equipamentos e instalações utilizadas no processo produtivo. O aumento no estoque de capital permite que no futuro a capacidade produtiva da economia seja ampliada.

O investimento realizado pelas empresas e pelo Estado, em dado período, corresponde ao aumento do estoque de capital nesse período e também da infraestrutura. Assim, quanto maior o nível de investimento, maior será a capacidade produtiva futura do País. Em outros termos, maior será o crescimento econômico.

Diante do exposto, aguardamos algum sinal de recuperação da economia brasileira. Existe grande capacidade ociosa nas empresas. Aliada à baixa perspectiva de crescimento da economia, as empresas não renovam seu estoque de capital e não adquirem novas máquinas e equipamentos. Ou seja, o nível de investimentos está baixo.

Sendo assim, as empresas seguem receosas quanto às perspectivas da economia.

Em última instância, o que podemos esperar do nível de renda para os próximos anos?


* Professor de economia da Escola de Gestão e Direito da Universidade Metodista de São Paulo 

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