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Artista plástico de São Bernardo perde todo registro documental

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pernabucano radicado na cidade, Henrique Hammler teve trabalho da carreira danificado pela enchente


Miriam Gimenes

17/03/2019 | 07:39


Há uma semana a vida corria normalmente para o artista plástico de São Bernardo Henrique Hammler. Desfrutou o domingo em companhia de sua família e, ao fim da tarde, foi, junto com a mulher, Marisa Aparecida Segatto, comprar material para dar continuidade à reforma de sua casa, que fica no Rudge Ramos, em São Bernardo. Antes de retornar, ainda passou em um supermercado da região e seguiu para residência, para jantar.

A ceia foi interrompida por gritos dos vizinhos. “Passaram dizendo para retirar o carro porque, por conta da chuva forte, a rua estava enchendo”, lembra Hammler. E só deu tempo de colocar o veículo em uma rua próxima, posicionar os móveis em cima dos tijolos e levantar os documentos, para que não tivessem problemas. “Fechamos as comportas, achando que a água subiria pouco. Mas a força foi muito grande. Quando vimos, tinha água passando por cima da porta, da janela”, completou Marisa, que mora nesse endereço há 50 anos.

Ela e Hammler estão juntos há 35 anos. Por conta deste amor, o artista pernambucano se radicou em São Bernardo, cidade onde construiu maior parte de sua carreira. E, desde que estão juntos, Marisa guarda a documentação de todo trabalho feito por Hammler, entre elas reportagens, catálogos das obras, fotografias, rascunhos, convites e cadernos de presença das exposições, entre outras coisas. “Guardava tudo em caixas de plástico e achei que estariam a salvo no dia da chuva. Mas, infelizmente, perdemos tudo”, lamenta Marisa. Além da documentação correspondente a mais de três décadas de carreira – inclusive cartas trocadas com o artista brasileiro Romero Britto –, Hammler também perdeu pelo menos 15 obras que estavam em sua casa. “A sorte é que, por conta da reforma, levamos a maior parte dos quadros para o ateliê (que fica próximo à casa), senão a perda seria total”, diz Hammler.

Entre os quadros que ficaram submersos, estão alguns que ele fez em live paint, durante diversas apresentações da Orquestra Filarmônica de São Bernardo, em 2004. Também alguns que pintou no Ginásio Poliesportivo quando o técnico Montanaro, de quem era fã, estava à frente do time de vôlei Banespa/São Bernardo. “São trabalhos que têm todo um significado. Não dá para perder assim, não há uma cópia, não tem nada que pague”, reclama. Segundo ele, há seis anos não havia enchente no bairro e nunca aconteceu alguma desta maneira. “O máximo que a água chegou foi a 1,30 m.” O Grande ABC todo foi acometido pelo temporal, mas São Bernardo foi uma das mais avariadas: só no Rudge Ramos choveu 123 milímetros, o que corresponde a 78% da média mensal.

Além de ter comprometido esses trabalhos do artista e a documentação, a família, que só pôde voltar na segunda-feira para casa, perdeu tudo, inclusive materiais de construção, móveis e televisão que ainda estavam dentro da caixa. “Fica aquela tristeza, sentimento de impotência, um vazio. Tanto investimento, tanta luta, para acabar nisso. Mas ainda sou um cara privilegiado porque tenho minha casa e o ateliê. Tem muitas outras pessoas que estão em situações piores”, diz Hammler, emocionado.

O apelo, tanto do artista quanto da Marisa, é para que se alguém tem guardado algum material sobre a obra de Hammler – fotografias, convites de exposições, registros etc. – possa ajudá-los neste momento. “Tudo a gente não recupera, mas alguma coisa temos esperança”, diz Marisa. “Não temos nem ideia de quanto tempo vamos levar para reaver tudo que perdemos. Acho que vamos passar o resto da vida e não vai dar conta disso”, finaliza o pintor.
 



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Artista plástico de São Bernardo perde todo registro documental

Pernabucano radicado na cidade, Henrique Hammler teve trabalho da carreira danificado pela enchente

Miriam Gimenes

17/03/2019 | 07:39


Há uma semana a vida corria normalmente para o artista plástico de São Bernardo Henrique Hammler. Desfrutou o domingo em companhia de sua família e, ao fim da tarde, foi, junto com a mulher, Marisa Aparecida Segatto, comprar material para dar continuidade à reforma de sua casa, que fica no Rudge Ramos, em São Bernardo. Antes de retornar, ainda passou em um supermercado da região e seguiu para residência, para jantar.

A ceia foi interrompida por gritos dos vizinhos. “Passaram dizendo para retirar o carro porque, por conta da chuva forte, a rua estava enchendo”, lembra Hammler. E só deu tempo de colocar o veículo em uma rua próxima, posicionar os móveis em cima dos tijolos e levantar os documentos, para que não tivessem problemas. “Fechamos as comportas, achando que a água subiria pouco. Mas a força foi muito grande. Quando vimos, tinha água passando por cima da porta, da janela”, completou Marisa, que mora nesse endereço há 50 anos.

Ela e Hammler estão juntos há 35 anos. Por conta deste amor, o artista pernambucano se radicou em São Bernardo, cidade onde construiu maior parte de sua carreira. E, desde que estão juntos, Marisa guarda a documentação de todo trabalho feito por Hammler, entre elas reportagens, catálogos das obras, fotografias, rascunhos, convites e cadernos de presença das exposições, entre outras coisas. “Guardava tudo em caixas de plástico e achei que estariam a salvo no dia da chuva. Mas, infelizmente, perdemos tudo”, lamenta Marisa. Além da documentação correspondente a mais de três décadas de carreira – inclusive cartas trocadas com o artista brasileiro Romero Britto –, Hammler também perdeu pelo menos 15 obras que estavam em sua casa. “A sorte é que, por conta da reforma, levamos a maior parte dos quadros para o ateliê (que fica próximo à casa), senão a perda seria total”, diz Hammler.

Entre os quadros que ficaram submersos, estão alguns que ele fez em live paint, durante diversas apresentações da Orquestra Filarmônica de São Bernardo, em 2004. Também alguns que pintou no Ginásio Poliesportivo quando o técnico Montanaro, de quem era fã, estava à frente do time de vôlei Banespa/São Bernardo. “São trabalhos que têm todo um significado. Não dá para perder assim, não há uma cópia, não tem nada que pague”, reclama. Segundo ele, há seis anos não havia enchente no bairro e nunca aconteceu alguma desta maneira. “O máximo que a água chegou foi a 1,30 m.” O Grande ABC todo foi acometido pelo temporal, mas São Bernardo foi uma das mais avariadas: só no Rudge Ramos choveu 123 milímetros, o que corresponde a 78% da média mensal.

Além de ter comprometido esses trabalhos do artista e a documentação, a família, que só pôde voltar na segunda-feira para casa, perdeu tudo, inclusive materiais de construção, móveis e televisão que ainda estavam dentro da caixa. “Fica aquela tristeza, sentimento de impotência, um vazio. Tanto investimento, tanta luta, para acabar nisso. Mas ainda sou um cara privilegiado porque tenho minha casa e o ateliê. Tem muitas outras pessoas que estão em situações piores”, diz Hammler, emocionado.

O apelo, tanto do artista quanto da Marisa, é para que se alguém tem guardado algum material sobre a obra de Hammler – fotografias, convites de exposições, registros etc. – possa ajudá-los neste momento. “Tudo a gente não recupera, mas alguma coisa temos esperança”, diz Marisa. “Não temos nem ideia de quanto tempo vamos levar para reaver tudo que perdemos. Acho que vamos passar o resto da vida e não vai dar conta disso”, finaliza o pintor.
 

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