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Mensagens em redes sociais assustam pais em Santo André

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Caroline Garcia
Marcela Munhoz

15/03/2019 | 15:40


Atualizada às 19h15

Mensagem que está circulando em grupos de WhatsApp e também em postagens no Instagram assustaram mães e pais de escolas localizadas na Avenida Padre Anchieta, em Santo André. Na publicação há uma imagem de arma, com os dizeres “Padre Anchieta né”, “Fica esperta”, “O trem tá chegando”, “vocês vão morre (sic)”. Embora não faça referência direta, duas escolas particulares ficam nesta avenida, no bairro Jardim. Ambas tiveram aulas nesta sexta-feira (15), sem registros de anormalidade. No entanto, tanto a GCM (Guarda Civil Municipal) quanto a PM (Polícia Militar) reforçaram a segurança dos locais. Um boletim de ocorrência também foi registrado como ameaça no 4º DP (Jardim).

“As redes sociais são boas, mas também nos traem. Elas têm um poder de efeito muito rápido. Mas não podemos permitir que o medo controle nossas ações. É um sentimento que sempre existiu, mas não pode se sobrepor à condição de ser social, de racionalizar os fatos”, disse Paulo André Cia, mantenedor e diretor pedagógico da unidade Santo André do Colégio Arbos. O mantenedor afirma ainda que a escola tem procedimentos de acesso, como barreiras de segurança com porteiros e catracas, obrigatoriedade do uso de uniforme, monitoramento visual e por câmeras. Além disso, em sala de aula são trabalhados problemas como bullying. “Uma vez por semana, durante todo o Ensino Fundamental, os alunos sentam para discutir sobre promoção colaborativa e resolução de conflitos. O que proporciona um sentimento de pertencimento ao ambiente. Acreditamos que a prevenção é o passo mais importante para todas as escolas.”

No Colégio Stocco foram os próprios pais que alertaram a direção logo pela manhã, antes do início das aulas. “Atendi mais de 20 famílias que vieram saber realmente o que estava acontecendo. Como ficamos bem perto de uma estação de trem e estamos situados na Avenida Padre Anchieta, embora na mensagem das redes sociais não haja uma menção específica sobre "avenida", os pais fizeram essa ligação e ficaram preocupados", diz o diretor Roberto Belmonte Júnior. A entrada no Stocco também é restrita por meio de carteirinha, uniformes e reconhecimento facial pelos seguranças. “Procurei passar segurança aos pais e estimular a ideia de não entrar na onda de terror que algumas pessoas estão disseminando. É necessário manter o cotidiano”, conta Belmonte Júnior.

OUTROS LOCAIS

A mesma mensagem teria causado medo em pais e alunos na noite desta quinta-feira (14) na Escola Estadual Padre Anchieta, no Jardim Anchieta, em Diadema. Em nota, a Diretoria Regional de Ensino do município esclareceu que as aulas seguem normalmente. No entanto, uma ocorrência foi registrada na quarta-feira (13). "A rede estadual possui parceria com a Ronda Escolar da Polícia Militar para policiamento no entorno das unidades. Na noite de ontem (quarta-feira), um rapaz desconhecido foi identificado na escola. Imediatamente a polícia foi acionada e o levou." Também há notícias da mesma fake news em outras cidades, como Jundiaí, Interior de São Paulo, e Nova Andradina, Mato Grosso do Sul. Só no Grande ABC, cinco das sete cidades - Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá - possuem ruas, avenidas ou escolas com o nome de Padre Anchieta.

RESPONSABILIDADE

Quem cria ou até mesmo espalha fake news, como a que causou medo nos pais e alunos de Santo André, pode ser penalizado. De acordo com Rodrigo Nejm, diretor de educação da ONG Safernet, de combate a crimes virtuais, ainda existe cautela sobre os atos específicos, já que se trata de algo recente, mas cada juiz pode, sim, responsabilizar os autores criminalmente. É possível que as ações falsas sejam vistas como, por exemplo, crimes contra a honra – calúnia, difamação, injúria - previsto no Código Penal brasileiro e ameaça. Se o autor for menor de idade, os pais são processados.

“Mais importante do que isso é fazer com a pessoa tenha noção da sua responsabilidade. Não é brincadeira porque se trata de internet. Não vale tudo, não. Notícias falsas podem prejudicar os funcionamentos de escolas e até de cidades inteiras. Muita gente é morta após boatos se espalharem nas redes”, alerta Nejm. Quem compartilha também pode ser declarado culpado caso, segundo o especialista, o juiz entenda que a intenção foi prejudicar. “Por isso é extremamente importante agir contra as notícias falsas, não ser mais um propagador.”

Recebeu alguma informação que parece fake news? A primeira atitude, de acordo com o diretor da Safernet, é fazer uma print da conversa, anotar todos os dados (quem mandou, quando e de onde) e não disseminar. “Depois tente ir atrás para verificar se a informação é verdadeira. Se não for possível e representar qualquer tipo de ameaça, entre em contato imediatamente com a polícia.” Nejm alerta também para importância da educação e cultura digitais. “Que tipo de uso fazemos das tecnologias, como educamos as crianças? Quais são as responsabilidades? A culpa é mesmo da internet e dos jogos? É preciso que se discuta o assunto.”

Quem quiser mais informações sobre o tema, pode acessar o site www.canaldeajuda.org.br, que disponibilza cartilhas e estudos sobre crimes e violações dos direitos humanos na internet.

 

 



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Mensagens em redes sociais assustam pais em Santo André

Caroline Garcia
Marcela Munhoz

15/03/2019 | 15:40


Atualizada às 19h15

Mensagem que está circulando em grupos de WhatsApp e também em postagens no Instagram assustaram mães e pais de escolas localizadas na Avenida Padre Anchieta, em Santo André. Na publicação há uma imagem de arma, com os dizeres “Padre Anchieta né”, “Fica esperta”, “O trem tá chegando”, “vocês vão morre (sic)”. Embora não faça referência direta, duas escolas particulares ficam nesta avenida, no bairro Jardim. Ambas tiveram aulas nesta sexta-feira (15), sem registros de anormalidade. No entanto, tanto a GCM (Guarda Civil Municipal) quanto a PM (Polícia Militar) reforçaram a segurança dos locais. Um boletim de ocorrência também foi registrado como ameaça no 4º DP (Jardim).

“As redes sociais são boas, mas também nos traem. Elas têm um poder de efeito muito rápido. Mas não podemos permitir que o medo controle nossas ações. É um sentimento que sempre existiu, mas não pode se sobrepor à condição de ser social, de racionalizar os fatos”, disse Paulo André Cia, mantenedor e diretor pedagógico da unidade Santo André do Colégio Arbos. O mantenedor afirma ainda que a escola tem procedimentos de acesso, como barreiras de segurança com porteiros e catracas, obrigatoriedade do uso de uniforme, monitoramento visual e por câmeras. Além disso, em sala de aula são trabalhados problemas como bullying. “Uma vez por semana, durante todo o Ensino Fundamental, os alunos sentam para discutir sobre promoção colaborativa e resolução de conflitos. O que proporciona um sentimento de pertencimento ao ambiente. Acreditamos que a prevenção é o passo mais importante para todas as escolas.”

No Colégio Stocco foram os próprios pais que alertaram a direção logo pela manhã, antes do início das aulas. “Atendi mais de 20 famílias que vieram saber realmente o que estava acontecendo. Como ficamos bem perto de uma estação de trem e estamos situados na Avenida Padre Anchieta, embora na mensagem das redes sociais não haja uma menção específica sobre "avenida", os pais fizeram essa ligação e ficaram preocupados", diz o diretor Roberto Belmonte Júnior. A entrada no Stocco também é restrita por meio de carteirinha, uniformes e reconhecimento facial pelos seguranças. “Procurei passar segurança aos pais e estimular a ideia de não entrar na onda de terror que algumas pessoas estão disseminando. É necessário manter o cotidiano”, conta Belmonte Júnior.

OUTROS LOCAIS

A mesma mensagem teria causado medo em pais e alunos na noite desta quinta-feira (14) na Escola Estadual Padre Anchieta, no Jardim Anchieta, em Diadema. Em nota, a Diretoria Regional de Ensino do município esclareceu que as aulas seguem normalmente. No entanto, uma ocorrência foi registrada na quarta-feira (13). "A rede estadual possui parceria com a Ronda Escolar da Polícia Militar para policiamento no entorno das unidades. Na noite de ontem (quarta-feira), um rapaz desconhecido foi identificado na escola. Imediatamente a polícia foi acionada e o levou." Também há notícias da mesma fake news em outras cidades, como Jundiaí, Interior de São Paulo, e Nova Andradina, Mato Grosso do Sul. Só no Grande ABC, cinco das sete cidades - Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá - possuem ruas, avenidas ou escolas com o nome de Padre Anchieta.

RESPONSABILIDADE

Quem cria ou até mesmo espalha fake news, como a que causou medo nos pais e alunos de Santo André, pode ser penalizado. De acordo com Rodrigo Nejm, diretor de educação da ONG Safernet, de combate a crimes virtuais, ainda existe cautela sobre os atos específicos, já que se trata de algo recente, mas cada juiz pode, sim, responsabilizar os autores criminalmente. É possível que as ações falsas sejam vistas como, por exemplo, crimes contra a honra – calúnia, difamação, injúria - previsto no Código Penal brasileiro e ameaça. Se o autor for menor de idade, os pais são processados.

“Mais importante do que isso é fazer com a pessoa tenha noção da sua responsabilidade. Não é brincadeira porque se trata de internet. Não vale tudo, não. Notícias falsas podem prejudicar os funcionamentos de escolas e até de cidades inteiras. Muita gente é morta após boatos se espalharem nas redes”, alerta Nejm. Quem compartilha também pode ser declarado culpado caso, segundo o especialista, o juiz entenda que a intenção foi prejudicar. “Por isso é extremamente importante agir contra as notícias falsas, não ser mais um propagador.”

Recebeu alguma informação que parece fake news? A primeira atitude, de acordo com o diretor da Safernet, é fazer uma print da conversa, anotar todos os dados (quem mandou, quando e de onde) e não disseminar. “Depois tente ir atrás para verificar se a informação é verdadeira. Se não for possível e representar qualquer tipo de ameaça, entre em contato imediatamente com a polícia.” Nejm alerta também para importância da educação e cultura digitais. “Que tipo de uso fazemos das tecnologias, como educamos as crianças? Quais são as responsabilidades? A culpa é mesmo da internet e dos jogos? É preciso que se discuta o assunto.”

Quem quiser mais informações sobre o tema, pode acessar o site www.canaldeajuda.org.br, que disponibilza cartilhas e estudos sobre crimes e violações dos direitos humanos na internet.

 

 

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