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Cultura da violência


Do Diário do Grande ABC

14/03/2019 | 12:47


O massacre registrado em escola estadual de Suzano, localizada na região do Alto Tietê, vizinha ao Grande ABC, colhe a sociedade no exato momento em que se discute a facilitação do acesso às armas de fogo no Brasil. Embora a emoção não seja boa conselheira, não será possível desassociar o trágico episódio que terminou com dez pessoas mortas do debate sobre as iniciativas armamentistas do governo federal. Ocorrências traumáticas como a de ontem tendem a polarizar a argumentação de representantes de ambos os lados, prejudicando a exposição racional de pontos de vista.

Mas não se pode descartar seus efeitos na sociedade. A reação dos brasileiros às primeiras notícias de que dois jovens haviam entrado na escola estadual Raul Brasil, no horário do intervalo, para massacrar quem estivesse pela frente, entre o horror e a perplexidade, mostra que está certo o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, ao dizer que “violências como essa não fazem parte da nossa cultura”.

Chega-se, então, à pergunta inescapável: flexibilizar o porte de armas, assim como já foi feito com a posse, não seria alterar o DNA do brasileiro? É preciso considerar que, em recente consulta à opinião pública, divulgada no último dia do ano passado, o Instituto Datafolha apontou que 61% dos entrevistados consideravam que a posse deveria ser proibida, por representar ameaça à vida.

Na mesma data em que o levantamento do Datafolha era divulgado, equipe deste Diário ia às ruas do Grande ABC promover enquete com moradores sobre a expectativa diante do início iminente do governo de Jair Bolsonaro (PSL), que começaria no dia seguinte. A aprovação ao presidente foi praticamente unânime, com uma ressalva: exatamente o culto às armas feito pelo chefe do Executivo. Vê-se que há claro descompasso entre gabinete e ruas – e, diferentemente do que dizem governistas e entusiastas do armamento, parece que a divergência não fica restrita a períodos pós-tragédias como a que ocorreu em Suzano. É hora, pois, de afinar posições.



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Cultura da violência

Do Diário do Grande ABC

14/03/2019 | 12:47


O massacre registrado em escola estadual de Suzano, localizada na região do Alto Tietê, vizinha ao Grande ABC, colhe a sociedade no exato momento em que se discute a facilitação do acesso às armas de fogo no Brasil. Embora a emoção não seja boa conselheira, não será possível desassociar o trágico episódio que terminou com dez pessoas mortas do debate sobre as iniciativas armamentistas do governo federal. Ocorrências traumáticas como a de ontem tendem a polarizar a argumentação de representantes de ambos os lados, prejudicando a exposição racional de pontos de vista.

Mas não se pode descartar seus efeitos na sociedade. A reação dos brasileiros às primeiras notícias de que dois jovens haviam entrado na escola estadual Raul Brasil, no horário do intervalo, para massacrar quem estivesse pela frente, entre o horror e a perplexidade, mostra que está certo o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, ao dizer que “violências como essa não fazem parte da nossa cultura”.

Chega-se, então, à pergunta inescapável: flexibilizar o porte de armas, assim como já foi feito com a posse, não seria alterar o DNA do brasileiro? É preciso considerar que, em recente consulta à opinião pública, divulgada no último dia do ano passado, o Instituto Datafolha apontou que 61% dos entrevistados consideravam que a posse deveria ser proibida, por representar ameaça à vida.

Na mesma data em que o levantamento do Datafolha era divulgado, equipe deste Diário ia às ruas do Grande ABC promover enquete com moradores sobre a expectativa diante do início iminente do governo de Jair Bolsonaro (PSL), que começaria no dia seguinte. A aprovação ao presidente foi praticamente unânime, com uma ressalva: exatamente o culto às armas feito pelo chefe do Executivo. Vê-se que há claro descompasso entre gabinete e ruas – e, diferentemente do que dizem governistas e entusiastas do armamento, parece que a divergência não fica restrita a períodos pós-tragédias como a que ocorreu em Suzano. É hora, pois, de afinar posições.

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