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‘Ford jogou a toalha de forma incompreensível’

Frase é de ex-presidente do sindicato, Rafael Marques, que integrou reunião nos Estados Unidos


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

13/03/2019 | 07:21


Após reunião realizada na matriz da Ford, Dearborn, Michigan, na última semana, o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) decidiu comunicar ontem os trabalhadores sobre resultado da conversa, em assembleia, que a empresa manteve a decisão de fechamento da planta de São Bernardo. Mesmo com a expectativa de negociação por parte da entidade, os diretores da empresa foram inflexíveis. “A Ford jogou a toalha de forma incompreensível", afirmou o ex-presidente do sindicato, hoje à frente do  Tid Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), Rafael Marques,  que participou do encontro no Exterior.

Segundo Marques, houve prestação de contas sobre a decisão do encerramento da operação de caminhões na América do Sul e, consequentemente, da planta da região, que mantém 2.800 funcionários diretos. “Eles admitiram que tomaram decisões que consideraram equivocadas e que não há mais condições de manter investimentos importantes na região, sendo o anúncio irreversível. Isso mesmo com a operação de caminhões rentável na maioria dos anos. Nós sugerimos à empresa que essa fábrica se convertesse para a conectividade e produção de tecnologia, o que transformaria São Bernardo, mas eles não avaliaram a nossa proposta”, disse. 

Marques também criticou a postura da empresa por conta dos incentivos fiscais para a fábrica de Camaçari, na Bahia. “Seguramente ela foi a montadora que mais se beneficiou de incentivos, foram R$ 7 bilhões só no Nordeste e R$ 5,5 bilhões de empréstimo no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), isso sem contar os benefícios do Inovar-Auto. A gente fica muito incomodado porque a ideia que a companhia passa é de oportunismo e insensatez. É imoral. É um absurdo”, afirmou. “Por que a fábrica de Camaçari ainda depende de incentivo fiscal depois de quase 20 anos? Ela não conseguiu ser rentável? Isso, entre outras coisas, mostra que a Ford só consegue trabalhar com rentabilidade se tiver incentivo fiscal.”

A montadora confirmou aos dirigentes do sindicato que há três empresas interessadas na compra da fábrica, mas não revelou nomes e se comprometeu a dar prioridade ao processo de venda. Uma das firmas estrangeiras virá ao País nos próximos dias para iniciar tratativas. A brasileira Caoa foi a única que confirmou o interesse na planta de São Bernardo. “Com esse posicionamento, deixamos claro que temos de estar presentes na mesa de negociação. A partir de agora estamos em luta pela manutenção dos empregos nesta planta. Não importa quem é o patrão. O patrão vai, mas os empregos ficam”, destacou o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

Os operários mantêm paralisação iniciada em 19 de fevereiro, quando a empresa anunciou o fechamento da planta, até amanhã, quando haverá novo ato. Questionada, a Ford disse que não iria se pronunciar. 



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‘Ford jogou a toalha de forma incompreensível’

Frase é de ex-presidente do sindicato, Rafael Marques, que integrou reunião nos Estados Unidos

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

13/03/2019 | 07:21


Após reunião realizada na matriz da Ford, Dearborn, Michigan, na última semana, o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) decidiu comunicar ontem os trabalhadores sobre resultado da conversa, em assembleia, que a empresa manteve a decisão de fechamento da planta de São Bernardo. Mesmo com a expectativa de negociação por parte da entidade, os diretores da empresa foram inflexíveis. “A Ford jogou a toalha de forma incompreensível", afirmou o ex-presidente do sindicato, hoje à frente do  Tid Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), Rafael Marques,  que participou do encontro no Exterior.

Segundo Marques, houve prestação de contas sobre a decisão do encerramento da operação de caminhões na América do Sul e, consequentemente, da planta da região, que mantém 2.800 funcionários diretos. “Eles admitiram que tomaram decisões que consideraram equivocadas e que não há mais condições de manter investimentos importantes na região, sendo o anúncio irreversível. Isso mesmo com a operação de caminhões rentável na maioria dos anos. Nós sugerimos à empresa que essa fábrica se convertesse para a conectividade e produção de tecnologia, o que transformaria São Bernardo, mas eles não avaliaram a nossa proposta”, disse. 

Marques também criticou a postura da empresa por conta dos incentivos fiscais para a fábrica de Camaçari, na Bahia. “Seguramente ela foi a montadora que mais se beneficiou de incentivos, foram R$ 7 bilhões só no Nordeste e R$ 5,5 bilhões de empréstimo no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), isso sem contar os benefícios do Inovar-Auto. A gente fica muito incomodado porque a ideia que a companhia passa é de oportunismo e insensatez. É imoral. É um absurdo”, afirmou. “Por que a fábrica de Camaçari ainda depende de incentivo fiscal depois de quase 20 anos? Ela não conseguiu ser rentável? Isso, entre outras coisas, mostra que a Ford só consegue trabalhar com rentabilidade se tiver incentivo fiscal.”

A montadora confirmou aos dirigentes do sindicato que há três empresas interessadas na compra da fábrica, mas não revelou nomes e se comprometeu a dar prioridade ao processo de venda. Uma das firmas estrangeiras virá ao País nos próximos dias para iniciar tratativas. A brasileira Caoa foi a única que confirmou o interesse na planta de São Bernardo. “Com esse posicionamento, deixamos claro que temos de estar presentes na mesa de negociação. A partir de agora estamos em luta pela manutenção dos empregos nesta planta. Não importa quem é o patrão. O patrão vai, mas os empregos ficam”, destacou o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

Os operários mantêm paralisação iniciada em 19 de fevereiro, quando a empresa anunciou o fechamento da planta, até amanhã, quando haverá novo ato. Questionada, a Ford disse que não iria se pronunciar. 

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