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80 anos de Glauber Rocha

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Criador de filmes icônicos, diretor baiano ainda é influência para novos cineastas


Vinícius Castelli

13/03/2019 | 07:14


Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça eram o que bastava para que Glauber Rocha fizesse sua arte nascer. Cineasta que, assim como os escritores José Lins do Rêgo e Euclides da Cunha, ambientou suas histórias muitas vezes no sertão, o diretor baiano completaria 80 anos de vida amanhã. Morto em 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, vítima de septicemia (infecção generalizada), deixou importante legado.

Mas Glauber foi muito além de tratar do sertão. É considerado um dos maiores nomes da sétima arte no Brasil e ajudou a escrever o que ficou conhecido por cinema novo, com forte conteúdo social e mensagens políticas. Revolucionou tanto que chamou a atenção de quem estava fora do território brasileiro, como é o caso do cineasta norte-americano Martin Scorcese (Taxi Driver, Touro Indomável e Os Infiltrados). O nova-iorquino, que se encontrou com o brasileiro por três vezes, é fã do longa O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), tanto que já declarou que costuma mostrar a obra a atores e diretores de fotografias ano após ano.

Um dos filmes mais emblemáticos de Glauber é Deus e o Diabo na Terra do Sol. De 1964, fala de religiões, exploração, violência e do poder no sertão. Foi eleito pelo livro 100 Melhores Filmes Brasileiros, escrito em conjunto por diversos críticos, como a segunda melhor obra cinematográfica da história nacional, atrás apenas de Limite, de Mário Peixoto. Assinou ainda obras como Barravento (1969), Cabeças Cortadas (1970) e A Idade da Terra (1980).

“Glauber foi um cineasta singular, diferente dos demais, por sua forma de filmar com tamanha liberdade”, diz o diretor de cinema de Diadema Marcelo Felipe Sampaio. “Era um cara impulsivo. Em Terra em Transe (1967) ele fez um roteiro, filmou um segundo e montou outro filme. Ele ia mudando conforme o dia”, explica. Sampaio ressalta ainda o fato de seus filmes conterem críticas sociais. “Por isso é um cara que faz tanta falta hoje. Mas ele batia em todo mundo, tanto na esquerda quanto na direita, na igreja”.

Para o cineasta Diaulas Ulysses, de São Bernardo, Glauber foi a pessoa da sétima arte que quebrou paradigmas no Brasil. “O cara que ia mostrar um cinema diferenciado dentro de um País que estava acostumado com suas historinhas”, explica. “Ele era um diretor diferente por ver o cinema mundial e, por meio disso, pôde transformar e colocar o cinema dele em evidência”, afirma.

Ulysses conta que um dos destaques dessas influências que teve do cinema do Exterior é o fato de o baiano optar por cenários reais, casas de verdade, sertão. “O cinema italiano era feito fora dos estúdios”, explica. Ele lamenta o fato de as novas gerações não terem acesso tão grande ao legado do ícone. “Até o filho dele (Eryk Rocha) fez um documentário, Rocha Que Voa, e retomou debates do pai. Mas isso se perdeu um pouco. Com os 80 anos (de seu aniversário), precisa retomar isso. Ele era visionário. Hoje as pessoas fazem muito cinema televisivo”, opina.

Momento singular de sua carreira, destacado tanto por Sampaio quanto por Ulysses, foi quando Glauber, assim que soube da morte do pintor Di Cavalcanti, em 1976, pegou sua câmera e foi ao velório. Acompanhou o cortejo até o momento do sepultamento e produziu um documentário que ficou conhecido como Di-Glauber, mas cujo nome oficial é Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de sua Quimera, Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável. A obra, que pode ser encontrada na internet, ganhou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes (França), em 1977, antes de ser censurada a pedido da família do pintor. É a obra preferida por Sampaio e também chama a atenção de Ulysses até hoje. “Ele filmou o cara morto. E é de uma força cinematográfica incrível”, frisa o artista de São Bernardo. 

CANAL BRASIL PRESTA HOMENAGEM PARA O DIRETOR

No Canal Brasil o aniversário do cineasta Glauber Rocha (1939-1981) não passará em branco. A emissora por assinatura exibe o especial Cinema em Transe, que será ilustrado pela exibição de trabalhos do saudoso artista baiano.

Hoje, por exemplo, quem toma conta da grade, a partir das 17h, será a obra Terra em Transe, de 1967. O filme, com Paulo Autran e Jardel Filho, foi o responsável por colocar o diretor nos holofotes internacionais e é considerado um dos grandes motivadores das revoltas estudantis de 1968, na França. A história se passa na cidade fictícia de Eldorado e conta do jornalista e poeta Paulo Martins, que luta para tentar mudar a situação de miséria e injustiça que assolam o País. Com críticas à ditadura militar, foi proibido no mesmo ano.

Amanhã, na data do aniversário, também às 17h, é a vez da programação ser ilustrada por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969). Na cidade Jardim das Piranhas, Bahia, o jagunço Coraina (Lorival Paris) diz ser a encarnação de Lampião. E cabe a Antônio das Mortes (Maurício do Valle) matá-lo.



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80 anos de Glauber Rocha

Criador de filmes icônicos, diretor baiano ainda é influência para novos cineastas

Vinícius Castelli

13/03/2019 | 07:14


Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça eram o que bastava para que Glauber Rocha fizesse sua arte nascer. Cineasta que, assim como os escritores José Lins do Rêgo e Euclides da Cunha, ambientou suas histórias muitas vezes no sertão, o diretor baiano completaria 80 anos de vida amanhã. Morto em 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, vítima de septicemia (infecção generalizada), deixou importante legado.

Mas Glauber foi muito além de tratar do sertão. É considerado um dos maiores nomes da sétima arte no Brasil e ajudou a escrever o que ficou conhecido por cinema novo, com forte conteúdo social e mensagens políticas. Revolucionou tanto que chamou a atenção de quem estava fora do território brasileiro, como é o caso do cineasta norte-americano Martin Scorcese (Taxi Driver, Touro Indomável e Os Infiltrados). O nova-iorquino, que se encontrou com o brasileiro por três vezes, é fã do longa O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), tanto que já declarou que costuma mostrar a obra a atores e diretores de fotografias ano após ano.

Um dos filmes mais emblemáticos de Glauber é Deus e o Diabo na Terra do Sol. De 1964, fala de religiões, exploração, violência e do poder no sertão. Foi eleito pelo livro 100 Melhores Filmes Brasileiros, escrito em conjunto por diversos críticos, como a segunda melhor obra cinematográfica da história nacional, atrás apenas de Limite, de Mário Peixoto. Assinou ainda obras como Barravento (1969), Cabeças Cortadas (1970) e A Idade da Terra (1980).

“Glauber foi um cineasta singular, diferente dos demais, por sua forma de filmar com tamanha liberdade”, diz o diretor de cinema de Diadema Marcelo Felipe Sampaio. “Era um cara impulsivo. Em Terra em Transe (1967) ele fez um roteiro, filmou um segundo e montou outro filme. Ele ia mudando conforme o dia”, explica. Sampaio ressalta ainda o fato de seus filmes conterem críticas sociais. “Por isso é um cara que faz tanta falta hoje. Mas ele batia em todo mundo, tanto na esquerda quanto na direita, na igreja”.

Para o cineasta Diaulas Ulysses, de São Bernardo, Glauber foi a pessoa da sétima arte que quebrou paradigmas no Brasil. “O cara que ia mostrar um cinema diferenciado dentro de um País que estava acostumado com suas historinhas”, explica. “Ele era um diretor diferente por ver o cinema mundial e, por meio disso, pôde transformar e colocar o cinema dele em evidência”, afirma.

Ulysses conta que um dos destaques dessas influências que teve do cinema do Exterior é o fato de o baiano optar por cenários reais, casas de verdade, sertão. “O cinema italiano era feito fora dos estúdios”, explica. Ele lamenta o fato de as novas gerações não terem acesso tão grande ao legado do ícone. “Até o filho dele (Eryk Rocha) fez um documentário, Rocha Que Voa, e retomou debates do pai. Mas isso se perdeu um pouco. Com os 80 anos (de seu aniversário), precisa retomar isso. Ele era visionário. Hoje as pessoas fazem muito cinema televisivo”, opina.

Momento singular de sua carreira, destacado tanto por Sampaio quanto por Ulysses, foi quando Glauber, assim que soube da morte do pintor Di Cavalcanti, em 1976, pegou sua câmera e foi ao velório. Acompanhou o cortejo até o momento do sepultamento e produziu um documentário que ficou conhecido como Di-Glauber, mas cujo nome oficial é Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de sua Quimera, Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável. A obra, que pode ser encontrada na internet, ganhou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes (França), em 1977, antes de ser censurada a pedido da família do pintor. É a obra preferida por Sampaio e também chama a atenção de Ulysses até hoje. “Ele filmou o cara morto. E é de uma força cinematográfica incrível”, frisa o artista de São Bernardo. 

CANAL BRASIL PRESTA HOMENAGEM PARA O DIRETOR

No Canal Brasil o aniversário do cineasta Glauber Rocha (1939-1981) não passará em branco. A emissora por assinatura exibe o especial Cinema em Transe, que será ilustrado pela exibição de trabalhos do saudoso artista baiano.

Hoje, por exemplo, quem toma conta da grade, a partir das 17h, será a obra Terra em Transe, de 1967. O filme, com Paulo Autran e Jardel Filho, foi o responsável por colocar o diretor nos holofotes internacionais e é considerado um dos grandes motivadores das revoltas estudantis de 1968, na França. A história se passa na cidade fictícia de Eldorado e conta do jornalista e poeta Paulo Martins, que luta para tentar mudar a situação de miséria e injustiça que assolam o País. Com críticas à ditadura militar, foi proibido no mesmo ano.

Amanhã, na data do aniversário, também às 17h, é a vez da programação ser ilustrada por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969). Na cidade Jardim das Piranhas, Bahia, o jagunço Coraina (Lorival Paris) diz ser a encarnação de Lampião. E cabe a Antônio das Mortes (Maurício do Valle) matá-lo.

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