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Economia

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Economia da região tem prejuízo de R$ 862 milhões

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Impacto das chuvas torrenciais pode deixar Bridgestone paralisada por quatro dias; Mercedes não operou ontem


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

12/03/2019 | 07:08


O temporal que atingiu a região na noite de domingo e se estendeu por boa parte da madrugada de ontem causou prejuízos a indústrias, comércios e serviços que podem chegar a R$ 862 milhões. O montante representa 0,65% do PIB (Produto Interno Bruto) da região estimado para este ano, de R$ 131,1 bilhões.

A projeção do coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, considera que deixaram de circular na economia regional, somente ontem, R$ 431,3 milhões, cifra que pode duplicar ao considerar todo o patrimônio perdido na forma de imóveis, veículos, equipamentos e matérias-primas.

“Considero que a perda de geração de riquezas (mais de R$ 431 milhões), mais o prejuízo de patrimônios de empresários e famílias (deve superar os R$ 862 milhões), deveria nos levar a refletir sobre a necessidade de retomar o diálogo, incluindo toda a região, para a construção de políticas públicas e privadas que representem investimentos efetivos em infraestrutura urbana, tais como construção de piscinões, reflorestamento e tratamento de resíduos”, assinalou. “Precisamos retomar a pujança de entidades que se perderam no período recente, como Consórcio Intermunicipal e Agência de Desenvolvimento Econômico. A inércia pode não só agravar os problemas urbanos como potencializar a perda de nossa competitividade econômica.”

Uma das indústrias mais atingidas pela chuva na região foi a fabricante de pneus Bridgestone, de Santo André. Trabalhadores estimam que a fábrica deva ficar inoperante por quatro dias, uma vez que a água inavadiu áreas que englobam o início e o fim da produção de pneus – no local são feitos, diariamente, 22 mil exemplares de passeio e pesados – e danificou máquinas. Além disso, como a planta ficou sem energia, o processo produtivo foi interrompido. “Tem pneu que leva dez minutos para ser fabricado, como os de carros, e tem outros, a exemplo de um de trator, que leva 20 horas. Considerando que o modelo mais barato custa R$ 190, e o mais caro, R$ 50 mil, além do problema com o maquinário, o prejuízo deve atingir R$ 2 milhões”, avaliou funcionário que pediu para não ser identificado.

O presidente do Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região, Marcio Ferreira, acredita que o montante pode até ser maior. “Estourou o telhado, o córrego transbordou e setores foram tomados pela água, que entrou nos motores. Será preciso revisar toda a parte elétrica antes de religar as máquinas para não pegar fogo”, disse.

Questionada, a empresa informou, em nota, estar “avaliando os possíveis impactos decorrentes da forte chuva que caiu sobre Santo André no domingo à noite. A segurança dos funcionários é a prioridade neste momento, e não houve qualquer incidente envolvendo pessoas nas instalações da empresa”.

Situada no mesmo bairro, a vizinha Prometeon (ex-Pirelli) sofreu impacto bem menor, pois apenas em uma parte da planta entrou água, e como os trabalhadores tiveram de ajudar a escoá-la, a produção foi atrasada. “O turno das 23h de domingo só conseguiu entrar na fábrica às 2h30 de segunda. Sorte que deu tempo de os bombeiros fecharem as comportas e não entrou mais água”, contou um dos colaboradores, que não quis se identificar. “Como demoramos para começar a produzir, no primeiro turno fabricamos somente 200 pneus, sendo que normalmente fazemos 1.800. Eles quiseram pagar hora extra para compensar a produção, mas muita gente não topou com medo de chover de novo e não ter como ir embora”, disse outro.
Procurada, a Prometeon “informou que as chuvas ocorridas domingo não geraram impacto na fábrica de Santo André”.

Em São Bernardo, a Mercedes-Benz suspendeu a produção durante o dia todo, pois, com a entrada de água na fábrica, as áreas de manutenção, segurança e logística atuaram o dia todo com limpeza e manutenção necessárias para que a fábrica volte a operar hoje. “O volume de chuvas na região da fábrica foi muito intenso desde a noite de ontem (domingo), mas é importante ressaltar a importância da limpeza e da manutenção frequentemente dos rios e também dos piscinões e bueiros locais a fim de ajudar a dispersar o volume de água e evitar tantos estragos para toda a população da região. Com a manutenção desses recursos, o impacto poderia ter sido menor a todos”, afirmou, em nota.


Estabelecimentos do comércio registram perdas de até R$ 500 mil

O comércio do Grande ABC também foi castigado pela água que invadiu estabelecimentos entre a noite de domingo e a madrugada de ontem. Concessionária Primarca, da GM, em São Caetano, teve dezenas de veículos danificados por dentro e por fora, com vidros quebrados, lama em seus estofados e batidas na lataria ao chocarem uns com os outros. A equipe do Diário não conseguiu contato com a revendedora.

Na mesma cidade, no bairro Fundação, um dos mais afetados pela chuva, a Lanchonete Nova Fundação foi devastada pela lama. “Eu nunca vi algo assim. Estamos aqui há três anos e essa região às vezes alaga, mas nada dessa magnitude. Tivemos de sair ontem (domingo), por volta de meia-noite, pela janela e nem fomos para casa, ficamos aqui esperando a água baixar”, contou a proprietária Claudia Almeida. “Não sobrou nada. Micro-ondas, máquinas de café e suco, geladeira, os nove freezers, os oito fardos de arroz e as cinco caixas de contrafilé que tinha comprado na sexta-feira para o mês. Não sei nem como reagir”, disse, enquanto lavava a louça cheia de barro, e lamentava que não tinha seguro. O prejuízo, segundo ela, que ainda não tinha conseguido assimilar todas as perdas, deveria passar de R$ 500 mil.

No mesmo quarteirão, o Sam’s Club estava interditado, após ser fortemente atingido pela chuva. Um de seus portões, inclusive, foi ao chão com a força da água. O mesmo aconteceu com o Extra e o Assai, a poucos metros dali, em que as mercadorias ficaram boiando. Questionada, a rede afirmou que ainda não contabilizou o prejuízo. “A loja de São Caetano está fechada e não temos previsão para reabrir.” Resposta semelhante à do grupo Pão de Açúcar. “Não divulgaremos valores de prejuízo ou do impacto. Tanto a loja do Extra quando do Assai permanecem fechadas e ainda sem previsão de reabertura.”

O ParkShopping São Caetano, embora não tenha registrado danos estruturais, prestou assistência a 70 pessoas, entre clientes e lojistas, que não puderam deixar o local na madrugada da segunda-feira devido ao temporal. Ontem, o complexo não abriu devido à falta de energia, mas a expectativa é a de que abra hoje.

SANTO ANDRÉ - Em Santo André, a força da água derrubou o muro do Roldão da Vila Homero Thon e invadiu o estabelecimento. Os cerca de 100 funcionários receberam reforço de outros 60, de diversas unidades, para cuidar do estrago e tentar reabrir a loja hoje. Colaboradores não souberam dizer o tamanho do prejuízo, mas alegam ter perdido muita mercadoria. “Nunca vi um estrago desse tamanho”, disse funcionária que pediu para não ser identificada. A rede não se manifestou até o fechamento desta edição.

No vizinho Carrefour, a água nem chegou a entrar, só no estacionamento, mas faltou energia e o gerador não deu conta. A loja não abriu e funcionários estimam forte prejuízo. Em uma segunda-feira, o supermercado costuma vender cerca de R$ 400 mil. A rede disse que, “apesar das fortes chuvas que atingiram a região, as lojas operam próximas à normalidade após pequenos ajustes e procedimentos de limpeza”.
 



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Economia da região tem prejuízo de R$ 862 milhões

Impacto das chuvas torrenciais pode deixar Bridgestone paralisada por quatro dias; Mercedes não operou ontem

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

12/03/2019 | 07:08


O temporal que atingiu a região na noite de domingo e se estendeu por boa parte da madrugada de ontem causou prejuízos a indústrias, comércios e serviços que podem chegar a R$ 862 milhões. O montante representa 0,65% do PIB (Produto Interno Bruto) da região estimado para este ano, de R$ 131,1 bilhões.

A projeção do coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição, considera que deixaram de circular na economia regional, somente ontem, R$ 431,3 milhões, cifra que pode duplicar ao considerar todo o patrimônio perdido na forma de imóveis, veículos, equipamentos e matérias-primas.

“Considero que a perda de geração de riquezas (mais de R$ 431 milhões), mais o prejuízo de patrimônios de empresários e famílias (deve superar os R$ 862 milhões), deveria nos levar a refletir sobre a necessidade de retomar o diálogo, incluindo toda a região, para a construção de políticas públicas e privadas que representem investimentos efetivos em infraestrutura urbana, tais como construção de piscinões, reflorestamento e tratamento de resíduos”, assinalou. “Precisamos retomar a pujança de entidades que se perderam no período recente, como Consórcio Intermunicipal e Agência de Desenvolvimento Econômico. A inércia pode não só agravar os problemas urbanos como potencializar a perda de nossa competitividade econômica.”

Uma das indústrias mais atingidas pela chuva na região foi a fabricante de pneus Bridgestone, de Santo André. Trabalhadores estimam que a fábrica deva ficar inoperante por quatro dias, uma vez que a água inavadiu áreas que englobam o início e o fim da produção de pneus – no local são feitos, diariamente, 22 mil exemplares de passeio e pesados – e danificou máquinas. Além disso, como a planta ficou sem energia, o processo produtivo foi interrompido. “Tem pneu que leva dez minutos para ser fabricado, como os de carros, e tem outros, a exemplo de um de trator, que leva 20 horas. Considerando que o modelo mais barato custa R$ 190, e o mais caro, R$ 50 mil, além do problema com o maquinário, o prejuízo deve atingir R$ 2 milhões”, avaliou funcionário que pediu para não ser identificado.

O presidente do Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região, Marcio Ferreira, acredita que o montante pode até ser maior. “Estourou o telhado, o córrego transbordou e setores foram tomados pela água, que entrou nos motores. Será preciso revisar toda a parte elétrica antes de religar as máquinas para não pegar fogo”, disse.

Questionada, a empresa informou, em nota, estar “avaliando os possíveis impactos decorrentes da forte chuva que caiu sobre Santo André no domingo à noite. A segurança dos funcionários é a prioridade neste momento, e não houve qualquer incidente envolvendo pessoas nas instalações da empresa”.

Situada no mesmo bairro, a vizinha Prometeon (ex-Pirelli) sofreu impacto bem menor, pois apenas em uma parte da planta entrou água, e como os trabalhadores tiveram de ajudar a escoá-la, a produção foi atrasada. “O turno das 23h de domingo só conseguiu entrar na fábrica às 2h30 de segunda. Sorte que deu tempo de os bombeiros fecharem as comportas e não entrou mais água”, contou um dos colaboradores, que não quis se identificar. “Como demoramos para começar a produzir, no primeiro turno fabricamos somente 200 pneus, sendo que normalmente fazemos 1.800. Eles quiseram pagar hora extra para compensar a produção, mas muita gente não topou com medo de chover de novo e não ter como ir embora”, disse outro.
Procurada, a Prometeon “informou que as chuvas ocorridas domingo não geraram impacto na fábrica de Santo André”.

Em São Bernardo, a Mercedes-Benz suspendeu a produção durante o dia todo, pois, com a entrada de água na fábrica, as áreas de manutenção, segurança e logística atuaram o dia todo com limpeza e manutenção necessárias para que a fábrica volte a operar hoje. “O volume de chuvas na região da fábrica foi muito intenso desde a noite de ontem (domingo), mas é importante ressaltar a importância da limpeza e da manutenção frequentemente dos rios e também dos piscinões e bueiros locais a fim de ajudar a dispersar o volume de água e evitar tantos estragos para toda a população da região. Com a manutenção desses recursos, o impacto poderia ter sido menor a todos”, afirmou, em nota.


Estabelecimentos do comércio registram perdas de até R$ 500 mil

O comércio do Grande ABC também foi castigado pela água que invadiu estabelecimentos entre a noite de domingo e a madrugada de ontem. Concessionária Primarca, da GM, em São Caetano, teve dezenas de veículos danificados por dentro e por fora, com vidros quebrados, lama em seus estofados e batidas na lataria ao chocarem uns com os outros. A equipe do Diário não conseguiu contato com a revendedora.

Na mesma cidade, no bairro Fundação, um dos mais afetados pela chuva, a Lanchonete Nova Fundação foi devastada pela lama. “Eu nunca vi algo assim. Estamos aqui há três anos e essa região às vezes alaga, mas nada dessa magnitude. Tivemos de sair ontem (domingo), por volta de meia-noite, pela janela e nem fomos para casa, ficamos aqui esperando a água baixar”, contou a proprietária Claudia Almeida. “Não sobrou nada. Micro-ondas, máquinas de café e suco, geladeira, os nove freezers, os oito fardos de arroz e as cinco caixas de contrafilé que tinha comprado na sexta-feira para o mês. Não sei nem como reagir”, disse, enquanto lavava a louça cheia de barro, e lamentava que não tinha seguro. O prejuízo, segundo ela, que ainda não tinha conseguido assimilar todas as perdas, deveria passar de R$ 500 mil.

No mesmo quarteirão, o Sam’s Club estava interditado, após ser fortemente atingido pela chuva. Um de seus portões, inclusive, foi ao chão com a força da água. O mesmo aconteceu com o Extra e o Assai, a poucos metros dali, em que as mercadorias ficaram boiando. Questionada, a rede afirmou que ainda não contabilizou o prejuízo. “A loja de São Caetano está fechada e não temos previsão para reabrir.” Resposta semelhante à do grupo Pão de Açúcar. “Não divulgaremos valores de prejuízo ou do impacto. Tanto a loja do Extra quando do Assai permanecem fechadas e ainda sem previsão de reabertura.”

O ParkShopping São Caetano, embora não tenha registrado danos estruturais, prestou assistência a 70 pessoas, entre clientes e lojistas, que não puderam deixar o local na madrugada da segunda-feira devido ao temporal. Ontem, o complexo não abriu devido à falta de energia, mas a expectativa é a de que abra hoje.

SANTO ANDRÉ - Em Santo André, a força da água derrubou o muro do Roldão da Vila Homero Thon e invadiu o estabelecimento. Os cerca de 100 funcionários receberam reforço de outros 60, de diversas unidades, para cuidar do estrago e tentar reabrir a loja hoje. Colaboradores não souberam dizer o tamanho do prejuízo, mas alegam ter perdido muita mercadoria. “Nunca vi um estrago desse tamanho”, disse funcionária que pediu para não ser identificada. A rede não se manifestou até o fechamento desta edição.

No vizinho Carrefour, a água nem chegou a entrar, só no estacionamento, mas faltou energia e o gerador não deu conta. A loja não abriu e funcionários estimam forte prejuízo. Em uma segunda-feira, o supermercado costuma vender cerca de R$ 400 mil. A rede disse que, “apesar das fortes chuvas que atingiram a região, as lojas operam próximas à normalidade após pequenos ajustes e procedimentos de limpeza”.
 

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