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Mergulho na obra de Gustav Mahler

Heloisa Bortz/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Orquestra Jovem do Estado apresenta álbum gravado ao vivo em São Paulo


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/03/2019 | 07:00


O compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) costumava dizer que uma sinfonia deveria abarcar o mundo, mesmo com todas as suas contradições. Que deveria abranger tudo o que há, ser o mundo. Queria que os sons, por mais estranhos que poderiam ser, se tornassem nada além de harmonias. Tanto que em seu trabalho traços convervadores e modernos se misturam a sentimentos diversos.

Agora, quase 120 anos depois de ter escrito uma de suas obras-primas, a Sinfonia nº 5, Mahler tem a desafiadora peça revisitada por um grupo de músicos brasileiros: a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, que neste ano completa quatro décadas de existência.

O resultado está registrado no álbum Orquestra Jovem do Estado – 5ª Sinfonia de Mahler, resultado de concerto realizado no Teatro Caetano de Campos, na Capital, em junho. A edição - que não será comercializada - ganha vida com capa dura e encarte com detalhes da história do compositor e também da orquestra, além de ser ilustrada com detalhe da obra Mulher ao Vento no Mar, do pintor alemão expressionista Franz Marc (1880-1916).

No palco, regidos pela batuta do maestro e diretor musical da orquestra Cláudio Cruz, 90 músicos bolsistas, de até 25 anos, dão vida à obra escrita em 1901 e dividida pelos movimentos Trauermarsch, Stürmisch Bewegt, Scherzo, Adagietto e Rondo-Finale.

Segundo Ricardo Appezzato, gestor artístico da Santa Marcelina Cultura, organização responsável pela gestão da Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, à qual a Orquestra está ligada, as obras do Mahler são algumas das principais para orquestra sinfônica, principalmente a 5ª sinfonia.

“É uma obra bastante emblemática. Ela traz referência importantíssima para os nossos alunos”, explica Appezzato. Ele frisa ainda o ponto positivo de os alunos, para essa empreitada, poderem mergulhar efetivamente em uma peça como essa, “de um compositor tão importante, que traz tantos elementos, ao mesmo tempo que complexos, mas com lirismo fantástico.”

Appezzato acredita que os alunos saem da experiência de participar de uma gravação dessas transformados, “pois é uma imersão muito grande em uma obra tão cheia de poesia, detalhes e poética”, afirma.

O álbum é o quarto da discografia do conjunto, que já registrou peças de César Guerra-Peixe, Heitor Villa-Lobos e Dmitri Shostakivch; Piotr Ilitch Thaikovsky e Hector Berlioz; e Béla Bartók, Zoltán Kódaly e Flo Menezes. “É um grande desafio fazer um álbum por ano da Orquestra Jovem”, afirma o gestor. “É gratificante e um supercomplemento para toda a formação desses alunos e alunas. Além de toda a programação que a gente tem, a experiência de gravar é muito rica”, explica. “É uma outra perspectiva de fazer musical. E geralmente a escolha é por obras emblemáticas e referências na história da música. Traz outra inspiração, para que os alunos se sintam motivados”, conclui.


Temporada 2019 celebra quatro décadas de trabalho do grupo

No ano em que completa quatro décadas de trabalho, a Orquestra Jovem do Estado anuncia rica temporada de concertos na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16), que contará com participação de nomes importantes da música clássica do Brasil e do Exterior, tanto como regentes quanto solistas, dividindo o palco com os 90 bolsistas do conjunto.

Em abril, dia 6, a partir das 21h, o concerto será sob a batuta do regente francês Bruno Mantovani, diretor do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris. Terá a participação do pianista e professor da instituição francesa Denis Pascal. O repertório vanguardista contará com obras de Maurice Ravel, Claude Debussy, Henry Dutilleux e Edgarg Varèse.

Na data de maio, dia 5, a partir das 16h, sob a batuta de Cláudio Cruz, a Orquestra Jovem apresenta peças de Villa-Lobos, Richard Strauss e Varèse. No dia 8 de junho, às 21h, o conjunto se une ao Coral Jovem do Estado, que também celebra quatro décadas de existência, para homenagear os 100 anos do nascimento do compositor de Manaus Claudio Santoro. O evento será celebrado com a interpretação da Missa a Seis Vozes, de autoria do brasileiro.

“A temporada 2019 está bastante eclética. Tem uma característica interessante. Está com um repertório bastante grande do fim dos séculos XIX, XX e XXI. Isso, na verdade, conecta a orquestra à contemporaneidade. Então tem compositores bastante recentes, da segunda metade do século XX. Tem obras sendo criadas pela orquestra, como a de Rodrigo Lima, que vai estrear em agosto (dia 11, às 16h, com participação de Ovanir Buosi, no clarinete). Ao mesmo tempo, contrapondo com obras mais tradicionais, como Sinfonia de Mozart”, explica Ricardo Appezzato.

O interessante da programação deste ano, segundo o gestor, é justamente esse caleidoscópio do que tem acontecido na música nos últimos tempos. “Dialogando na tradição e trazendo para contemporaneidade”, afirma. Ele ressalta o fato de os alunos terem a oportunidade de experimentar repertório não tão difundido e não tão tocado, com obras fantásticas e complexas. “Será uma experiência única essa temporada”, diz.

Titular e diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti é o convidado do concerto de 15 de setembro (às 15h), para ilustrar a programação com temas de Barber, Mozart e Shostakovich.

O maestro norte-americano Ira Levin é o convidado de outubro. A Orquestra, no dia 13, às 16h, apresenta obras de Gustav Mahler, Alban Berg e Richard Strauss. No mês seguinte o conjunto aposta em duas peças voltadas para o público infantil: Guia dos Jovens Para a Orquestra, de Benjamin Britten, e Aprendiz de Feiticeiro, de Paul Dukas.

Para encerrar a temporada, no dia 8, às 16h, sob regência de Cláudio Cruz, os 90 bolsistas interpretam a Sétima Sinfonia, de Mahler. “O público poderá deleitar temporada com muitas cores sonoras com timbres muito bem trabalhados. Está muito interessante”, encerra Appezzato. Os bilhetes para os concertos custam de R$ 30 (www.orquestrajovemdoestado.byinti.com).  



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Mergulho na obra de Gustav Mahler

Orquestra Jovem do Estado apresenta álbum gravado ao vivo em São Paulo

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/03/2019 | 07:00


O compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) costumava dizer que uma sinfonia deveria abarcar o mundo, mesmo com todas as suas contradições. Que deveria abranger tudo o que há, ser o mundo. Queria que os sons, por mais estranhos que poderiam ser, se tornassem nada além de harmonias. Tanto que em seu trabalho traços convervadores e modernos se misturam a sentimentos diversos.

Agora, quase 120 anos depois de ter escrito uma de suas obras-primas, a Sinfonia nº 5, Mahler tem a desafiadora peça revisitada por um grupo de músicos brasileiros: a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, que neste ano completa quatro décadas de existência.

O resultado está registrado no álbum Orquestra Jovem do Estado – 5ª Sinfonia de Mahler, resultado de concerto realizado no Teatro Caetano de Campos, na Capital, em junho. A edição - que não será comercializada - ganha vida com capa dura e encarte com detalhes da história do compositor e também da orquestra, além de ser ilustrada com detalhe da obra Mulher ao Vento no Mar, do pintor alemão expressionista Franz Marc (1880-1916).

No palco, regidos pela batuta do maestro e diretor musical da orquestra Cláudio Cruz, 90 músicos bolsistas, de até 25 anos, dão vida à obra escrita em 1901 e dividida pelos movimentos Trauermarsch, Stürmisch Bewegt, Scherzo, Adagietto e Rondo-Finale.

Segundo Ricardo Appezzato, gestor artístico da Santa Marcelina Cultura, organização responsável pela gestão da Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, à qual a Orquestra está ligada, as obras do Mahler são algumas das principais para orquestra sinfônica, principalmente a 5ª sinfonia.

“É uma obra bastante emblemática. Ela traz referência importantíssima para os nossos alunos”, explica Appezzato. Ele frisa ainda o ponto positivo de os alunos, para essa empreitada, poderem mergulhar efetivamente em uma peça como essa, “de um compositor tão importante, que traz tantos elementos, ao mesmo tempo que complexos, mas com lirismo fantástico.”

Appezzato acredita que os alunos saem da experiência de participar de uma gravação dessas transformados, “pois é uma imersão muito grande em uma obra tão cheia de poesia, detalhes e poética”, afirma.

O álbum é o quarto da discografia do conjunto, que já registrou peças de César Guerra-Peixe, Heitor Villa-Lobos e Dmitri Shostakivch; Piotr Ilitch Thaikovsky e Hector Berlioz; e Béla Bartók, Zoltán Kódaly e Flo Menezes. “É um grande desafio fazer um álbum por ano da Orquestra Jovem”, afirma o gestor. “É gratificante e um supercomplemento para toda a formação desses alunos e alunas. Além de toda a programação que a gente tem, a experiência de gravar é muito rica”, explica. “É uma outra perspectiva de fazer musical. E geralmente a escolha é por obras emblemáticas e referências na história da música. Traz outra inspiração, para que os alunos se sintam motivados”, conclui.


Temporada 2019 celebra quatro décadas de trabalho do grupo

No ano em que completa quatro décadas de trabalho, a Orquestra Jovem do Estado anuncia rica temporada de concertos na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16), que contará com participação de nomes importantes da música clássica do Brasil e do Exterior, tanto como regentes quanto solistas, dividindo o palco com os 90 bolsistas do conjunto.

Em abril, dia 6, a partir das 21h, o concerto será sob a batuta do regente francês Bruno Mantovani, diretor do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris. Terá a participação do pianista e professor da instituição francesa Denis Pascal. O repertório vanguardista contará com obras de Maurice Ravel, Claude Debussy, Henry Dutilleux e Edgarg Varèse.

Na data de maio, dia 5, a partir das 16h, sob a batuta de Cláudio Cruz, a Orquestra Jovem apresenta peças de Villa-Lobos, Richard Strauss e Varèse. No dia 8 de junho, às 21h, o conjunto se une ao Coral Jovem do Estado, que também celebra quatro décadas de existência, para homenagear os 100 anos do nascimento do compositor de Manaus Claudio Santoro. O evento será celebrado com a interpretação da Missa a Seis Vozes, de autoria do brasileiro.

“A temporada 2019 está bastante eclética. Tem uma característica interessante. Está com um repertório bastante grande do fim dos séculos XIX, XX e XXI. Isso, na verdade, conecta a orquestra à contemporaneidade. Então tem compositores bastante recentes, da segunda metade do século XX. Tem obras sendo criadas pela orquestra, como a de Rodrigo Lima, que vai estrear em agosto (dia 11, às 16h, com participação de Ovanir Buosi, no clarinete). Ao mesmo tempo, contrapondo com obras mais tradicionais, como Sinfonia de Mozart”, explica Ricardo Appezzato.

O interessante da programação deste ano, segundo o gestor, é justamente esse caleidoscópio do que tem acontecido na música nos últimos tempos. “Dialogando na tradição e trazendo para contemporaneidade”, afirma. Ele ressalta o fato de os alunos terem a oportunidade de experimentar repertório não tão difundido e não tão tocado, com obras fantásticas e complexas. “Será uma experiência única essa temporada”, diz.

Titular e diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti é o convidado do concerto de 15 de setembro (às 15h), para ilustrar a programação com temas de Barber, Mozart e Shostakovich.

O maestro norte-americano Ira Levin é o convidado de outubro. A Orquestra, no dia 13, às 16h, apresenta obras de Gustav Mahler, Alban Berg e Richard Strauss. No mês seguinte o conjunto aposta em duas peças voltadas para o público infantil: Guia dos Jovens Para a Orquestra, de Benjamin Britten, e Aprendiz de Feiticeiro, de Paul Dukas.

Para encerrar a temporada, no dia 8, às 16h, sob regência de Cláudio Cruz, os 90 bolsistas interpretam a Sétima Sinfonia, de Mahler. “O público poderá deleitar temporada com muitas cores sonoras com timbres muito bem trabalhados. Está muito interessante”, encerra Appezzato. Os bilhetes para os concertos custam de R$ 30 (www.orquestrajovemdoestado.byinti.com).  

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