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Os dilemas da economia regional


Sandro Maskio*

02/03/2019 | 07:31


O recente anúncio da Ford Brasil, de que encerrará as operações na planta fabril inacabada em São Bernardo, tende a se constituir em um dos principais marcos de transformações pelas quais passa o Grande ABC nos últimos 30 anos, ao menos.

O progresso econômico da região ocorreu, em especial, entre as décadas de 1950 e 1970, como resultado da política nacional de industrialização. As ações para atrair capital externo na segunda metade da década de 1950, com objetivo de acelerar o processo de instalação da indústria de bens duráveis no Brasil, promoveu a ampliação do setor automobilístico, com expansão das empresas já presentes e vinda de novas companhias para o País.

Nesse processo, a planície localizada entre a Capital de São Paulo e o Porto de Santos se mostrou ideal à instalação do parque fabril automobilístico, beneficiando o progresso do Grande ABC. A instalação dessas corporações induziu o desenvolvimento de extensa cadeia de fornecedores e de atividades econômicas fomentadas pela renda gerada por este ciclo de industrialização.

Entretanto, após a estagnação da década de 1980, o processo de abertura econômica que se intensificou na década de 1990 colocou a economia brasileira diante de novo padrão competitivo, assim como a economia do Grande ABC. Isso passou a exigir esforços tanto das empresas como dos poderes públicos para ampliar o padrão competitivo das unidades de produção e da economia local.

AUSÊNCIA DE COMPETITIVIDADE - Na trajetória das últimas décadas, em que pese os esforços empregados, a economia regional não conseguiu criar diferenciais concorrenciais que a tornassem atrativa frente à economia global e à outras regiões que se desenvolveram na economia brasileira, criando inclusive novos polos automobilísticos.

A falta de competitividade regional, seja sob a ótica dos custos de produção ou do ponto de vista de criar condições para fomentar novos negócios, via competências de desenvolvimento e inovação, provocou o deslocamento da atividade produtiva para outras regiões, por vezes para fora do País.

Diante desse cenário, o fomento da atividade produtiva no Grande ABC tende a depender cada vez mais da criação de vantagens concorrenciais, para as quais o papel da política pública é importante. Não só dos governos locais, mas também das esferas estaduais e nacionais.

Sem se aprofundar sobre a questão específica da Ford Brasil, o fato é que não manteremos unidades produtivas na região em razão do histórico regional, ou por qualquer outro fator, se o Grande ABC não apresentar condições adequadas de competitividade.

Isto necessita ser compreendido pelos formuladores de políticas públicas e pelas organizações sindicais, haja vista o impacto das mudanças sobre a dinâmica e os determinantes da demanda no mercado de trabalho.

Essa questão e o atual quadro fiscal e seu impacto na situação econômica do País serão debatidos no dia 13 de março de 2019, às 18h, no Auditório Sigma do campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo, em evento gratuito ao qual toda a comunidade está convidada.

* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista. 



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Os dilemas da economia regional

Sandro Maskio*

02/03/2019 | 07:31


O recente anúncio da Ford Brasil, de que encerrará as operações na planta fabril inacabada em São Bernardo, tende a se constituir em um dos principais marcos de transformações pelas quais passa o Grande ABC nos últimos 30 anos, ao menos.

O progresso econômico da região ocorreu, em especial, entre as décadas de 1950 e 1970, como resultado da política nacional de industrialização. As ações para atrair capital externo na segunda metade da década de 1950, com objetivo de acelerar o processo de instalação da indústria de bens duráveis no Brasil, promoveu a ampliação do setor automobilístico, com expansão das empresas já presentes e vinda de novas companhias para o País.

Nesse processo, a planície localizada entre a Capital de São Paulo e o Porto de Santos se mostrou ideal à instalação do parque fabril automobilístico, beneficiando o progresso do Grande ABC. A instalação dessas corporações induziu o desenvolvimento de extensa cadeia de fornecedores e de atividades econômicas fomentadas pela renda gerada por este ciclo de industrialização.

Entretanto, após a estagnação da década de 1980, o processo de abertura econômica que se intensificou na década de 1990 colocou a economia brasileira diante de novo padrão competitivo, assim como a economia do Grande ABC. Isso passou a exigir esforços tanto das empresas como dos poderes públicos para ampliar o padrão competitivo das unidades de produção e da economia local.

AUSÊNCIA DE COMPETITIVIDADE - Na trajetória das últimas décadas, em que pese os esforços empregados, a economia regional não conseguiu criar diferenciais concorrenciais que a tornassem atrativa frente à economia global e à outras regiões que se desenvolveram na economia brasileira, criando inclusive novos polos automobilísticos.

A falta de competitividade regional, seja sob a ótica dos custos de produção ou do ponto de vista de criar condições para fomentar novos negócios, via competências de desenvolvimento e inovação, provocou o deslocamento da atividade produtiva para outras regiões, por vezes para fora do País.

Diante desse cenário, o fomento da atividade produtiva no Grande ABC tende a depender cada vez mais da criação de vantagens concorrenciais, para as quais o papel da política pública é importante. Não só dos governos locais, mas também das esferas estaduais e nacionais.

Sem se aprofundar sobre a questão específica da Ford Brasil, o fato é que não manteremos unidades produtivas na região em razão do histórico regional, ou por qualquer outro fator, se o Grande ABC não apresentar condições adequadas de competitividade.

Isto necessita ser compreendido pelos formuladores de políticas públicas e pelas organizações sindicais, haja vista o impacto das mudanças sobre a dinâmica e os determinantes da demanda no mercado de trabalho.

Essa questão e o atual quadro fiscal e seu impacto na situação econômica do País serão debatidos no dia 13 de março de 2019, às 18h, no Auditório Sigma do campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo, em evento gratuito ao qual toda a comunidade está convidada.

* Coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista. 

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