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Como surgiu a marchinha de Carnaval?

Animadas canções tiveram auge entre os anos 1920 e 1960 e ainda são lembradas durante as festas atuais


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

03/03/2019 | 07:05


As marchinas de Carnaval eram responsáveis por animar as celebrações do período bem antes de possíveis sucessos de samba, axé, funk ou qualquer ritmo musical que agite as festas na atualidade. Elas surgiram no fim do século XIX, quando estilos tipicamente europeus, casos da polca e da marcha portuguesa, eram utilizados nas trilhas sonoras e contavam com mescla com valsas e cantigas de roda da época. As primeiras canções surgiram acompanhando sonoridade que lembrava as fanfarras militares, o que inspirou o nome de marcha, mas com aspecto mais veloz e com maior alegria.

O primeiro registro ocorreu em 1899, quando a compositora e pianista Chiquinha Gonzaga (1847-1935) escreveu a icônica Ô Abre Alas (Ó abre alas/Que eu quero passar, diz a histórica primeira estrofe). A canção foi desenvolvida para o desfile do cordão carnavalesco Rosa de Ouro, do bairro do Andaraí, onde a artista morava. Detalhe que a música também é considerada a primeira obra encomendada especialmente para o Carnaval.

Entre suas principais características estão as letras simples, repetitivas e divertidas, sendo que algumas composições possuem conteúdo malicioso e com referências a questões políticas e sociais. A popularidade contou com enorme ajuda do rádio, com os foliões se preparando com antecedência para as novas músicas que surgiam, com a cidade do Rio de Janeiro sendo o grande centro da empolgação nacional. Clima festivo à parte, as letras de antigas marchinhas de Carnaval contam com deboche para temas mais sérios, a exemplos de racismo e homofobia.

O auge do gênero ocorreu entre as décadas de 1920 e 1960, com destaque para trabalhos como Cidade Maravilhosa (1935), de André Filho, Mamãe Eu Quero (1937), parceria entre José Luís Rodrigues Calazans e Vicente Paiva, Índio Quer Apito (1960), de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, e Cabeleira do Zezé (1963), assinada por João Roberto Kelly. Apesar de serem de momentos diferentes, se misturavam facilmente nas festas e são lembradas até hoje na mescla de sons da trilha sonora carnavalesca. 

Consulta realizada no livro Almanaque do Carnaval: A História do Carnaval, O Que Ouvir, O Que Ler, Onde Curtir, do escritor e pesquisador de música popular brasileira André Diniz. 



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Como surgiu a marchinha de Carnaval?

Animadas canções tiveram auge entre os anos 1920 e 1960 e ainda são lembradas durante as festas atuais

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

03/03/2019 | 07:05


As marchinas de Carnaval eram responsáveis por animar as celebrações do período bem antes de possíveis sucessos de samba, axé, funk ou qualquer ritmo musical que agite as festas na atualidade. Elas surgiram no fim do século XIX, quando estilos tipicamente europeus, casos da polca e da marcha portuguesa, eram utilizados nas trilhas sonoras e contavam com mescla com valsas e cantigas de roda da época. As primeiras canções surgiram acompanhando sonoridade que lembrava as fanfarras militares, o que inspirou o nome de marcha, mas com aspecto mais veloz e com maior alegria.

O primeiro registro ocorreu em 1899, quando a compositora e pianista Chiquinha Gonzaga (1847-1935) escreveu a icônica Ô Abre Alas (Ó abre alas/Que eu quero passar, diz a histórica primeira estrofe). A canção foi desenvolvida para o desfile do cordão carnavalesco Rosa de Ouro, do bairro do Andaraí, onde a artista morava. Detalhe que a música também é considerada a primeira obra encomendada especialmente para o Carnaval.

Entre suas principais características estão as letras simples, repetitivas e divertidas, sendo que algumas composições possuem conteúdo malicioso e com referências a questões políticas e sociais. A popularidade contou com enorme ajuda do rádio, com os foliões se preparando com antecedência para as novas músicas que surgiam, com a cidade do Rio de Janeiro sendo o grande centro da empolgação nacional. Clima festivo à parte, as letras de antigas marchinhas de Carnaval contam com deboche para temas mais sérios, a exemplos de racismo e homofobia.

O auge do gênero ocorreu entre as décadas de 1920 e 1960, com destaque para trabalhos como Cidade Maravilhosa (1935), de André Filho, Mamãe Eu Quero (1937), parceria entre José Luís Rodrigues Calazans e Vicente Paiva, Índio Quer Apito (1960), de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, e Cabeleira do Zezé (1963), assinada por João Roberto Kelly. Apesar de serem de momentos diferentes, se misturavam facilmente nas festas e são lembradas até hoje na mescla de sons da trilha sonora carnavalesca. 

Consulta realizada no livro Almanaque do Carnaval: A História do Carnaval, O Que Ouvir, O Que Ler, Onde Curtir, do escritor e pesquisador de música popular brasileira André Diniz. 

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