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‘Resgate de pertencimento andreense’

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bia Moço

25/02/2019 | 07:00


Primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Santo André, Ana Carolina Barreto Serra, 39 anos, frisa que o retorno da Feira da Fraternidade, nos dias 27 e 28 de abril, após 24 anos ‘adormecida’ na cidade, trará à população “orgulho do município” porque o evento não só revive memórias de olfato e paladar como também promove encontro entre as pessoas e gerações, além de fazer o bem ao próximo. Nascida, criada e moradora de Santo André, Ana Carolina deixou as profissões de advogada e professora universitária para dedicar seu tempo ao que acredita ser “semente do bem” plantada no município, já que está à frente de projetos sociais.

A administração decidiu retomar a Feira da Fraternidade depois de 24 anos. O que levou a essa decisão e quem fez a sugestão?
Desde a época da campanha temos como foco principal o resgate dos símbolos da cidade. Falamos em resgatar o orgulho de viver aqui, morar aqui e explorar as coisas boas de onde a gente vive. Dentro desses símbolos da cidade, por exemplo, logo que assumimos a gestão, em 2017, o Paulo Henrique (Serra, prefeito de Santo André e marido de Ana Carolina) me passou a missão de assumir o Banco de Alimentos, que foi o primeiro no Brasil. Era uma estrutura que estava fechada, deficitária, e tinha suma importância para auxiliar as entidades assistenciais do município. E a retomada também de símbolos da nossa infância, como o espelho d’água do Paço Municipal. Assim, a Feira da Fraternidade entra nesse contexto de resgate de pertencimento andreense e orgulho por Santo André. Entendo que envolve ainda mais a população, porque envolve a participação de todos, e não somente do poder público.

Bem provável que familiares da senhora e do prefeito foram às feiras de antigamente, assim como amigos. Como eles reagiram à novidade?
Sim. Todos viveram e participaram desse momento antes. Trazer o evento de volta é grande oportunidade, e não só para nossos familiares, mas a gente vem sendo bem recebido por todo mundo quando falamos da Feira da Fraternidade, com apoio da Feasa (Federação das Entidades Assistenciais de Santo André) e de instituições assistenciais. E é interessante que estamos resgatando até mesmo a memória olfativa e de paladar das pessoas, como lembrar do cheiro do favo e de comidas típicas que eram vendidas. Está sendo incrível. Para a gente é muito importante trabalhar nesse resgate.

A feira terá novo formato e, ao que se sabe, mais espaços a serem explorados por entidades. Qual é esse novo formato, quantos são esses espaços e que entidades podem participar?
Costumo dizer que a Feira da Fraternidade sempre terá a mesma essência, o espírito solidário, fraterno, de união de todas as pessoas em prol de ajudar o próximo. Mas acontece que os anos passam, então a modernidade vem e aí a gente acaba trazendo aspectos novos para o evento. Uma delas é a questão dos food trucks, que é o que a gente tem de mais atual, mas sempre remetendo à memória do evento tradicional do passado. Então, para este ano, a essência da Feira da Fraternidade, que seria e exposição dos países, das nações, permanece com as barracas típicas. Mas obviamente com novo formato, agregando novidades. Por ser uma retomada de algo que não acontecia há tanto tempo, preferimos privilegiar apenas um fim de semana, para sentir a adesão. Trouxe o evento para o Paço Municipal, o coração da cidade, próximo do marco zero, e no modelo de food trucks, que os andreenses vêm compreendendo na nossa gestão com essa participação atuante de eventos no Paço. Mas não quisemos fazer tão diferente e fugir daquilo que os munícipes viveram e esperam.

O que as entidades precisam fazer para garantir um espaço? E até quando serão aceitos pedidos para participar?
Qualquer entidade assistencial, que não tenha fins lucrativos, assim como as do terceiro setor, como Lions, Clube Rotary, maçonaria. O que importa é ser entidade com fim de ajudar o próximo. Basta ir na Secretaria de Cidadania e Assistência Social, fazer a inscrição e apresentar os documentos. Infelizmente, tem a parte jurídica que temos de seguir, com regras do chamamento. Tentamos desburocratizar da melhor forma, mas é preciso apresentar documentação da entidade. Se inscreveu, participará do sorteio. Outra coisa bacana é que a entidade que trabalha com determinado público, por exemplo, cultura japonesa, terá o privilégio, obviamente, de cuidar dessa parte.

Fale um pouco do que os moradores que forem à feira irão encontrar. Nas edições anteriores havia comida, bebida e até roupas. E agora?
O edital prevê 70 barracas de comida, que ficariam por conta das entidades, e cerca de dez food trucks de bebidas, e aí pedimos o auxílio e a participação para que possamos preencher todos os pontos disponíveis. Além disso, ainda terá exposições, não só com coisas típicas dos países, mas também com o que o município oferece, como exposição do Banco de Alimentos, de Paranapiacaba, Ouvidoria, Fundo Social de Solidariedade, artesãos, assim como estamos mediando apresentação dos alunos das escolas. A ideia é justamente agregar todo mundo para participar. Mas tudo ainda depende do que vamos ter de adesão. Também entrarão exposição e venda dos produtos feitos pelo Fundo Social de Solidariedade e do Economia Solidária. Tudo aquilo que a Prefeitura oferece para o cidadão vamos expor um pouco.

Quando a senhora anda pela cidade já sente alguma reação da população quanto à volta da feira?
É interessante, porque as pessoas querem participar e ajudar. Esse é o principal motivo da Feira da Fraternidade, e o próprio nome já diz. É o que sentimos neste primeiro momento, até porque é algo muito recente, foi só em janeiro que começamos com esse projeto. E ver a participação e o empenho das pessoas em querer ter barracas no evento, participar como visitante, nos alegra muito. Dá muito orgulho ver como o evento está sendo recebido pela população andreense.

Nas edições anteriores participaram muitos artistas famosos, como Tonico e Tinoco, Maria Alcina, Racionais e Eliana de Lima, entre outros. Nesta volta também terá algum show especial ou a administração dará oportunidade a músicos da cidade e da região?
Neste ano também terá novidade. Apesar de a gente privilegiar a cultura local, pessoas de fora também quiseram participar e se ofereceram para prestigiar o evento, inclusive gratuitamente. Mas agora vamos fazer levantamento desses artistas que se dispuseram e organizar o calendário da melhor forma possível para ter essas apresentações. Mas ainda é surpresa, pois precisamos da confirmação, inclusive por conta de agenda. Vamos ter também dois leilões, um que, na inauguração da Galeria de Arte, o Fundo Social ganhou uma tela, e vamos leiloar para reverter o valor em prol do munícipe e, se tudo der certo, um dos artistas que virão também vai disponibilizar uma peça dele para leilão. Músicos da região também terão espaço, e quem tiver interesse basta entrar em contato com a Secretaria de Cultura, já que cada uma das pastas terá sua agenda.

Também nas edições anteriores a abertura da feira era com um desfile pelas ruas do Centro, com bandinha e palhaços, por exemplo, para chamar a população. Haverá algo assim na volta do evento?
Tudo isso vai depender agora das próximas reuniões que teremos com as entidades para organizar a estrutura da feira. Ainda está muito recente, dá vontade de já arrumar tudo, mas precisamos fechar muita coisa e contat com o apoio de todos. Uma andorinha só não faz verão.

A Feira da Fraternidade fecha as comemorações de aniversário da cidade. A ideia é que passe a fazer parte do calendário oficial de festejos?
Sem dúvida. Aliás, toda ideia que implantamos é de plantar semente. Não importa quando a gente vai deixar de trabalhar pela cidade, o que importa é que a semente fique e que os próximos gestores cuidem. Nós não vamos deixar de morar em Santo André, não vou deixar de criar minha filha na cidade e andar por aqui. E do mesmo jeito que tenho boa memória da minha infância, quero a mesma coisa para minha filha. A ideia é que fique sim para o calendário, e aí basta a vontade dos próximos que forem escolhidos.

Pelo que a gente sabe, a feira começou em 1971 e teve a última edição, de número 18, em 1995. Mas não tinha um mês oficial, tanto que teve edição em maio e outra em novembro, por exemplo. Sem contar que não foi realizada todos os anos.
A Feira da Fraternidade envolve série de questões que não pode perder a sua essência, que é a solidariedade. É o trabalho de diversos atores em um único cenário, onde a fraternidade é a protagonista. Infelizmente, diante do cenário que se vivia há uns anos aqui em Santo André, nem sempre esse tema era o principal mote ou causa. A ação depende do trabalho das entidades, da comunidade, do poder público, então isso tem de ser muito bem conversado, alinhado e gerido. Então, a partir do momento em que você tem vontade de tirar isso do papel, não basta somente ter vontade, e sim o apoio de todos. Nosso maior desafio é trazer novamente esse apoio e envolvimento de todos em prol de único bem, que é o bem ao próximo.

Falando nisso, qual é a expectativa de público nos dois dias do evento? E como a administração está trabalhando para chamar a atenção da população para a feira, e sua importância?
A expectativa é muito grande, e justamente por esse resgate. Tem tudo para ser um grande evento e pretendemos fazer bom trabalho para atender à expectativa também do público, de algo tão importante para o município. Mas ainda é difícil especular público, ainda mais por ser a primeira feira depois de tantos anos sem ter este evento. Não temos dúvida de que será um sucesso, só pelos comentários que a gente ouve. Mas ainda não consigo imaginar como e quantas pessoas terá. Temos nos empenhado de todas as forças, apesar do baixo orçamento, para divulgar o evento. Contamos muito com a colaboração da imprensa e com as redes sociais, que, sem dúvida, são o meio mais fácil e ágil que temos para disseminar uma informação.

Retomar a feira é também fazer um resgate da história cultural e social de Santo André, além de garantir nova opção de lazer e integração entre os moradores?
Sim, sem dúvida. O município fez a parte dele. Vamos reavivar a Feira da Fraternidade de acordo com nossas possibilidades, e esperamos proporcionar esse encontro, resgate e envolvimento. Esse evento remete a sensações, todo mundo tem alguma lembrança, não só da comida, mas também da brincadeira, dos encontros, porque também é um ponto de integração entre os munícipes, não deixa de ser. Santo André tem característica e jeito de cidade grande, que é, mas ainda preserva aquela questão de que todo mundo se conhece, isso não se perdeu, então é uma das coisas que a Feira da Fraternidade promovia e vamos resgatar. 

Raio X

Nome: Ana Carolina Barreto Serra

Estado civil: Casada

Idade: 39 anos

Formação: Direito

Local de nascimento: Santo André

Hobby: Música

Local predileto: Minha casa

Livro que recomenda: Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach

Artista que marcou sua vida: Louis Armstrong

Profissão: Advogada, professora universitária e atualmente primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade

Onde trabalha: Prefeitura de Santo André



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