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A administração e a fuga dos empregos


Cíntia Bortotto

25/02/2019 | 07:26


Na terça-feira, quando do anúncio de que a mais antiga fábrica em operação da Ford no Brasil encerraria suas atividades em São Bernardo, fiz a pergunta que muitos devem ter feito: por quê? Uma região como o Grande ABC, que é sim representada pela indústria automobilística e que por anos formou profissionais por meio de cursos técnicos profissionalizantes para funções das fábricas e prosperou, como chegou onde estamos?

Algumas respostas rápidas passam pelos pensamentos:

1 – Será que as montadoras não se reinventaram?
Viram a transformação digital acontecendo e não acompanharam a velocidade das mudanças? Pode ser. Principalmente quando pensamos em um setor que foi recorrentemente socorrido pelo governo.

2 – Será que o famigerado custo Brasil inviabiliza negócios como este? Mas, se isso é verdade, por que outros negócios de caminhões não estão deixando o Brasil?

3 – Será que a atuação do sindicato interfere na decisão da empresa em deixar ambiente em que se sente mais hostilizada?

O fato é que, independentemente de se houve problema na administração privada ou pública, ou até mesmo nas duas, as consequências sociais são avassaladoras. São 2.800 empregos diretos e calcula-se que os indiretos podem chegar a 30 mil. O desemprego de boa parte desses 30 mil pode trazer ainda mais informalidade e, infelizmente, todos os fenômenos sociais que vêm junto do empobrecimento da população.

As perguntas agora, na minha opinião, são duas: o que fazer para mitigar, tentar diminuir esse impacto? O governador João Doria já veio a público dizer que está procurando compradores para a fábrica. Não é simples. O que fazer para capacitar as pessoas em atividades e funções que realmente importam para a economia digital? Para responder a esta pergunta, estamos evidentemente atrasados. Força-tarefa deverá ser feita, mas não espero milagres. Continuo acreditando que é com educação e trabalho árduo e inteligente que podemos mudar e nos antecipar às problemáticas que nos são apresentadas. Entendo que falhamos nessas duas empreitadas, não capacitamos no que deveríamos ter de novas habilidades e as administrações não trabalharam, na minha opinião, tão duro quanto poderiam. Mesmo com mudanças de mercado, o trabalho duro e inteligente nos dá a oportunidade de mudar de rumo antes que seja tarde demais. Que essas famílias possam se reinventar mais rapidamente e com mais inteligência do que os que não o fizeram.
 



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A administração e a fuga dos empregos

Cíntia Bortotto

25/02/2019 | 07:26


Na terça-feira, quando do anúncio de que a mais antiga fábrica em operação da Ford no Brasil encerraria suas atividades em São Bernardo, fiz a pergunta que muitos devem ter feito: por quê? Uma região como o Grande ABC, que é sim representada pela indústria automobilística e que por anos formou profissionais por meio de cursos técnicos profissionalizantes para funções das fábricas e prosperou, como chegou onde estamos?

Algumas respostas rápidas passam pelos pensamentos:

1 – Será que as montadoras não se reinventaram?
Viram a transformação digital acontecendo e não acompanharam a velocidade das mudanças? Pode ser. Principalmente quando pensamos em um setor que foi recorrentemente socorrido pelo governo.

2 – Será que o famigerado custo Brasil inviabiliza negócios como este? Mas, se isso é verdade, por que outros negócios de caminhões não estão deixando o Brasil?

3 – Será que a atuação do sindicato interfere na decisão da empresa em deixar ambiente em que se sente mais hostilizada?

O fato é que, independentemente de se houve problema na administração privada ou pública, ou até mesmo nas duas, as consequências sociais são avassaladoras. São 2.800 empregos diretos e calcula-se que os indiretos podem chegar a 30 mil. O desemprego de boa parte desses 30 mil pode trazer ainda mais informalidade e, infelizmente, todos os fenômenos sociais que vêm junto do empobrecimento da população.

As perguntas agora, na minha opinião, são duas: o que fazer para mitigar, tentar diminuir esse impacto? O governador João Doria já veio a público dizer que está procurando compradores para a fábrica. Não é simples. O que fazer para capacitar as pessoas em atividades e funções que realmente importam para a economia digital? Para responder a esta pergunta, estamos evidentemente atrasados. Força-tarefa deverá ser feita, mas não espero milagres. Continuo acreditando que é com educação e trabalho árduo e inteligente que podemos mudar e nos antecipar às problemáticas que nos são apresentadas. Entendo que falhamos nessas duas empreitadas, não capacitamos no que deveríamos ter de novas habilidades e as administrações não trabalharam, na minha opinião, tão duro quanto poderiam. Mesmo com mudanças de mercado, o trabalho duro e inteligente nos dá a oportunidade de mudar de rumo antes que seja tarde demais. Que essas famílias possam se reinventar mais rapidamente e com mais inteligência do que os que não o fizeram.
 

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