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Navegar é preciso


Rodolfo de Souza

21/02/2019 | 07:00


Não tem muito tempo, eu escrevi, aqui neste espaço, qualquer coisa que falava de jovens que deixam o País para se aventurar em terras estrangeiras, em busca da felicidade. Dizia, na ocasião, que, em número cada vez maior, eles partem com a cara e com a coragem para desbravar novos horizontes, perseguindo um crescimento, sobre o qual talvez nem tenham pensado com a devida seriedade.

De forma alguma os censuro pela iniciativa, uma vez que isso aqui vai de mal a pior, fadado mesmo a desabar sobre nossas cabeças. O único problema, contudo, é a dor no peito de quem fica, gente ansiosa por alguma notícia boa daquele que viajou e procura se familiarizar com ambiente totalmente estranho aos seus costumes. A distância da família é também inconveniente que tenta sabotar os sonhos de quem lá está e chora a ausência dos seus. Estou certo de que aquele ensejo de arrumar as coisas e pegar o primeiro voo para casa, volta e meia, bate no peito e tenta convencê-lo a desistir.

Entretanto, ele sabe que deve tocar em frente o barco, ciente de que as oportunidades surgem e nos escapam pelos vãos dos dedos se não forem agarradas com firmeza. E o arrependimento amanhã, por certo que será companhia nas horas mais complicadas.

Outro fator que sem dúvida favorece a empreitada é a disposição juvenil, o espírito aventureiro e sonhador, cheio de garra, que pode até conduzir o viajante ao sucesso.

E eu passei muito tempo ouvindo a respeito, discutindo e pensando no absurdo que é ver a pessoa deixar sua terra natal justamente por saber que dela não há o que esperar a não ser um desânimo que faz morada lá no fundo da alma, levando à dura constatação de que nada mais resta a não ser a morte. E tudo isso vagava pela minha mente inquieta que procurava encorajar uns e outros, propensos a voos mais altos, quando a experiência tocou à minha porta. É! Alguém do seio da família, pessoa amada, se preparou e se preparou até que chegasse o momento de partir rumo à conquista do sonho. Fazer o quê? Pedir aos céus que caminhe na direção certa é o que nos compete no momento.

Ainda que vivamos em época de tecnologia avançada que nos permite trocar mensagens a todo instante, ver e ouvir a pessoa que se encontra a milhares de quilômetros do lar, as lágrimas são inevitáveis, e a vontade de estar junto dela para levá-la à escola, para cozinhar sua comidinha predileta, para desfrutar de sua conversa rica e agradável... Mas ela está longe. Quem sabe, construindo um novo lar, se apropriando de outra cultura, de outro idioma que amanhã lhe será tão familiar quanto este em que redijo estas palavras.

Entusiasma quando, fazendo uso da internet, que também é instrumento de falar e ver à distância, vislumbro a possibilidade de uma vida bem melhor em lugar onde ainda há justiça, igualdade social e um bocadinho de esperança.
 



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Rodolfo de Souza

21/02/2019 | 07:00


Não tem muito tempo, eu escrevi, aqui neste espaço, qualquer coisa que falava de jovens que deixam o País para se aventurar em terras estrangeiras, em busca da felicidade. Dizia, na ocasião, que, em número cada vez maior, eles partem com a cara e com a coragem para desbravar novos horizontes, perseguindo um crescimento, sobre o qual talvez nem tenham pensado com a devida seriedade.

De forma alguma os censuro pela iniciativa, uma vez que isso aqui vai de mal a pior, fadado mesmo a desabar sobre nossas cabeças. O único problema, contudo, é a dor no peito de quem fica, gente ansiosa por alguma notícia boa daquele que viajou e procura se familiarizar com ambiente totalmente estranho aos seus costumes. A distância da família é também inconveniente que tenta sabotar os sonhos de quem lá está e chora a ausência dos seus. Estou certo de que aquele ensejo de arrumar as coisas e pegar o primeiro voo para casa, volta e meia, bate no peito e tenta convencê-lo a desistir.

Entretanto, ele sabe que deve tocar em frente o barco, ciente de que as oportunidades surgem e nos escapam pelos vãos dos dedos se não forem agarradas com firmeza. E o arrependimento amanhã, por certo que será companhia nas horas mais complicadas.

Outro fator que sem dúvida favorece a empreitada é a disposição juvenil, o espírito aventureiro e sonhador, cheio de garra, que pode até conduzir o viajante ao sucesso.

E eu passei muito tempo ouvindo a respeito, discutindo e pensando no absurdo que é ver a pessoa deixar sua terra natal justamente por saber que dela não há o que esperar a não ser um desânimo que faz morada lá no fundo da alma, levando à dura constatação de que nada mais resta a não ser a morte. E tudo isso vagava pela minha mente inquieta que procurava encorajar uns e outros, propensos a voos mais altos, quando a experiência tocou à minha porta. É! Alguém do seio da família, pessoa amada, se preparou e se preparou até que chegasse o momento de partir rumo à conquista do sonho. Fazer o quê? Pedir aos céus que caminhe na direção certa é o que nos compete no momento.

Ainda que vivamos em época de tecnologia avançada que nos permite trocar mensagens a todo instante, ver e ouvir a pessoa que se encontra a milhares de quilômetros do lar, as lágrimas são inevitáveis, e a vontade de estar junto dela para levá-la à escola, para cozinhar sua comidinha predileta, para desfrutar de sua conversa rica e agradável... Mas ela está longe. Quem sabe, construindo um novo lar, se apropriando de outra cultura, de outro idioma que amanhã lhe será tão familiar quanto este em que redijo estas palavras.

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