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Alerta de risco foi emitido 2 horas antes de tragédias em Mauá

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Documento com pontos vulneráveis para deslizamentos foi encaminhado às 17h31 à Defesa Civil nacional


Daniel Macário
Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

20/02/2019 | 07:00


 O alto risco de deslizamentos de terra devido às chuvas que atingiram Mauá no sábado foi alvo de alerta emitido pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) – órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – às 17h31 daquele dia, quase duas horas antes das ocorrências que vitimaram fatalmente quatro crianças no Jardim Zaíra, área carente da cidade. O documento, encaminhado via e-mail à Defesa Civil Nacional, responsável por disseminar a informação ao Estado e município, indica, ainda, de forma detalhada, os pontos com maior probabilidade de “desastres com impacto potencial para a população”.

Constam entre as áreas com risco alto de deslizamento no mapeamento do Cemaden Macuco/Chafick, Zaíra 4, Zaíra 6, Jardim Rosina, Jardim Oratório, Vila Magini, Morro dos Carecas/Jardim Itapark e favela do Jardim Mauá. O detalhamento aponta ainda Jardim Miranda, Alto da Boa Vista, Santa Rosa, Éden, Jardim Colombo, Parque Bandeirantes, Bela Vista e Chácara Maria Aparecida com potencial médio para escorregamentos de terra.

Os deslizamentos que culminaram na morte de Guilherme dos Santos Vitória, 4 anos, José Henrique Santos da Vitória, 7, Maria Heloísa dos Santos, 1, e Miguel dos Santos, 9, foram registrados por volta das 19h30 nos jardins Zaíra 4 e 6.

Conforme o comunicado, os acumulados de precipitação naquele momento eram de 115 milímetros em 96 horas. A Defesa Civil considera preocupante para deslizamentos 80 milímetros de chuva em três dias. “Recomendam-se as ações previstas no plano de contingência municipal, tais como verificação in loco nas áreas de risco, acionamento dos órgãos de apoio, preparação de abrigos e rotas de fuga”, destaca o alerta (confira no fac-símile ao lado).

Procuradas para detalhar o procedimento adotado após a emissão do alerta, defesas civis nacional e municipal não se pronunciaram até o fechamento desta edição. A equipe do Diário tentou contato, também, com o secretário de Segurança Pública e Defesa Civil de Mauá na data das tragédias, Paulo Bartashar, sem sucesso.

Conforme a capitã da Polícia Militar Aline Betânia Signorelli, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, foram emitidos alertas (via e-mail, SMS, e Twitter), durante o sábado, tanto para a população quanto para as coordenadorias das defesas civis das cidades afetadas.

O Cemaden tem oito pluviômetros automáticos em Mauá, no entanto, não pode repassar as informações sobre o monitoramento realizado diretamente às prefeituras. Conforme o diretor do órgão, Osvaldo Luiz Leal de Moraes, existe a obrigação de seguir protocolo de 2011 que determina o envio dos alertas à Defesa Civil Nacional.

Em 2015, o centro de monitoramento chegou a instalar ETR (Estação Total Robotizada) no Jardim Zaíra, instrumento capaz de detectar o movimento da encosta, no entanto, devido à falta de verba para manutenção, os equipamentos foram retirados em 2016.

INVESTIGAÇÃO

Ao ser informado pelo Diário sobre a emissão do alerta de risco no sábado, o delegado José Geraldo Santos de Lima, titular do 4º DP (Zaíra), responsável por investigar as ocorrências, disse que, se comprovada omissão da administração na remoção de famílias, responsáveis deverão ser penalizados. “ Caso comprovada essa informação, faremos a convocação das pessoas que deveriam ter feito o aviso e dar sequência ao inquérito.”

 

Moradores promovem venda de moradias irregulares no Jd.Zaíra

Palco de tragédia que vitimou fatalmente quatro crianças durante deslizamento de terra no sábado, o Jardim Zaíra, em Mauá, tem visto o mercado ilegal de venda de moradias irregulares, localizadas em lotes invadidos, crescer nos últimos dias.

Insatisfeitos com a falta de estrutura do assentamento precário, assim como dos riscos oferecidos pela área, moradores têm comercializado seus barracos, com preços que chegam a R$ 100 mil, sem qualquer documento que comprove a titularidade dos lotes.

Sem fiscalização por parte da Prefeitura de Mauá, responsável por monitorar e controlar o crescimento de invasões na cidade, pelo menos quatro imóveis irregulares, além de um lote, estão à venda na Rua Ane Altomar, endereço de uma das residências que desabaram, vitimando fatalmente os irmãos Maria Heloísa dos Santos, 1 ano, e Miguel dos Santos, 9.

“Moro aqui há nove anos, mas depois dessa tragédia ficou insustentável ficar aqui. Meu objetivo é vender a casa que ergui para viver em paz longe daqui”, desabafou a aposentada Cleunice Souza da Cruz, 71, cujo imóvel está à venda desde a semana passada ao custo de R$ 100 mil. A residência, de quase 120 m², possui três quartos, sendo uma suíte, além de duas salas, cozinha e varanda.

Há três meses no bairro, a dona de casa Rejane Farias, 38, é outra que anseia sair do Jardim Zaíra. Depois de deixar Recife, sua cidade natal, em busca de oportunidades na região, ela diz temer a falta de estrutura do bairro. Na tentativa de obter recursos para começar uma nova vida, ela colocou sua casa à venda pelo valor de R$ 55 mil, mesma quantia paga por ela pelo imóvel no ano passado. “Não temos nem água direito aqui. Quem dirá segurança”, afirmou.

Construídas de forma irregular à beira de encostas após corte da vegetação nativa, muitas das casas do bairro têm enfrentado desde sexta-feira falta de água. Problema este que, segundo moradores, é recorrente. De acordo com a Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) o abastecimento no local já foi normalizado. A autarquia justificou o fluxo de água, que foi interrompido pelo período de 48 horas para evitar quaisquer outros acontecimentos indesejados, além de possíveis rompimentos da adutora que abastece a Rua Ane Altomar, onde ocorreu o incidente.

Em setembro do ano passado, reportagem publicada pelo Diário denunciou o crescimento do mercado de venda de imóveis irregulares em assentamentos precários da região. Na época, sem qualquer tipo de documentação que garantia a propriedade do lote, barracos eram negociados com facilidade pela internet e nos próprios terrenos invadidos.

Procurada para comentar o assunto, a Prefeitura de Mauá não se manifestou até o fechamento desta edição.



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