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Grande ABC atrai investimentos de telecom
Alexandre Melo e Paula Cabrera
25/01/2011 | 07:12
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Neste ano os 2,6 milhões de habitantes do Grande ABC vão ter à disposição maior oferta de serviços do setor de telecomunicações, que promete ampliar os investimentos principalmente em telefonia fixa e banda larga.

O potencial de exploração desses nichos é grande, visto que grande parte das cidades, como Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, não têm acesso à internet rápida devido à difícil topografia. No Jardim Rosina, distante 1,5 quilômetro do Centro de Mauá, a qualidade do sinal da banda larga não é boa.

A dificuldade para conseguir o serviço de internet rápida incomoda o analista de rede Alexandre Souza, que solicitou três vezes o serviço para sua residência e não conseguiu retorno. "Tentei vários serviços e até banda larga móvel. A qualidade do serviço ficou a desejar em todas", afirma ele, que precisa do acesso rápido à internet para trabalhar.

De olho neste potencial, a GVT - líder de oferta de serviços nas regiões Sul e Centro-Oeste - desembarca neste mês no Grande ABC. Menos tímida para revelar investimentos que as concorrentes, a companhia desembolsará R$ 80 milhões para instalar rede capaz de atender 80 mil acessos em Santo André e São Bernardo.

Para abocanhar esta fatia de mercado, o vice-presidente da empresa, Alcides Troller, aposta na excelência do serviço. "O diferencial em relação aos outros é que nossos técnicos só saem da casa do cliente depois que a internet e o telefone estiverem funcionando", garante.

A operadora selecionará 600 profissionais para diversas áreas, para compor o quadro de funcionários. Em território andreense serão aplicados R$ 34 milhões para atender 43 bairros, enquanto em São Bernardo serão gastos R$ 45 milhões na cobertura inicial de 15 bairros.

"Santo André e São Bernardo são estratégicos para a atuação da GVT na região da Grande São Paulo", diz o vice-presidente de marketing e vendas, Alcides Troller Pinto. A velocidade oferecida em banda larga ficará entre 5 Mbps e 100 Mbps.

A Telefônica também promete alavancar os investimentos no Grande ABC durante este ano. Até março serão instalados mais 4.800 acessos do Speedy em Santo André (Clube Anchieta, Homero Thon, Parque Oratório e Vila Pires) e São Bernardo (Assunção, Castelo Branco, Ferrazópolis e Planalto). Será expandida a rede de fibra ótica para mais 70 mil domicílios nas três maiores cidades da região.

Por sua vez, a Embratel afirma por meio de nota que acredita no potencial do Grande ABC, por isso continuará investindo para ampliar, cada vez mais, sua participação.

Na opinião do presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicação, Eduardo Tude, a chegada da GVT à região metropolitana de São Paulo deverá acirrar a concorrência no setor.

"A GVT é conhecida pelos serviços de qualidade que presta, principalmente em relação à velocidade de banda larga para os clientes residenciais. Tanto a empresa como a NET estão conquistando muitos clientes com a portabilidade numérica", afirma.

De acordo com o diretor de operações da regional São Paulo, Hamilton Silva, a região é a segunda maior para a empresa em negócios no Estado de São Paulo, atrás da Capital. "Sabemos da movimentação dos concorrentes e julgamos ser possível crescer nas áreas que atuamos: telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura."

Sem revelar valores, Silva acrescenta que a região receberá mais investimentos, como na redundância da rede, para evitar quedas de sinal durante as chuvas. Presente em cinco cidades, a empresa diz ter interesse de atuar em Ribeirão, mas precisa de atutorização do Ministério das Comunicações para isso.

Portabilidade numérica acirra disputa no setor

Mesmo com o número de celulares chegando aos 200 milhões, a telefonia fixa segue como mercado forte no Grande ABC e no País. A portabilidade numérica, válida desde 2009 para celulares e números residenciais, permitiu que o mercado ficasse mais acirrado.

Para o presidente da Teleco, Eduardo Tude, empresas como NET Serviços e GVT podem ganhar bastante mercado com a portabilidade. Esta é justamente uma das principais apostas da novata GVT.

"O cliente que tem um número há 20 anos e não gosta do atendimento da operadora, pode levá-lo agora para outra empresa. Miramos essa migração ao entrarmos na região", dispara o vice-presidente Alcides Troller.

Até o terceiro trimestre de 2010, a NET contabilizou avanço de 20% na base de cliente em telefonia frente ao ano anterior, com 3 milhões de linhas. O diretor de operações da regional São Paulo, Hamilton Silva, diz que parte disso é atribuída à portabilidade. (AM/PC)




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