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Número de mortes por afogamento em 2019 é maior do que ano passado

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Foram cinco óbitos em pouco mais de um mês, contra três casos nos 12 meses de 2018 na região


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

11/02/2019 | 07:00


 Balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros mostra que o número de afogamentos registrados neste ano no Grande ABC, em pouco mais de um mês, já superou o total de óbitos de 2018. Impulsionado pelo calor atípico do verão, que teve o segundo janeiro mais quente desde 1943, além da imprudência de banhistas, cinco pessoas perderam a vida nas primeiras semanas de 2019 em represas e lagos da região. No decorrer do ano passado, foram três mortes. No primeiro fim de semana deste mês, o Corpo de Bombeiros registrou três mortes em decorrência de afogamento, sendo duas na Represa Billings, em São Bernardo, e uma no Parque do Pedroso, em Santo André. Outro óbito foi registrado em janeiro, também na Billings. A quinta morte ocorreu ontem, em São Bernardo (leia mais abaixo).

As vítimas são, em sua maioria, homens na faixa etária entre 16 e 35 anos. Segundo a corporação, a imprudência de banhistas durante o verão é a principal causa. “É um público que, na maioria dos casos, desrespeita os limites para banho, mesmo com avisos, em períodos de forte calor”, pontua o primeiro- tenente André Tonon, alocado no 8º Grupamento de Bombeiros, que é responsável pelas sete cidades.

Segundo o porta-voz, além de ações irresponsáveis de moradores, a ausência de fiscalização em áreas periféricas banhadas por lagos e represas também tem sido fator desencadeador para o crescimento de vítimas de afogamento. Na região, apenas a Prainha do Riacho Grande e o Parque Estoril, ambos em São Bernardo, contam atualmente com salva-vidas para fazer a prevenção de banhistas durante o verão. “Nas áreas afastadas, a competência é da prefeitura”, afirma.

A estrutura de antigo clube às margens da Represa Billings, em São Bernardo, abandonado há pelo menos uma década, é um destes locais onde moradores se aventuram sem qualquer proteção. Do primeiro andar do prédio desativado, a pelo menos seis metros de altura, jovens e adultos se jogam em um dos braços da Billings. “Aqui é um paraíso a céu aberto. No fim de semana trazemos o colchão e fazemos a festa”, conta a analista de sistema Aline Alencar, 24 anos.

Em dias de calor, o local, situado a menos de um quilômetro da Prainha do Riacho Grande, chega a reunir cerca de 30 pessoas. “É uma forma de aproveitar o verão sem gastar muito”, explica o autônomo Gabriel Pascon, 26, que sabe dos riscos que a área oferece. “É um lugar perigoso, mas se ficar na beira no rio não dá nada." A afirmação do banhista, segundo o salva-vidas Maurício da Silva Pessoa, 21, preocupa. “As pessoas não sabem o quanto a Billings pode ser fatal se não houver respeito aos limites”, afirma.

Em São Bernardo, vítima participava de pescaria
Por Aline Melo

O pintor Edmilson Luiz Fonseca, 54 anos, morreu afogado na tarde de ontem, na Represa Billings, no bairro Batistini, em São Bernardo. Fonseca foi ao local na companhia de dois amigos para pescar e se tornou a quinta vítima por afogamento neste ano no Grande ABC. O local onde as pessoas estavam é de difícil acesso e, para chegar até lá, todos entraram pelo número 1.271 da Rua Cotegipe. A vítima era solteira e não tinha filhos.

Segundo parentes, o homem não possuía o hábito de pescar há, pelo menos, 20 anos e era a primeira vez que ia ao local do acidente. “Tinha muito tempo que ele não frequentava represas”, afirmou o irmão, Emilson Simonal Fonseca, 49, pedreiro.

Testemunhas afirmaram que o pintor aparentava estar alcoolizado e ignorou avisos de que seria perigoso entrar na água. Quando Fonseca começou a se afogar, o auxiliar de manutenção Silvio Gondo, 52, tentou socorrê-lo, mas não houve tempo. Os bombeiros encontraram o corpo após duas horas de buscas, em um ponto da represa com cerca de sete metros de profundidade. O caso foi registrado no 3º DP (Distrito Policial) de São Bernardo.

Bombeiros dão dicas de proteção
Diante do alto índice de afogamentos durante as férias de verão, o Corpo de Bombeiros alerta para cuidados básicos de prevenção enquanto a população aproveita lagos e represas para banho.

De acordo com o primeiro-tenente André Tonon, alocado no 8º Grupamento de Bombeiros, a principal orientação a ser seguida é respeitar o limite da água na altura da cintura durante o nado nestas áreas. “Trata-se de uma forma de você se prevenir de possíveis buracos que existem nestas regiões”, explica.

No caso de crianças até 12 anos, a recomendação é que pais e responsáveis sempre acompanhem os menores durante o mergulho. Mesma orientação dada para aqueles que não sabem nadar. “É importante ter alguém do lado”, observa Tonon.

O consumo de álcool antes e durante a diversão em lagos e represas é proibido pela corporação. Segundo o salva-vidas Maurício da Silva Pessoa, a maioria dos casos onde há desrespeito aos limites ocorre em situações de banhistas alcoolizados. “Muitas vezes não conseguimos controlar situações como essas, por isso é importante a atenção de amigos e parentes que façam esses alertas.”

Na quinta-feira da semana passada, durante visita à Prainha do Riacho Grande, em São Bernardo, a equipe do Diário flagrou dois homens com latinhas de cerveja na beira da Represa Billings. Ao tentar conversar com os banhistas, eles se recusaram a conceder entrevista. O salva-vidas presente no momento fez orientação sobre a proibição e os homens saíram da água.

Banhistas se arriscam em áreas com água imprópria
Sem opções de lazer, moradores do Grande ABC têm se arriscado, principalmente em dias de forte calor, em áreas com água imprópria para banho. É o caso da Prainha do Riacho Grande, que, embora nesta semana esteja com qualidade dentro do padrão estabelecido como próprio pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), passou boa parte dos últimos meses contaminada com a bactéria Escherichia coli, abundante em fezes humanas e de animais e que, geralmente, é encontrada em esgoto, efluentes, águas naturais e solos que tenham recebido contaminação fecal. “São locais onde há despejo de esgoto e que podem trazer risco à saúde”, afirma o primeiro-tenente André Tonon, do Corpo de Bombeiros.

Gabriel da Silva, 15 anos, sentiu na pele, no último mês, o efeito de nadar em águas impróprias. “Peguei virose que me derrubou por uma semana, mas sigo aqui (no Riacho), por falta de opções de lazer.”



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Número de mortes por afogamento em 2019 é maior do que ano passado

Foram cinco óbitos em pouco mais de um mês, contra três casos nos 12 meses de 2018 na região

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

11/02/2019 | 07:00


 Balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros mostra que o número de afogamentos registrados neste ano no Grande ABC, em pouco mais de um mês, já superou o total de óbitos de 2018. Impulsionado pelo calor atípico do verão, que teve o segundo janeiro mais quente desde 1943, além da imprudência de banhistas, cinco pessoas perderam a vida nas primeiras semanas de 2019 em represas e lagos da região. No decorrer do ano passado, foram três mortes. No primeiro fim de semana deste mês, o Corpo de Bombeiros registrou três mortes em decorrência de afogamento, sendo duas na Represa Billings, em São Bernardo, e uma no Parque do Pedroso, em Santo André. Outro óbito foi registrado em janeiro, também na Billings. A quinta morte ocorreu ontem, em São Bernardo (leia mais abaixo).

As vítimas são, em sua maioria, homens na faixa etária entre 16 e 35 anos. Segundo a corporação, a imprudência de banhistas durante o verão é a principal causa. “É um público que, na maioria dos casos, desrespeita os limites para banho, mesmo com avisos, em períodos de forte calor”, pontua o primeiro- tenente André Tonon, alocado no 8º Grupamento de Bombeiros, que é responsável pelas sete cidades.

Segundo o porta-voz, além de ações irresponsáveis de moradores, a ausência de fiscalização em áreas periféricas banhadas por lagos e represas também tem sido fator desencadeador para o crescimento de vítimas de afogamento. Na região, apenas a Prainha do Riacho Grande e o Parque Estoril, ambos em São Bernardo, contam atualmente com salva-vidas para fazer a prevenção de banhistas durante o verão. “Nas áreas afastadas, a competência é da prefeitura”, afirma.

A estrutura de antigo clube às margens da Represa Billings, em São Bernardo, abandonado há pelo menos uma década, é um destes locais onde moradores se aventuram sem qualquer proteção. Do primeiro andar do prédio desativado, a pelo menos seis metros de altura, jovens e adultos se jogam em um dos braços da Billings. “Aqui é um paraíso a céu aberto. No fim de semana trazemos o colchão e fazemos a festa”, conta a analista de sistema Aline Alencar, 24 anos.

Em dias de calor, o local, situado a menos de um quilômetro da Prainha do Riacho Grande, chega a reunir cerca de 30 pessoas. “É uma forma de aproveitar o verão sem gastar muito”, explica o autônomo Gabriel Pascon, 26, que sabe dos riscos que a área oferece. “É um lugar perigoso, mas se ficar na beira no rio não dá nada." A afirmação do banhista, segundo o salva-vidas Maurício da Silva Pessoa, 21, preocupa. “As pessoas não sabem o quanto a Billings pode ser fatal se não houver respeito aos limites”, afirma.

Em São Bernardo, vítima participava de pescaria
Por Aline Melo

O pintor Edmilson Luiz Fonseca, 54 anos, morreu afogado na tarde de ontem, na Represa Billings, no bairro Batistini, em São Bernardo. Fonseca foi ao local na companhia de dois amigos para pescar e se tornou a quinta vítima por afogamento neste ano no Grande ABC. O local onde as pessoas estavam é de difícil acesso e, para chegar até lá, todos entraram pelo número 1.271 da Rua Cotegipe. A vítima era solteira e não tinha filhos.

Segundo parentes, o homem não possuía o hábito de pescar há, pelo menos, 20 anos e era a primeira vez que ia ao local do acidente. “Tinha muito tempo que ele não frequentava represas”, afirmou o irmão, Emilson Simonal Fonseca, 49, pedreiro.

Testemunhas afirmaram que o pintor aparentava estar alcoolizado e ignorou avisos de que seria perigoso entrar na água. Quando Fonseca começou a se afogar, o auxiliar de manutenção Silvio Gondo, 52, tentou socorrê-lo, mas não houve tempo. Os bombeiros encontraram o corpo após duas horas de buscas, em um ponto da represa com cerca de sete metros de profundidade. O caso foi registrado no 3º DP (Distrito Policial) de São Bernardo.

Bombeiros dão dicas de proteção
Diante do alto índice de afogamentos durante as férias de verão, o Corpo de Bombeiros alerta para cuidados básicos de prevenção enquanto a população aproveita lagos e represas para banho.

De acordo com o primeiro-tenente André Tonon, alocado no 8º Grupamento de Bombeiros, a principal orientação a ser seguida é respeitar o limite da água na altura da cintura durante o nado nestas áreas. “Trata-se de uma forma de você se prevenir de possíveis buracos que existem nestas regiões”, explica.

No caso de crianças até 12 anos, a recomendação é que pais e responsáveis sempre acompanhem os menores durante o mergulho. Mesma orientação dada para aqueles que não sabem nadar. “É importante ter alguém do lado”, observa Tonon.

O consumo de álcool antes e durante a diversão em lagos e represas é proibido pela corporação. Segundo o salva-vidas Maurício da Silva Pessoa, a maioria dos casos onde há desrespeito aos limites ocorre em situações de banhistas alcoolizados. “Muitas vezes não conseguimos controlar situações como essas, por isso é importante a atenção de amigos e parentes que façam esses alertas.”

Na quinta-feira da semana passada, durante visita à Prainha do Riacho Grande, em São Bernardo, a equipe do Diário flagrou dois homens com latinhas de cerveja na beira da Represa Billings. Ao tentar conversar com os banhistas, eles se recusaram a conceder entrevista. O salva-vidas presente no momento fez orientação sobre a proibição e os homens saíram da água.

Banhistas se arriscam em áreas com água imprópria
Sem opções de lazer, moradores do Grande ABC têm se arriscado, principalmente em dias de forte calor, em áreas com água imprópria para banho. É o caso da Prainha do Riacho Grande, que, embora nesta semana esteja com qualidade dentro do padrão estabelecido como próprio pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), passou boa parte dos últimos meses contaminada com a bactéria Escherichia coli, abundante em fezes humanas e de animais e que, geralmente, é encontrada em esgoto, efluentes, águas naturais e solos que tenham recebido contaminação fecal. “São locais onde há despejo de esgoto e que podem trazer risco à saúde”, afirma o primeiro-tenente André Tonon, do Corpo de Bombeiros.

Gabriel da Silva, 15 anos, sentiu na pele, no último mês, o efeito de nadar em águas impróprias. “Peguei virose que me derrubou por uma semana, mas sigo aqui (no Riacho), por falta de opções de lazer.”

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