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Sarau da Consciência. em Santo André, preza pela troca de experiências e pela vida


Vinícius Castelli

11/02/2019 | 07:00


Da urgência de se ter um espaço para cultivar as raízes, relações, e onde o público possa se expressar livremente, além de encontrar conforto nas palavras das pessoas, nasceu o Sarau da Consciência, em março de 2016.

O evento tem como endereço a Concha Acústica da Praça do Carmo, no Centro de Santo André. Lá, todas as terças-feiras, a partir das 20h15, cerca de 200 – às vezes 400 – pessoas reservam parte de seus tempos para trocar experiências e absorverem arte. “É um resgate de rituais mesmo. Nos reunimos para celebrar a vida por meio da arte. No mais, a principal proposta desse movimento, dessa energia, é a partilha”, explica Pedro José  B. dos Santos, 23 anos e idealizador do evento, que também é organizado por Marianne Santana.

Conhecido como Pedro Simples, ele conta que o evento é realizado de forma independente. “A gente costuma chegar mais cedo e limpar todo o espaço, se necessário. Desde às 18h já tem gente na Concha à espera do sarau. Damos início às atividades, abrindo o espaço para todo mundo se expressar, sem distinção de nada. Aqui, os moradores de rua são realmente escutados”, afirma.

O evento oferece um espaço aberto para quem quiser, livre de amarras. Segundo o organizador, naquele momento, todas as pessoas são artistas e podem se apresentar, “com o devido respeito aos demais”, frisa. Seja por meio de uma canção, da apresentação de uma dança, um quadro. Valem ainda uma vivencia de rua, desabafo, segundo ele. “Toda forma de expressão que vem do coração, chamamos de arte”, explica.

Mas o Sarau da Consciência vai além. Pedro Simples conta um caso especial. Em um período, um morador de rua passou a aparecer no evento sem entender o que acontecia ali. “Ele vinha até nós e falava: ‘Olha, eu estou há uma semana sem usar crack, desde o sarau passado, só para poder vir falar aqui com vocês, sóbrio’”, diz Pedro Simples, que clama por ajuda do poder público. “Já está na hora de tomarmos providências (sobre o descaso com os dependentes químicos).”

Janielly de Sousa Martins Fernandes é uma das que frequentam o sarau. “Gosto muito das vibrações, para mim, é muito mais que um evento. É o momento em que renovo minhas energias, ensino, aprendo e presencio momentos inesquecíveis”, diz. Ela acredita ter se tornado uma pessoa mais corajosa para se expressar após participar do evento. “Lá ninguém vai te julgar, e ser julgada era um dos meus maiores medos”, revela. A partir de suas experiências, ela criou o Sarau Alugo Palavras, que acontece na Vila Luzita.

Jailson Gomes da Silva vai na Concha há um ano. “Acho de máxima importância, pois na grande maioria das vezes as pessoas aprendem a se silenciar antes de opinar. Lá não existe silenciamento. Lá ocorre a quebra dele”.

“A gente acredita que nada melhor do que a vivência para nos ensinar, certo? Então, no sarau, aparecem pessoas de 2 anos a 75 anos para prestigiar o evento. O sarau representa na minha vida um Norte para continuar vivo”, encerra Pedro Simples.
 



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Sarau da Consciência. em Santo André, preza pela troca de experiências e pela vida

Vinícius Castelli

11/02/2019 | 07:00


Da urgência de se ter um espaço para cultivar as raízes, relações, e onde o público possa se expressar livremente, além de encontrar conforto nas palavras das pessoas, nasceu o Sarau da Consciência, em março de 2016.

O evento tem como endereço a Concha Acústica da Praça do Carmo, no Centro de Santo André. Lá, todas as terças-feiras, a partir das 20h15, cerca de 200 – às vezes 400 – pessoas reservam parte de seus tempos para trocar experiências e absorverem arte. “É um resgate de rituais mesmo. Nos reunimos para celebrar a vida por meio da arte. No mais, a principal proposta desse movimento, dessa energia, é a partilha”, explica Pedro José  B. dos Santos, 23 anos e idealizador do evento, que também é organizado por Marianne Santana.

Conhecido como Pedro Simples, ele conta que o evento é realizado de forma independente. “A gente costuma chegar mais cedo e limpar todo o espaço, se necessário. Desde às 18h já tem gente na Concha à espera do sarau. Damos início às atividades, abrindo o espaço para todo mundo se expressar, sem distinção de nada. Aqui, os moradores de rua são realmente escutados”, afirma.

O evento oferece um espaço aberto para quem quiser, livre de amarras. Segundo o organizador, naquele momento, todas as pessoas são artistas e podem se apresentar, “com o devido respeito aos demais”, frisa. Seja por meio de uma canção, da apresentação de uma dança, um quadro. Valem ainda uma vivencia de rua, desabafo, segundo ele. “Toda forma de expressão que vem do coração, chamamos de arte”, explica.

Mas o Sarau da Consciência vai além. Pedro Simples conta um caso especial. Em um período, um morador de rua passou a aparecer no evento sem entender o que acontecia ali. “Ele vinha até nós e falava: ‘Olha, eu estou há uma semana sem usar crack, desde o sarau passado, só para poder vir falar aqui com vocês, sóbrio’”, diz Pedro Simples, que clama por ajuda do poder público. “Já está na hora de tomarmos providências (sobre o descaso com os dependentes químicos).”

Janielly de Sousa Martins Fernandes é uma das que frequentam o sarau. “Gosto muito das vibrações, para mim, é muito mais que um evento. É o momento em que renovo minhas energias, ensino, aprendo e presencio momentos inesquecíveis”, diz. Ela acredita ter se tornado uma pessoa mais corajosa para se expressar após participar do evento. “Lá ninguém vai te julgar, e ser julgada era um dos meus maiores medos”, revela. A partir de suas experiências, ela criou o Sarau Alugo Palavras, que acontece na Vila Luzita.

Jailson Gomes da Silva vai na Concha há um ano. “Acho de máxima importância, pois na grande maioria das vezes as pessoas aprendem a se silenciar antes de opinar. Lá não existe silenciamento. Lá ocorre a quebra dele”.

“A gente acredita que nada melhor do que a vivência para nos ensinar, certo? Então, no sarau, aparecem pessoas de 2 anos a 75 anos para prestigiar o evento. O sarau representa na minha vida um Norte para continuar vivo”, encerra Pedro Simples.
 

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