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Roubo de carga encarece preço de produtos em até 30%

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Região registrou 537 ocorrências do tipo em 2018, número 5% maior do que um ano antes; empresas investem cada vez mais em segurança


Aline Melo

03/02/2019 | 07:09


O Grande ABC registrou, em 2018, 537 casos de roubo de carga, número 5% maior do que os 511 crimes ocorridos em 2017. Desde 2014, a região vem observando oscilação no índice, com avanços consecutivos a partir de 2016 (veja dados na tabela). O cenário traz impactos ao consumidor, que chega a pagar até 30% a mais por uma mercadoria devido aos custos da empresa com segurança, alerta o vice-presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura Júnior.

Para especialistas em segurança, é preciso investir em inteligência por parte das equipes de investigação, com foco no desmantelamento das quadrilhas que realizam os roubos e na identificação e punição exemplar dos receptadores, que são as pessoas que recebem as cargas e as transformam em dinheiro vivo.

A circulação menor de dinheiro em espécie no mercado, inclusive, é um dos fatores apontados pelo especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello para o cenário atual. “O problema de roubo de cargas vem em uma crescente não só no Grande ABC, mas em todo o Brasil há pelos menos três anos”, afirmou. Lordello explicou que o fato de os comércios terem 90% de suas movimentações feitas por meio eletrônico obriga os criminosos a pensarem alternativas. “Houve um momento em que roubavam caixas eletrônicos. Os bancos melhoram a segurança e eles migram para carro-forte. A carga roubada é rapidamente transformada em dinheiro”, justificou.

Lordello apontou ainda que as próprias características da região, de certa forma, favorecem para a incidência de roubos de cargas. “São muitas rodovias, por onde circulam grande número de mercadorias, além dos centros logísticos para distribuição desses produtos. Os criminosos também estão cientes disso”, pontuou.

O especialista avaliou que maior aproximação entre as empresas de transporte, as responsáveis pela segurança e as forças de segurança poderia ter bons resultados. “Um contato efetivo entre as partes seria oportunidade de aprendizado para todos”, opinou.

Policial aposentado e especialista em segurança pública e privada, Antônio Albino argumentou que a inteligência deve atuar no sentido de identificar receptadores que se passam por empresários e que é preciso maior integração entre as Polícias Civil e Militar, as GCMs (Guardas Civis Municipais) e a Polícia Rodoviária. “A atuação da Polícia Rodoviária ainda é, de certa forma, isolada”, concluiu.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) destacou que as polícias Civil e Militar atuam em todo Estado com “diversas ações” no combate aos roubos de carga. “Neste ano, por exemplo, foram realizadas três operações Rodovia Mais Segura com a mobilização de mais de 45 mil policiais militares. Somente no dia 24 de janeiro, no Grande ABC, foram empregados 439 policiais militares e 188 viaturas em 20 pontos das rodovias que cortam a região. Foram realizadas 1.174 abordagens, 11 pessoas foram presas e 1.440 veículos vistoriados”, informou, em nota.

A Polícia Civil disse ter intensificado as ações feitas no combate a esse tipo de crime na área, com os núcleos de carga existentes nas seccionais e na realização de reuniões periódicas com a PM para formulação de operações conjuntas. “De janeiro a novembro de 2018, os roubos em geral no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) reduziram 35,8% em comparação com 2017”, completou.

Segurança já consome 14% do faturamento

Na tentativa de diminuir o número de roubos de cargas, as transportadoras investem cada vez mais em segurança, afirmou o assessor da área da Fetcesp (Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo), o coronel da reserva do Exército Paulo Roberto de Souza. “Os custos com seguros e gerenciamento de risco chegam a 14% do faturamento das empresas”, pontuou.

Souza destacou que o cenário no Grande ABC é preocupante há muito tempo, assim como os dados nacionais. “A estimativa é a de que, em 2018, tenham ocorrido 22 mil roubos de carga no Brasil. É um número alarmante”, afirmou. Ele apontou que as empresas têm buscado se aproximar dos atuais governos federal e estadual para cobrar ações efetivas no combate aos crimes. “Já temos aprovada legislação de 2006, regulamentada por decreto federal em 2015, que prevê a criação de sistema nacional para integrar todos os Estados. Precisamos apenas que seja colocado em prática”, declarou, em referência à Lei Complementar 121/2006, que cria o Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas.

Souza comentou que, embora os dados estaduais tenham apresentado queda no último ano, o cenário no curto prazo não demonstra que as empresas possam reduzir os investimentos em tecnologia – como sensores para cortar combustível e travar os veículos, por exemplo – e material humano que acompanha 24 horas a operação de carga. “Enquanto não houver respostas efetivas do poder público, os empresários vão ter que continuar investindo e esse custo é repassado em toda cadeia até chegar ao consumidor final”, concluiu.

Comerciantes pequenos e médios sofrem mais

Vice-presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura Júnior afirmou que os roubos de carga urbana impactam diretamente no custo para o empresário e para o comerciante. Em especialmente, aos pequenos e médios que, em geral, não dispõem da estrutura das grandes corporações que têm condições de investir em sistemas pesados de segurança do transporte como escoltas, radares, entre outros. 

“Os extravios de carga podem encarecer em até 30% o produto final, consequentemente, afeta também o consumidor”, avaliou.

Segundo Moura Júnior, a associação procura ajudar seus associados e empreendedores por meio de ações preventivas com palestras, cursos, workshops que orientam sobre o que é possível fazer dentro da empresa para evitar ou diminuir ou a incidência de roubos. As demais associações comerciais da região não se manifestaram sobre o tema até o fechamento desta edição.

“No Rio de Janeiro, o Estado com maior número de crimes como este no País, o impacto chega a 25% do valor final das mercadorias”, declarou o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello. “Já existem carros frigoríficos blindados no mercado, e tudo isso tem um custo que vai ser diluído”, explicou.

No Grande ABC, apesar de ter havido aumento de 5% nos casos de roubos de carga na comparação dos 537 crimes ocorridos em 2018 com as 511 ocorrências de 2017, o especialista avalia que a situação não é tão alarmante quanto no resto do País. “O problema é grave, mas comparado com outros Estados, São Paulo vem dando uma lição positiva no combate à esses e outros crimes”, pontuou.  



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Roubo de carga encarece preço de produtos em até 30%

Região registrou 537 ocorrências do tipo em 2018, número 5% maior do que um ano antes; empresas investem cada vez mais em segurança

Aline Melo

03/02/2019 | 07:09


O Grande ABC registrou, em 2018, 537 casos de roubo de carga, número 5% maior do que os 511 crimes ocorridos em 2017. Desde 2014, a região vem observando oscilação no índice, com avanços consecutivos a partir de 2016 (veja dados na tabela). O cenário traz impactos ao consumidor, que chega a pagar até 30% a mais por uma mercadoria devido aos custos da empresa com segurança, alerta o vice-presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura Júnior.

Para especialistas em segurança, é preciso investir em inteligência por parte das equipes de investigação, com foco no desmantelamento das quadrilhas que realizam os roubos e na identificação e punição exemplar dos receptadores, que são as pessoas que recebem as cargas e as transformam em dinheiro vivo.

A circulação menor de dinheiro em espécie no mercado, inclusive, é um dos fatores apontados pelo especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello para o cenário atual. “O problema de roubo de cargas vem em uma crescente não só no Grande ABC, mas em todo o Brasil há pelos menos três anos”, afirmou. Lordello explicou que o fato de os comércios terem 90% de suas movimentações feitas por meio eletrônico obriga os criminosos a pensarem alternativas. “Houve um momento em que roubavam caixas eletrônicos. Os bancos melhoram a segurança e eles migram para carro-forte. A carga roubada é rapidamente transformada em dinheiro”, justificou.

Lordello apontou ainda que as próprias características da região, de certa forma, favorecem para a incidência de roubos de cargas. “São muitas rodovias, por onde circulam grande número de mercadorias, além dos centros logísticos para distribuição desses produtos. Os criminosos também estão cientes disso”, pontuou.

O especialista avaliou que maior aproximação entre as empresas de transporte, as responsáveis pela segurança e as forças de segurança poderia ter bons resultados. “Um contato efetivo entre as partes seria oportunidade de aprendizado para todos”, opinou.

Policial aposentado e especialista em segurança pública e privada, Antônio Albino argumentou que a inteligência deve atuar no sentido de identificar receptadores que se passam por empresários e que é preciso maior integração entre as Polícias Civil e Militar, as GCMs (Guardas Civis Municipais) e a Polícia Rodoviária. “A atuação da Polícia Rodoviária ainda é, de certa forma, isolada”, concluiu.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) destacou que as polícias Civil e Militar atuam em todo Estado com “diversas ações” no combate aos roubos de carga. “Neste ano, por exemplo, foram realizadas três operações Rodovia Mais Segura com a mobilização de mais de 45 mil policiais militares. Somente no dia 24 de janeiro, no Grande ABC, foram empregados 439 policiais militares e 188 viaturas em 20 pontos das rodovias que cortam a região. Foram realizadas 1.174 abordagens, 11 pessoas foram presas e 1.440 veículos vistoriados”, informou, em nota.

A Polícia Civil disse ter intensificado as ações feitas no combate a esse tipo de crime na área, com os núcleos de carga existentes nas seccionais e na realização de reuniões periódicas com a PM para formulação de operações conjuntas. “De janeiro a novembro de 2018, os roubos em geral no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) reduziram 35,8% em comparação com 2017”, completou.

Segurança já consome 14% do faturamento

Na tentativa de diminuir o número de roubos de cargas, as transportadoras investem cada vez mais em segurança, afirmou o assessor da área da Fetcesp (Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo), o coronel da reserva do Exército Paulo Roberto de Souza. “Os custos com seguros e gerenciamento de risco chegam a 14% do faturamento das empresas”, pontuou.

Souza destacou que o cenário no Grande ABC é preocupante há muito tempo, assim como os dados nacionais. “A estimativa é a de que, em 2018, tenham ocorrido 22 mil roubos de carga no Brasil. É um número alarmante”, afirmou. Ele apontou que as empresas têm buscado se aproximar dos atuais governos federal e estadual para cobrar ações efetivas no combate aos crimes. “Já temos aprovada legislação de 2006, regulamentada por decreto federal em 2015, que prevê a criação de sistema nacional para integrar todos os Estados. Precisamos apenas que seja colocado em prática”, declarou, em referência à Lei Complementar 121/2006, que cria o Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas.

Souza comentou que, embora os dados estaduais tenham apresentado queda no último ano, o cenário no curto prazo não demonstra que as empresas possam reduzir os investimentos em tecnologia – como sensores para cortar combustível e travar os veículos, por exemplo – e material humano que acompanha 24 horas a operação de carga. “Enquanto não houver respostas efetivas do poder público, os empresários vão ter que continuar investindo e esse custo é repassado em toda cadeia até chegar ao consumidor final”, concluiu.

Comerciantes pequenos e médios sofrem mais

Vice-presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura Júnior afirmou que os roubos de carga urbana impactam diretamente no custo para o empresário e para o comerciante. Em especialmente, aos pequenos e médios que, em geral, não dispõem da estrutura das grandes corporações que têm condições de investir em sistemas pesados de segurança do transporte como escoltas, radares, entre outros. 

“Os extravios de carga podem encarecer em até 30% o produto final, consequentemente, afeta também o consumidor”, avaliou.

Segundo Moura Júnior, a associação procura ajudar seus associados e empreendedores por meio de ações preventivas com palestras, cursos, workshops que orientam sobre o que é possível fazer dentro da empresa para evitar ou diminuir ou a incidência de roubos. As demais associações comerciais da região não se manifestaram sobre o tema até o fechamento desta edição.

“No Rio de Janeiro, o Estado com maior número de crimes como este no País, o impacto chega a 25% do valor final das mercadorias”, declarou o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello. “Já existem carros frigoríficos blindados no mercado, e tudo isso tem um custo que vai ser diluído”, explicou.

No Grande ABC, apesar de ter havido aumento de 5% nos casos de roubos de carga na comparação dos 537 crimes ocorridos em 2018 com as 511 ocorrências de 2017, o especialista avalia que a situação não é tão alarmante quanto no resto do País. “O problema é grave, mas comparado com outros Estados, São Paulo vem dando uma lição positiva no combate à esses e outros crimes”, pontuou.  

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