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Migração e empreendedorismo


Paulo Roberto Silva
consultor e integrante do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano)

01/02/2019 | 07:00


Pesquisas apontam uma correlação entre a presença relevante de migrantes-imigrantes e a maior propensão ao empreendedorismo em uma determinada região. No Brasil, não é diferente. As cidades consideradas mais empreendedoras pela organização Endeavor são também as com maior presença de habitantes vindos de outras regiões do País ou do Exterior, como mostra um estudo que publicamos na 5ª Carta de Conjuntura do Observatório da USCS.

No referido estudo procuramos analisar a correlação entre migração e empreendedorismo na realidade brasileira. Assim, para avaliar se há correlação entre fluxo migratório e empreendedorismo, comparamos os dados nacionais aos das dez cidades mais empreendedoras conforme a Endeavor: São Paulo, Florianópolis, Vitória, Curitiba, Joinville, Rio de Janeiro, Campinas, Maringá, Belo Horizonte e São José dos Campos.

De acordo com o Censo 2010, o Brasil é País bastante fechado ao contato com estrangeiros. Contamos com baixa imigração internacional, mas relevante movimentação interna. O percentual de estrangeiros no País é de apenas 0,31%, mas 36,4% dos brasileiros vivem a menos de dez anos na cidade atual. O gigantismo territorial e populacional é a explicação mais provável para esse isolamento internacional de nosso povo, combinado à relevante mobilidade interna.

Ao analisarmos as dez cidades mais empreendedoras, identificamos padrão migratório mais intenso que a média nacional. A presença de estrangeiros é significativamente superior, com média de 0,63% contra 0,31% no País. Destacam-se as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, onde a população estrangeira supera 1%.

Quando consideramos o fluxo migratório interno, vemos que a média das dez cidades é inferior à nacional. Enquanto 36,4% dos brasileiros vivem há menos de dez anos em seu município atual, nas dez cidades esse índice cai para 30,46%. Se desconsiderarmos São Paulo e Rio de Janeiro, cujo gigantismo econômico desestimula fluxo migratório, o índice sobe para 42,11%. Novamente se destaca Florianópolis, na qual 46,11% dos moradores vivem na cidade há menos de dez anos.

Percebe-se que o fluxo migratório no Brasil acontece principalmente dentro dos Estados. Apenas 10% dos moradores das 10 cidades mais empreendedoras vieram de outras regiões, e 18,36% vieram de outro Estado. Ou seja, 27,75% se deslocaram de outras cidades do mesmo Estado para as cidades mais empreendedoras. Florianópolis foi a que mais recebeu migrantes de outro Estado, 30,38%; São José dos Campos foi a segunda a atrair mais moradores de outro Estado, 25,99%. Maringá é a que mais recebeu migrantes de outra região, 21,82%, por conta da presença de 15,81% de nascidos no Sudeste. Destes, 12,64% são de São Paulo.

O Grande ABC apresenta perfil migratório intermediário entre a média nacional e a das dez cidades mais empreendedoras. Apenas 29,64% da população vivem no município há menos de dez anos. A população estrangeira é de 0,49% do total. Entretanto, os percentuais de nascidos fora do Estado de São Paulo e da região Sudeste são maiores que a média nacional, com 27,39% e 19,26%, respectivamente. São Caetano é a cidade da região com maior percentual de habitantes estrangeiros, 1,61%, e de habitantes com menos de dez anos de moradia no município, 38,33%. Diadema, por sua vez, é a que abriga o maior percentual de nascidos fora de São Paulo e da região Sudeste, com 33,46% e 27,03%, respectivamente. Isso se explica porque 23,42% da população de Diadema é nascida na região Nordeste, sendo 8,2% da Bahia. Os dados apontam que o fluxo migratório na região está mais alinhado à realidade nacional que a das dez cidades mais empreendedoras. O desenvolvimento de cultura de empreendedorismo e inovação na região passa pelo estímulo à atração de mais migrantes, especialmente estrangeiros. Políticas de intercâmbio internacional de estudantes universitários, atração de startups estrangeiras ou mesmo programas de empreendedorismo focados nas comunidades de refugiados são algumas das medidas que podem ser tomadas neste sentido.

Isso, contudo, vai na contramão dos debates sobre refugiados e políticas migratórias no País, que buscam fechar ainda mais um País já pouco exposto ao contato com estrangeiros. 



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Migração e empreendedorismo

Paulo Roberto Silva
consultor e integrante do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano)

01/02/2019 | 07:00


Pesquisas apontam uma correlação entre a presença relevante de migrantes-imigrantes e a maior propensão ao empreendedorismo em uma determinada região. No Brasil, não é diferente. As cidades consideradas mais empreendedoras pela organização Endeavor são também as com maior presença de habitantes vindos de outras regiões do País ou do Exterior, como mostra um estudo que publicamos na 5ª Carta de Conjuntura do Observatório da USCS.

No referido estudo procuramos analisar a correlação entre migração e empreendedorismo na realidade brasileira. Assim, para avaliar se há correlação entre fluxo migratório e empreendedorismo, comparamos os dados nacionais aos das dez cidades mais empreendedoras conforme a Endeavor: São Paulo, Florianópolis, Vitória, Curitiba, Joinville, Rio de Janeiro, Campinas, Maringá, Belo Horizonte e São José dos Campos.

De acordo com o Censo 2010, o Brasil é País bastante fechado ao contato com estrangeiros. Contamos com baixa imigração internacional, mas relevante movimentação interna. O percentual de estrangeiros no País é de apenas 0,31%, mas 36,4% dos brasileiros vivem a menos de dez anos na cidade atual. O gigantismo territorial e populacional é a explicação mais provável para esse isolamento internacional de nosso povo, combinado à relevante mobilidade interna.

Ao analisarmos as dez cidades mais empreendedoras, identificamos padrão migratório mais intenso que a média nacional. A presença de estrangeiros é significativamente superior, com média de 0,63% contra 0,31% no País. Destacam-se as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, onde a população estrangeira supera 1%.

Quando consideramos o fluxo migratório interno, vemos que a média das dez cidades é inferior à nacional. Enquanto 36,4% dos brasileiros vivem há menos de dez anos em seu município atual, nas dez cidades esse índice cai para 30,46%. Se desconsiderarmos São Paulo e Rio de Janeiro, cujo gigantismo econômico desestimula fluxo migratório, o índice sobe para 42,11%. Novamente se destaca Florianópolis, na qual 46,11% dos moradores vivem na cidade há menos de dez anos.

Percebe-se que o fluxo migratório no Brasil acontece principalmente dentro dos Estados. Apenas 10% dos moradores das 10 cidades mais empreendedoras vieram de outras regiões, e 18,36% vieram de outro Estado. Ou seja, 27,75% se deslocaram de outras cidades do mesmo Estado para as cidades mais empreendedoras. Florianópolis foi a que mais recebeu migrantes de outro Estado, 30,38%; São José dos Campos foi a segunda a atrair mais moradores de outro Estado, 25,99%. Maringá é a que mais recebeu migrantes de outra região, 21,82%, por conta da presença de 15,81% de nascidos no Sudeste. Destes, 12,64% são de São Paulo.

O Grande ABC apresenta perfil migratório intermediário entre a média nacional e a das dez cidades mais empreendedoras. Apenas 29,64% da população vivem no município há menos de dez anos. A população estrangeira é de 0,49% do total. Entretanto, os percentuais de nascidos fora do Estado de São Paulo e da região Sudeste são maiores que a média nacional, com 27,39% e 19,26%, respectivamente. São Caetano é a cidade da região com maior percentual de habitantes estrangeiros, 1,61%, e de habitantes com menos de dez anos de moradia no município, 38,33%. Diadema, por sua vez, é a que abriga o maior percentual de nascidos fora de São Paulo e da região Sudeste, com 33,46% e 27,03%, respectivamente. Isso se explica porque 23,42% da população de Diadema é nascida na região Nordeste, sendo 8,2% da Bahia. Os dados apontam que o fluxo migratório na região está mais alinhado à realidade nacional que a das dez cidades mais empreendedoras. O desenvolvimento de cultura de empreendedorismo e inovação na região passa pelo estímulo à atração de mais migrantes, especialmente estrangeiros. Políticas de intercâmbio internacional de estudantes universitários, atração de startups estrangeiras ou mesmo programas de empreendedorismo focados nas comunidades de refugiados são algumas das medidas que podem ser tomadas neste sentido.

Isso, contudo, vai na contramão dos debates sobre refugiados e políticas migratórias no País, que buscam fechar ainda mais um País já pouco exposto ao contato com estrangeiros. 

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