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Ações da Vale despencam após rompimento de barragem em MG e bolsa recua



28/01/2019 | 14:41


A Bolsa de São Paulo perdia quase 3 mil pontos nesta segunda-feira, 28, com a forte queda nas ações da Vale e da Bradespar. As ações ordinárias das duas companhias perdiam cerca de 19% logo no início de pregão, repercutindo a tragédia em Brumadinho (MG), no primeiro dia de negociações após o ocorrido. O leilão de abertura das duas ações durou mais que o normal, mas a queda do Ibovespa era moderada, seguindo a variação negativa das bolsas europeias. Às 13h18, o Ibovespa caía 2,63%, aos 95.105 pontos. No mesmo horário, a ações ON da Vale tinham queda de 22,48%

A Vale ON - que responde por 10,9% da carteira do Ibovespa - é de longe a mais negociada entre as ações do índice. A segunda ação mais negociada é a ON da Bradespar, empresa do Bradesco que tem como maior participação a Vale.

O impacto sobre o valor de mercado da mineradora divide analistas. Há quem entenda que o efeito no negócio da Vale será limitado. Os profissionais destacam que a produção local corresponde a menos de 2% da produção total da Vale, portanto, do ponto de vista estritamente operacional, o impacto do rompimento seria pequeno. "A capacidade ociosa em outras minas permite o remanejamento da operação", comentaram os analistas da Coinvalores, em relatório assinado por Sandra Peres, Felipe Martins Silveira e Sabrina Cassiano.

Eles salientam, porém, que "além de novos impactos financeiros potenciais, mudanças regulatórias também ficam no radar, com a possibilidade de exigências mais rígidas quanto à licença para novas barragens e minas". Eles sugerem que as ações da Vale devem ficar pressionadas até que todos os potenciais impactos possam ser mensurados de forma mais clara.

"No curto prazo, os papéis da mineradora deverão continuar pressionados, reflexo dos danos de imagem à companhia e provisões para pagamento de multas e indenizações", disseram os profissionais da Guide, que também sugerem que o rompimento da barragem poderá atrasar as concessões e licenças ambientais nas operações Brasil. "Há também o risco de novos processos de investidores nos EUA e rebaixamento de agências de risco", acrescentaram. A casa lembra que, apesar de decisões judiciais que levaram ao bloqueio de R$11 bilhões, a Vale possui fôlego financeiro, já que contava com um caixa próximo de cerca de R$ 23 bilhões ao fim do terceiro trimestre.

O analista-chefe da Necton, Glauco Legat, disse que não recomendaria a venda das ações da companhia tendo em vista o baixo impacto do rompimento na produção de minério de ferro da companhia, e o fato de que há capacidade ociosa. Além disso, aponta que o sistema logístico, que interliga a Ferrovia Espírito Santo - Minas Gerais, aparentemente não foi interrompido e o escoamento da produção segue intacto.

Adicionalmente, Legat citou que a Samarco levou a Vale a provisionar US$ 2,7 bilhões de potenciais ressarcimentos, pagamento que se dará no prazo de 12 anos (até 2028), e que o minério de ferro futuro subiu nesta segunda 2,77%.

Siderúrgicas

As ações do setor de siderurgia também refletem a queda da Vale e recuam. Liderando as baixas, as ações ON da CSN caem 2,78%, seguidas de queda de 0,94% das ações PN da Gerdau. A Gerdau Metalúrgica PN tem baixa de 1,19%.

"O setor acaba sendo influenciado porque algumas empresas possuem também um braço de mineração. Entre as mais afetadas está a CSN. As ações são afetadas diante de um efeito dominó, uma vez que o investidor se desfaz de papéis ligados à mineração", diz Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Mercado externo

As ADRs (American Depositary Receipt) - recibos de ações através dos quais empresas não sediadas nos Estados Unidos podem negociar seus papéis no mercado norte americano - abriram em forte queda em Nova York, depois de ter recuo expressivo também durante os negócios do pré-mercado. Às 12h35 (de Brasília), o ADR da empresa caía 16,91%, a US$ 11,40. No mesmo horário, o principal fundo de índice (ETF) de papéis brasileiros negociados em Nova York, o EWZ, recuava 2,85%, a US$ 42,57. (Colaborou Monique Heemann)



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Ações da Vale despencam após rompimento de barragem em MG e bolsa recua


28/01/2019 | 14:41


A Bolsa de São Paulo perdia quase 3 mil pontos nesta segunda-feira, 28, com a forte queda nas ações da Vale e da Bradespar. As ações ordinárias das duas companhias perdiam cerca de 19% logo no início de pregão, repercutindo a tragédia em Brumadinho (MG), no primeiro dia de negociações após o ocorrido. O leilão de abertura das duas ações durou mais que o normal, mas a queda do Ibovespa era moderada, seguindo a variação negativa das bolsas europeias. Às 13h18, o Ibovespa caía 2,63%, aos 95.105 pontos. No mesmo horário, a ações ON da Vale tinham queda de 22,48%

A Vale ON - que responde por 10,9% da carteira do Ibovespa - é de longe a mais negociada entre as ações do índice. A segunda ação mais negociada é a ON da Bradespar, empresa do Bradesco que tem como maior participação a Vale.

O impacto sobre o valor de mercado da mineradora divide analistas. Há quem entenda que o efeito no negócio da Vale será limitado. Os profissionais destacam que a produção local corresponde a menos de 2% da produção total da Vale, portanto, do ponto de vista estritamente operacional, o impacto do rompimento seria pequeno. "A capacidade ociosa em outras minas permite o remanejamento da operação", comentaram os analistas da Coinvalores, em relatório assinado por Sandra Peres, Felipe Martins Silveira e Sabrina Cassiano.

Eles salientam, porém, que "além de novos impactos financeiros potenciais, mudanças regulatórias também ficam no radar, com a possibilidade de exigências mais rígidas quanto à licença para novas barragens e minas". Eles sugerem que as ações da Vale devem ficar pressionadas até que todos os potenciais impactos possam ser mensurados de forma mais clara.

"No curto prazo, os papéis da mineradora deverão continuar pressionados, reflexo dos danos de imagem à companhia e provisões para pagamento de multas e indenizações", disseram os profissionais da Guide, que também sugerem que o rompimento da barragem poderá atrasar as concessões e licenças ambientais nas operações Brasil. "Há também o risco de novos processos de investidores nos EUA e rebaixamento de agências de risco", acrescentaram. A casa lembra que, apesar de decisões judiciais que levaram ao bloqueio de R$11 bilhões, a Vale possui fôlego financeiro, já que contava com um caixa próximo de cerca de R$ 23 bilhões ao fim do terceiro trimestre.

O analista-chefe da Necton, Glauco Legat, disse que não recomendaria a venda das ações da companhia tendo em vista o baixo impacto do rompimento na produção de minério de ferro da companhia, e o fato de que há capacidade ociosa. Além disso, aponta que o sistema logístico, que interliga a Ferrovia Espírito Santo - Minas Gerais, aparentemente não foi interrompido e o escoamento da produção segue intacto.

Adicionalmente, Legat citou que a Samarco levou a Vale a provisionar US$ 2,7 bilhões de potenciais ressarcimentos, pagamento que se dará no prazo de 12 anos (até 2028), e que o minério de ferro futuro subiu nesta segunda 2,77%.

Siderúrgicas

As ações do setor de siderurgia também refletem a queda da Vale e recuam. Liderando as baixas, as ações ON da CSN caem 2,78%, seguidas de queda de 0,94% das ações PN da Gerdau. A Gerdau Metalúrgica PN tem baixa de 1,19%.

"O setor acaba sendo influenciado porque algumas empresas possuem também um braço de mineração. Entre as mais afetadas está a CSN. As ações são afetadas diante de um efeito dominó, uma vez que o investidor se desfaz de papéis ligados à mineração", diz Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Mercado externo

As ADRs (American Depositary Receipt) - recibos de ações através dos quais empresas não sediadas nos Estados Unidos podem negociar seus papéis no mercado norte americano - abriram em forte queda em Nova York, depois de ter recuo expressivo também durante os negócios do pré-mercado. Às 12h35 (de Brasília), o ADR da empresa caía 16,91%, a US$ 11,40. No mesmo horário, o principal fundo de índice (ETF) de papéis brasileiros negociados em Nova York, o EWZ, recuava 2,85%, a US$ 42,57. (Colaborou Monique Heemann)

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